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Era pra ser Tu
Fandom: romance
Created: 4/21/2026
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RomanceDramaAngstHurt/ComfortJealousyRealismCharacter StudySlice of LifeCurtainfic / Domestic StoryAlcohol Abuse
O Sal das Cinzas e o Reencontro das Marés
O ar daquela noite de sábado estava carregado, e não era apenas pela umidade vinda do Atlântico que banhava a orla de Santos. Para Beatriz Reis, cada passo em direção à casa de veraneio de Lucas — o amigo em comum que insistira naquela reunião — parecia um mergulho em águas profundas sem saber nadar. Ela ajeitou o vestido leve, sentindo os fios ondulados de seu cabelo moreno dançarem com a brisa, e respirou fundo.
Havia um ano. Trezentos e sessenta e cinco dias desde que ela e Vicente Lucas Hidalgo haviam decidido que o amor, embora vasto como o oceano que ele tanto amava, não era suficiente para aplacar as tempestades de ciúmes e as brigas por inseguranças da juventude. Ela tinha dezessete anos agora, um pouco mais madura, mas a dependência emocional que sentia por ele ainda latejava como uma cicatriz que insiste em coçar em dias de chuva.
Ao cruzar o portão, o som de risadas e música baixa a envolveu. E então, seus olhos o encontraram.
Vicente estava encostado na mureta de pedra, segurando um copo de papel. A pele estava mais bronzeada do que ela lembrava, o reflexo das tardes que ele passava surfando. Os cabelos ondulados e escuros estavam bagunçados de um jeito que só ele conseguia sustentar com charme. Quando ele se virou e seus olhares se cruzaram, o tempo pareceu sofrer um solavanco.
— Você veio — disse ele, a voz rouca cortando a distância entre eles.
— Eu disse ao Lucas que viria — respondeu Beatriz, aproximando-se com passos hesitantes. — Oi, Vicente.
— Oi, Bia. Você está... — Ele hesitou, os olhos castanhos percorrendo o rosto dela com uma intensidade que a fez estremecer. — Você está bonita.
— Obrigada. Você também parece bem. A praia tem te feito bem.
Um silêncio desconfortável se instalou, preenchido apenas pelo som das ondas ao longe. O clima entre eles era uma mistura de eletricidade e mágoa estagnada. No grupo de amigos, todos fingiam não notar, mas a tensão era palpável.
— Beatriz! Que bom que chegou! — exclamou Rodrigo, um dos amigos do grupo, aproximando-se e passando o braço pelos ombros dela de forma casual. — Estávamos falando agora mesmo de marcar uma viagem para o feriado. Você tem que ir.
Beatriz sorriu, um pouco forçada, sentindo o olhar de Vicente queimar em sua direção.
— Vou tentar, Rodrigo. Depende das provas da escola.
— Ah, deixa disso! — Rodrigo riu, apertando o ombro dela. — A gente se diverte tanto, você sabe.
Vicente deu um passo à frente, o corpo tenso, a mandíbula cerrada. O ciúme, aquele velho conhecido que fora o estopim de tantas discussões no passado, borbulhava em seu sangue. Ver as mãos de outro homem em Beatriz, mesmo que fosse um amigo, ainda lhe causava uma náusea possessiva que ele lutava para esconder.
— Ela disse que vai ver se pode, Rodrigo — interveio Vicente, o tom de voz mais seco do que pretendia. — Não precisa pressionar.
Rodrigo ergueu as sobrancelhas, sentindo a faísca no ar.
— Calma, cara. Só estou convidando.
— Eu sei o que você está fazendo — rebateu Vicente, aproximando-se mais um centímetro, o instinto de proteção e posse falando mais alto.
Beatriz sentiu o coração disparar. Aquela era a versão de Vicente que ela conhecia: o homem de pé firme, que não recuava quando se tratava de defender o que — ou quem — amava. Mas também era o gatilho para as brigas que os separaram.
— Vicente, chega — pediu ela, a voz suave, mas firme. — Rodrigo, me dá um minuto? Quero falar com ele.
Rodrigo assentiu, meio sem jeito, e se afastou. Beatriz se voltou para Vicente, os olhos brilhando de uma mistura de raiva e saudade.
— Você não mudou nada, não é? — perguntou ela, cruzando os braços.
— Eu não gosto do jeito que ele te olha — retrucou Vicente, sem desculpas. — Nunca gostei.
