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Entre cláusulas e contratos.

Fandom: BTS

Created: 4/21/2026

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RomanceAU (Alternate Universe)DramaFluffSoulmatesSlice of LifeCharacter StudyCurtainfic / Domestic StoryScience FictionHumorRomance NovelSongfic
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Acordos de Vidro e Noites de Veludo

O horizonte de Nova York era uma tapeçaria de luzes infinitas, mas, do alto do septuagésimo andar da sede da SN Global Enterprises, a vista parecia apenas mais um item no inventário de conquistas de S/N. Como CEO de um império que ditava tendências de tecnologia e moda, ela não tinha tempo para contemplações poéticas. Seu calendário era uma sucessão de reuniões estratégicas, voos de primeira classe e decisões de milhões de dólares.

— S/N, se você olhar para esse relatório de novo, as letras vão começar a sangrar — a voz vibrante de Minjin cortou o silêncio do escritório minimalista.

Minjin, a diretora de marketing e melhor amiga de S/N, entrou na sala com o vigor de um furacão. Ela usava um terno verde neon que poucas pessoas no mundo teriam coragem de vestir, mas que nela parecia a última palavra em sofisticação.

— O contrato com a HYBE é o maior do ano, Minjin — respondeu S/N, sem tirar os olhos da tela. — O BTS não é apenas um grupo musical, eles são uma marca cultural. Se essa parceria para a nova linha de wearables falhar, a culpa será minha.

Minjin caminhou até a mesa da amiga e fechou o laptop com um estalo seco.

— Errado. A culpa será do seu estresse que te impediu de raciocinar. Escuta aqui, "mulher de ferro", amanhã é a reunião final. Os sete rapazes e a equipe deles estarão aqui. Você está tensa, cheirando a café e ansiedade. Nós vamos sair. Agora.

S/N suspirou, massageando as têmporas.

— Não estou com cabeça para festas, Minjin. E você sabe que eu não ligo para esse negócio de "sair para encontrar alguém". O amor é um investimento de alto risco e baixo retorno.

Minjin soltou uma risada alta, jogando a cabeça para trás.

— Quem falou em amor, sua boba? Eu estou falando de tequila e batidas graves. O amor é para quem tem tempo de sobra, nós só queremos o bônus da endorfina. Vamos para a "Obsidian". É exclusiva, ninguém vai te incomodar e você precisa descer do salto antes de subir nele amanhã de manhã.

Duas horas depois, a atmosfera pesada do escritório foi substituída pela vibração pulsante da Obsidian, uma das boates mais fechadas de Manhattan. O som do baixo reverberava no peito de S/N, e as luzes de neon azul e violeta cortavam a penumbra.

Minjin já estava no meio da pista, movendo-se com uma liberdade invejável, enquanto S/N se mantinha no bar, segurando um copo de dry martini. Ela sentia o efeito do álcool começando a relaxar seus ombros tensos.

— Você parece estar carregando o mundo inteiro nesse copo — uma voz profunda e aveludada surgiu ao seu lado.

S/N virou a cabeça e sentiu o ar escapar por um segundo. O homem sentado ao lado dela usava um boné preto e uma jaqueta de couro larga, mas nada conseguia esconder a intensidade do seu olhar ou a linha perfeita do seu maxilar. Ele tinha um sorriso de canto, meio tímido, meio audacioso.

— Só metade do mundo — respondeu S/N, permitindo-se um sorriso pela primeira vez em dias. — A outra metade eu deixei no escritório.

— Um erro estratégico — disse ele, aproximando-se um pouco mais. O perfume dele era uma mistura de sândalo e algo fresco, como chuva. — A noite em Nova York é curta demais para ser gasta pensando em trabalho.

— E o que você sugere que eu faça, estranho misterioso? — S/N arqueou uma sobrancelha, desafiadora.

— Que esqueça seu nome, seu cargo e suas responsabilidades por algumas horas — ele estendeu a mão. — Eu sou o JK. Pelo menos, nesta noite.

— S/N — disse ela, aceitando a mão dele.

A conexão foi instantânea. Eles não dançaram no meio da multidão; em vez disso, encontraram um canto mais reservado em um dos lounges superiores. Conversaram sobre coisas triviais — música, o frio de Nova York, a sensação de ser observado o tempo todo — sem nunca entrar em detalhes profissionais. Para S/N, era libertador ser apenas uma mulher em um bar, e não a CEO poderosa.

O desejo surgiu como uma combustão lenta. Quando JK aproximou o rosto do dela, o mundo lá fora desapareceu. O beijo foi urgente, carregado de uma eletricidade que S/N não sentia há anos. As mãos dele em sua cintura eram firmes, e o sabor de uísque e hortelã nos lábios dele a deixou tonta.

Naquela noite, entre lençóis de seda e sussurros no escuro de uma suíte de hotel, S/N esqueceu completamente do BTS, da HYBE e do contrato bilionário.

Na manhã seguinte, o sol de Nova York parecia desnecessariamente brilhante. S/N acordou sozinha na cama do hotel, com apenas um bilhete curto sobre o travesseiro: "Uma noite para não esquecer. Boa sorte com o seu mundo hoje."

Ela sorriu, sentindo-se estranhamente leve, e se preparou para o dia. Vestiu seu melhor terno de corte italiano, prendeu o cabelo em um coque impecável e partiu para a sede da empresa.

A sala de conferências principal estava pronta. Minjin já estava lá, organizando os últimos detalhes da apresentação de marketing.

— Olha só quem chegou com um brilho diferente nos olhos! — Minjin sussurrou, aproximando-se. — Os conselhos da titia Minjin funcionam, não funcionam?

