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A primeira

Fandom: Maze runner

Created: 4/20/2026

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RomanceDramaHurt/ComfortFluffPost-ApocalypticDystopiaSurvivalCharacter StudyCanon SettingAU (Alternate Universe)
Contents

O Peso da Coroa e o Brilho dos Olhos

A Clareira era um organismo vivo, e Maya era o coração que a mantinha batendo. Ela se lembrava de quando tudo era apenas um gramado vazio cercado por muros de pedra impossivelmente altos. Ela foi a primeira. A "Número Um". Sem memórias, sem nome — até que sua mente resgatasse a palavra *Maya* das profundezas do esquecimento —, ela aprendeu a sobreviver sozinha antes que o Elevador trouxesse o segundo garoto, e depois o terceiro.

Ela viu cada um deles chegar. Viu o pânico nos olhos de Alby, a confusão de Minho e o medo cru de dezenas de outros que se seguiram. Ela os ensinou a plantar, a construir e, acima de tudo, a não se deixarem consumir pelo labirinto. Mas, enquanto cuidava de todos, garantindo que as facas estivessem afiadas e que ninguém dormisse de estômago vazio, Maya frequentemente esquecia que ela também era humana.

Naquela tarde, o sol alaranjado começava a mergulhar atrás dos muros de calcário, pintando o céu com tons de violeta e sangue. Maya estava sentada perto da horta, limpando uma lâmina de combate com um pedaço de pano velho. Seus músculos doíam, e seus cabelos escuros estavam presos em um nó desleixado.

— Você vai acabar abrindo um buraco nesse metal se continuar esfregando assim — disse uma voz suave, carregada de um sotaque que sempre parecia acalmar os nervos dela.

Maya não precisou olhar para saber quem era. Newt.

Ele se aproximou com seu mancar característico, um lembrete silencioso de tempos sombrios que ele preferia não discutir, mas que Maya compreendia melhor do que ninguém. Ele se sentou ao lado dela, exalando aquele cheiro de terra e algo fresco, como chuva.

— Alguém precisa garantir que as coisas funcionem por aqui, Newt — respondeu ela, finalmente guardando a faca na bainha presa à coxa. — Se eu relaxar, o Gally começa uma briga com o Winston e o jantar queima.

Newt soltou uma risada curta e melodiosa, estendendo a mão para tirar uma mecha de cabelo do rosto de Maya. O toque dele era leve, quase hesitante, mas carregado de uma afeição que ele nunca tentava esconder.

— O mundo não vai acabar se você tirar cinco minutos para respirar, Maya. Você construiu este lugar. Você nos deu uma ordem quando tudo o que tínhamos era o caos.

— Eu só fiz o que precisava ser feito — murmurou ela, desviando o olhar.

A inteligência de Maya era sua maior arma, mas também seu maior fardo. Ela via padrões onde outros viam apenas paredes. Ela antecipava problemas antes que eles acontecessem. Mas, nos olhos castanhos e gentis de Newt, ela não era apenas a líder infalível ou a guerreira que podia derrubar um Verdugo se fosse necessário.

— Você faz demais — insistiu Newt, aproximando-se um pouco mais. — Eu vejo você, sabe? Vejo quando você entrega sua porção de comida para um dos novatos que está assustado demais para comer. Vejo quando você fica acordada até tarde estudando os mapas do Minho, mesmo quando seus olhos estão se fechando de cansaço.

Maya suspirou, sentindo a armadura que usava todos os dias começar a rachar.

— Alguém tem que cuidar deles, Newt. Eles são... eles são minha responsabilidade.

— E quem cuida de você? — perguntou ele em voz baixa.

O silêncio caiu entre eles, preenchido apenas pelo som distante dos Clareiristas terminando as tarefas do dia e o ruído mecânico dos muros começando a se fechar. Maya finalmente olhou para ele. Newt era lindo, não apenas pela aparência, mas pela bondade genuína que emanava. Desde que ele chegara, Maya vira nele algo especial: uma inteligência empática que a Clareira precisava desesperadamente.

— Eu sei me cuidar — disse ela, embora sua voz não tivesse a firmeza habitual.

— Eu sei que sabe — Newt sorriu, um sorriso que iluminava seu rosto cansado. — Você é a pessoa mais forte que eu já conheci. Mas até as deusas precisam de um descanso.

