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Droga fiore
Fandom: Bts jikook
Created: 5/2/2026
Tags
RomanceAU (Alternate Universe)DramaSlice of LifeCharacter StudyRealismExplicit Language
Desafio Aceito
O silêncio que se seguiu à saída dos dois garotos era quase palpável, interrompido apenas pelo zumbido baixo da geladeira de bebidas e o som abafado de um telejornal qualquer na TV. Jungkook permanecia parado junto ao balcão, a mão ainda apoiada na madeira fria, os olhos fixos na porta de vidro onde o reflexo das luzes da rua parecia zombar da sua súbita falta de palavras.
— "Não te conheço" — Hoseok repetiu, forçando uma voz fina e afetada, antes de cair na gargalhada e dar um tapa sonoro no ombro de Jungkook. — Caralho, Jeon. Eu pagaria pra ver a sua cara de novo. Você foi jantado antes mesmo da sobremesa chegar.
Jungkook finalmente desviou o olhar da porta, mas não parecia irritado. Havia um brilho diferente em suas íris escuras, algo que Namjoon, observando tudo de trás do caixa, reconheceu como o início de um problema bem grande.
— Já pode tirar esse sorriso de quem ganhou na loteria — Namjoon comentou, voltando a digitar no sistema. — O Jimin não é pro seu bico. Ele tem radar para caras como você.
Jungkook arqueou uma sobrancelha, ignorando a provocação.
— Jimin? — Ele testou o nome na língua. — Então o "Min" é de Jimin.
— Park Jimin — Seokjin completou, surgindo de trás do balcão com um pano de prato no ombro. — E o loirinho é o Taehyung. São amigos de longa data. E Namjoon está certo, Jungkook. O Jimin tem muita classe e pouca paciência para moleque que acha que um sorriso de lado resolve tudo.
— Eu não sou moleque — Jungkook retrucou, finalmente se desencostando do balcão e voltando para a mesa, com Hoseok em seu encalço.
Bangchan e Choi observavam a cena com curiosidade. O pudim que Jungkook deveria ter pedido nem foi mencionado.
— E aí? — Bangchan perguntou, chutando a perna de Jungkook por baixo da mesa. — Levou um fora histórico ou só um "talvez"?
— Foi um "quem é você na fila do pão?" — Hoseok respondeu por ele, sentando-se e roubando um pouco do ramyeon de Choi. — O cara nem olhou na cara dele direito. O Jeon mandou um "vai embora sem se despedir?" e o rosado matou ele com três palavras. Foi lindo de ver.
Jungkook se jogou na cadeira, cruzando os braços atrás da cabeça. A imagem de Jimin — a blusa branca sem mangas, o contraste do cabelo rosado com a pele pálida, e principalmente, aquele olhar de tédio absoluto — estava gravada em sua mente. Ele estava acostumado a ser o centro das atenções. Em qualquer festa, em qualquer racha, em qualquer corredor de faculdade, as pessoas gravitavam em torno dele. Ser tratado como um figurante irrelevante era uma novidade revigorante.
— Ele é interessante — Jungkook murmurou, o olhar perdendo o foco novamente.
— Ele é perigoso para o seu ego, isso sim — Choi disse com a boca cheia. — Esquece isso, cara. Vamos focar no que o Chan disse. Roupa nova. Sábado tem a festa no galpão do porto.
— Ele vai estar lá? — Jungkook perguntou subitamente, olhando para Seokjin.
Jin parou de limpar uma mesa próxima e soltou um suspiro pesado.
— Quem? O Jimin? Duvido muito. Ele gosta de lugares mais... civilizados. Música boa, vinho, nada de gente suada se esfregando ao som de batida eletrônica estourada.
Jungkook sorriu. Um sorriso lento, predatório e, ao mesmo tempo, genuinamente divertido.
— Então eu vou ter que descobrir onde são esses lugares civilizados.
***
A semana passou arrastada para Jungkook. Ele tentou manter sua rotina — a oficina mecânica durante o dia, a academia no fim da tarde e os encontros casuais com os amigos à noite —, mas sua mente sempre voltava para aquele momento no restaurante de Jin. Ele se pegou passando em frente ao estabelecimento mais vezes do que o necessário, apenas para ver se enxergava um vislumbre de cabelo rosa através da vitrine.
