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Vida escolar
Fandom: Vida real
Created: 4/20/2026
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RomanceSlice of LifeFluffCanon SettingCharacter Study
Entre as Estantes e o Silêncio
A voz da professora Márcia parecia um zumbido distante, uma abelha persistente que tentava atravessar a névoa de sono que envolvia minha mente. O calor da tarde entrava pelas janelas da sala de aula, e o barulho das conversas paralelas dos meus colegas criava o ambiente perfeito para um cochilo involuntário. Eu estava com a cabeça apoiada sobre os braços cruzados na carteira, sentindo meus olhos pesarem cada vez mais.
Ao meu lado, Jackson não estava em situação melhor. Ele tinha o capuz do moletom puxado levemente sobre a testa e a caneta equilibrada entre os dedos, mas sua respiração lenta denunciava que ele já tinha cruzado a fronteira para o mundo dos sonhos há algum tempo.
De repente, um estrondo seco de um livro batendo contra a mesa do professor nos fez pular.
— Maria! Jackson! — A voz da professora Márcia cortou a bagunça da sala como uma faca. — Já que a minha aula de História Geral parece estar funcionando como um sedativo para vocês dois, acho que um pouco de atividade física vai ajudar a despertar.
Eu pisquei, tentando focar a visão, sentindo minhas bochechas arderem de vergonha enquanto alguns alunos riam ao redor. Jackson esfregou o rosto, tentando parecer minimamente alerta, embora seu cabelo estivesse bagunçado de um jeito que eu, secretamente, achava adorável.
— Desculpe, professora... — murmurei, ajeitando a postura.
— Não quero desculpas, Maria. Quero os livros didáticos do novo módulo. — Ela apontou para a porta. — A biblioteca avisou que os exemplares chegaram. Como vocês dois estão tão descansados, podem descer e buscar a carga para a turma toda. Agora.
Jackson soltou um suspiro baixo, mas não reclamou. Ele se levantou, esticando o corpo alto, e me lançou um olhar de soslaio que dizia: "pelo menos saímos daquela barulheira". Eu peguei meu celular, guardei no bolso e o segui para fora da sala, sentindo o alívio do silêncio do corredor vazio.
Caminhamos lado a lado pelas escadas. O prédio da escola parecia diferente quando todos estavam trancados em suas salas; os passos ecoavam e o ar parecia mais fresco.
— Ela pegou pesado — Jackson disse, quebrando o silêncio com aquela voz rouca de quem acabou de acordar. — Mas, honestamente? Eu prefiro carregar peso do que ouvir sobre a Revolução Industrial por mais uma hora.
— Eu também — confessei, rindo baixo. — Mas a culpa foi sua. Você começou a bocejar e o sono é contagioso.
— Ah, claro, a culpa agora é minha? — Ele deu um sorriso de canto, empurrando a porta pesada que levava ao corredor da biblioteca. — Você que estava quase babando no caderno, Maria.
— Mentira! — Exclamei, dando um empurrão de leve em seu ombro, o que o fez rir mais alto.
Ao chegarmos à biblioteca, encontramos Dona Sônia, a bibliotecária, organizando uma pilha imensa de fichas de devolução. Ela nos olhou por cima dos óculos de leitura, parecendo exausta com a própria rotina.
— Livros de História, módulo três? — perguntou ela, antes mesmo de abrirmos a boca.
— Isso mesmo, Dona Sônia — respondeu Jackson, apoiando-se no balcão com uma confiança natural que eu sempre invejei.
A mulher suspirou e tateou o bolso do avental, tirando um molho de chaves. Ela separou uma chave pequena e prateada e a estendeu para nós.
— Estão nos fundos, na sala de arquivos novos. Eu tenho um relatório urgente para entregar na diretoria agora e não posso acompanhá-los. Tratem de pegar as caixas e, por favor, não façam bagunça. Tranquem a porta quando saírem e me entreguem a chave na recepção principal.
— Pode deixar — eu disse, pegando a chave da mão dela.
Dona Sônia saiu apressada, o som de seus sapatos sumindo rapidamente pelo corredor. Ficamos sozinhos. O silêncio da biblioteca era absoluto, quebrado apenas pelo tique-taque de um relógio de parede antigo e pelo som da nossa própria respiração.