— Cale a boca — S/N riu baixinho. — Foi só uma noite. Agora, foco. Eles chegam em cinco minutos.

Quando as portas duplas da sala de conferências se abriram, a equipe da SN Global se levantou em respeito. Os executivos da HYBE entraram primeiro, seguidos pelos sete membros do grupo.

S/N manteve sua expressão profissional, o "rosto de CEO" que ela mestreou ao longo dos anos. Mas, conforme os membros entravam, seu coração deu um solavanco.

O último a entrar usava um terno cinza sob medida, o cabelo perfeitamente arrumado, longe da bagunça da noite anterior. Quando seus olhos encontraram os de S/N, ele parou por uma fração de segundo. O choque foi mútuo, embora ambos fossem profissionais o suficiente para não deixar transparecer para o resto da sala.

Era ele. O "JK" da boate era Jeon Jungkook.

— É um prazer finalmente conhecê-la, senhorita S/N — disse o líder do grupo, RM, estendendo a mão. — Ouvimos maravilhas sobre sua gestão.

— O prazer é todo meu — respondeu ela, sua voz apenas ligeiramente trêmula. Ela apertou a mão de cada membro, deixando Jungkook por último.

Ao tocar a mão dele, sentiu a mesma eletricidade da noite anterior.

— Senhor Jeon — disse ela, mantendo o contato visual.

— Senhorita S/N — respondeu ele, com um brilho travesso nos olhos que só ela poderia identificar. — Estou ansioso para ver o que sua empresa tem a oferecer.

A reunião durou três horas. S/N foi impecável, apresentando dados, projeções e visões criativas. No entanto, ela sentia o peso do olhar de Jungkook sobre ela o tempo todo. Minjin, que não perdia nada, começou a notar a tensão incomum.

Quando fizeram um intervalo para o café, Minjin arrastou S/N para o canto da sala.

— S/N, por que o "Golden Maknae" está olhando para você como se você fosse a última sobremesa do buffet? — Minjin perguntou, com um sorriso malicioso.

— Minjin, agora não é hora — sibilou S/N.

— Ah, meu Deus! — Minjin arregalou os olhos, abafando um grito. — Foi ele? O cara da boate? S/N, você ficou com um membro do BTS antes de assinar um contrato de milhões! Isso é... isso é genial!

— Isso é um desastre, Minjin! É um conflito de interesses — S/N passou a mão pelo rosto.

— Conflito de interesses? — Minjin riu. — Amiga, isso é o destino te dando um empurrãozinho. Ele é lindo, talentoso e, pelo jeito que está te olhando, ele não está nem um pouco preocupado com o contrato. Relaxe e aproveite o jogo.

A reunião foi concluída com sucesso. O contrato seria assinado formalmente no dia seguinte em um evento de gala. Enquanto todos se retiravam, Jungkook hesitou, fingindo ajustar algo em sua mochila, esperando que a sala esvaziasse.

S/N ficou para trás, organizando seus papéis.

— Então... — a voz dele quebrou o silêncio da sala agora vazia — ...você realmente é a dona do mundo.

S/N se virou, cruzando os braços.

— E você é uma estrela global que esqueceu de mencionar o sobrenome.

Jungkook caminhou até ela, parando a uma distância que ainda era profissional, mas que permitia que sentissem o calor um do outro.

— Você disse que queria esquecer quem era por uma noite. Eu apenas segui o plano — ele sorriu, aquele mesmo sorriso que a desarmara na boate. — Eu não sabia que era você, S/N. Mas, sinceramente? Fico feliz que seja.

— Jungkook, isso complica as coisas. Temos uma parceria comercial agora.

— Só complica se a gente deixar — ele deu um passo à frente, diminuindo o espaço. — Eu não costumo misturar as coisas, mas não consigo parar de pensar naquela noite. E, pelo que vi hoje na reunião, você é ainda mais impressionante quando está no comando.

S/N sentiu sua resistência desmoronar. A lógica dizia para se afastar, mas o coração — aquele órgão que ela tanto ignorava — batia freneticamente.

— O que você sugere, Jeon Jungkook?

— Sugiro que terminemos de assinar esses papéis amanhã. E que, depois da gala, você me deixe te levar para jantar. Sem bonés, sem segredos. Apenas eu e a mulher que me desafiou a esquecer o mundo por algumas horas.

S/N olhou para ele, vendo além do ídolo, vendo o homem que a fizera rir entre beijos poucas horas antes.

— Eu não aceito propostas sem garantias de sucesso — disse ela, aproximando-se o suficiente para sussurrar no ouvido dele.

Jungkook inclinou a cabeça, a respiração dele roçando o pescoço dela.

— Eu garanto que este será o melhor investimento da sua vida.

Ao sair da sala, S/N encontrou Minjin encostada na parede do corredor, com um olhar de "eu já sabia".

— E então? — perguntou a amiga. — O amor ainda é um investimento de baixo retorno?

S/N sorriu, um sorriso genuíno que não tinha nada a ver com lucros ou metas.

— Digamos que eu decidi diversificar minha carteira, Minjin.

— É assim que se fala, CEO — Minjin piscou, passando o braço pelo de S/N. — Agora vamos, temos uma gala para planejar e um contrato para celebrar. E, quem sabe, um casamento real do K-pop e do mundo corporativo para organizar no futuro.

— Não exagera, Minjin!

— Eu nunca exagero, S/N. Eu apenas prevejo tendências de sucesso.

E, enquanto caminhavam pelo corredor de vidro, S/N percebeu que, pela primeira vez, o horizonte de Nova York não parecia apenas um inventário. Parecia um começo.
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