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Drogas

Fandom: Agents of shield

Created: 4/26/2026

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OmegaverseHurt/ComfortAngstDramaScience FictionDrug UsePsychologicalCharacter StudyAction
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O Preço da Ressonância

A chuva batia contra as janelas sujas do apartamento de Miles Lydon em Austin, um som rítmico que martelava dentro da cabeça de Skye. Ela se sentia como uma corda de violão esticada ao limite, prestes a arrebentar. Ser uma Omega sem matilha já era difícil o suficiente, mas ser uma Omega cujos poderes pareciam estar tentando desmontar seu corpo de dentro para fora era um inferno particular.

— Você tem o que eu pedi? — perguntou Skye, sua voz saindo mais trêmula do que pretendia.

Miles, um Beta que cheirava a café barato e eletrônicos queimados, jogou um frasco plástico sobre a mesa bagunçada.

— Isso é forte, Skye. Mais forte do que o que você costuma tomar para as "enxaquecas". Onde você conseguiu esse dinheiro?

— Não importa — ela sibilou, agarrando o frasco.

Skye não esperou. Ela abriu a tampa, o som do plástico estalando soando como um tiro em seus ouvidos sensíveis. Ela engoliu dois comprimidos a seco, sentindo o amargor na garganta. O alívio químico não demorou a vir, uma névoa quente que começou a nublar as bordas afiadas da dor que irradiava de seus ossos.

Ela estava prestes a guardar o frasco quando a porta do apartamento se abriu com uma precisão silenciosa que Miles nunca teria.

A Agente Melinda May entrou no recinto. O ar na sala mudou instantaneamente, saturado com o cheiro dominante de sândalo e aço frio — o cheiro de uma Alpha que não aceitava insubordinação.

— Skye. Acabou — disse May, sua voz plana, mas carregada de uma autoridade que fez o instinto Omega de Skye gritar para ela se encolher.

— May? O que você... como me achou? — Skye tentou se levantar, mas o mundo deu uma volta lenta. A droga já estava fazendo efeito, deixando seus movimentos lentos e sua percepção alterada.

May ignorou Miles completamente, caminhando até Skye com passos predatórios. Ela não precisou de força bruta; apenas sua presença era o suficiente para imobilizar a hacker. Com um movimento rápido e eficiente, May revistou os bolsos de Skye, confiscando o frasco de comprimidos.

— Você está alta — constatou May, os olhos estreitados em desaprovação enquanto examinava o rótulo do medicamento. — Isso não é para dor, Skye. Isso é um supressor de sistema nervoso de nível militar.

— Eu preciso disso... — Skye murmurou, sentindo as lágrimas arderem. — Você não entende... dói... tudo dói.

— Vamos embora. Agora.

***

O dia seguinte trouxe uma realidade crua e dolorosa. A névoa da droga havia dissipado, deixando em seu lugar uma ressaca física que fazia cada fibra muscular de Skye protestar. Ela foi colocada no banco de trás do SUV de May, o silêncio da Alpha sendo mais punitivo do que qualquer grito.

Elas não voltaram para o Ônibus. Em vez disso, May a levou para uma casa segura de alta segurança, um refúgio escondido usado pela elite da SHIELD. Era a casa da matilha.

Ao entrarem, o cheiro de múltiplas presenças poderosas atingiu Skye como uma parede.

— Ela está aqui — anunciou May, guiando Skye pela cintura para que ela não tropeçasse.

Na sala de estar, um grupo de mulheres que Skye só conhecia por reputação ou encontros breves aguardava.

No centro, exalando um poder calmo e letal, estava Natasha Romanoff. A Alpha ruiva avaliou Skye com olhos que pareciam ler cada segredo em seu DNA. Ao lado dela, Maria Hill, uma Beta cuja postura era tão rígida quanto seu uniforme, e Bobbi Morse, outra Beta que parecia pronta para o combate a qualquer segundo.

E então, havia Jemma Simmons. A Omega da equipe correu para frente, o rosto cheio de preocupação.

— Skye! Oh, graças a Deus você está bem. Ficamos tão preocupadas quando May disse que você tinha desaparecido para Austin.

— Eu estou bem, Jemma — mentiu Skye, embora suas mãos estivessem tremendo e uma gota de suor frio escorresse por sua nuca.

— Você não está nada bem — interveio Natasha, sua voz baixa e rouca. — Você cheira a desespero e a produtos químicos, Skye. Uma Omega sem matilha tentando se automedicar é uma receita para o desastre.

— Nós vamos discutir seu comportamento e as consequências de se aliar a civis como Lydon mais tarde — disse Maria Hill, com um tom profissional que não escondia sua irritação. — Por ora, você vai se sentar e comer.