Na quinta-feira, ele não aguentou. Entrou no restaurante por volta das nove da noite. O lugar estava mais movimentado dessa vez.
— De novo aqui? — Namjoon perguntou, sem tirar os olhos de uma nota fiscal. — O pudim de domingo passado ainda não saiu da sua cabeça?
— O pudim não — Jungkook respondeu, sentando-se no banco alto do balcão. — Cadê o Jin?
— Nos fundos, conferindo o estoque. Por quê?
— Quero saber mais sobre o Park.
Namjoon parou o que estava fazendo e encarou Jungkook com seriedade.
— Escuta aqui, Jeon. Eu te conheço desde que você era um pirralho que andava de skate e quebrava os vasos da vizinhança. Você é um cara legal, mas é instável. O Jimin... ele passou por muita coisa. Ele não precisa de alguém que só quer ver se consegue "domar" o cara mais difícil da cidade.
Jungkook sentiu uma fisgada de incômodo.
— Você acha que é só um desafio?
— E não é? — Namjoon rebateu. — Você nunca levou um "não". Agora que levou, está obcecado.
— Talvez tenha começado assim — Jungkook admitiu, sua voz baixando um tom. — Mas tem algo nele, Nam. O jeito que ele se move, o jeito que ele fala... parece que ele está sempre um passo à frente de todo mundo. Eu quero saber o que ele pensa. Quero saber o que faz ele sorrir de verdade, não aquele sorrisinho de canto que ele deu pro Taehyung.
Namjoon suspirou, massageando as têmporas.
— Ele faz dança contemporânea. Estuda na academia de artes perto do centro. Geralmente sai de lá às oito.
Jungkook arregalou os olhos, surpreso pela entrega súbita de informação.
— Por que está me contando isso?
— Porque se eu não contar, você vai infernizar a minha vida e a do Jin até a gente ceder. E porque, no fundo, o Jimin é solitário demais. Talvez um pouco de caos faça bem para ele. Mas se você machucar ele, Jungkook, eu pessoalmente te proíbo de entrar aqui pra sempre. E você sabe que o ramyeon do Jin é a única coisa que te mantém vivo.
Jungkook riu, sentindo o coração acelerar.
— Valeu, Nam. Devo uma pra você.
***
Na sexta-feira, às 19h45, Jungkook estava estacionado do outro lado da rua da Academia de Artes. Ele estava em sua moto, o capacete pendurado no guidão, vestindo sua jaqueta de couro preta habitual sobre uma camiseta branca simples. Ele se sentia um pouco como um perseguidor, o que não era do seu feitio, mas a curiosidade era uma força motriz poderosa.
Às 20h05, a porta de vidro do prédio antigo se abriu.
Um grupo de estudantes saiu rindo, carregando mochilas e bolsas de ginástica. E então, ele apareceu.
Jimin estava usando um casaco longo bege sobre roupas de treino pretas. O cabelo rosado estava levemente bagunçado, úmido de suor, e ele carregava uma garrafa de água na mão. Ele parecia exausto, mas ainda assim mantinha aquela postura impecável, os ombros alinhados, o queixo erguido.
Ele caminhou sozinho em direção ao ponto de ônibus na esquina.
Jungkook ligou a moto e percorreu a curta distância, parando suavemente ao lado dele.
— O ônibus dessa linha sempre demora nas sextas — Jungkook disse, sem desligar o motor.
Jimin parou e virou o rosto lentamente. Seus olhos percorreram Jungkook da bota até o rosto, e uma expressão de reconhecimento — seguida imediatamente por tédio — cruzou suas feições.
— Você de novo.
— Eu de novo — Jungkook sorriu, tirando o cabelo da testa. — Jungkook. Meu nome é Jungkook. Caso você queira atualizar o seu "não te conheço".
Jimin soltou um suspiro curto, uma pequena nuvem de vapor saindo de seus lábios por causa do frio da noite.