Caminhamos até o fundo, passando por prateleiras imensas repletas de livros cujas lombadas pareciam observar nossa passagem. A sala de arquivos ficava em um canto mais reservado, protegida por uma porta de madeira pesada. Coloquei a chave na fechadura, girei-a e a porta se abriu com um estalo seco.
O lugar era pequeno, iluminado apenas por uma janela alta que deixava passar feixes de poeira dançando na luz do sol. Havia várias caixas de papelão empilhadas.
— Ali estão eles — Jackson apontou para o canto.
Começamos a trabalhar. Ele abriu a primeira caixa para conferir se eram os livros certos, enquanto eu tentava organizar o espaço para que pudéssemos carregar as pilhas com mais facilidade. No entanto, o cansaço da aula e a atmosfera isolada daquela sala começaram a mudar o ritmo das coisas.
— Sabe... — Jackson começou, parando de mexer nos livros e se encostando em uma das prateleiras de metal. — A gente nunca fica sozinho assim, sem ninguém gritando ou jogando bolinha de papel.
Eu parei o que estava fazendo e olhei para ele. Ele estava me observando com uma intensidade que eu não esperava. O tom de voz dele tinha mudado; não era mais a provocação de minutos atrás.
— É verdade — respondi, sentindo meu coração acelerar um pouco. — A escola é sempre um caos.
— Maria. — Ele disse meu nome de um jeito diferente, mais baixo. — Você sabe que eu não estava dormindo de verdade na sala, né?
— Não? — Perguntei, sentindo o clima mudar drasticamente. — O que você estava fazendo então?
— Estava tentando decidir se te chamava para sair ou se continuava fingindo que você não me deixa nervoso toda vez que chega perto.
O ar pareceu sumir dos meus pulmões por um segundo. Jackson deu um passo à frente, diminuindo a distância entre nós. Eu podia sentir o calor que emanava dele. O cheiro de seu perfume, algo entre amadeirado e limpo, preencheu meus sentidos.
— Você... fica nervoso perto de mim? — Minha voz saiu quase como um sussurro.
— O tempo todo — ele confessou, com um sorriso fraco e charmoso. — Mas aqui, com essa chave no seu bolso e a porta fechada, eu me sinto um pouco mais corajoso.
Ele estendeu a mão e afastou uma mecha de cabelo do meu rosto, seus dedos roçando levemente a minha pele. O toque enviou um calafrio elétrico por toda a minha coluna. Ele não recuou; em vez disso, sua mão desceu para o meu pescoço, o polegar acariciando minha mandíbula.
— Jackson... — eu comecei, mas não sabia o que dizer.
— Tudo bem? — Ele perguntou, os olhos fixos nos meus, buscando permissão.
Eu não respondi com palavras. Apenas inclinei a cabeça levemente, fechando o espaço que restava entre nós.
O primeiro beijo foi lento, quase hesitante, como se estivéssemos descobrindo um segredo guardado há muito tempo. Os lábios de Jackson eram macios, mas havia uma urgência contida neles. Quando ele sentiu que eu estava correspondendo, sua mão livre envolveu minha cintura, puxando-me para mais perto, eliminando qualquer centímetro de ar entre nossos corpos.
Eu levei minhas mãos aos ombros dele, subindo para a nuca, sentindo a textura do seu cabelo. O beijo se aprofundou, tornando-se mais intenso e exploratório. O mundo lá fora — a professora Márcia, os livros de História, os colegas barulhentos — desapareceu completamente. Naquele momento, só existia o som das nossas respirações aceleradas e o calor do contato.
Ele me conduziu suavemente até que minhas costas encontrassem a parede fria da sala de arquivos, mas o frio não durou, pois o corpo dele logo voltou a pressionar o meu. Seus beijos desceram para o meu pescoço, e eu soltei um suspiro baixo, apertando os dedos em seus ombros.
— Você não faz ideia de quanto tempo eu quis fazer isso — ele sussurrou contra a minha pele, sua voz vibrando contra mim.
— Por que demorou tanto? — brinquei, embora minha voz estivesse trêmula.
Jackson voltou a selar nossos lábios, um beijo mais faminto agora, cheio de uma química que estava guardada sob a superfície da nossa amizade há meses. Seus amassos eram firmes, mas carregados de um carinho que me fazia sentir segura e desejada ao mesmo tempo. Era uma dança lenta, um ritmo só nosso, ali no meio de caixas de papelão e cheiro de papel novo.
