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Phantomhive
Fandom: Yuukuko no Moriarty. Kuroshitsuji
Created: 4/21/2026
Tags
AU (Alternate Universe)CrossoverMysteryFantasyHistoricalCrimeDetectiveDarkGothic NoirDivergence
O Legado das Sombras e o Pacto de Sangue
A biblioteca da mansão em Durham exalava o aroma pesado de papel antigo e cera de vela. William James Moriarty, o "Consultor de Crimes", observava atentamente o documento amarelado que Albert acabara de colocar sobre a mesa de carvalho. Ao seu redor, o círculo de confiança estava completo: Louis, sempre vigilante ao lado do irmão; James Bond e Jack Renfield, em silêncio respeitoso; e, para surpresa de muitos, Sherlock Holmes e Mycroft, cujas presenças ali indicavam que o mistério em questão transcendia as leis comuns da Inglaterra.
— Este registro não deveria existir — começou Mycroft, ajustando seu guarda-chuva com uma expressão de raro desconforto. — Ele foi apagado dos arquivos da Coroa há décadas por ordem direta da Rainha Vitória. Refere-se a uma linhagem que, tecnicamente, pereceu no incêndio de uma mansão em Londres, no final do século XIX.
William passou os dedos longos sobre o selo de cera quebrado, que ostentava o brasão de uma cabeça de cão.
— A linhagem Phantomhive — murmurou William, seus olhos rubis brilhando com uma inteligência perigosa. — Louis e eu sempre soubemos que nossa origem nos cortiços era uma fachada conveniente para o plano de Albert, mas as memórias fragmentadas de nossa infância antes do orfanato nunca fizeram sentido... até agora.
Louis deu um passo à frente, sua expressão geralmente calma levemente perturbada.
— Irmão, você está sugerindo que a história que nos contaram sobre sermos apenas órfãos de rua era uma meia-verdade?
— Pior do que isso, Louis — interrompeu Sherlock, encostado na estante com um cachimbo apagado entre os lábios. — Estamos falando de um segredo que faz os crimes de Liam parecerem brincadeira de criança. Se o que Mycroft encontrou nos arquivos secretos do MI6 estiver correto, vocês dois não são apenas descendentes de nobres. Vocês são o resultado de algo que desafia a própria natureza.
Enquanto a discussão prosseguia na fria Londres vitoriana, a verdade começava a se desenrolar como um pergaminho antigo, transportando a realidade para anos atrás, para uma era onde o Conde Ciel Phantomhive ainda caminhava sob o sol pálido de sua propriedade.
Naquela época, a rotina na Mansão Phantomhive era uma coreografia de perfeição e sombras. Ciel, o Cão de Guarda da Rainha, sentava-se em seu escritório, lidando com o peso de um contrato que consumia sua alma. Ao seu lado, sempre a uma distância de um braço, estava Sebastian Michaelis.
— Sebastian — chamou Ciel, sem tirar os olhos dos relatórios sobre o tráfico de ópio. — O chá está amargo hoje.
— Peço perdão, meu jovem mestre — respondeu o mordomo, curvando-se com uma elegância sobre-humana. — Talvez o seu paladar esteja reagindo à agitação em seu sangue. Afinal, não é todo dia que um humano e um demônio tentam preservar algo tão... frágil.
A relação entre os dois havia evoluído de um simples contrato de vingança para uma simbiose distorcida. Com o passar dos anos, o poder demoníaco de Sebastian e a vontade inquebrável de Ciel criaram uma anomalia. Através de rituais proibidos e a manipulação de energias que nenhum mortal deveria tocar, dois herdeiros foram gerados. Não da forma convencional, mas através de um pacto de sangue e essência. William e Louis não eram apenas filhos; eram extensões do legado de dor e justiça de Ciel, imbuídos com a astúcia do mestre e a frieza do servo.
No entanto, o mundo das sombras é cruel. Os inimigos de Ciel, tanto humanos quanto sobrenaturais, descobriram a existência das crianças.
— Eles não podem ficar aqui — disse Ciel, certa noite, olhando para os dois berços de prata enquanto Sebastian observava da penumbra. — Se os anjos ou os ceifadores souberem que eles carregam a sua marca, Sebastian, eles serão caçados até o fim dos tempos.
— O senhor está sugerindo que os abandonemos? — A voz de Sebastian era gélida, mas havia um brilho estranho em seus olhos escuros. — Eu poderia protegê-los. Eu sou um demônio, afinal.