— Nós não estamos mais juntos, Vicente. Você não tem o direito de controlar quem encosta no meu ombro ou quem me convida para viajar.
— Eu sei que não tenho direito — disse ele, dando um passo para dentro do espaço pessoal dela, o cheiro de sal e perfume amadeirado a atingindo em cheio. — Mas isso não significa que eu parei de me importar. Ver você e não poder te tocar, Bia... é um inferno.
O peso daquelas palavras fez com que a resistência de Beatriz vacilasse. Ela sempre fora doce, inclinada a perdoar, e a dependência que sentia da presença dele era sua maior fraqueza.
— Então por que você não lutou mais daquela vez? — questionou ela, a voz embargada. — Por que deixou que as discussões fossem maiores do que a gente?
— Porque eu era um idiota de dezoito anos que achava que te proteger era te sufocar — admitiu ele, os olhos fixos nos dela. — Eu passei esse último ano tentando entender como ser o homem que você merece. Mas ver você aqui, agora... dói do mesmo jeito.
Beatriz desviou o olhar para o mar, tentando manter os pés firmes em sua decisão de não cair nos braços dele na primeira oportunidade.
— Eu senti sua falta todos os dias — confessou ela, num sussurro quase inaudível.
Vicente estendeu a mão, tocando levemente uma mecha do cabelo dela.
— Eu também. Cada vez que eu entrava no mar, procurava você na areia.
— Mas as brigas, Vicente... a gente se destruía.
— A gente era jovem e impulsivo — disse ele, com uma seriedade que ela não vira antes. — Eu ainda sou ciumento, Bia. Eu ainda quero que o mundo saiba que você é a mulher da minha vida. Mas eu aprendi que amar não é prender. É cuidar.
O clima na festa parecia ter desaparecido. Para os dois, só existia o som da respiração um do outro e o murmúrio das ondas. No entanto, a paz durou pouco. Um grupo de rapazes do outro lado da piscina começou a rir alto, e um deles, visivelmente alterado pelo álcool, fez um comentário desrespeitoso sobre Beatriz enquanto ela passava a mão pelo rosto para secar uma lágrima solitária.
Vicente virou-se instantaneamente. O "fofo" e "doce" que ele costumava ser com ela desapareceu, dando lugar ao homem protetor que não aceitava desrespeito.
— O que você disse? — perguntou Vicente, caminhando em direção ao rapaz.
— Nada demais, cara. Só que a morena aí é um desperdício estar sozinha — respondeu o rapaz, com um sorriso debochado.
— Peça desculpas — exigiu Vicente, a voz baixa e perigosa.
— E se eu não pedir?
Beatriz correu até ele, segurando seu braço.
— Vicente, não vale a pena. Vamos embora.
— Ele não vai falar assim de você — afirmou Vicente, os ombros largos bloqueando a visão do outro rapaz. — Peça desculpas à Beatriz agora.
A tensão escalou até que o outro rapaz, intimidado pela estatura e pela determinação nos olhos de Vicente, resmungou um "desculpa" e se afastou com os amigos. Vicente relaxou os ombros, mas a respiração ainda estava pesada. Ele se voltou para Beatriz, esperando uma bronca, esperando que ela dissesse que ele passou dos limites novamente.
Em vez disso, ela o abraçou.
Beatriz enterrou o rosto no peito dele, sentindo o calor que tanto lhe fizera falta. Ela era dependente daquele porto seguro, e embora soubesse que precisava ser forte sozinha, a verdade era que com Vicente, ela se sentia completa.
— Você sempre me defendendo — murmurou ela contra a camisa dele.
— Sempre — prometeu ele, envolvendo-a em seus braços, apertando-a como se ela pudesse desaparecer a qualquer momento. — Eu morreria por você, Bia. Você sabe disso.
— Eu só quero que você viva por mim — disse ela, afastando-se o suficiente para olhar em seus olhos. — Sem as brigas bobas. Sem as inseguranças.
— Eu prometo tentar, se você prometer que não vai mais embora.
— Eu nunca quis ir embora, Vicente. Meu pé sempre esteve firme aqui, esperando você me dar um motivo para ficar.
Vicente sorriu, aquele sorriso que iluminava o rosto dele e fazia o coração de Beatriz errar a batida. Ele inclinou a cabeça, encostando a testa na dela.
— Vamos sair daqui? — sugeriu ele. — A praia está vazia. Só a gente e o barulho da água.