A "bronca" das Alphas continuou por alguns minutos, uma lição de moral sobre responsabilidade e segurança que Skye ouviu apenas parcialmente. Sua cabeça latejava. Seus braços, onde a energia vibracional costumava se acumular, pareciam estar sendo perfurados por agulhas quentes.

Elas se moveram para a mesa de café da manhã. O cheiro de café e torradas, que deveria ser convidativo, fazia o estômago de Skye revirar.

Jemma estava sentada ao lado dela, falando animadamente sobre os novos protocolos de contenção que estavam desenvolvendo para ajudar Skye a controlar suas frequências.

— ... e se conseguirmos isolar a ressonância nos ossos longos, talvez possamos criar um amortecedor sintético! — Jemma sorria, gesticulando com uma colher. — Seria uma revolução, Skye. Você não teria mais que sentir essa sobrecarga sensorial constante. O laboratório na base tem os espectrômetros necessários e...

As palavras de Jemma começaram a se misturar na mente de Skye. O som da voz da outra Omega era como um zumbido de abelha dentro de seu crânio. A desintoxicação estava começando de verdade. Sem os comprimidos de Miles para amortecer seus sentidos, o "poder" de Skye — aquela vibração constante que ela ainda não entendia — estava reagindo à sua ansiedade.

Uma pontada aguda atravessou seus olhos. Skye sentiu uma náusea súbita e violenta.

— Jemma, por favor... — começou Skye, mas sua voz saiu como um sussurro abafado.

— E o mais incrível é que a estrutura celular dos seus ossos parece estar se adaptando! — continuou Jemma, alheia ao estado de agonia da amiga. — Se continuarmos os testes de sangue hoje à tarde...

O estresse atingiu o ponto de ruptura. A pele de Skye parecia estar pegando fogo, e a tagarelice científica de Jemma soava como marteladas em metal.

*BUM.*

Skye bateu com força o copo de café contra a mesa de madeira. O vidro não quebrou de imediato, mas o impacto fez o líquido quente espirrar para todos os lados. No segundo seguinte, a vibração involuntária que emanava de suas mãos fez o vidro estilhaçar em dezenas de pedaços.

— Cala a boca, Jemma! — gritou Skye, a voz falhando em um tom agudo e desesperado.

A mesa ficou em silêncio absoluto. May e Natasha se retesaram instantaneamente, seus instintos Alpha reagindo ao surto súbito.

— Skye... — Jemma começou, os olhos arregalados, o lábio inferior tremendo levemente.

— "Cientificamente isso", "laboratório aquilo"... Você não tem ideia do que está falando! — Skye se levantou, a cadeira arrastando ruidosamente no chão. — Você é uma Omega mimada, Jemma! Você vive nesse mundo perfeito de fórmulas e tubos de ensaio, cercada por pessoas que te protegem. Você não sabe o que é sentir o próprio corpo se rasgando toda vez que respira!

— Skye, chega — ordenou May, levantando-se.

Skye tentou dar um passo para trás, mas uma tontura avassaladora a atingiu. O teto pareceu girar e descer sobre ela. Ela levou a mão ao rosto, sentindo algo quente e úmido escorrer de seu nariz.

— Skye, seu nariz — Bobbi disse, sua voz perdendo a dureza e assumindo um tom de alarme.

O sangue vermelho escuro pingava rapidamente sobre a toalha de mesa branca, criando manchas circulares que se expandiam. Skye sentiu o gosto ferroso na boca. Seus braços começaram a formigar violentamente, as vibrações subindo pelos ombros até a base do crânio.

— Eu... eu não... — Skye tentou focar em Natasha, que já estava contornando a mesa para alcançá-la.

O mundo ficou cinza nas bordas. A náusea voltou com força total, e Skye sentiu seus joelhos cederem.

Antes que ela atingisse o chão, os braços fortes de May a seguraram.

— Ela está entrando em choque por abstinência e sobrecarga — diagnosticou Natasha, sua voz agora calma e focada, enquanto ajudava May a deitar Skye no chão da cozinha.

— Jemma, pegue o kit médico! — ordenou Hill.

Jemma, apesar das lágrimas nos olhos pelo ataque verbal, não hesitou. Ela correu para buscar o equipamento, seu instinto de cuidadora superando a mágoa.

Skye estava deitada, o sangue ainda escorrendo pelo rosto, os olhos revirando enquanto seu corpo lutava contra si mesmo. Ela sentia as mãos das Alphas e Betas sobre ela — mãos que a prendiam, mas que também a ancoravam.

— Respire, Skye — sussurrou May perto de seu ouvido, uma mão firme em seu ombro. — Nós temos você. Você não vai mais precisar daquelas drogas. Nós vamos consertar isso.

Skye queria responder, queria pedir desculpas a Jemma, mas a escuridão finalmente a reivindicou, silenciando as vibrações e a dor por um breve e misericordioso momento.
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