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Bdsm ennead

Fandom: Ennead

Created: 4/26/2026

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DramaPsychologicalFantasyDarkCharacter StudyRetellingSandalpunkExplicit LanguageAU (Alternate Universe)NoirIncest MentionRomance
Contents

O Jogo de Espelhos e Sombras

O neon vermelho da entrada do "Duat" pulsava como um coração doente contra o asfalto úmido da viela. Seth ajeitou a gola do casaco de couro, os olhos escarlates brilhando com uma mistura de tédio e uma curiosidade que ele jamais admitiria em voz alta. Ele não pertencia a lugares como aquele — ou melhor, ele não pertencia a lugar nenhum que exigisse etiquetas. Mas o tédio era uma fera faminta, e Seth estava cansado de caçar as mesmas presas.

Ao cruzar o limiar, o cheiro de sândalo, couro tratado e suor contido o atingiu. O ambiente era sofisticado, banhado em luzes baixas e sombras estratégicas. Não havia o caos frenético de uma boate comum; havia uma ordem silenciosa, uma coreografia de poder e entrega que se desenrolava em cada canto.

Seth caminhou até o bar com sua elegância predatória. Cada passo era calculado para atrair olhares, mas sua expressão permanecia gélida, o queixo erguido como se o próprio ar do recinto fosse indigno de seus pulmões. Ele pediu um uísque puro, observando o movimento pelo reflexo das garrafas de cristal.

Foi então que ele o viu.

No fundo do salão, em uma área levemente elevada e reservada por cordas de seda negra, estava Horus.

O sobrinho — se é que a genealogia divina e confusa deles ainda permitia tal termo — não parecia o jovem herdeiro idealista que Seth costumava atormentar. Horus estava sentado em uma poltrona de encosto alto, as costas retas, uma mão repousando casualmente sobre o joelho revestido por calças de alfaiataria escuras. Ele não usava máscara, ao contrário de muitos ali, mas sua expressão era uma máscara por si só: uma calma absoluta, quase irritante.

Seth sentiu um arrepio de antecipação subir por sua espinha. Ele deixou o copo de lado, o uísque mal tocado, e caminhou em direção à área reservada.

Os seguranças menearam a cabeça quando ele se aproximou, mas um simples gesto de mão de Horus — um movimento mínimo, quase imperceptível — permitiu que Seth passasse.

— Que surpresa — disse Seth, a voz carregada de uma ironia cortante enquanto se aproximava. — Eu sabia que você tinha hobbies entediantes, Horus, mas não imaginei que passaria suas noites sentado em um trono de couro observando ovelhas pastarem.

Horus não se moveu. Ele apenas deslocou o olhar para Seth. Não havia surpresa em seus olhos, apenas uma atenção plena, como se ele já soubesse que Seth apareceria mais cedo ou mais tarde.

— O mundo é cheio de nichos, Seth — respondeu Horus. Sua voz era baixa, firme e desprovida de qualquer pressa. — Alguns buscam refúgio. Outros buscam estrutura. O que você busca aqui? Além de atenção, é claro.

Seth soltou uma risada curta, um som seco que não chegou aos seus olhos. Ele contornou a poltrona de Horus, a mão enluvada deslizando pelo encosto antes de parar perigosamente perto do ombro do mais novo.

— Eu? Eu só vim ver se o mestre de cerimônias é tão competente quanto dizem os boatos. — Seth inclinou-se, o hálito quente perto do ouvido de Horus. — Ou se você é apenas um garoto brincando com cordas que não sabe amarrar.

— Você quer testar a tensão das cordas, ou quer apenas continuar latindo? — Horus perguntou, finalmente virando o rosto para encarar Seth.

A proximidade era eletrizante. Seth não recuou. Ele sustentou o olhar, o desafio brilhando em suas íris vermelhas. Ele queria ver Horus perder a calma. Queria ver aquela fachada de "Mestre" desmoronar sob o peso de sua insolência.

— Talvez eu queira ver o que você faz quando alguém não se ajoelha por vontade própria — provocou Seth, um sorriso mínimo e cruel brincando em seus lábios.

Horus levantou-se. Ele era ligeiramente mais alto, e a forma como ocupava o espaço parecia diminuir o salão ao redor deles. Ele não tocou em Seth de imediato. Em vez disso, deu um passo à frente, forçando Seth a decidir entre recuar ou manter a posição. Seth, orgulhoso demais para ceder um centímetro, sentiu o peito de Horus quase roçar o seu.

— Ninguém aqui é forçado, Seth — disse Horus, a voz agora carregada de uma autoridade que soava como uma lei imutável. — Mas quem entra no meu espaço, aceita as minhas regras. Você tem certeza de que quer entrar?

— Você fala demais, Horus. Menos sermão e mais ação. Ou será que o "Mestre" está com medo de quebrar o brinquedo?