Ele estendeu a mão e, com delicadeza, pegou a mão de Maya. As mãos dela eram calejadas, marcadas pelo trabalho duro e pelos treinos de combate, enquanto as dele eram quentes e acolhedoras.

— Deixe-me ser o seu descanso hoje — pediu ele.

Maya sentiu um nó na garganta. Por tanto tempo, ela se sentiu como o pilar que sustentava o céu sobre a Clareira. A ideia de simplesmente soltar o peso era aterrorizante e tentadora ao mesmo tempo.

— O que você tem em mente? — perguntou ela, permitindo-se um pequeno sorriso.

— Nada de mapas. Nada de regras. Nada de planos de fuga — Newt se levantou e ofereceu a mão para ajudá-la a subir. — Apenas um jantar decente que o Frypan escondeu para mim, e o silêncio da floresta.

Eles caminharam juntos em direção ao Bosque, longe da agitação da Sede. Enquanto caminhavam, Newt não soltou a mão dela. Alguns Clareiristas olharam, mas ninguém ousou comentar. Todos sabiam que havia algo sagrado entre a líder e seu braço direito.

Sentados sob uma árvore antiga cujas raízes pareciam abraçar o solo, eles compartilharam o pão e as frutas que Newt conseguira. Por um momento, o Labirinto não existia. Não havia Criadores, não havia Verdugos, não havia o mistério de por que estavam ali.

— Sabe — começou Maya, encostando a cabeça no ombro de Newt —, quando eu cheguei aqui, eu achei que ia enlouquecer. Fiquei três dias sem falar uma palavra, apenas observando as paredes.

— Eu não consigo imaginar você com medo — confessou Newt, passando o braço pelos ombros dela, trazendo-a para mais perto.

— Eu estava apavorada — admitiu ela em um sussurro. — Mas então eu percebi que o medo não ia me tirar daqui. A inteligência sim. E a união. Quando você chegou... eu vi algo diferente em você. Você não queria apenas sobreviver. Você se importava com os outros tanto quanto eu.

Newt beijou o topo da cabeça dela, um gesto cheio de ternura.

— Eu só queria ser digno de estar ao seu lado, Maya. Desde o primeiro dia. Você parecia uma rainha guerreira no meio desse inferno.

Maya riu, uma risada genuína que raramente saía de seu peito.

— Uma rainha coberta de lama e suor?

— A rainha mais linda que este lugar já viu — respondeu ele com seriedade, fazendo-a corar.

Ele se inclinou, o rosto a poucos centímetros do dela. Maya podia ver as pequenas sardas no nariz dele e a sinceridade profunda em seus olhos. Ela, que sempre tinha uma resposta para tudo, sentiu-se sem palavras.

— Você faz tanto por todos nós — continuou Newt. — Mas por favor, de vez em quando, lembre-se de que você é importante para mim. Não como líder. Mas como a Maya. A garota que gosta de ver o pôr do sol quando acha que ninguém está olhando.

— Eu vou tentar — prometeu ela.

Maya fechou os olhos quando Newt finalmente eliminou a distância entre eles. O beijo foi calmo, um encontro de almas que compartilhavam o mesmo fardo e a mesma esperança. Era um lembrete de que, mesmo em um mundo construído por crueldade, o afeto ainda podia florescer como as flores silvestres que cresciam nas bordas da Clareira.

Quando se afastaram, Maya sentiu-se mais leve do que em meses. A força dela não vinha apenas de sua habilidade com a faca ou de sua mente estratégica; vinha daquele momento, da conexão que a mantinha humana.

— Melhor voltarmos — disse ela, embora não fizesse menção de se mover. — Alby vai ter um colapso se não me encontrar para a reunião do conselho.

— Deixe ele esperar — Newt sorriu, puxando-a de volta para seu abraço. — A líder da Clareira está ocupada sendo cuidada. É uma ordem oficial do seu segundo em comando.

Maya sorriu e, pela primeira vez em muito tempo, permitiu-se simplesmente ser. O Labirinto ainda estava lá fora, frio e impiedoso, mas ali, sob as folhas da árvore e nos braços de Newt, ela estava segura. Ela cuidaria de todos amanhã. Mas, por aquela noite, Newt cuidaria dela.
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