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Segredos

Fandom: Misana

Created: 4/20/2026

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RomanceSlice of LifeDramaFluffHumorCharacter StudyAngst
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O Silêncio de Gelo e o Furacão de Sorrisos

O corredor do bloco de Artes Visuais da Universidade de Seul parecia ter sua própria temperatura, e ela caía drasticamente sempre que Myoui Mina passava. Ela era uma visão de elegância austera: os cabelos escuros perfeitamente alinhados, os passos silenciosos e aqueles fones de ouvido que serviam como um escudo invisível contra o resto do mundo.

Sana, escondida atrás de um pilar com seu "comitê de crise", observava a cena com uma mistura de fascinação e pânico iminente.

— Olhem para ela — sussurrou Nayeon, mastigando um chiclete com uma intensidade desnecessária. — Ela nem pisca. Tem certeza de que ela não é um ciborgue enviado do futuro para destruir a alegria humana?

— Menos drama, Nayeon — Jihyo revirou os olhos, cruzando os braços. — Ela só é tímida. Ou muito, muito seletiva.

— Tímida? — Jeongyeon soltou uma risadinha debochada. — No mês passado, um veterano do curso de música tentou entregar um poema para ela no refeitório. Ela olhou para o papel, olhou para ele e disse: "A métrica está errada". E saiu andando. O cara ainda está em terapia.

Sana engoliu em seco, sentindo o peso da aposta em seus ombros. O jantar de sushi premium que elas haviam prometido parecia uma recompensa pequena demais para o risco de ter o coração — ou o ego — triturado pela "Rainha da Neve".

— Eu consigo — afirmou Sana, mais para si mesma do que para as outras. — Ninguém resiste ao charme de Minatozaki Sana por muito tempo. É ciência.

— Então prova, "doutora" — desafiou Jeongyeon, apontando para Mina, que acabara de se sentar em um banco isolado perto da janela, abrindo um caderno de esboços. — O cronômetro está rodando. Dia um. Vai lá.

Sana respirou fundo, ajeitou a alça de sua bolsa e desfez o nó de ansiedade na garganta. Ela caminhou com a confiança de quem ia receber um prêmio, e não de quem estava prestes a colidir com um iceberg.

Ao se aproximar, o perfume de Mina — algo que lembrava flores de cerejeira e papel novo — atingiu Sana. Ela parou a poucos centímetros do banco, exibindo o seu sorriso mais radiante, aquele que costumava desarmar até os professores mais severos.

— Oi! — exclamou Sana, inclinando a cabeça para o lado de forma fofa. — Esse lugar está ocupado?

Mina não levantou a cabeça. Seus dedos longos e pálidos continuaram movendo o lápis sobre o papel com uma precisão hipnotizante. O silêncio que se seguiu foi tão denso que Sana quase pôde ouvi-lo.

— Eu notei que você está sempre aqui sozinha — continuou Sana, sem se deixar abater. — Eu sou a Sana. Do curso de Dança. Bom, eu acho que já nos vimos em Algoritmos da Estética, embora você pareça prestar muito mais atenção no quadro do que em qualquer outra pessoa.

Mina mudou a posição da mão no papel. A ponta do grafite deslizou criando uma sombra perfeita sob o desenho de uma estátua grega. Ela não deu um único sinal de que havia um ser humano saltitante e barulhento ao seu lado.

— Você desenha muito bem! — Sana se inclinou um pouco mais, tentando ver o caderno. — É um dom ou você pratica muito? Eu tentei desenhar uma vez, mas meu cachorro parecia uma batata com pernas. Foi traumático.

Nada. Nem um suspiro. Nem um revirar de olhos. Mina era uma estátua de mármore em meio ao caos da universidade.

A alguns metros dali, Sana podia ouvir as risadinhas abafadas de Nayeon e Jeongyeon. Aquilo era combustível para sua determinação.

— Sabe — disse Sana, sentando-se na ponta oposta do banco, mantendo uma distância respeitosa, mas insistente —, o café da cafeteria nova é horrível, mas os muffins de mirtilo são aceitáveis. Você quer um? Eu estava indo buscar um agora e pensei que...

Mina finalmente se moveu. Ela fechou o caderno com um estalo seco, guardou o lápis no estojo de couro e, pela primeira vez, ergueu o rosto.

Seus olhos eram profundos, escuros e tão frios que Sana sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Não era uma frieza de maldade, mas de indiferença absoluta. Era como se Sana fosse apenas uma mosca zumbindo em uma galeria de arte vazia.

Mina colocou os fones de ouvido — que até então estavam apenas em volta do pescoço — sobre as orelhas, ajustou a mochila no ombro e levantou-se.

Ela passou por Sana sem dizer uma única palavra. Nem um "com licença", nem um "não, obrigada". Apenas o vácuo deixado por sua presença.

Sana ficou ali, sentada no banco, com o sorriso levemente murcho mas os olhos brilhando de desafio.

— E aí, Romeu? — Nayeon se aproximou, quase chorando de rir. — Como foi o diálogo? "Oi, eu sou a Sana", e ela respondeu com... deixe-me ver... o som do vento?