— Eu adoraria.
Eles saíram da casa de mãos dadas, ignorando os olhares curiosos dos amigos. Caminharam até a areia, onde o luar prateava a crista das ondas. O silêncio agora era confortável, uma promessa de recomeço.
— Senti falta de caminhar assim com você — disse Beatriz, sentindo a areia fria entre os dedos dos pés.
— Eu guardei cada lembrança nossa em uma caixa na minha mente — confessou Vicente. — Mas as lembranças não têm o seu cheiro.
Ele parou de caminhar e a puxou para frente dele. A luz da lua destacava as curvas do rosto de Beatriz, a doçura em seus olhos e a determinação em seus lábios.
— Eu amo você, Beatriz Reis — declarou ele, com a firmeza de quem não tem dúvidas. — Mais do que amava há um ano. Mais do que vou amar amanhã, porque meu amor só cresce.
— Eu também amo você, Vicente Lucas Hidalgo. Apesar de tudo. Por causa de tudo.
Vicente reduziu a distância final entre eles. O beijo foi um encontro de almas que estavam perdidas no mar e finalmente encontraram terra firme. Tinha gosto de saudade, de sal e de uma paixão que o tempo não fora capaz de apagar, apenas de temperar.
As brigas do passado ainda estavam lá, como cicatrizes, mas agora serviam como lembretes do que não repetir. Beatriz, a menina doce de dezessete anos, sabia o que queria: queria o calor de Vicente. E Vicente, com seus dezenove anos e o coração protetor, sabia que sua missão era ser o guardião da felicidade dela.
Enquanto as ondas quebravam suavemente na areia, eles entenderam que o amor, assim como o mar, tem suas marés altas e baixas. Mas, desde que estivessem juntos, eles aprenderiam a navegar em qualquer tempestade.
— Não vamos deixar o ciúme estragar tudo de novo, certo? — perguntou ela, entre beijos.
— Eu vou lutar contra isso todos os dias — prometeu ele, sorrindo contra os lábios dela. — Mas você também tem que me ajudar. Não sorria tanto para o Rodrigo.
Beatriz riu, um som cristalino que se misturou ao vento.
— Você não tem jeito, Vicente.
— Nenhum — admitiu ele, puxando-a para mais perto. — Especialmente quando o assunto é você.
E ali, sob o céu estrelado e o som do oceano, o capítulo de brigas e separação se fechou, dando lugar a uma história que estava apenas começando a ser reescrita, com mais maturidade, mas com a mesma intensidade avassaladora de sempre.
Havia um ano. Trezentos e sessenta e cinco dias desde que ela e Vicente Lucas Hidalgo haviam decidido que o amor, embora vasto como o oceano que ele tanto amava, não era suficiente para aplacar as tempestades de ciúmes e as brigas por inseguranças da juventude. Ela tinha dezessete anos agora, um pouco mais madura, mas a dependência emocional que sentia por ele ainda latejava como uma cicatriz que insiste em coçar em dias de chuva.
Ao cruzar o portão, o som de risadas e música baixa a envolveu. E então, seus olhos o encontraram.
Vicente estava encostado na mureta de pedra, segurando um copo de papel. A pele estava mais bronzeada do que ela lembrava, o reflexo das tardes que ele passava surfando. Os cabelos ondulados e escuros estavam bagunçados de um jeito que só ele conseguia sustentar com charme. Quando ele se virou e seus olhares se cruzaram, o tempo pareceu sofrer um solavanco.
— Você veio — disse ele, a voz rouca cortando a distância entre eles.
— Eu disse ao Lucas que viria — respondeu Beatriz, aproximando-se com passos hesitantes. — Oi, Vicente.
— Oi, Bia. Você está... — Ele hesitou, os olhos castanhos percorrendo o rosto dela com uma intensidade que a fez estremecer. — Você está bonita.
— Obrigada. Você também parece bem. A praia tem te feito bem.
Um silêncio desconfortável se instalou, preenchido apenas pelo som das ondas ao longe. O clima entre eles era uma mistura de eletricidade e mágoa estagnada. No grupo de amigos, todos fingiam não notar, mas a tensão era palpável.
— Beatriz! Que bom que chegou! — exclamou Rodrigo, um dos amigos do grupo, aproximando-se e passando o braço pelos ombros dela de forma casual. — Estávamos falando agora mesmo de marcar uma viagem para o feriado. Você tem que ir.
