Fanfy
.studio
Loading...
Background image
← Back
0 likes

a vampira e o gorgona

Fandom: wednesday/wandinha

Created: 5/6/2026

Tags

RomanceFantasyCanon SettingSlice of LifePWP (Plot? What Plot?)Gothic NoirFluffHurt/Comfort
Contents

Entre Sombras e Pedras

A chegada de [S/N] em Nunca Mais não causou o alvoroço que se esperaria de uma vampira. Diferente de seus semelhantes, que costumavam andar em bandos barulhentos e exibir caninos em sorrisos prepotentes, ela era como uma mancha de tinta nanquim em um papel pálido: silenciosa, contida e profundamente gótica. Suas roupas pretas e rendadas contrastavam com a pele alva, mas seus olhos carregavam uma gentileza que a maioria das pessoas não se dava ao trabalho de notar.

Devido a uma confusão burocrática na secretaria da Diretora Weems, [S/N] acabou sendo instalada em um dormitório individual na ala leste. Para ela, foi um alívio; a solidão sempre fora sua companheira mais leal. O que ela não esperava era que um certo górgona de touca colorida e passos incertos começaria a orbitar seu mundo.

Ajax Petropolus a notou pela primeira vez no pátio, durante o intervalo entre as aulas de Botânica Carnívora. Ela lia um livro de poesias antigas sob a sombra de uma árvore, longe de todos. Ajax, com sua natureza inerentemente prestativa e um pouco desajeitada, sentiu uma pontada de preocupação. Ninguém deveria ficar tão sozinho assim, pensou ele.

— Oi... — Ajax se aproximou, mexendo nervosamente na barra de sua blusa. — Eu sou o Ajax. Você é a aluna nova, né? A que ficou com o quarto sozinha por causa do erro do sistema?

[S/N] ergueu os olhos do livro, surpresa. Ela esperava algum comentário sarcástico ou que ele simplesmente passasse direto, como os outros faziam.

— Sim, sou eu. [S/N]. E sim, o quarto é... silencioso.

— Deve ser legal ter um espaço só seu — Ajax sorriu, um sorriso tímido que mal mostrava os dentes. — Mas se precisar de ajuda para encontrar a biblioteca ou se quiser saber quais comidas da cantina evitar, eu estou por aqui.

A amizade não floresceu da noite para o dia, mas sim através de pequenos gestos que Ajax insistia em cultivar. Ele começou a segui-la — de um jeito fofo, não assustador — após as aulas, apenas para garantir que ela chegasse bem ao dormitório. Ele a convidava para jogar videogame no salão comunal, mesmo que ela apenas observasse no início.

Logo, as interações migraram para o mundo digital. Ajax passava horas em chamadas de vídeo com ela durante a noite. Eles ficavam em silêncio às vezes, apenas sentindo a presença um do outro através da tela enquanto estudavam.

— Você viu a mensagem que eu te mandei? — Ajax perguntou em uma tarde chuvosa, enquanto caminhavam para a estufa. — É um vídeo de um lagarto que parece estar usando uma touca. Me lembrou de mim.

— Eu vi, Ajax — [S/N] riu baixinho, um som que fez o coração do górgona dar um solavanco. — Você é muito mais bonitinho que aquele lagarto.

Ajax parou, sentindo o rosto esquentar. Ele ajeitou a touca, escondendo as serpentes que, ele tinha certeza, estavam se agitando sob o tecido.

— Ah... obrigado. Eu acho.

A proximidade física tornou-se inevitável. Durante os trabalhos em grupo, as mãos de Ajax esbarravam nas de [S/N] ao trocarem canetas, e ele sempre pedia desculpas rapidamente, com o medo constante de que seu jeito desastrado a afastasse. Mas [S/N] apenas sorria, sentindo uma ternura crescente por aquele garoto que parecia ter medo da própria sombra, mas que fazia de tudo para iluminar a dela.

Certa noite, a curiosidade e o desejo de estar perto falaram mais alto. [S/N] enviou uma mensagem para ele às 21:45.

"Os monitores já estão circulando, mas eu queria ver aquele filme de terror que você mencionou. Quer vir aqui?"

Ajax quase deixou o celular cair no chão. Ele sabia que ninguém podia sair dos quartos após as 22:00, mas a ideia de passar um tempo a sós com [S/N] no refúgio dela era tentadora demais. Ele rastejou pelos corredores, escondendo-se atrás de armaduras e estátuas, até chegar à porta dela.