— Ela me olhou — defendeu-se Sana, levantando-se e limpando a saia. — Vocês viram? Ela me olhou nos olhos.

— Sana, ela olhou para você como se você fosse um erro de ortografia em um livro caro — comentou Jeongyeon, dando tapinhas no ombro da amiga. — Desiste. O sushi por conta da Jihyo é tentador, mas isso aqui vai ser humilhação pública em menos de uma semana.

— Eu não vou desistir — declarou Sana, cruzando os braços e olhando para a direção onde Mina havia desaparecido. — Ela não é fria de verdade. Ninguém que desenha com aquela delicadeza pode ser feita de gelo por dentro. Ela só tem... camadas. Muitas camadas. Tipo uma cebola. Ou um croissant.

— Um croissant? — Jihyo franziu a testa. — Você está com fome, não está?

— O ponto é — Sana ignorou a pergunta — que ela me ignorou hoje. Amanhã, ela vai ter que me ouvir. E depois de amanhã, ela vai me responder. Escrevam o que eu estou dizendo.

No dia seguinte, Sana mudou a estratégia. Se palavras não funcionavam, talvez ações funcionassem.

Ela descobriu que Mina costumava passar pela biblioteca exatamente às dez da manhã para devolver livros de referência. Sana chegou às nove e quarenta e cinco, armada com dois copos de café de uma cafeteria que ficava a três blocos de distância — a única que realmente prestava, segundo os boatos do campus.

Quando a silhueta elegante de Mina surgiu entre as prateleiras de História da Arte, Sana entrou em ação.

— Bom dia de novo! — Sana apareceu "por acaso" saindo de trás de uma estante de livros de arquitetura. — Que coincidência encontrar você aqui.

Mina parou por um segundo, seus olhos pousando brevemente em Sana antes de voltarem para o balcão de devolução. Ela continuou caminhando.

— Eu trouxe isso — disse Sana, acompanhando o passo de Mina, equilibrando os dois copos. — É um latte de baunilha. Eu não sabia do que você gostava, mas baunilha é um clássico, certo? É difícil odiar baunilha.

Mina colocou três livros pesados sobre o balcão. O bibliotecário começou a processar a devolução em um silêncio sepulcral.

— É sério, o café lá de baixo tem gosto de meia suja — continuou Sana, estendendo o copo em direção à mão de Mina. — Este aqui é de verdade. Experimenta.

Mina olhou para o copo. Depois, olhou para Sana.

— Eu não bebo café de estranhos — disse Mina.

Sana quase deixou o copo cair. A voz de Mina era baixa, suave e tinha uma cadência quase musical, apesar do tom cortante. Era a primeira vez que ela ouvia aquela voz.

— Então não somos mais estranhas! — Sana sorriu, sentindo o coração disparar. — Eu sou Sana, você é Mina. Agora somos conhecidas. Quase amigas. Noiva e noiva em alguns países, talvez?

Mina franziu levemente a testa, uma expressão de pura confusão cruzando seu rosto perfeito por um milésimo de segundo antes de sua máscara de indiferença retornar.

— Você é muito barulhenta — declarou Mina, pegando seu comprovante de devolução.

— E você é muito silenciosa — rebateu Sana, sem perder o ritmo. — Viu? Nós nos equilibramos. É o Yin e o Yang da universidade.

Mina soltou um suspiro quase imperceptível, virou as costas e saiu da biblioteca.

Sana ficou parada, segurando os dois cafés, com um sorriso que ia de orelha a orelha.

— Ela falou comigo! — gritou ela, esquecendo que estava em uma biblioteca.

— Shhh! — o bibliotecário reclamou.

Sana saiu correndo para encontrar suas amigas, que estavam sentadas no gramado central.

— Ela falou! Ela disse que eu sou barulhenta! — Sana anunciou, sentando-se bruscamente e entregando o café extra para uma Jihyo confusa.

— Ser chamada de barulhenta é uma vitória agora? — perguntou Nayeon, roubando um gole do café de Jihyo.

— É um começo! — exclamou Sana. — Ela reconheceu a minha existência. Ela teve uma reação. O gelo está rachando, meninas. Eu sinto isso.

— Ou ela só está perdendo a paciência — sugeriu Jeongyeon. — Cuidado, Sana. Pessoas quietas quando explodem são perigosas.

— Eu corro o risco — disse Sana, embora uma pequena pontada de culpa tenha começado a surgir no fundo de sua mente.

Ao olhar para o prédio de artes, ela viu Mina saindo por uma das portas laterais. Ela parecia tão solitária, mesmo cercada por centenas de estudantes. Sana sentiu algo estranho no peito, algo que não tinha nada a ver com a aposta ou com o sushi gratuito. Era uma curiosidade genuína. Quem era Myoui Mina quando ninguém estava olhando? Por que ela se escondia atrás daqueles muros de silêncio?

— Trinta dias — sussurrou Sana para si mesma.

— O quê? — perguntou Jihyo.

— Eu tenho trinta dias para descobrir o que tem por trás daquele "você é muito barulhenta".