Beatriz sorriu, um pouco forçada, sentindo o olhar de Vicente queimar em sua direção.
— Vou tentar, Rodrigo. Depende das provas da escola.
— Ah, deixa disso! — Rodrigo riu, apertando o ombro dela. — A gente se diverte tanto, você sabe.
Vicente deu um passo à frente, o corpo tenso, a mandíbula cerrada. O ciúme, aquele velho conhecido que fora o estopim de tantas discussões no passado, borbulhava em seu sangue. Ver as mãos de outro homem em Beatriz, mesmo que fosse um amigo, ainda lhe causava uma náusea possessiva que ele lutava para esconder.
— Ela disse que vai ver se pode, Rodrigo — interveio Vicente, o tom de voz mais seco do que pretendia. — Não precisa pressionar.
Rodrigo ergueu as sobrancelhas, sentindo a faísca no ar.
— Calma, cara. Só estou convidando.
— Eu sei o que você está fazendo — rebateu Vicente, aproximando-se mais um centímetro, o instinto de proteção e posse falando mais alto.
Beatriz sentiu o coração disparar. Aquela era a versão de Vicente que ela conhecia: o homem de pé firme, que não recuava quando se tratava de defender o que — ou quem — amava. Mas também era o gatilho para as brigas que os separaram.
— Vicente, chega — pediu ela, a voz suave, mas firme. — Rodrigo, me dá um minuto? Quero falar com ele.
Rodrigo assentiu, meio sem jeito, e se afastou. Beatriz se voltou para Vicente, os olhos brilhando de uma mistura de raiva e saudade.
— Você não mudou nada, não é? — perguntou ela, cruzando os braços.
— Eu não gosto do jeito que ele te olha — retrucou Vicente, sem desculpas. — Nunca gostei.
— Nós não estamos mais juntos, Vicente. Você não tem o direito de controlar quem encosta no meu ombro ou quem me convida para viajar.
— Eu sei que não tenho direito — disse ele, dando um passo para dentro do espaço pessoal dela, o cheiro de sal e perfume amadeirado a atingindo em cheio. — Mas isso não significa que eu parei de me importar. Ver você e não poder te tocar, Bia... é um inferno.
O peso daquelas palavras fez com que a resistência de Beatriz vacilasse. Ela sempre fora doce, inclinada a perdoar, e a dependência que sentia da presença dele era sua maior fraqueza.
— Então por que você não lutou mais daquela vez? — questionou ela, a voz embargada. — Por que deixou que as discussões fossem maiores do que a gente?
— Porque eu era um idiota de dezoito anos que achava que te proteger era te sufocar — admitiu ele, os olhos fixos nos dela. — Eu passei esse último ano tentando entender como ser o homem que você merece. Mas ver você aqui, agora... dói do mesmo jeito.
Beatriz desviou o olhar para o mar, tentando manter os pés firmes em sua decisão de não cair nos braços dele na primeira oportunidade.
— Eu senti sua falta todos os dias — confessou ela, num sussurro quase inaudível.
Vicente estendeu a mão, tocando levemente uma mecha do cabelo dela.
— Eu também. Cada vez que eu entrava no mar, procurava você na areia.
— Mas as brigas, Vicente... a gente se destruía.
— A gente era jovem e impulsivo — disse ele, com uma seriedade que ela não vira antes. — Eu ainda sou ciumento, Bia. Eu ainda quero que o mundo saiba que você é a mulher da minha vida. Mas eu aprendi que amar não é prender. É cuidar.
O clima na festa parecia ter desaparecido. Para os dois, só existia o som da respiração um do outro e o murmúrio das ondas. No entanto, a paz durou pouco. Um grupo de rapazes do outro lado da piscina começou a rir alto, e um deles, visivelmente alterado pelo álcool, fez um comentário desrespeitoso sobre Beatriz enquanto ela passava a mão pelo rosto para secar uma lágrima solitária.
Vicente virou-se instantaneamente. O "fofo" e "doce" que ele costumava ser com ela desapareceu, dando lugar ao homem protetor que não aceitava desrespeito.
— O que você disse? — perguntou Vicente, caminhando em direção ao rapaz.
— Nada demais, cara. Só que a morena aí é um desperdício estar sozinha — respondeu o rapaz, com um sorriso debochado.
— Peça desculpas — exigiu Vicente, a voz baixa e perigosa.
