Fanfy
.studio
Loading...
Background image
← Back
0 likes

porta aberta

Fandom: culpa mia

Created: 4/22/2026

Tags

RomanceDramaSoulmatesExplicit LanguageCharacter StudyRomance Novel
Contents

Tinta, Segredos e Gravidade

A brisa quente da costa espanhola costumava ser um convite ao relaxamento, mas para Luiza Catarina, era apenas um lembrete de que ela estava longe demais de sua zona de conforto. Luiza ajeitou os óculos de grau que teimavam em escorregar pelo nariz e apertou o livro contra o peito, sentindo os cachos úmidos pela maresia. Ela amava Noah, sua melhor amiga e o porto seguro que a vida lhe dera, mas a mansão dos Leister sempre parecia um cenário grande demais para sua timidez.

— Lu! Você finalmente chegou! — O grito de Noah ecoou pelo jardim, seguido por um abraço esmagador.

— Calma, escudeira, eu ainda preciso de oxigênio para ler meus romances — brincou Luiza, soltando uma risada curta e ajeitando a blusa que revelava, por um breve segundo, o desenho em seu antebraço.

— Você e esses livros... — Noah revirou os olhos com carinho. — O Nick está lá dentro com um amigo. Vem, você precisa se distrair.

Ao entrarem na sala monumental, o ar mudou. Nicholas estava debruçado sobre uma mesa de bilhar, mas não era ele quem prendia a atenção da luz que entrava pelas janelas. Ao lado dele, encostado na parede com uma cerveja na mão, estava um homem que parecia ter sido esculpido pelo próprio pecado.

Cabelos pretos desalinhados, olhos tão escuros quanto uma noite sem estrelas e uma postura que exalava uma confiança perigosa. Mas o que paralisou Luiza foi o detalhe no pescoço dele: uma tatuagem de um fio fino, contínuo, que subia pela mandíbula.

— Nick, essa é a Luiza — apresentou Noah. — Lu, esse é o Nicholas, meu... bom, você sabe. E aquele ali é o Nolah.

— Nolah Allerano — a voz dele era um barítono rouco que vibrou direto no baixo ventre de Luiza. — Então você é a famosa leitora que a Noah tanto protege?

Luiza sentiu o rosto esquentar, a timidez lutando contra sua língua afiada.

— E você deve ser o projeto de modelo sarcástico que o Nicholas usa para parecer mais inteligente — retrucou ela, sem desviar o olhar.

Nicholas soltou uma gargalhada, batendo no ombro de Nolah.

— Eu disse que ela era difícil, cara.

Nolah não riu. Ele se aproximou lentamente, cada passo carregado de uma predação magnética. Ele parou a poucos centímetros dela, o cheiro de sândalo e tabaco caro invadindo os sentidos de Luiza.

— Gostei dos óculos — murmurou ele, inclinando-se para perto do ouvido dela. — Mas prefiro o que eles tentam esconder.

O resto da tarde foi um borrão de tensões não ditas. Enquanto Noah e Nicholas viviam seu próprio drama romântico, Luiza tentava se concentrar em seu livro no terraço, mas os olhos de Nolah a seguiam como um radar. Ele era um "pegador" confesso, ela sabia pelas histórias de Noah, mas havia algo ali, um magnetismo proibido que parecia puxar as almas deles para um colapso iminente.

Quando o sol começou a se pôr, tingindo o céu de laranja e roxo, Nolah a encontrou sozinha na biblioteca da mansão.

— O que é isso no seu braço? — perguntou ele, surgindo das sombras.

Luiza cobriu o antebraço instintivamente, mas era tarde. Nolah segurou o pulso dela com uma firmeza surpreendente, mas delicada. Ele puxou a manga da blusa dela, revelando uma tatuagem complexa: uma bússola cujos ponteiros eram feitos de correntes quebradas, cercada por flores de lótus que pareciam brotar do nada.

— É linda — admitiu ele, o sarcasmo desaparecendo por um momento. — O que significa?

— Significa que eu me perdi para poder me encontrar — disse ela, a voz baixa e séria. — As correntes são o que me prendia ao que os outros esperavam de mim. A lótus é o que cresce na lama.

Nolah passou o polegar sobre o desenho, e a pele de Luiza formigou.

— E o fio no seu pescoço? — perguntou ela, criando coragem para tocar a pele dele. — O que ele prende?

