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Sob uma máscara

Fandom: EngLot

Created: 4/24/2026

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DarkPsychologicalHorrorThrillerCrimeJealousyGraphic ViolenceCharacter StudyRomanceDrama
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O Anjo de Óculos e a Sombra da Morte

O corredor da faculdade estava barulhento, mas para Engfa Waraha, o mundo se resumia a um único ponto focal: Charlotte Austin. Sentada em um banco de madeira sob a claridade da janela, Charlotte folheava um exemplar desgastado de um romance clássico, seus cabelos castanho-claros brilhando sob a luz do sol.

Engfa ajustou os óculos no rosto, a expressão fria e impenetrável. Para qualquer observador casual, ela era apenas a melhor amiga nerd e silenciosa, a sombra alta e constante que protegia Charlotte do caos do mundo acadêmico. Mas, por trás das lentes, os olhos de Engfa não apenas observavam; eles devoravam. Cada sorriso que Charlotte dava para o livro, cada vez que ela mordia o lábio inferior em concentração, era registrado e arquivado na mente obsessiva de Engfa.

— Engfa! Você está aí há quanto tempo? — Charlotte fechou o livro com um estalo suave e sorriu, estendendo os braços.

Engfa se aproximou, permitindo que a frieza de sua postura derretesse apenas o suficiente para envolver a amiga em um abraço. Charlotte adorava os abraços dela; dizia que Engfa tinha cheiro de chuva e segurança.

— Acabei de chegar — mentiu Engfa, a voz baixa e monocórdica. — Você parece cansada. Alguém te incomodou?

Charlotte suspirou, recostando a cabeça no ombro de Engfa.

— Só o Mew de novo. Ele insistiu que eu deveria ir à festa de fraternidade amanhã à noite. Ele não aceita um "não" como resposta, Engfa. É um pouco exaustivo.

O corpo de Engfa ficou rígido por um milésimo de segundo. Mew. O capitão do time, o garoto de ouro da faculdade. Um parasita que ousava respirar o mesmo ar que sua Charlotte.

— Não se preocupe com ele, Char — sussurrou Engfa, acariciando os cabelos da garota com uma delicadeza quase doentia. — Eu vou cuidar de tudo. Você sabe que eu sempre cuido.

— Eu sei. Você é meu anjo da guarda — Charlotte riu, apertando o abraço antes de se afastar para olhar nos olhos da amiga. — O que eu faria sem você?

Engfa não respondeu. Ela sabia exatamente o que Charlotte faria: ela seria livre. E a liberdade era um luxo que Engfa não pretendia permitir que Charlotte tivesse.

A noite caiu sobre o campus, trazendo consigo uma névoa fria. Mew caminhava pelo estacionamento vazio, as chaves do carro girando no dedo. Ele estava confiante. Charlotte era difícil, mas ele gostava do desafio. Ele só precisava tirar aquela sombra de óculos do caminho por algumas horas.

De repente, o som de galhos secos estalando ecoou atrás dele. Mew parou, olhando em volta.

— Charlotte? É você? — ele chamou, um sorriso convencido surgindo nos lábios. — Decidiu aceitar o convite?

O silêncio foi a única resposta, seguido pelo brilho metálico de uma lâmina sob a luz fraca do poste. De trás de uma van, uma figura surgiu. Não era a garota de seus sonhos, mas um pesadelo vestido de preto. A túnica escura balançava com o vento, e a máscara de Ghostface, com seu grito silencioso e vazio, encarava-o intensamente.

Mew recuou, o coração dando um salto violento no peito.

— Que porra é essa? Alguma brincadeira de trote? — Ele tentou rir, mas o som saiu engasgado.

A figura não disse uma palavra. Moveu-se com uma agilidade predatória, fechando a distância entre eles em segundos. Mew tentou correr, mas sentiu um impacto violento contra as costas, sendo arremessado contra o asfalto frio.

— Fique longe dela — a voz saiu distorcida por um modulador, um som metálico e desumano que parecia vir do próprio inferno.

— Do que você está falando? Quem é você? — Mew gritou, o pânico assumindo o controle enquanto ele via a faca se erguer.

— Ela não pertence a você. Ela não pertence a ninguém além de mim.

O brilho nos olhos por trás da máscara era de uma lucidez aterrorizante. Engfa não sentia raiva; sentia justiça. Cada movimento era calculado, cada corte era um aviso. Ela não o mataria ali — o sangue faria muita sujeira e atrairia a polícia cedo demais —, mas ela garantiria que Mew nunca mais tivesse coragem de olhar para Charlotte.