Horus não respondeu com palavras. Ele estendeu a mão e, com uma precisão que fez o sangue de Seth ferver, segurou o queixo do tio. Não foi um aperto bruto, mas foi absoluto. Ele forçou Seth a manter o rosto erguido, os olhos fixos nos dele.

— Siga-me — ordenou Horus.

Ele não esperou por uma resposta. Virou-se e caminhou em direção a uma porta de carvalho escuro nos fundos da área VIP. Seth estancou por um segundo, a raiva e o desejo de subverter aquela ordem lutando dentro dele. Por fim, ele o seguiu, mas com passos pesados e um olhar que prometia retaliação.

O quarto privativo era minimalista. Não havia instrumentos de tortura óbvios, apenas um divã de veludo, alguns ganchos de metal na parede e uma iluminação âmbar que tornava tudo mais íntimo e perigoso.

Horus parou no centro do quarto e apontou para o divã.

— Sente-se.

Seth soltou um suspiro teatral e cruzou os braços sobre o peito.

— E se eu preferir ficar de pé? O que você vai fazer? Me colocar de castigo?

— Se você preferir ficar de pé, ficaremos aqui a noite toda — disse Horus, calmamente. Ele cruzou as mãos atrás das costas, observando Seth como se estivesse diante de um enigma que já havia resolvido. — Eu não tenho pressa. Você é quem parece ansioso para provar algo.

Seth rangeu os dentes. A passivo-agressividade de Horus era uma arma muito mais eficiente do que qualquer chicote. Ele caminhou até o divã e sentou-se, mas o fez com uma postura tão altiva que parecia estar em um julgamento, não em uma sessão. Ele cruzou as pernas, o olhar de soslaio carregado de desdém.

— Satisfeito? — perguntou Seth.

Horus aproximou-se lentamente. Ele parou entre as pernas de Seth, que não se fechou, desafiando a invasão de seu espaço pessoal. O mais jovem estendeu a mão e desfez o primeiro botão da camisa de Seth.

— Tira as luvas — comandou Horus.

— Por que não tira você? — rebateu Seth, arqueando uma sobrancelha. — Achei que você fosse o mestre aqui.

— Eu sou o Mestre — Horus disse, e pela primeira vez, algo frio e cortante brilhou em seus olhos. — E o Mestre deu uma instrução. Tira as luvas, Seth. Agora.

Houve um silêncio tenso. Seth sentiu a necessidade súbita de rir, mas a firmeza na voz de Horus o impediu. Ele retirou as luvas de couro, uma por uma, e as jogou no chão com um descaso estudado.

— Pronto. Mais alguma exigência, Majestade?

Horus ignorou o sarcasmo. Ele pegou as mãos de Seth e as levou para trás das costas dele. Seth tencionou os músculos, resistindo levemente, não o suficiente para impedir, mas o suficiente para que Horus sentisse o esforço. Era uma negociação silenciosa: *Eu permito isso, mas não pense que é fácil.*

— Você tenta lutar contra o fluxo até quando sabe que quer se afogar — comentou Horus, enquanto pegava uma corda de seda preta que estava sobre uma mesa lateral.

— Eu não me afogo, Horus. Eu sou a tempestade — disse Seth, a voz baixa, quase um rosnado.

— Até as tempestades precisam de um limite para existir. Sem o horizonte, você é apenas caos sem propósito.

Horus começou a amarrar os pulsos de Seth. Ele não usava força excessiva, mas seus nós eram técnicos, perfeitos. Seth sentiu a textura da seda contra a pele e a restrição imediata. Ele tentou girar os pulsos, testando a folga, mas não havia nenhuma.

— Está apertado? — perguntou Horus, inclinando-se para olhar o rosto de Seth.

— Está patético — mentiu Seth, embora seu coração estivesse batendo contra as costelas com uma força renovada. — Minha avó faria um nó mais firme.

Horus sorriu. Foi um sorriso pequeno, quase gentil, que fez Seth querer socá-lo.

— Entendo. Você quer sentir o peso da autoridade.

Sem aviso, Horus segurou Seth pela nuca e o forçou a se inclinar para frente, até que suas testas se encostassem. O movimento foi tão rápido e seguro que Seth perdeu o fôlego por um instante.

— Ouça bem — sussurrou Horus, a voz vibrando contra a pele de Seth. — Você pode usar todas as palavras ácidas que quiser. Pode fingir que está no controle desta situação. Mas, enquanto estiver neste quarto, sob as minhas mãos, você vai se alinhar. Não porque eu te quebrei, mas porque você está desesperado para que alguém, pela primeira vez na eternidade, seja forte o suficiente para te segurar.

Seth tentou desviar o olhar, mas a mão de Horus em sua nuca era como um grilhão de ferro envolto em veludo.