— Ele não prende, Catarina — Nolah sorriu de lado, um sorriso que não chegou aos olhos. — Ele conecta. É o fio do destino. Mas eu costumo usá-lo para enforcar quem chega perto demais.

— Sorte a minha que eu não tenho medo de altura — rebateu ela.

A tensão quebrou. Nolah a prensou contra a estante de carvalho, os livros às costas dela servindo de suporte para o impacto. Ele a beijou com uma fome desesperada, uma mistura de urgência e uma necessidade emocional que nenhum dos dois conseguia explicar. Era como se estivessem destinados a se colidir naquele exato momento.

— Você é um problema — rosnou ele entre os beijos, as mãos grandes descendo pela cintura dela, apertando-a contra seu corpo rígido e musculoso.

— E você é exatamente o tipo de erro que eu gosto de ler — respondeu Luiza, puxando o cabelo dele, sentindo a língua dele explorar a sua com uma maestria que a deixava sem fôlego.

Nolah a levantou, as pernas dela enroscando-se na cintura dele com uma agilidade que o surpreendeu. Ele a levou para o quarto de hóspedes no fim do corredor, trancando a porta com um chute. No escuro, iluminados apenas pela lua, o desejo se tornou algo cru e explícito.

Ele a despiu com uma reverência quase religiosa, seus olhos devorando cada curva, cada cacho que caía sobre os ombros dela. Quando Luiza tirou a camisa dele, revelando o peito largo e as tatuagens que contavam histórias de brigas e conquistas, ela sentiu que estava entrando em um território proibido. Nolah era o melhor amigo de Nicholas, o irmão/namorado de sua melhor amiga. Era errado em tantos níveis, e era exatamente isso que tornava o toque dele elétrico.

— Eu vou te ensinar uma coisa, Nolah — sussurrou ela, enquanto ele se posicionava entre as pernas dela, a pele quente contra a pele. — Algo que você não vai encontrar em nenhuma das suas conquistas de uma noite.

— O quê? — perguntou ele, a respiração ofegante, os olhos fixos nos dela.

— Que o prazer sem entrega é só barulho. E eu não sou barulho. Eu sou a música inteira.

A forma como eles se amaram naquela noite foi além do físico. Foi uma dança de descobertas. Nolah, acostumado a apenas "pegar", viu-se rendido à intensidade de Luiza. Ela o guiava, ensinando-o a sentir o ritmo, a conexão que sua tatuagem de bússola prometia. Cada estocada era carregada de uma emoção profunda, um magnetismo que parecia fundir seus DNAs.

— Luiza... — ele gemeu o nome dela como uma prece, enterrando o rosto no pescoço dela, onde o cheiro de baunilha dele o embriagava.

— Não para — pediu ela, as unhas cravadas nas costas dele, sentindo o ápice chegar como uma onda avassaladora que os deixou trêmulos e exaustos nos lençóis de seda.

Horas depois, enquanto o suor secava e a realidade batia à porta, Nolah a abraçou por trás.

— Aquilo que você me ensinou... sobre a entrega — começou ele, a voz grave no silêncio do quarto. — Eu nunca senti isso antes. É perigoso.

— O amor é perigoso, Nolah. Especialmente o nosso, que nem deveria existir — Luiza virou-se para ele, tocando a tatuagem do fio no pescoço dele. — Mas essa conexão... ela vai nos salvar ou nos destruir.

Nolah não sabia na época, mas as palavras de Luiza e aquele ensinamento sobre a profundidade do sentimento seriam sua única âncora meses depois, quando os segredos do passado de Nicholas e a sombra dos Leister ameaçariam separar todos eles.

— Eu não vou deixar nada destruir isso — prometeu ele, selando o pacto com um beijo calmo.

Luiza sorriu, a timidez agora substituída por uma força que só quem encontrou seu destino conhece. Ela sabia que a bússola em seu braço finalmente tinha parado de girar. Ela tinha encontrado o seu norte, e ele tinha olhos pretos e um fio tatuado no pescoço.

Naquela noite, na mansão onde tudo era proibido, eles descobriram que algumas regras foram feitas para serem quebradas, e que algumas tatuagens são escritas na alma muito antes de chegarem à pele. E, no final, seria aquela conexão — aquela entrega que ela o ensinara — que o impediria de desistir quando o mundo deles começasse a queimar.
Contents

Want to write your own fanfic?

Sign up on Fanfy and create your own stories!

Create my fanfic