Perdemos a noção do tempo. O sol que entrava pela janela mudou de ângulo, e o silêncio da biblioteca parecia nos proteger. Cada carícia, cada toque de Jackson parecia planejado para me deixar sem fôlego.
De repente, um som estridente e prolongado cortou o ar, ecoando pelos corredores e atravessando a porta da sala de arquivos.
O sinal do intervalo.
Nós nos separamos bruscamente, ambos ofegantes, os lábios levemente inchados e os cabelos desalinhados. Jackson encostou a testa na minha, tentando recuperar o fôlego, um sorriso largo e genuíno iluminando seu rosto.
— Droga de sinal — ele murmurou, rindo baixinho.
— A gente ainda tem que levar os livros — lembrei, tentando ajeitar minha blusa com as mãos trêmulas. — A Sônia vai voltar a qualquer momento.
Jackson me ajudou a me organizar, passando a mão pelo meu cabelo para tentar domar os fios rebeldes. Ele agia com uma doçura que me derreteu por dentro. Não havia constrangimento, apenas uma conexão nova e vibrante.
— Vamos lá — disse ele, pegando uma das caixas mais pesadas com uma facilidade impressionante. — Eu levo o grosso, você leva os menores.
Saímos da sala de arquivos, e eu tranquei a porta, sentindo o peso da chave na palma da mão como se fosse um troféu daquele momento secreto. Caminhamos de volta para o corredor principal da escola, que agora estava inundado de alunos correndo para o pátio.
Antes de nos separarmos para entregar os livros e seguir para o intervalo, Jackson parou e me puxou para um canto rápido, longe dos olhos curiosos.
— Ei — ele disse, pegando minha mão e dando um beijo suave nos meus nós dos dedos. — Aquilo foi... incrível. De verdade.
Eu sorri, sentindo meu rosto esquentar novamente, mas desta vez não era de vergonha.
— Foi sim, Jackson.
— A gente se vê no pátio em dez minutos? — Ele perguntou, inclinando-se para dar um beijo rápido e estalado na minha bochecha, um gesto tão fofo que me fez suspirar. — Quero guardar um lugar pra você do meu lado.
— Com certeza — respondi.
Ele piscou para mim e saiu carregando a caixa, caminhando com uma leveza que não tinha antes. Eu fiquei ali por um segundo, encostada na parede, sentindo o coração ainda batendo forte. A aula de História tinha sido um tédio, mas aquela ida à biblioteca tinha acabado de se tornar a melhor parte do meu dia. Talvez, eu devesse agradecer à professora Márcia depois.
Ao meu lado, Jackson não estava em situação melhor. Ele tinha o capuz do moletom puxado levemente sobre a testa e a caneta equilibrada entre os dedos, mas sua respiração lenta denunciava que ele já tinha cruzado a fronteira para o mundo dos sonhos há algum tempo.
De repente, um estrondo seco de um livro batendo contra a mesa do professor nos fez pular.
— Maria! Jackson! — A voz da professora Márcia cortou a bagunça da sala como uma faca. — Já que a minha aula de História Geral parece estar funcionando como um sedativo para vocês dois, acho que um pouco de atividade física vai ajudar a despertar.
Eu pisquei, tentando focar a visão, sentindo minhas bochechas arderem de vergonha enquanto alguns alunos riam ao redor. Jackson esfregou o rosto, tentando parecer minimamente alerta, embora seu cabelo estivesse bagunçado de um jeito que eu, secretamente, achava adorável.
— Desculpe, professora... — murmurei, ajeitando a postura.
— Não quero desculpas, Maria. Quero os livros didáticos do novo módulo. — Ela apontou para a porta. — A biblioteca avisou que os exemplares chegaram. Como vocês dois estão tão descansados, podem descer e buscar a carga para a turma toda. Agora.
Jackson soltou um suspiro baixo, mas não reclamou. Ele se levantou, esticando o corpo alto, e me lançou um olhar de soslaio que dizia: "pelo menos saímos daquela barulheira". Eu peguei meu celular, guardei no bolso e o segui para fora da sala, sentindo o alívio do silêncio do corredor vazio.
Caminhamos lado a lado pelas escadas. O prédio da escola parecia diferente quando todos estavam trancados em suas salas; os passos ecoavam e o ar parecia mais fresco.
— Ela pegou pesado — Jackson disse, quebrando o silêncio com aquela voz rouca de quem acabou de acordar. — Mas, honestamente? Eu prefiro carregar peso do que ouvir sobre a Revolução Industrial por mais uma hora.