Após alguns minutos de um terror silencioso e eficiente, Mew estava caído, soluçando e tremendo, com cortes superficiais, mas dolorosos, e uma promessa de morte gravada em sua mente. A figura de Ghostface desapareceu nas sombras tão rapidamente quanto surgiu, deixando apenas o cheiro de metal e medo no ar.

Cerca de vinte minutos depois, Engfa Waraha entrava no dormitório de Charlotte. Ela havia trocado de roupa, escondido a máscara e a faca em seu fundo falso no armário, e agora usava seu pijama de flanela e os óculos de grau levemente tortos no nariz.

Ela encontrou Charlotte sentada na cama, parecendo inquieta.

— Engfa! Que bom que você veio — Charlotte disse, a voz trêmula. — Eu acabei de receber uma mensagem no grupo da faculdade. Dizem que o Mew foi atacado no estacionamento. Ele está no hospital, em choque.

Engfa sentou-se na beira da cama, expressando uma preocupação perfeitamente ensaiada.

— Meu Deus, Char... Isso é horrível. Você está bem?

— Estou assustada — Charlotte admitiu, aproximando-se de Engfa em busca de conforto. — Ele estava falando comigo hoje cedo. E se quem fez isso estiver atrás de mim também?

Engfa envolveu Charlotte em seus braços, puxando-a para perto, sentindo o calor do corpo da amiga contra o seu. Um sorriso imperceptível surgiu no canto de seus lábios, oculto pelos cabelos de Charlotte.

— Ninguém vai encostar em você, meu amor — Engfa sussurrou, a voz suave como veludo. — Eu estou aqui. Eu nunca vou deixar nada de ruim acontecer com você.

— Eu me sinto tão segura com você — murmurou Charlotte, fechando os olhos e se aninhando no peito de Engfa. — Às vezes sinto que o mundo lá fora é perigoso demais, mas quando você me abraça, tudo parece sumir.

Engfa beijou o topo da cabeça de Charlotte, inalando o perfume de baunilha de seu shampoo.

— O mundo é perigoso, Char. As pessoas têm intenções cruéis. É por isso que você precisa ficar perto de mim. Só eu entendo o que você precisa. Só eu posso te proteger de verdade.

— Você é minha melhor amiga, Engfa. Minha única e verdadeira amiga.

As palavras de Charlotte eram música para os ouvidos de Engfa. "Melhor amiga" era um título temporário, uma máscara tão necessária quanto a de Ghostface. Por baixo da fachada de nerd prestativa, Engfa era a mestre de marionetes, limpando o caminho de Charlotte de qualquer distração, de qualquer homem ou mulher que ousasse reivindicar um pedaço do tempo da garota.

— Quer que eu durma aqui hoje? — perguntou Engfa, já sabendo a resposta.

— Por favor — Charlotte pediu, olhando-a com olhos brilhantes e gratos. — Não quero ficar sozinha. Sinto como se houvesse algo lá fora... observando.

Engfa acariciou o rosto de Charlotte, o polegar traçando o contorno de seus lábios.

— Não há nada lá fora que possa te alcançar enquanto eu estiver aqui. Durma, Char. Eu vou vigiar a porta.

Enquanto Charlotte se acomodava sob as cobertas, pegando no sono rapidamente devido ao estresse emocional, Engfa permaneceu sentada na poltrona ao lado da cama. Ela ajustou os óculos e observou o ritmo regular da respiração de sua obsessão.

Naquela noite, Engfa Waraha não dormiu. Ela ficou no escuro, uma sentinela silenciosa, alternando entre a doçura da amiga de infância e a frieza do monstro que habitava seu peito. Charlotte Austin era seu sol, e Engfa era a eclipse que garantia que ninguém mais pudesse ver sua luz.

E, para Engfa, isso era o mais próximo que ela chegaria do amor perfeito.

— Durma bem, minha Charlotte — sussurrou ela no silêncio do quarto. — Amanhã, seremos apenas nós duas de novo. Como sempre deveria ser.

Lá fora, a máscara de Ghostface esperava na escuridão do armário, pronta para o próximo que ousasse cruzar o caminho daquela que Engfa havia decidido que era, por direito de sangue e obsessão, apenas sua.
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