— O que você quer, Jungkook?
— Te oferecer uma carona. Está esfriando e eu duvido que aquele ônibus tenha aquecimento.
Jimin olhou para a moto, uma fera de metal preta e cromada, e depois voltou a olhar para Jungkook.
— Eu não ando de moto com estranhos.
— Mas eu acabei de me apresentar. Já não somos estranhos. Somos... conhecidos distantes que frequentam o mesmo restaurante.
Jimin deu um passo à frente, aproximando-se da moto. O cheiro dele — algo como baunilha e amaciante de roupas — atingiu os sentidos de Jungkook como um soco.
— Você é sempre assim insistente? — Jimin perguntou, sua voz suave, mas com aquela ponta de gelo que Jungkook já admirava.
— Só quando algo realmente vale a pena — Jungkook respondeu com sinceridade, sustentando o olhar.
Jimin ficou em silêncio por um longo momento. Ele parecia estar pesando suas opções. Seus pés doíam das horas de ensaio e a perspectiva de esperar vinte minutos no frio não era atraente.
— Se você tentar qualquer gracinha, eu te derrubo dessa moto em movimento — Jimin disse, surpreendendo Jungkook com a agressividade calma.
— Justo.
Jimin suspirou e aceitou o capacete que Jungkook lhe estendeu. Ele subiu na garupa com uma agilidade que denunciava seu treinamento como dançarino. Quando ele passou os braços em volta da cintura de Jungkook, o piloto sentiu um choque elétrico percorrer sua espinha. Jimin não o apertou; apenas manteve as mãos ali, firmes o suficiente para não cair.
— Para onde? — Jungkook perguntou.
Jimin deu o endereço de um condomínio de prédios a cerca de dez minutos dali.
Jungkook dirigiu com mais cuidado do que o habitual. Ele queria que o trajeto durasse uma eternidade. Sentir o corpo de Jimin contra as suas costas, mesmo através das camadas de roupa, era inebriante.
Quando chegaram ao destino, Jimin desceu rapidamente e entregou o capacete.
— Obrigado pela carona — ele disse, já se virando para entrar no portão.
— Espera! — Jungkook chamou.
Jimin parou e olhou por cima do ombro.
— Vai ter uma festa amanhã. No porto. Eu sei que o Jin disse que você não gosta desse tipo de lugar, mas... eu queria que você fosse.
Jimin soltou uma risada curta, a primeira vez que Jungkook ouvia aquele som. Era melodioso, quase como um sino.
— O Jin fala demais.
— Ele fala. Mas e aí? Você vai?
Jimin inclinou a cabeça, o cabelo rosa caindo sobre um dos olhos.
— Por que eu iria a uma festa barulhenta com um cara que eu mal conheço?
Jungkook deu de ombros, um sorriso confiante brincando em seus lábios.
— Porque você está curioso. Tanto quanto eu. E porque eu prometo que, se você se cansar, eu te tiro de lá em cinco minutos e te levo para tomar o melhor chocolate quente da cidade.
Jimin o observou por um tempo, a luz dos postes refletindo em seus olhos. Por um momento, Jungkook achou que ele diria "não" e subiria.
— Me passa o seu número — Jimin disse finalmente, estendendo a mão.
Jungkook quase deixou o capacete cair de tanta surpresa. Ele rapidamente pegou o celular de Jimin e digitou os números, devolvendo-o com as mãos levemente trêmulas.
— Eu não prometo nada, Jungkook — Jimin avisou, guardando o aparelho no bolso. — Mas talvez eu apareça.
— Vou estar te esperando.
Jimin assentiu uma última vez e entrou no prédio.
Jungkook ficou lá parado, observando-o sumir de vista. Ele sentia que tinha acabado de vencer uma corrida de alta velocidade, a adrenalina ainda bombando em suas veias. Ele colocou o capacete, ligou a moto e deu uma acelerada forte, o som ecoando pela rua silenciosa.
Ele não sabia o que o amanhã traria, nem se Jimin realmente apareceria naquela festa caótica. Mas de uma coisa ele tinha certeza: o jogo tinha apenas começado, e Park Jimin era o prêmio mais valioso que ele já tinha desejado conquistar.