— Eu também — confessei, rindo baixo. — Mas a culpa foi sua. Você começou a bocejar e o sono é contagioso.
— Ah, claro, a culpa agora é minha? — Ele deu um sorriso de canto, empurrando a porta pesada que levava ao corredor da biblioteca. — Você que estava quase babando no caderno, Maria.
— Mentira! — Exclamei, dando um empurrão de leve em seu ombro, o que o fez rir mais alto.
Ao chegarmos à biblioteca, encontramos Dona Sônia, a bibliotecária, organizando uma pilha imensa de fichas de devolução. Ela nos olhou por cima dos óculos de leitura, parecendo exausta com a própria rotina.
— Livros de História, módulo três? — perguntou ela, antes mesmo de abrirmos a boca.
— Isso mesmo, Dona Sônia — respondeu Jackson, apoiando-se no balcão com uma confiança natural que eu sempre invejei.
A mulher suspirou e tateou o bolso do avental, tirando um molho de chaves. Ela separou uma chave pequena e prateada e a estendeu para nós.
— Estão nos fundos, na sala de arquivos novos. Eu tenho um relatório urgente para entregar na diretoria agora e não posso acompanhá-los. Tratem de pegar as caixas e, por favor, não façam bagunça. Tranquem a porta quando saírem e me entreguem a chave na recepção principal.
— Pode deixar — eu disse, pegando a chave da mão dela.
Dona Sônia saiu apressada, o som de seus sapatos sumindo rapidamente pelo corredor. Ficamos sozinhos. O silêncio da biblioteca era absoluto, quebrado apenas pelo tique-taque de um relógio de parede antigo e pelo som da nossa própria respiração.
Caminhamos até o fundo, passando por prateleiras imensas repletas de livros cujas lombadas pareciam observar nossa passagem. A sala de arquivos ficava em um canto mais reservado, protegida por uma porta de madeira pesada. Coloquei a chave na fechadura, girei-a e a porta se abriu com um estalo seco.
O lugar era pequeno, iluminado apenas por uma janela alta que deixava passar feixes de poeira dançando na luz do sol. Havia várias caixas de papelão empilhadas.
— Ali estão eles — Jackson apontou para o canto.
Começamos a trabalhar. Ele abriu a primeira caixa para conferir se eram os livros certos, enquanto eu tentava organizar o espaço para que pudéssemos carregar as pilhas com mais facilidade. No entanto, o cansaço da aula e a atmosfera isolada daquela sala começaram a mudar o ritmo das coisas.
— Sabe... — Jackson começou, parando de mexer nos livros e se encostando em uma das prateleiras de metal. — A gente nunca fica sozinho assim, sem ninguém gritando ou jogando bolinha de papel.
Eu parei o que estava fazendo e olhei para ele. Ele estava me observando com uma intensidade que eu não esperava. O tom de voz dele tinha mudado; não era mais a provocação de minutos atrás.
— É verdade — respondi, sentindo meu coração acelerar um pouco. — A escola é sempre um caos.
— Maria. — Ele disse meu nome de um jeito diferente, mais baixo. — Você sabe que eu não estava dormindo de verdade na sala, né?
— Não? — Perguntei, sentindo o clima mudar drasticamente. — O que você estava fazendo então?
— Estava tentando decidir se te chamava para sair ou se continuava fingindo que você não me deixa nervoso toda vez que chega perto.
O ar pareceu sumir dos meus pulmões por um segundo. Jackson deu um passo à frente, diminuindo a distância entre nós. Eu podia sentir o calor que emanava dele. O cheiro de seu perfume, algo entre amadeirado e limpo, preencheu meus sentidos.
— Você... fica nervoso perto de mim? — Minha voz saiu quase como um sussurro.
— O tempo todo — ele confessou, com um sorriso fraco e charmoso. — Mas aqui, com essa chave no seu bolso e a porta fechada, eu me sinto um pouco mais corajoso.
Ele estendeu a mão e afastou uma mecha de cabelo do meu rosto, seus dedos roçando levemente a minha pele. O toque enviou um calafrio elétrico por toda a minha coluna. Ele não recuou; em vez disso, sua mão desceu para o meu pescoço, o polegar acariciando minha mandíbula.
— Jackson... — eu comecei, mas não sabia o que dizer.