— Não contra todo o exército do céu e da terra ao mesmo tempo — retrucou Ciel, sua voz falhando por um breve momento. — Eles precisam de uma chance de mudar este mundo sem o peso do meu nome ou da sua natureza. Deixe-os em Londres. Apague os rastros. Que eles cresçam com o ódio pela injustiça, mas sem as correntes do nosso contrato.
A separação foi rápida e silenciosa. Sebastian, sob as ordens de seu mestre, deixou os dois meninos em um local onde seriam encontrados por aqueles que valorizavam a inteligência acima de tudo. Ele observou de longe enquanto William e Louis eram levados, sentindo, pela primeira vez em milênios, algo que se assemelhava a um nó na garganta.
De volta ao presente, na mansão Moriarty, o silêncio era absoluto após a explicação de Mycroft.
— Então — disse Albert, quebrando a tensão —, o "crime perfeito" que cometemos ao adotar William e Louis foi, na verdade, um caminho traçado por um demônio e um conde fantasma?
— Parece que sim — respondeu William, levantando-se e caminhando até a janela. — Isso explica por que sempre senti que este mundo estava podre e que eu tinha o dever de limpá-lo. Não era apenas uma ideologia. Estava no meu sangue.
Sherlock aproximou-se de William, olhando-o nos olhos.
— E o que você vai fazer com essa informação, Liam? Saber que seu pai biológico vendeu a alma e seu outro "pai" é um ser do inferno muda o seu plano?
William sorriu, um sorriso que, pela primeira vez, Sherlock achou genuinamente aterrorizante, lembrando a elegância predatória de Sebastian.
— Pelo contrário, Sherlock. Isso apenas confirma que minha luta contra o sistema de classes e a corrupção é o meu direito de primogenitura. O Conde Phantomhive limpava o lixo da coroa nas sombras. Eu vou queimar a estrutura inteira e construir algo novo sobre as cinzas.
— Mas há um detalhe — disse Watson, que estivera anotando tudo em seu diário com as mãos trêmulas. — Se eles eram seres tão poderosos, onde estão agora?
— O contrato de Ciel Phantomhive tinha um fim — explicou Mycroft, fechando sua pasta. — Dizem as lendas urbanas do submundo que, após a conclusão de sua vingança, o Conde desapareceu. Alguns dizem que ele se tornou algo diferente. Outros dizem que ele finalmente pagou o preço.
Nesse exato momento, um calafrio percorreu a espinha de todos na sala. As luzes das velas oscilaram violentamente. Um aroma súbito de rosas negras e chá Earl Grey preencheu o ar.
— Ora, não sejam tão pessimistas — uma voz profunda e aveludada ecoou pelos cantos da biblioteca, vinda de lugar nenhum e de todos os lugares ao mesmo tempo.
No canto mais escuro da sala, as sombras pareceram ganhar vida, moldando-se na figura de um homem alto, vestido com um fraque impecável, cujos olhos brilhavam com um fulgor carmesim idêntico ao de William.
— Sebastian... — sussurrou Louis, levando a mão instintivamente à faca escondida em sua manga.
— Faz muito tempo, jovem mestre Louis. E o senhor também, jovem mestre William — disse o intruso, curvando-se com uma perfeição que desafiava a gravidade. — Devo dizer que os dois superaram todas as expectativas do seu pai.
— Onde ele está? — exigiu William, sua voz firme apesar do choque.
Sebastian sorriu, revelando dentes brancos demais.
— O mestre Ciel observa de um lugar onde o tempo não tem significado. Ele me enviou para entregar um aviso. O "Plano Final" de vocês atraiu a atenção de forças que nem mesmo o Governo Britânico pode conter.
Sherlock deu um passo à frente, desafiador.
— E quem é você para interferir? Um mordomo do inferno?
— Exatamente — respondeu Sebastian, seus olhos encontrando os de Sherlock. — E como um simples mordomo, minha função é apenas garantir que a louça esteja limpa e que o legado dos Phantomhive não seja interrompido por amadores.
William caminhou até Sebastian, ficando a poucos centímetros da criatura que, tecnicamente, era seu progenitor biológico. O contraste era fascinante: o humano que buscava se tornar um demônio pelo bem da humanidade, e o demônio que observava a humanidade com um desdém divertido.