Enquanto voltava para casa, a frase de Namjoon ecoava em sua mente: "Ele não é fácil".
"Ainda bem", pensou Jungkook, sorrindo sob o capacete. "As coisas fáceis nunca foram o meu forte."
— "Não te conheço" — Hoseok repetiu, forçando uma voz fina e afetada, antes de cair na gargalhada e dar um tapa sonoro no ombro de Jungkook. — Caralho, Jeon. Eu pagaria pra ver a sua cara de novo. Você foi jantado antes mesmo da sobremesa chegar.
Jungkook finalmente desviou o olhar da porta, mas não parecia irritado. Havia um brilho diferente em suas íris escuras, algo que Namjoon, observando tudo de trás do caixa, reconheceu como o início de um problema bem grande.
— Já pode tirar esse sorriso de quem ganhou na loteria — Namjoon comentou, voltando a digitar no sistema. — O Jimin não é pro seu bico. Ele tem radar para caras como você.
Jungkook arqueou uma sobrancelha, ignorando a provocação.
— Jimin? — Ele testou o nome na língua. — Então o "Min" é de Jimin.
— Park Jimin — Seokjin completou, surgindo de trás do balcão com um pano de prato no ombro. — E o loirinho é o Taehyung. São amigos de longa data. E Namjoon está certo, Jungkook. O Jimin tem muita classe e pouca paciência para moleque que acha que um sorriso de lado resolve tudo.
— Eu não sou moleque — Jungkook retrucou, finalmente se desencostando do balcão e voltando para a mesa, com Hoseok em seu encalço.
Bangchan e Choi observavam a cena com curiosidade. O pudim que Jungkook deveria ter pedido nem foi mencionado.
— E aí? — Bangchan perguntou, chutando a perna de Jungkook por baixo da mesa. — Levou um fora histórico ou só um "talvez"?
— Foi um "quem é você na fila do pão?" — Hoseok respondeu por ele, sentando-se e roubando um pouco do ramyeon de Choi. — O cara nem olhou na cara dele direito. O Jeon mandou um "vai embora sem se despedir?" e o rosado matou ele com três palavras. Foi lindo de ver.
Jungkook se jogou na cadeira, cruzando os braços atrás da cabeça. A imagem de Jimin — a blusa branca sem mangas, o contraste do cabelo rosado com a pele pálida, e principalmente, aquele olhar de tédio absoluto — estava gravada em sua mente. Ele estava acostumado a ser o centro das atenções. Em qualquer festa, em qualquer racha, em qualquer corredor de faculdade, as pessoas gravitavam em torno dele. Ser tratado como um figurante irrelevante era uma novidade revigorante.
— Ele é interessante — Jungkook murmurou, o olhar perdendo o foco novamente.
— Ele é perigoso para o seu ego, isso sim — Choi disse com a boca cheia. — Esquece isso, cara. Vamos focar no que o Chan disse. Roupa nova. Sábado tem a festa no galpão do porto.
— Ele vai estar lá? — Jungkook perguntou subitamente, olhando para Seokjin.
Jin parou de limpar uma mesa próxima e soltou um suspiro pesado.
— Quem? O Jimin? Duvido muito. Ele gosta de lugares mais... civilizados. Música boa, vinho, nada de gente suada se esfregando ao som de batida eletrônica estourada.
Jungkook sorriu. Um sorriso lento, predatório e, ao mesmo tempo, genuinamente divertido.
— Então eu vou ter que descobrir onde são esses lugares civilizados.
***
A semana passou arrastada para Jungkook. Ele tentou manter sua rotina — a oficina mecânica durante o dia, a academia no fim da tarde e os encontros casuais com os amigos à noite —, mas sua mente sempre voltava para aquele momento no restaurante de Jin. Ele se pegou passando em frente ao estabelecimento mais vezes do que o necessário, apenas para ver se enxergava um vislumbre de cabelo rosa através da vitrine.
Na quinta-feira, ele não aguentou. Entrou no restaurante por volta das nove da noite. O lugar estava mais movimentado dessa vez.