— Tudo bem? — Ele perguntou, os olhos fixos nos meus, buscando permissão.
Eu não respondi com palavras. Apenas inclinei a cabeça levemente, fechando o espaço que restava entre nós.
O primeiro beijo foi lento, quase hesitante, como se estivéssemos descobrindo um segredo guardado há muito tempo. Os lábios de Jackson eram macios, mas havia uma urgência contida neles. Quando ele sentiu que eu estava correspondendo, sua mão livre envolveu minha cintura, puxando-me para mais perto, eliminando qualquer centímetro de ar entre nossos corpos.
Eu levei minhas mãos aos ombros dele, subindo para a nuca, sentindo a textura do seu cabelo. O beijo se aprofundou, tornando-se mais intenso e exploratório. O mundo lá fora — a professora Márcia, os livros de História, os colegas barulhentos — desapareceu completamente. Naquele momento, só existia o som das nossas respirações aceleradas e o calor do contato.
Ele me conduziu suavemente até que minhas costas encontrassem a parede fria da sala de arquivos, mas o frio não durou, pois o corpo dele logo voltou a pressionar o meu. Seus beijos desceram para o meu pescoço, e eu soltei um suspiro baixo, apertando os dedos em seus ombros.
— Você não faz ideia de quanto tempo eu quis fazer isso — ele sussurrou contra a minha pele, sua voz vibrando contra mim.
— Por que demorou tanto? — brinquei, embora minha voz estivesse trêmula.
Jackson voltou a selar nossos lábios, um beijo mais faminto agora, cheio de uma química que estava guardada sob a superfície da nossa amizade há meses. Seus amassos eram firmes, mas carregados de um carinho que me fazia sentir segura e desejada ao mesmo tempo. Era uma dança lenta, um ritmo só nosso, ali no meio de caixas de papelão e cheiro de papel novo.
Perdemos a noção do tempo. O sol que entrava pela janela mudou de ângulo, e o silêncio da biblioteca parecia nos proteger. Cada carícia, cada toque de Jackson parecia planejado para me deixar sem fôlego.
De repente, um som estridente e prolongado cortou o ar, ecoando pelos corredores e atravessando a porta da sala de arquivos.
O sinal do intervalo.
Nós nos separamos bruscamente, ambos ofegantes, os lábios levemente inchados e os cabelos desalinhados. Jackson encostou a testa na minha, tentando recuperar o fôlego, um sorriso largo e genuíno iluminando seu rosto.
— Droga de sinal — ele murmurou, rindo baixinho.
— A gente ainda tem que levar os livros — lembrei, tentando ajeitar minha blusa com as mãos trêmulas. — A Sônia vai voltar a qualquer momento.
Jackson me ajudou a me organizar, passando a mão pelo meu cabelo para tentar domar os fios rebeldes. Ele agia com uma doçura que me derreteu por dentro. Não havia constrangimento, apenas uma conexão nova e vibrante.
— Vamos lá — disse ele, pegando uma das caixas mais pesadas com uma facilidade impressionante. — Eu levo o grosso, você leva os menores.
Saímos da sala de arquivos, e eu tranquei a porta, sentindo o peso da chave na palma da mão como se fosse um troféu daquele momento secreto. Caminhamos de volta para o corredor principal da escola, que agora estava inundado de alunos correndo para o pátio.
Antes de nos separarmos para entregar os livros e seguir para o intervalo, Jackson parou e me puxou para um canto rápido, longe dos olhos curiosos.
— Ei — ele disse, pegando minha mão e dando um beijo suave nos meus nós dos dedos. — Aquilo foi... incrível. De verdade.
Eu sorri, sentindo meu rosto esquentar novamente, mas desta vez não era de vergonha.
— Foi sim, Jackson.
— A gente se vê no pátio em dez minutos? — Ele perguntou, inclinando-se para dar um beijo rápido e estalado na minha bochecha, um gesto tão fofo que me fez suspirar. — Quero guardar um lugar pra você do meu lado.
— Com certeza — respondi.
Ele piscou para mim e saiu carregando a caixa, caminhando com uma leveza que não tinha antes. Eu fiquei ali por um segundo, encostada na parede, sentindo o coração ainda batendo forte. A aula de História tinha sido um tédio, mas aquela ida à biblioteca tinha acabado de se tornar a melhor parte do meu dia. Talvez, eu devesse agradecer à professora Márcia depois.