— Você conseguiu — sussurrou ela, abrindo a porta apenas o suficiente para ele passar.

O dormitório de [S/N] tinha cheiro de incenso de sândalo e livros velhos. Eles se sentaram na cama, o laptop entre eles, mas o filme rapidamente se tornou um mero ruído de fundo. O clima entre os dois mudou; a timidez de Ajax encontrou a vulnerabilidade de [S/N].

— [S/N]... — Ajax começou, a voz falhando. — Eu gosto muito de estar aqui com você. Sinto que não preciso fingir que sou descolado ou nada disso.

— Você nunca precisou, Ajax. Eu gosto de quem você é de verdade.

O beijo aconteceu de forma lenta, como tudo entre eles. Foi um toque suave, carregado de uma eletricidade que nenhum dos dois sabia como controlar. Naquela noite, entre as sombras do quarto e o silêncio da escola, a amizade se transformou em algo muito mais profundo e intenso. O "clima quente" que se seguiu foi uma descoberta mútua, um segredo compartilhado que os uniu de uma forma que palavras nunca conseguiriam.

A partir dali, a rotina deles mudou. Eles se tornaram especialistas em encontrar refúgios. Encontravam-se em salas de aula vazias durante o horário de almoço, trocando carícias rápidas e promessas de se verem mais tarde. Exploravam a Floresta Negra, onde as árvores retorcidas serviam de testemunhas para seus abraços, e iam até a margem do rio, onde o som da água abafava suas risadas.

— A gente vai se meter em encrenca se a Wandinha nos vir aqui — comentou Ajax certa vez, enquanto estavam escondidos atrás de uma pilastra na biblioteca.

— Ela provavelmente já sabe — [S/N] respondeu, ajeitando a gola da camisa dele. — Mas ela não se importa com a vida alheia, desde que não atrapalhe as investigações dela.

Apesar da felicidade, Ajax ainda carregava sua insegurança. Ele sentia que precisava tornar aquilo real, oficial. Ele não queria mais se esconder; ele queria que todos soubessem que a vampira mais gentil de Nunca Mais pertencia a ele, e ele a ela.

O pedido aconteceu em uma tarde de neblina densa, perto do cemitério da escola, um lugar que [S/N] adorava pela paz que transmitia. Ajax estava mais nervoso do que o normal, mexendo constantemente em um pequeno embrulho no bolso.

— [S/N], eu estive pensando... — Ele começou, parando na frente dela. — Eu sei que eu sou meio devagar e que às vezes eu me perco nas palavras. Eu tenho medo de te transformar em pedra, literalmente e figuradamente, porque você é a coisa mais incrível que já aconteceu comigo.

[S/N] sentiu os olhos arderem. Ela nunca fora a primeira escolha de ninguém, sempre a "estranha gótica" deixada de lado.

— Ajax...

— Não, espera, eu ensaiei isso — ele riu, nervoso. — Eu não quero mais que a gente seja só um segredo nos corredores. Eu quero poder segurar sua mão na frente de todo mundo, mesmo que eu tropece nos meus próprios pés. Você... você aceita namorar comigo? Oficialmente? Sem esconderijos?

Ele tirou do bolso um anel simples, feito de prata escura, com um pequeno detalhe que lembrava uma serpente entrelaçada em uma rosa.

— É claro que eu aceito, seu bobo — ela disse, puxando-o pela touca para um beijo cheio de alívio e amor.

Ajax suspirou contra os lábios dela, a tensão deixando seu corpo.

— Graças a Deus. Eu achei que ia desmaiar.

— Você é um herói, Petropolus — brincou ela, entrelaçando seus dedos nos dele.

Daquele dia em diante, eles não precisaram mais de salas vazias ou sombras na floresta. Ajax caminhava por Nunca Mais com um novo tipo de confiança, a mão firmemente unida à de [S/N]. Ele ainda era o garoto tímido e desajeitado, mas agora ele tinha alguém que amava cada uma de suas falhas, e [S/N] finalmente descobrira que, mesmo sendo uma criatura da noite, ela poderia encontrar seu próprio sol em um górgona de coração de ouro.
Contents

Want to write your own fanfic?

Sign up on Fanfy and create your own stories!

Create my fanfic