— De novo aqui? — Namjoon perguntou, sem tirar os olhos de uma nota fiscal. — O pudim de domingo passado ainda não saiu da sua cabeça?
— O pudim não — Jungkook respondeu, sentando-se no banco alto do balcão. — Cadê o Jin?
— Nos fundos, conferindo o estoque. Por quê?
— Quero saber mais sobre o Park.
Namjoon parou o que estava fazendo e encarou Jungkook com seriedade.
— Escuta aqui, Jeon. Eu te conheço desde que você era um pirralho que andava de skate e quebrava os vasos da vizinhança. Você é um cara legal, mas é instável. O Jimin... ele passou por muita coisa. Ele não precisa de alguém que só quer ver se consegue "domar" o cara mais difícil da cidade.
Jungkook sentiu uma fisgada de incômodo.
— Você acha que é só um desafio?
— E não é? — Namjoon rebateu. — Você nunca levou um "não". Agora que levou, está obcecado.
— Talvez tenha começado assim — Jungkook admitiu, sua voz baixando um tom. — Mas tem algo nele, Nam. O jeito que ele se move, o jeito que ele fala... parece que ele está sempre um passo à frente de todo mundo. Eu quero saber o que ele pensa. Quero saber o que faz ele sorrir de verdade, não aquele sorrisinho de canto que ele deu pro Taehyung.
Namjoon suspirou, massageando as têmporas.
— Ele faz dança contemporânea. Estuda na academia de artes perto do centro. Geralmente sai de lá às oito.
Jungkook arregalou os olhos, surpreso pela entrega súbita de informação.
— Por que está me contando isso?
— Porque se eu não contar, você vai infernizar a minha vida e a do Jin até a gente ceder. E porque, no fundo, o Jimin é solitário demais. Talvez um pouco de caos faça bem para ele. Mas se você machucar ele, Jungkook, eu pessoalmente te proíbo de entrar aqui pra sempre. E você sabe que o ramyeon do Jin é a única coisa que te mantém vivo.
Jungkook riu, sentindo o coração acelerar.
— Valeu, Nam. Devo uma pra você.
***
Na sexta-feira, às 19h45, Jungkook estava estacionado do outro lado da rua da Academia de Artes. Ele estava em sua moto, o capacete pendurado no guidão, vestindo sua jaqueta de couro preta habitual sobre uma camiseta branca simples. Ele se sentia um pouco como um perseguidor, o que não era do seu feitio, mas a curiosidade era uma força motriz poderosa.
Às 20h05, a porta de vidro do prédio antigo se abriu.
Um grupo de estudantes saiu rindo, carregando mochilas e bolsas de ginástica. E então, ele apareceu.
Jimin estava usando um casaco longo bege sobre roupas de treino pretas. O cabelo rosado estava levemente bagunçado, úmido de suor, e ele carregava uma garrafa de água na mão. Ele parecia exausto, mas ainda assim mantinha aquela postura impecável, os ombros alinhados, o queixo erguido.
Ele caminhou sozinho em direção ao ponto de ônibus na esquina.
Jungkook ligou a moto e percorreu a curta distância, parando suavemente ao lado dele.
— O ônibus dessa linha sempre demora nas sextas — Jungkook disse, sem desligar o motor.
Jimin parou e virou o rosto lentamente. Seus olhos percorreram Jungkook da bota até o rosto, e uma expressão de reconhecimento — seguida imediatamente por tédio — cruzou suas feições.
— Você de novo.
— Eu de novo — Jungkook sorriu, tirando o cabelo da testa. — Jungkook. Meu nome é Jungkook. Caso você queira atualizar o seu "não te conheço".
Jimin soltou um suspiro curto, uma pequena nuvem de vapor saindo de seus lábios por causa do frio da noite.
— O que você quer, Jungkook?
— Te oferecer uma carona. Está esfriando e eu duvido que aquele ônibus tenha aquecimento.
Jimin olhou para a moto, uma fera de metal preta e cromada, e depois voltou a olhar para Jungkook.
— Eu não ando de moto com estranhos.