— Não precisamos de proteção, Sebastian — afirmou William. — Se você nos deixou naquele orfanato para que pudéssemos forjar nosso próprio caminho, por que voltar agora?
— Porque a peça está chegando ao seu ato final, William James Moriarty — disse Sebastian, sua forma começando a se dissipar como fumaça de cigarro. — E Ciel gostaria que soubessem que, de todos os pecados que ele cometeu, o nascimento de vocês foi o único do qual ele não se arrepende.
A figura desapareceu, deixando apenas uma única rosa negra sobre a mesa de William e um silêncio ensurdecedor.
Mycroft suspirou, limpando o suor da testa.
— Bem, isso certamente complica a nossa política externa.
Sherlock, por outro lado, soltou uma risada curta e seca.
— Liam, parece que o seu "problema familiar" é muito mais interessante do que qualquer caso que eu já resolvi.
William pegou a rosa negra, sentindo o leve toque de poder que emanava de suas pétalas. Ele olhou para Louis e depois para Albert.
— O sangue que corre em nossas veias pode ser amaldiçoado — disse William, com um olhar de determinação renovada —, mas o propósito que escolhemos é nosso. Se somos filhos de demônios e condes fantasmas, então que assim seja. Vamos mostrar a Londres o que acontece quando o legado das sombras decide reivindicar a luz.
Louis assentiu, sua lealdade inabalável agora reforçada por uma verdade transcendental. James Bond e Jack trocaram olhares de espanto, mas permaneceram firmes. Eles seguiam Moriarty, não importa de qual abismo ele tivesse surgido.
No alto de uma torre distante, invisível aos olhos humanos, duas figuras observavam a mansão Moriarty. Uma delas era pequena, com um tapa-olho e uma expressão de tédio melancólico; a outra era alta e sombria.
— Eles cresceram bem, não cresceram? — perguntou a figura menor, ajustando o casaco de veludo azul.
— Sim, meu senhor — respondeu o mordomo, reaparecendo ao seu lado. — William possui sua mente estratégica, e Louis possui sua capacidade de sacrifício. São, de fato, seus filhos.
Ciel Phantomhive deu as costas para a vista de Londres, um leve sorriso brincando em seus lábios.
— Então vamos embora, Sebastian. O palco pertence a eles agora. E eu espero que eles causem muito mais caos do que eu jamais consegui causar.
— Como desejar, My Lord.
As duas figuras desapareceram na noite, deixando para trás um rastro de mistério que os irmãos Moriarty passariam o resto de suas vidas decifrando, enquanto reescreviam a história da Inglaterra com sangue, fogo e a herança de um pacto que nem mesmo a morte pôde quebrar.
— Este registro não deveria existir — começou Mycroft, ajustando seu guarda-chuva com uma expressão de raro desconforto. — Ele foi apagado dos arquivos da Coroa há décadas por ordem direta da Rainha Vitória. Refere-se a uma linhagem que, tecnicamente, pereceu no incêndio de uma mansão em Londres, no final do século XIX.
William passou os dedos longos sobre o selo de cera quebrado, que ostentava o brasão de uma cabeça de cão.
— A linhagem Phantomhive — murmurou William, seus olhos rubis brilhando com uma inteligência perigosa. — Louis e eu sempre soubemos que nossa origem nos cortiços era uma fachada conveniente para o plano de Albert, mas as memórias fragmentadas de nossa infância antes do orfanato nunca fizeram sentido... até agora.
Louis deu um passo à frente, sua expressão geralmente calma levemente perturbada.
— Irmão, você está sugerindo que a história que nos contaram sobre sermos apenas órfãos de rua era uma meia-verdade?
— Pior do que isso, Louis — interrompeu Sherlock, encostado na estante com um cachimbo apagado entre os lábios. — Estamos falando de um segredo que faz os crimes de Liam parecerem brincadeira de criança. Se o que Mycroft encontrou nos arquivos secretos do MI6 estiver correto, vocês dois não são apenas descendentes de nobres. Vocês são o resultado de algo que desafia a própria natureza.
Enquanto a discussão prosseguia na fria Londres vitoriana, a verdade começava a se desenrolar como um pergaminho antigo, transportando a realidade para anos atrás, para uma era onde o Conde Ciel Phantomhive ainda caminhava sob o sol pálido de sua propriedade.
