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Lance e suas travessuras

Fandom: Forsaken

Created: 4/17/2026

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RomanceDramaAngstHurt/ComfortPsychologicalCurtainfic / Domestic StoryDrug UseJealousy
Contents

Sabor de Cafeína e Sangue

A floresta ao redor da cabana rústica de madeira parecia respirar junto com o vento gélido da noite. O silêncio era absoluto, interrompido apenas pelo estalar ocasional da lenha na lareira e pelo som rítmico da chuva fina que começava a cair sobre o telhado. Lá dentro, o ambiente era um contraste gritante com o mundo exterior. O cheiro de pinho e terra úmida que Lance trazia em suas roupas misturava-se ao aroma onipresente e forte de café torrado que parecia emanar dos poros de Tessius.

Tessius estava jogado sobre a cama de casal, os lençóis bagunçados sob seu corpo exausto. Ele ainda vestia o uniforme da pizzaria, manchado de farinha em alguns pontos, e seus olhos estavam semicerrados, lutando contra o cansaço extremo de quem havia emendado três turnos diferentes. Seus dedos longos e pálidos tremiam levemente, um sinal claro de que o efeito da última xícara de café estava passando. A ansiedade começava a borbulhar sob sua pele como um veneno silencioso, e as sombras nos cantos do quarto pareciam sussurrar coisas que só ele podia ouvir.

A porta da frente rangeu e passos pesados ecoaram pelo assoalho. Lance entrou no quarto, exalando a vitalidade bruta de quem acabara de abater uma presa. Ele carregava o arco e a aljava, que deixou encostados na parede com cuidado. Seus olhos bissexuais, intensos e carregados de uma adoração que nunca vacilou, fixaram-se imediatamente na figura de Tessius. Ver o marido ali, vulnerável, com as pernas abertas de forma relaxada e a respiração pesada, fez o sangue de Lance esquentar instantaneamente.

Lance aproximou-se da cama, desfazendo-se das luvas de couro com uma lentidão calculada. Ele observou a tremedeira de Tessius e o franzir de testa que indicava o início de uma crise de abstinência de cafeína ou um surto de mau humor iminente.

— Você parece acabado, meu pequeno corvo — disse Lance, sua voz um barítono suave que cortava a névoa mental de Tessius.

Tessius abriu um dos olhos, a íris brilhando com uma irritação latente.

— Se você disser que eu pareço uma "garota cansada", eu juro que enfio um bule de café fervendo na sua garganta, Lance.

Lance soltou uma risada baixa, o som vibrando em seu peito largo. Ele conhecia bem os gatilhos de Tessius. Sabia que o passado dele, a dor daquela "pobre garotinha" que sofrera abusos aos sete anos, era uma ferida que nunca cicatrizaria totalmente, mas que Tessius havia transformado em armadura ao se tornar o homem que era hoje. Lance o amava por isso. Amava a força dele, a grosseria defensiva e até as partes quebradas que o tornavam tão único.

— Eu jamais cometeria esse erro, Tess — respondeu Lance, sentando-se na beira da cama. — Você é o homem mais ranzinza e viciado em café que eu já conheci. E é todo meu.

Lance estendeu a mão e a colocou firmemente sobre a virilha de Tessius, sentindo o calor através do tecido do uniforme. Com um movimento ágil, ele desabotoou o cinto e abaixou as calças do marido, expondo a pele pálida e as cicatrizes que contavam histórias de sobrevivência. Suas mãos grandes começaram a acariciar as coxas de Tessius, subindo lentamente.

— Pare com isso... — resmungou Tessius, embora seu corpo estivesse reagindo positivamente ao toque, os quadris subindo levemente para encontrar a mão de Lance. — Eu preciso de café. Agora. Minha cabeça vai explodir e eu vou começar a arrancar meu cabelo se você não me der uma xícara em dez minutos.

— O café pode esperar cinco minutos — provocou Lance, inclinando-se para beijar o pescoço de Tessius, sentindo o pulso acelerado dele sob os lábios. — Ou talvez eu possa te dar outra coisa para focar sua atenção.

Tessius soltou um rosnado, mas sua mão direita foi de encontro aos cabelos de Lance, puxando-os com uma força possessiva.

— Você é um idiota egocêntrico. Acha que o seu sexo é melhor que uma dose de cafeína? — Tessius rangeu os dentes, a esquizofrenia sussurrando insultos em sua mente, mas a presença física de Lance servia como uma âncora.

— Eu sei que é — afirmou Lance com confiança, fechando a mão sobre o membro de Tessius e começando um movimento rítmico e firme. — E eu sei que você me adora tanto quanto adora aquele grão amargo.

Tessius arqueou as costas, um gemido escapando entre seus lábios. O prazer começou a nublar a irritação, mas o TDAH tornava difícil para ele se concentrar apenas na sensação; sua mente saltava da textura dos lençóis para o trabalho na cafeteira com Emma, para a imagem de Alison cuidando dele quando Mary e Elias foram presos. Ele sentiu uma onda súbita de ódio ao lembrar do pai biológico colocando drogas em seu café quando criança, o motivo cruel de seu vício atual.

— Lance... — Tessius ofegou, seus olhos ficando úmidos. — Não para. Se você parar, eu vou te matar.

— Eu não vou a lugar nenhum — sussurrou Lance, intensificando as carícias. — Eu fugi daquela herança maldita e dos cassinos da minha família só para estar aqui, nesta cabana, com você. Acha mesmo que eu desistiria agora?