— E se eu não pedir?
Beatriz correu até ele, segurando seu braço.
— Vicente, não vale a pena. Vamos embora.
— Ele não vai falar assim de você — afirmou Vicente, os ombros largos bloqueando a visão do outro rapaz. — Peça desculpas à Beatriz agora.
A tensão escalou até que o outro rapaz, intimidado pela estatura e pela determinação nos olhos de Vicente, resmungou um "desculpa" e se afastou com os amigos. Vicente relaxou os ombros, mas a respiração ainda estava pesada. Ele se voltou para Beatriz, esperando uma bronca, esperando que ela dissesse que ele passou dos limites novamente.
Em vez disso, ela o abraçou.
Beatriz enterrou o rosto no peito dele, sentindo o calor que tanto lhe fizera falta. Ela era dependente daquele porto seguro, e embora soubesse que precisava ser forte sozinha, a verdade era que com Vicente, ela se sentia completa.
— Você sempre me defendendo — murmurou ela contra a camisa dele.
— Sempre — prometeu ele, envolvendo-a em seus braços, apertando-a como se ela pudesse desaparecer a qualquer momento. — Eu morreria por você, Bia. Você sabe disso.
— Eu só quero que você viva por mim — disse ela, afastando-se o suficiente para olhar em seus olhos. — Sem as brigas bobas. Sem as inseguranças.
— Eu prometo tentar, se você prometer que não vai mais embora.
— Eu nunca quis ir embora, Vicente. Meu pé sempre esteve firme aqui, esperando você me dar um motivo para ficar.
Vicente sorriu, aquele sorriso que iluminava o rosto dele e fazia o coração de Beatriz errar a batida. Ele inclinou a cabeça, encostando a testa na dela.
— Vamos sair daqui? — sugeriu ele. — A praia está vazia. Só a gente e o barulho da água.
— Eu adoraria.
Eles saíram da casa de mãos dadas, ignorando os olhares curiosos dos amigos. Caminharam até a areia, onde o luar prateava a crista das ondas. O silêncio agora era confortável, uma promessa de recomeço.
— Senti falta de caminhar assim com você — disse Beatriz, sentindo a areia fria entre os dedos dos pés.
— Eu guardei cada lembrança nossa em uma caixa na minha mente — confessou Vicente. — Mas as lembranças não têm o seu cheiro.
Ele parou de caminhar e a puxou para frente dele. A luz da lua destacava as curvas do rosto de Beatriz, a doçura em seus olhos e a determinação em seus lábios.
— Eu amo você, Beatriz Reis — declarou ele, com a firmeza de quem não tem dúvidas. — Mais do que amava há um ano. Mais do que vou amar amanhã, porque meu amor só cresce.
— Eu também amo você, Vicente Lucas Hidalgo. Apesar de tudo. Por causa de tudo.
Vicente reduziu a distância final entre eles. O beijo foi um encontro de almas que estavam perdidas no mar e finalmente encontraram terra firme. Tinha gosto de saudade, de sal e de uma paixão que o tempo não fora capaz de apagar, apenas de temperar.
As brigas do passado ainda estavam lá, como cicatrizes, mas agora serviam como lembretes do que não repetir. Beatriz, a menina doce de dezessete anos, sabia o que queria: queria o calor de Vicente. E Vicente, com seus dezenove anos e o coração protetor, sabia que sua missão era ser o guardião da felicidade dela.
Enquanto as ondas quebravam suavemente na areia, eles entenderam que o amor, assim como o mar, tem suas marés altas e baixas. Mas, desde que estivessem juntos, eles aprenderiam a navegar em qualquer tempestade.
— Não vamos deixar o ciúme estragar tudo de novo, certo? — perguntou ela, entre beijos.
— Eu vou lutar contra isso todos os dias — prometeu ele, sorrindo contra os lábios dela. — Mas você também tem que me ajudar. Não sorria tanto para o Rodrigo.
Beatriz riu, um som cristalino que se misturou ao vento.
— Você não tem jeito, Vicente.
— Nenhum — admitiu ele, puxando-a para mais perto. — Especialmente quando o assunto é você.
E ali, sob o céu estrelado e o som do oceano, o capítulo de brigas e separação se fechou, dando lugar a uma história que estava apenas começando a ser reescrita, com mais maturidade, mas com a mesma intensidade avassaladora de sempre.