Naquela época, a rotina na Mansão Phantomhive era uma coreografia de perfeição e sombras. Ciel, o Cão de Guarda da Rainha, sentava-se em seu escritório, lidando com o peso de um contrato que consumia sua alma. Ao seu lado, sempre a uma distância de um braço, estava Sebastian Michaelis.
— Sebastian — chamou Ciel, sem tirar os olhos dos relatórios sobre o tráfico de ópio. — O chá está amargo hoje.
— Peço perdão, meu jovem mestre — respondeu o mordomo, curvando-se com uma elegância sobre-humana. — Talvez o seu paladar esteja reagindo à agitação em seu sangue. Afinal, não é todo dia que um humano e um demônio tentam preservar algo tão... frágil.
A relação entre os dois havia evoluído de um simples contrato de vingança para uma simbiose distorcida. Com o passar dos anos, o poder demoníaco de Sebastian e a vontade inquebrável de Ciel criaram uma anomalia. Através de rituais proibidos e a manipulação de energias que nenhum mortal deveria tocar, dois herdeiros foram gerados. Não da forma convencional, mas através de um pacto de sangue e essência. William e Louis não eram apenas filhos; eram extensões do legado de dor e justiça de Ciel, imbuídos com a astúcia do mestre e a frieza do servo.
No entanto, o mundo das sombras é cruel. Os inimigos de Ciel, tanto humanos quanto sobrenaturais, descobriram a existência das crianças.
— Eles não podem ficar aqui — disse Ciel, certa noite, olhando para os dois berços de prata enquanto Sebastian observava da penumbra. — Se os anjos ou os ceifadores souberem que eles carregam a sua marca, Sebastian, eles serão caçados até o fim dos tempos.
— O senhor está sugerindo que os abandonemos? — A voz de Sebastian era gélida, mas havia um brilho estranho em seus olhos escuros. — Eu poderia protegê-los. Eu sou um demônio, afinal.
— Não contra todo o exército do céu e da terra ao mesmo tempo — retrucou Ciel, sua voz falhando por um breve momento. — Eles precisam de uma chance de mudar este mundo sem o peso do meu nome ou da sua natureza. Deixe-os em Londres. Apague os rastros. Que eles cresçam com o ódio pela injustiça, mas sem as correntes do nosso contrato.
A separação foi rápida e silenciosa. Sebastian, sob as ordens de seu mestre, deixou os dois meninos em um local onde seriam encontrados por aqueles que valorizavam a inteligência acima de tudo. Ele observou de longe enquanto William e Louis eram levados, sentindo, pela primeira vez em milênios, algo que se assemelhava a um nó na garganta.
De volta ao presente, na mansão Moriarty, o silêncio era absoluto após a explicação de Mycroft.
— Então — disse Albert, quebrando a tensão —, o "crime perfeito" que cometemos ao adotar William e Louis foi, na verdade, um caminho traçado por um demônio e um conde fantasma?
— Parece que sim — respondeu William, levantando-se e caminhando até a janela. — Isso explica por que sempre senti que este mundo estava podre e que eu tinha o dever de limpá-lo. Não era apenas uma ideologia. Estava no meu sangue.
Sherlock aproximou-se de William, olhando-o nos olhos.
— E o que você vai fazer com essa informação, Liam? Saber que seu pai biológico vendeu a alma e seu outro "pai" é um ser do inferno muda o seu plano?
William sorriu, um sorriso que, pela primeira vez, Sherlock achou genuinamente aterrorizante, lembrando a elegância predatória de Sebastian.
— Pelo contrário, Sherlock. Isso apenas confirma que minha luta contra o sistema de classes e a corrupção é o meu direito de primogenitura. O Conde Phantomhive limpava o lixo da coroa nas sombras. Eu vou queimar a estrutura inteira e construir algo novo sobre as cinzas.
— Mas há um detalhe — disse Watson, que estivera anotando tudo em seu diário com as mãos trêmulas. — Se eles eram seres tão poderosos, onde estão agora?
— O contrato de Ciel Phantomhive tinha um fim — explicou Mycroft, fechando sua pasta. — Dizem as lendas urbanas do submundo que, após a conclusão de sua vingança, o Conde desapareceu. Alguns dizem que ele se tornou algo diferente. Outros dizem que ele finalmente pagou o preço.
Nesse exato momento, um calafrio percorreu a espinha de todos na sala. As luzes das velas oscilaram violentamente. Um aroma súbito de rosas negras e chá Earl Grey preencheu o ar.
