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Entre tapas e beijos.

Fandom: Trapped with Jester

Created: 4/21/2026

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FantasyDarkHistoricalCrimeHumorGothic NoirCharacter StudyBuddy MovieExplicit LanguageGraphic Violence
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O Banquete das Sombras e o Desvio do Olhar

A carruagem invisível aos olhos mortais deslizava silenciosamente pela estrada de terra batida, cercada pela névoa densa das florestas de 1800. O cheiro de ferro e pólvora ainda impregnava as roupas de Jester e Penny. O Juiz havia feito um trabalho primoroso — ou melhor, Jester havia garantido que a lâmina da vingança cortasse exatamente onde doía mais. O promotor não era mais do que uma lembrança sangrenta no tapete de seu próprio escritório.

Dentro do veículo, o silêncio era quebrado apenas pelo som rítmico das rodas e pelo estalar de dedos de Jester, que brincava com uma moeda de ouro manchada de rubi. Ele ainda lambia os lábios, saboreando o resquício de essência vital que havia colhido.

— Você é um porco, Jester — Penny disparou, cruzando os braços sobre o corpete justo de sua roupa de Columbina. As fitas coloridas e os tecidos extravagantes de seu traje pareciam brilhar mesmo na penumbra. — Precisava ter sido tão... espalhafatoso? Eu levei semanas para quebrar a moral daquele Juiz, para fazê-lo aceitar que o crime era a única saída. E você transforma tudo em um espetáculo de circo.

Jester soltou uma risada anasalada, ajeitando o chapéu de bobo da corte que escondia seus chifres, embora sua aura demoníaca fosse impossível de ocultar por completo. Ele se inclinou para frente, invadindo o espaço pessoal dela com aquele sorriso provocativo que sempre parecia carregar um segredo sujo.

— Ora, minha querida boneca de porcelana... — ele ronronou, a voz como veludo arrastando-se em vidro. — Onde está a diversão se não houver um pouco de drama? O crime é o prato principal que você serve, mas a vingança... ah, a vingança é a sobremesa. E eu gosto de doces bem decorados.

Penny sentiu a veia em sua têmpora pulsar. Ela era o demônio da luxúria e do crime; ela lidava com a podridão interna, com os desejos mais sombrios que os humanos tentavam esconder. Jester, por outro lado, era apenas irritante. Um parceiro eficiente, sim, mas um completo idiota quando queria.

— Você não tem respeito pelo processo — reclamou ela, a voz subindo de tom. — Eu mostro a eles quem eles realmente são. Eu revelo a desumanidade. Você só os incentiva a serem patéticos e barulhentos.

— E você é tão linda quando está brava — Jester interrompeu, os olhos amarelos brilhando com malícia. — Realmente, Penny, esse tom de vermelho no seu rosto combina com o sangue que respingou no seu decote. Aliás...

O olhar dele desceu. Não foi um movimento sutil. Jester fixou os olhos no decote generoso do vestido de Columbina, onde a pele pálida de Penny contrastava com as rendas pretas e o brilho das joias baratas que ela usava para seduzir suas vítimas.

Penny travou. Ela estava acostumada a ser o objeto de desejo, afinal, era sua natureza, mas vindo de Jester, aquilo parecia uma afronta pessoal. Uma tentativa deliberada de tirá-la do sério.

— Meus olhos estão aqui em cima, seu palhaço degenerado — sibilou ela, mas Jester não se moveu. Ele continuou encarando, um sorriso torto brincando em seus lábios finos.

— Eu sei onde seus olhos estão, querida — ele respondeu, sem desviar o foco. — Mas a vista aqui embaixo é muito mais... arquitetônica. Os anos 1800 realmente fizeram maravilhas pela moda feminina. Esse espartilho está fazendo um trabalho divino, ou melhor, demoníaco.

A paciência de Penny rompeu como uma corda esticada demais. Em um movimento rápido e bruto, ela avançou, agarrando o queixo de Jester com força, os dedos cravando-se na pele dele enquanto ela forçava o rosto do demônio para cima.

— Olhe para mim quando eu estiver falando com você! — ordenou ela, os olhos brilhando com uma fúria púrpura. — Eu não sou uma das suas vítimas idiotas que você seduz para conseguir o que quer. Eu sou sua parceira. E se você não começar a me levar a sério, eu vou garantir que sua próxima refeição seja sua própria língua.

Jester manteve o sorriso, mesmo com o queixo apertado com tanta força que qualquer humano teria gritado de dor. Ele olhou profundamente nos olhos brava e temperamental de Penny por apenas um segundo, o suficiente para ela sentir o calor da presença dele.

— Você é tão agressiva — murmurou ele, a voz baixa e rouca. — Eu adoro isso.

Mas, assim que ela relaxou minimamente o aperto, achando que tinha ganhado a disputa de vontade, os olhos de Jester deslizaram para baixo novamente, voltando exatamente para o mesmo ponto no decote dela, com uma insolência que beirava o cômico.

— JESTER! — ela gritou, empurrando-o contra o estofado da carruagem.

— O quê? — ele riu, levantando as mãos em sinal de rendição fingida. — É um vício, Penny. Eu sou o demônio da traição, lembra? Meus olhos traem minha vontade o tempo todo. Além disso, você se esforçou tanto para parecer provocativa hoje... seria uma falta de educação da minha parte não apreciar o trabalho de uma colega.

Penny bufou, sentando-se o mais longe possível dele, embora o espaço na carruagem fosse limitado. Ela ajeitou o vestido com movimentos bruscos, sentindo o rosto arder de indignação.

— Você é impossível. Por que eu ainda concordo em trabalhar com você?

— Porque ninguém mais aguenta seu temperamento, minha flor de estufa — Jester respondeu, recuperando sua postura desleixada e voltando a girar a moeda. — E porque, no fundo, você sabe que formamos uma dupla impecável. Você os corrompe, eu os vingo. É o ciclo perfeito da miséria humana.

Penny olhou pela janela, observando as árvores retorcidas passarem como vultos. Ela odiava admitir, mas ele tinha razão. Havia uma harmonia sombria entre eles, uma dança de crime e punição que mantinha o equilíbrio de suas existências infernais.

— Só... tente se comportar até chegarmos em casa — pediu ela, o tom de voz baixando para um cansaço irritado. — Eu estou com fome, estou suja e não quero ter que matar você antes do jantar.

Jester soltou uma risadinha, seus olhos brilhando na escuridão da carruagem.

— Sem promessas, Penny. Sem promessas. Mas se serve de consolo...

Ele se inclinou novamente, sussurrando perto do ouvido dela, fazendo os pelos da nuca da demônia se arrepiarem contra sua vontade.

— ... o decote realmente está matador hoje.

Penny fechou os olhos e respirou fundo, contando mentalmente até dez em uma língua antiga e esquecida, enquanto a carruagem os levava de volta para o refúgio das sombras, onde a noite estava apenas começando.
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