A semana seguiu com o que Nayeon batizou de "A Ofensiva Minatozaki". Sana estava em todos os lugares. Se Mina estava na lanchonete, Sana aparecia para comentar sobre a qualidade das maçãs. Se Mina estava na parada de ônibus, Sana surgia para falar sobre a previsão do tempo ou sobre como as nuvens pareciam animais estranhos.

Mina continuava, na maior parte do tempo, ignorando-a. Mas havia pequenas mudanças. Ela não colocava mais os fones de ouvido instantaneamente quando via Sana se aproximar. Às vezes, ela apenas ouvia as histórias absurdas de Sana sobre sua infância no Japão ou sobre suas trapalhadas nos ensaios de dança, mantendo um rosto inexpressivo que, para um observador comum, pareceria tédio, mas que para Sana, parecia paciência.

O ponto de virada daquela semana aconteceu em uma tarde de quinta-feira, quando o céu de Seul decidiu desabar em uma tempestade repentina.

Sana estava saindo da última aula, frustrada por ter esquecido o guarda-chuva, quando viu Mina parada sob o beiral da entrada do prédio. Ela olhava para a chuva com uma expressão melancólica, segurando sua pasta de desenhos contra o peito, protegendo-a da umidade.

Sana, que tinha um guarda-chuva reserva no armário (um hábito de quem sempre perde tudo), correu para buscá-lo e voltou ofegante.

— Ei — disse ela, aproximando-se.

Mina não se assustou. Ela apenas virou o rosto lentamente para o lado.

— Você vai se molhar — observou Mina.

— Eu tenho esse aqui — Sana abriu um guarda-chuva amarelo vibrante, grande o suficiente para duas pessoas. — E eu vi que você está protegendo seus desenhos. Seria um crime se eles estragassem.

Mina olhou para o guarda-chuva e depois para Sana.

— Eu moro perto — disse Mina, a voz quase sumindo com o barulho do trovão.

— Eu também — mentiu Sana descaradamente (ela morava na direção oposta, mas o que eram alguns quilômetros de caminhada sob a chuva comparados à chance de ouro?). — Vamos? Eu te acompanho.

Mina hesitou. Por um momento, Sana achou que ela fosse recusar e preferir se encharcar a compartilhar o espaço com o "furacão barulhento". Mas, para sua surpresa, Mina deu um passo à frente, entrando sob o círculo amarelo de proteção.

Caminharam em silêncio por alguns minutos. O som da chuva batendo no tecido do guarda-chuva criava uma bolha de intimidade que Sana nunca havia sentido antes. A proximidade era tanta que seus ombros se tocavam ocasionalmente.

— Por que você faz isso? — perguntou Mina de repente.

— O quê? Te dar carona na chuva? É o que pessoas normais fazem, Mina.

— Não — Mina parou de caminhar, forçando Sana a parar também. — Por que você tenta tanto falar comigo? Todo mundo na universidade sabe que eu prefiro ficar sozinha. Eles me chamam de nomes... eu sei disso. Mas você... você não desiste.

Sana sentiu um nó na garganta. A culpa pela aposta subiu como uma maré amarga. Ela olhou para os olhos de Mina e, pela primeira vez, não viu gelo. Viu uma confusão genuína e uma ponta de... medo?

— Talvez — começou Sana, sua voz perdendo o tom brincalhão e tornando-se suave — porque eu ache que o seu silêncio tem muito mais a dizer do que as conversas vazias de todo mundo. E porque eu gosto de desafios. Mas, principalmente... porque eu acho que você precisa de uma amiga. Mesmo que essa amiga seja barulhenta e goste de muffins de mirtilo.

Mina ficou em silêncio por um longo tempo, estudando o rosto de Sana. Então, algo quase milagroso aconteceu. Os cantos dos lábios de Mina se curvaram minimamente para cima. Não era um sorriso completo, mas era o rascunho de um.

— O de mirtilo é realmente melhor que o de chocolate — disse Mina, voltando a caminhar.

Sana sentiu seu coração dar uma cambalhota. Naquele momento, o jantar de sushi, as risadas de Nayeon e a aposta idiota pareceram as coisas mais distantes do mundo.

— Viu! Eu sabia! — exclamou Sana, recuperando seu entusiasmo. — Amanhã eu trago um para você. E não aceite "não" como resposta.

— Você é persistente, Sana-chan — murmurou Mina.

O uso do honorífico japonês fez as bochechas de Sana arderem. Elas continuaram caminhando sob o guarda-chuva amarelo, duas figuras contrastantes dividindo um pequeno espaço seco em meio à tempestade.

Sana sabia que estava entrando em terreno perigoso. Quanto mais ela conhecia a verdadeira Mina — a garota que gostava de mirtilos e percebia a melancolia da chuva —, mais difícil seria cumprir o prazo de trinta dias sem destruir tudo o que estava começando a construir.

Mas, enquanto observava o perfil delicado de Mina sob a luz cinzenta da tarde, Sana só conseguia pensar em uma coisa: a aposta tinha começado como uma brincadeira, mas o que ela estava sentindo agora... isso não tinha nada de engraçado. Era real. E o real sempre dói quando a verdade aparece.
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