O toque de Lance era experiente, uma mistura de ternura e a agressividade de um caçador que conhece exatamente onde pressionar para obter a reação desejada. Tessius começou a tremer com mais força, não apenas pela falta de café, mas pela sobrecarga sensorial. Ele era possessivo, ciumento ao extremo, e a ideia de que Lance poderia estar em qualquer outro lugar, com qualquer outra pessoa, fazia seu sangue ferver.

— Você é meu — rosnou Tessius, puxando Lance para cima de si, as pernas agora envolvendo a cintura robusta do caçador. — Se eu descobrir que você anda conversando com aquele seu irmão gêmeo, o Chance, sobre voltar para os cassinos...

— Chance está feliz sendo o herdeiro, Tess — interrompeu Lance, beijando a ponta do nariz de Tessius. — Ele gosta das apostas e dos agiotas. Eu gosto da floresta. E de você. Especialmente quando você está assim, sem filtro e completamente entregue.

Tessius sentiu uma lágrima solitária escorrer, um subproduto de sua ansiedade generalizada e do cansaço emocional. Ele odiava ser sensível, odiava que Lance visse suas fraquezas, mas Lance nunca o julgava. Desde os tempos de escola particular, quando Alison os matriculou juntos, Lance o via de verdade. Viu a transição, viu os surtos, viu a psicopatia latente e o borderline, e nunca recuou.

— Eu te odeio — mentiu Tessius, as unhas cravando-se nos ombros de Lance.

— Eu também te amo — respondeu Lance, sorrindo de forma travessa antes de selar seus lábios em um beijo que tinha gosto de desejo reprimido.

O ato entre eles era frenético, uma dança de corpos que se conheciam há anos. Para Tessius, era uma forma de silenciar as vozes e a estática em sua cabeça. Para Lance, era a confirmação diária de que sua escolha de abandonar a riqueza e a máfia de Victor e Matteo fora a decisão mais acertada de sua vida.

Quando finalmente atingiram o ápice, Tessius desabou contra o peito de Lance, a respiração errática e o coração martelando contra as costelas. O silêncio voltou a reinar na cabana, mas agora era um silêncio compartilhado, menos hostil.

No entanto, a calmaria durou pouco. Tessius subitamente empurrou Lance para o lado e sentou-se na cama, seus olhos arregalados e as mãos voltando a tremer violentamente.

— Já passou uma hora — disse Tessius, sua voz subindo um tom, o mau humor retornando como uma tempestade. — Onde está o meu café, Lance? Se você não fizer agora, eu vou quebrar cada prato desta cozinha.

Lance suspirou, mas não estava irritado. Ele se levantou, nu e imponente, exibindo o corpo de quem passava os dias caçando e carregando lenha. Ele esticou o braço e pegou um roupão para o marido.

— Eu já deixei a água no fogo antes de entrar no quarto, Tess. Sabia que você ia acordar do transe querendo sangue ou cafeína.

— Não me trate como uma criança! — gritou Tessius, atirando um travesseiro na direção de Lance enquanto começava a soluçar de frustração, as mãos indo em direção ao próprio cabelo. — Eu quero café amargo! E quente! Se estiver morno, eu jogo na sua cara!

Lance aproximou-se rapidamente e segurou os pulsos de Tessius antes que ele pudesse se machucar.

— Ei, olha para mim. Sou eu. O café está saindo. Venha para a cozinha, você pode moer os grãos. Ajuda a acalmar as mãos.

Tessius olhou para Lance, a expressão oscilando entre a fúria e o desespero. O transtorno de personalidade borderline o fazia sentir tudo de forma amplificada, e naquele momento, Lance era a única coisa que o impedia de se fragmentar completamente.

— Tudo bem — murmurou Tessius, limpando as lágrimas com as costas da mão de forma bruta. — Mas se o Magnus ou a Lunna ligarem, diga que eu morri. Não quero falar com ninguém.

— Eles só se preocupam com você, Tess. Alison fez um bom trabalho nos mantendo unidos — comentou Lance, guiando o marido para fora do quarto.

— Alison é o único que presta naquela família de loucos — retrucou Tessius, já se sentando à mesa da cozinha rústica, os olhos fixos na chaleira que começava a apitar. — Mary e Elias deviam ter apodrecido no inferno antes de terem nos tido.

Lance começou a preparar a prensa francesa, colocando a dose generosa de pó que Tessius exigia. Ele sabia que a vida deles nunca seria "normal". Sempre haveria os remédios, as alucinações de Tessius, o vício em cafeína e as sombras do passado. Mas ali, naquela cabana isolada, onde Lance podia caçar e Tessius podia ser quem ele era sem o julgamento do mundo, eles encontraram um equilíbrio sangrento e cafeinado.

— Aqui — disse Lance, colocando a caneca fumegante na frente de Tessius.

Tessius envolveu a caneca com as mãos trêmulas, inalando o vapor como se fosse oxigênio. Ele deu o primeiro gole, o líquido negro e fervente queimando sua língua, exatamente como ele gostava. Um suspiro de alívio escapou de seus lábios e seus ombros relaxaram.

— Melhor? — perguntou Lance, encostando-se no balcão e observando o marido com um olhar de pura devoção.

Tessius olhou para ele por cima da borda da caneca, um pequeno sorriso sádico e carinhoso brincando em seus lábios.

— Por enquanto, Lance. Por enquanto você está seguro.

Lance riu, sabendo que em uma hora teria que repetir todo o processo, mas ele não trocaria aquela rotina caótica por nenhum cassino no mundo. Ele era o caçador, mas Tessius era a única coisa que ele realmente queria capturar, todos os dias, para sempre.
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