— Você se acha muito esperto, não é? — Seth disse, a voz falhando minimamente. — Acha que me conhece.

— Eu conheço o silêncio que você tenta preencher com barulho — respondeu Horus.

Ele soltou a nuca de Seth e desceu a mão para o peito dele, sentindo os batimentos acelerados através do tecido fino da camisa. Horus não se deixou abalar pela provocação constante; ele apenas ajustava sua abordagem, como um escultor lidando com uma pedra particularmente difícil.

— Levante-se — ordenou Horus.

Seth permaneceu sentado. Ele olhou para cima, um brilho de pura malícia nos olhos.

— E se eu não quiser? Vai me carregar?

Horus não se irritou. Ele apenas deu um passo atrás e cruzou os braços, observando Seth com uma paciência predatória.

— Se você não levantar, a sessão acaba agora. Eu saio por aquela porta, volto para o meu bar, e você fica aqui, amarrado e sozinho, até eu decidir que você aprendeu a ouvir.

Seth sentiu o sangue subir ao rosto. A ideia de ser deixado naquela posição, ignorado como uma criança birrenta, era pior do que qualquer punição física. Ele se levantou, os movimentos bruscos e carregados de uma dignidade ferida.

— Ótimo — disse Seth, parando bem na frente de Horus. — Estou de pé. E agora? Vai me fazer dançar?

— Vou te fazer calar a boca — disse Horus.

Ele pegou uma mordaça de anel de couro da mesa. Os olhos de Seth se arregalaram levemente.

— Nem pense nisso — sibilou Seth.

— Você disse que queria ver o que eu faço quando alguém não se ajoelha por vontade própria — lembrou Horus, aproximando o objeto do rosto de Seth. — A sua voz é a sua armadura, Seth. Vamos ver quem você é sem ela.

Seth recuou um passo, mas parou quando suas costas atingiram a parede fria. Horus o seguiu, cercando-o. A calmaria de Horus era sufocante. Não havia raiva nele, apenas uma determinação absoluta de colocar ordem no caos que Seth exalava.

— Abra — disse Horus, num tom que não admitia réplicas.

Seth apertou os lábios, o queixo erguido em um último ato de desafio. Ele olhou para Horus com todo o ódio e desejo que conseguia reunir. Horus não desviou o olhar. Ele esperou. Um segundo. Cinco. Dez.

O silêncio no quarto era tão denso que podia ser cortado com uma faca. Seth sentiu a tensão em seus pulsos amarrados, o peso da presença de Horus esmagando sua resistência. Lentamente, com um olhar que dizia claramente que ele queimaria o mundo por aquilo depois, Seth abriu a boca.

Horus encaixou a mordaça com cuidado, ajustando a fivela atrás da cabeça de Seth com dedos ágeis. Quando terminou, ele acariciou a bochecha de Seth, um gesto quase carinhoso que contrastava violentamente com a restrição.

— Viu? — sussurrou Horus. — O mundo não acabou porque você obedeceu.

Seth tentou falar, mas apenas um som abafado e indignado escapou. Ele tentou avançar contra Horus, mas o mais jovem apenas colocou a mão em seu ombro, mantendo-o contra a parede com uma força firme.

— Shhh — murmurou Horus. — Agora, nós vamos começar de verdade. E você vai descobrir que ser guiado não é o mesmo que ser quebrado.

Horus pegou a ponta da corda que prendia os pulsos de Seth e a puxou levemente, forçando Seth a dar um passo à frente, para fora da segurança da parede. O equilíbrio de Seth vacilou, e ele teve que se apoiar no peito de Horus por um breve momento.

O olhar de Horus mudou. Não era mais apenas observador; era direto, intenso, impossível de ignorar. Ele dominava o espaço entre eles sem precisar de agressividade, apenas com a certeza absoluta de que, naquele momento, Seth pertencia ao seu ritmo.

— Você está indo bem — elogiou Horus, a voz suave como seda. — Continue assim, e talvez eu te mostre que a liberdade que você tanto busca só existe quando você finalmente para de lutar contra si mesmo.

Seth lançou-lhe um olhar carregado de ironia e promessas de vingança, mas não recuou. Ele se deixou ser guiado de volta para o divã, o corpo tenso, a mente trabalhando em mil maneiras de virar o jogo. Mas, no fundo, sob as camadas de orgulho e ódio, havia uma centelha de algo novo: a percepção de que, pela primeira vez em muito tempo, ele não precisava ser o único mestre do seu próprio inferno.

Horus sentou-se ao lado dele, mantendo o controle da corda, e começou a traçar linhas imaginárias na pele exposta do pescoço de Seth com a ponta dos dedos.

— Vamos aproveitar a noite, tio — disse Horus, com uma calma que era o verdadeiro poder. — Temos muito o que alinhar.

E Seth, pela primeira vez, apenas escutou.
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