— Ora, não sejam tão pessimistas — uma voz profunda e aveludada ecoou pelos cantos da biblioteca, vinda de lugar nenhum e de todos os lugares ao mesmo tempo.
No canto mais escuro da sala, as sombras pareceram ganhar vida, moldando-se na figura de um homem alto, vestido com um fraque impecável, cujos olhos brilhavam com um fulgor carmesim idêntico ao de William.
— Sebastian... — sussurrou Louis, levando a mão instintivamente à faca escondida em sua manga.
— Faz muito tempo, jovem mestre Louis. E o senhor também, jovem mestre William — disse o intruso, curvando-se com uma perfeição que desafiava a gravidade. — Devo dizer que os dois superaram todas as expectativas do seu pai.
— Onde ele está? — exigiu William, sua voz firme apesar do choque.
Sebastian sorriu, revelando dentes brancos demais.
— O mestre Ciel observa de um lugar onde o tempo não tem significado. Ele me enviou para entregar um aviso. O "Plano Final" de vocês atraiu a atenção de forças que nem mesmo o Governo Britânico pode conter.
Sherlock deu um passo à frente, desafiador.
— E quem é você para interferir? Um mordomo do inferno?
— Exatamente — respondeu Sebastian, seus olhos encontrando os de Sherlock. — E como um simples mordomo, minha função é apenas garantir que a louça esteja limpa e que o legado dos Phantomhive não seja interrompido por amadores.
William caminhou até Sebastian, ficando a poucos centímetros da criatura que, tecnicamente, era seu progenitor biológico. O contraste era fascinante: o humano que buscava se tornar um demônio pelo bem da humanidade, e o demônio que observava a humanidade com um desdém divertido.
— Não precisamos de proteção, Sebastian — afirmou William. — Se você nos deixou naquele orfanato para que pudéssemos forjar nosso próprio caminho, por que voltar agora?
— Porque a peça está chegando ao seu ato final, William James Moriarty — disse Sebastian, sua forma começando a se dissipar como fumaça de cigarro. — E Ciel gostaria que soubessem que, de todos os pecados que ele cometeu, o nascimento de vocês foi o único do qual ele não se arrepende.
A figura desapareceu, deixando apenas uma única rosa negra sobre a mesa de William e um silêncio ensurdecedor.
Mycroft suspirou, limpando o suor da testa.
— Bem, isso certamente complica a nossa política externa.
Sherlock, por outro lado, soltou uma risada curta e seca.
— Liam, parece que o seu "problema familiar" é muito mais interessante do que qualquer caso que eu já resolvi.
William pegou a rosa negra, sentindo o leve toque de poder que emanava de suas pétalas. Ele olhou para Louis e depois para Albert.
— O sangue que corre em nossas veias pode ser amaldiçoado — disse William, com um olhar de determinação renovada —, mas o propósito que escolhemos é nosso. Se somos filhos de demônios e condes fantasmas, então que assim seja. Vamos mostrar a Londres o que acontece quando o legado das sombras decide reivindicar a luz.
Louis assentiu, sua lealdade inabalável agora reforçada por uma verdade transcendental. James Bond e Jack trocaram olhares de espanto, mas permaneceram firmes. Eles seguiam Moriarty, não importa de qual abismo ele tivesse surgido.
No alto de uma torre distante, invisível aos olhos humanos, duas figuras observavam a mansão Moriarty. Uma delas era pequena, com um tapa-olho e uma expressão de tédio melancólico; a outra era alta e sombria.
— Eles cresceram bem, não cresceram? — perguntou a figura menor, ajustando o casaco de veludo azul.
— Sim, meu senhor — respondeu o mordomo, reaparecendo ao seu lado. — William possui sua mente estratégica, e Louis possui sua capacidade de sacrifício. São, de fato, seus filhos.
Ciel Phantomhive deu as costas para a vista de Londres, um leve sorriso brincando em seus lábios.
— Então vamos embora, Sebastian. O palco pertence a eles agora. E eu espero que eles causem muito mais caos do que eu jamais consegui causar.
— Como desejar, My Lord.
As duas figuras desapareceram na noite, deixando para trás um rastro de mistério que os irmãos Moriarty passariam o resto de suas vidas decifrando, enquanto reescreviam a história da Inglaterra com sangue, fogo e a herança de um pacto que nem mesmo a morte pôde quebrar.