— Mas eu acabei de me apresentar. Já não somos estranhos. Somos... conhecidos distantes que frequentam o mesmo restaurante.
Jimin deu um passo à frente, aproximando-se da moto. O cheiro dele — algo como baunilha e amaciante de roupas — atingiu os sentidos de Jungkook como um soco.
— Você é sempre assim insistente? — Jimin perguntou, sua voz suave, mas com aquela ponta de gelo que Jungkook já admirava.
— Só quando algo realmente vale a pena — Jungkook respondeu com sinceridade, sustentando o olhar.
Jimin ficou em silêncio por um longo momento. Ele parecia estar pesando suas opções. Seus pés doíam das horas de ensaio e a perspectiva de esperar vinte minutos no frio não era atraente.
— Se você tentar qualquer gracinha, eu te derrubo dessa moto em movimento — Jimin disse, surpreendendo Jungkook com a agressividade calma.
— Justo.
Jimin suspirou e aceitou o capacete que Jungkook lhe estendeu. Ele subiu na garupa com uma agilidade que denunciava seu treinamento como dançarino. Quando ele passou os braços em volta da cintura de Jungkook, o piloto sentiu um choque elétrico percorrer sua espinha. Jimin não o apertou; apenas manteve as mãos ali, firmes o suficiente para não cair.
— Para onde? — Jungkook perguntou.
Jimin deu o endereço de um condomínio de prédios a cerca de dez minutos dali.
Jungkook dirigiu com mais cuidado do que o habitual. Ele queria que o trajeto durasse uma eternidade. Sentir o corpo de Jimin contra as suas costas, mesmo através das camadas de roupa, era inebriante.
Quando chegaram ao destino, Jimin desceu rapidamente e entregou o capacete.
— Obrigado pela carona — ele disse, já se virando para entrar no portão.
— Espera! — Jungkook chamou.
Jimin parou e olhou por cima do ombro.
— Vai ter uma festa amanhã. No porto. Eu sei que o Jin disse que você não gosta desse tipo de lugar, mas... eu queria que você fosse.
Jimin soltou uma risada curta, a primeira vez que Jungkook ouvia aquele som. Era melodioso, quase como um sino.
— O Jin fala demais.
— Ele fala. Mas e aí? Você vai?
Jimin inclinou a cabeça, o cabelo rosa caindo sobre um dos olhos.
— Por que eu iria a uma festa barulhenta com um cara que eu mal conheço?
Jungkook deu de ombros, um sorriso confiante brincando em seus lábios.
— Porque você está curioso. Tanto quanto eu. E porque eu prometo que, se você se cansar, eu te tiro de lá em cinco minutos e te levo para tomar o melhor chocolate quente da cidade.
Jimin o observou por um tempo, a luz dos postes refletindo em seus olhos. Por um momento, Jungkook achou que ele diria "não" e subiria.
— Me passa o seu número — Jimin disse finalmente, estendendo a mão.
Jungkook quase deixou o capacete cair de tanta surpresa. Ele rapidamente pegou o celular de Jimin e digitou os números, devolvendo-o com as mãos levemente trêmulas.
— Eu não prometo nada, Jungkook — Jimin avisou, guardando o aparelho no bolso. — Mas talvez eu apareça.
— Vou estar te esperando.
Jimin assentiu uma última vez e entrou no prédio.
Jungkook ficou lá parado, observando-o sumir de vista. Ele sentia que tinha acabado de vencer uma corrida de alta velocidade, a adrenalina ainda bombando em suas veias. Ele colocou o capacete, ligou a moto e deu uma acelerada forte, o som ecoando pela rua silenciosa.
Ele não sabia o que o amanhã traria, nem se Jimin realmente apareceria naquela festa caótica. Mas de uma coisa ele tinha certeza: o jogo tinha apenas começado, e Park Jimin era o prêmio mais valioso que ele já tinha desejado conquistar.
Enquanto voltava para casa, a frase de Namjoon ecoava em sua mente: "Ele não é fácil".
"Ainda bem", pensou Jungkook, sorrindo sob o capacete. "As coisas fáceis nunca foram o meu forte."
