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Fandom: record of ragnarok
Created: 5/6/2026
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RomanceFantasyHurt/ComfortCurtainfic / Domestic StorySoulmatesDivergenceDramaFluffFix-itCanon SettingCharacter StudySandalpunkRetellingActionAU (Alternate Universe)CrossoverHistoricalPsychologicalAdventureSilkpunk
O Trono de Vidro e o Sangue do Submundo
A arena do Valhalla estava mergulhada em um silêncio desconfortável, mas não era o silêncio que precede uma luta de vida ou morte. Era o silêncio de uma conspiração. Nos corredores luxuosos que separavam as alas dos deuses e dos humanos, uma aliança improvável havia se formado. De um lado, Brunhilde e alguns guerreiros da humanidade; do outro, Ares, Hermes e até mesmo alguns servos leais de Helheim.
O motivo? O relacionamento escandaloso entre o Primeiro Imperador da China, Qin Shi Huang, e o Rei do Submundo, Hades.
— Isso é um absurdo! — exclamou Ares, gesticulando freneticamente. — Meu tio, o pilar de dignidade do Olimpo, passando as tardes bebendo chá e rindo das piadas insolentes daquele humano que se senta onde bem entende?
— O problema não é o chá, Ares — retrucou Brunhilde, cruzando os braços com irritação. — O problema é que Qin está ignorando completamente minhas ordens. Ele deveria estar treinando, mas prefere decorar os jardins de Hades com estátuas de si mesmo. A distração deles coloca o Ragnarok em risco.
A solução encontrada pelo grupo foi drástica: a ressurreição temporária de figuras do passado. Se o amor atual era o problema, o retorno de antigas chamas seria o extintor.
No centro do jardim privativo de Hades, o clima era oposto à tensão dos conspiradores. Qin Shi Huang estava reclinado em um divã de seda que ele mesmo mandou trazer para o Helheim, uma venda cobrindo seus olhos, mas um sorriso presunçoso brincando em seus lábios.
— Hao... — suspirou Qin, sentindo a brisa fria do submundo. — Este lugar ficaria muito melhor com um pouco mais de vermelho imperial, não acha, Hades?
Hades, que estava sentado ao lado dele lendo alguns relatórios sobre as almas recém-chegadas, soltou um riso baixo e sofisticado. Ele fechou o pergaminho e olhou para o homem ao seu lado com uma ternura que poucos deuses já haviam presenciado.
— Você já mandou pintar metade das colunas do meu palácio de dourado, Qin. Se continuar assim, meus servos esquecerão quem é o verdadeiro soberano daqui.
— Onde eu me sento é o trono — Qin ergueu o queixo, a arrogância natural transbordando. — E como eu me sinto em casa aqui, tecnicamente, todo o Helheim é minha cadeira.
Hades estendeu a mão, tocando levemente o ombro de Qin. Ele sentiu o imperador retesar-se por um milésimo de segundo — a sinestesia toque-espelho de Qin ainda era uma barreira que eles navegavam com cuidado. Hades não queria causar dor, apenas oferecer conforto.
— Você é um convidado caro, Imperador. Mas um que eu não pretendo deixar ir.
A conversa foi interrompida pelo som de passos pesados e o aroma de um perfume antigo que Hades reconheceu imediatamente. Das sombras das colunas, surgiu uma mulher de beleza gélida e porte divino, vestida em sedas negras e prateadas. Era Perséfone, ou ao menos, a representação dela que os deuses haviam conseguido manifestar.
Ao mesmo tempo, do lado oposto, um jovem general da dinastia Qin, cujas crônicas diziam ter sido o único confidente próximo de Ying Zheng antes de sua ascensão total, caminhou em direção a eles.
— Hades, meu senhor — disse a mulher, sua voz como cristais quebrando. — Senti sua falta no trono que costumávamos compartilhar.
Qin Shi Huang não removeu a venda, mas sua postura mudou instantaneamente. O sorriso carismático tornou-se uma linha fina de frieza absoluta. Ele sentiu a presença do homem que se aproximava dele, o calor de uma memória de quando ele ainda era apenas um jovem tentando unificar um reino sangrento.
— Zheng... — disse o jovem general. — Você mudou tanto. Esqueceu-se das promessas que fizemos sob as estrelas de Xianyang?
Hades levantou-se lentamente, sua aura de Rei do Submundo expandindo-se, fazendo as sombras ao redor dançarem com ferocidade. Ele olhou para a mulher à sua frente com uma calma estrategista, mas seus olhos brilhavam com uma inteligência perigosa.
— Perséfone — disse Hades, a voz firme e desprovida de qualquer hesitação romântica. — Você é uma memória honrada, mas o tempo não retrocede para os deuses, e muito menos para os mortos que eu governo.
Enquanto isso, Qin se levantou do divã com uma elegância felina. Ele caminhou até o general ressuscitado, parando a poucos centímetros dele.
— Você fala de promessas? — Qin riu, um som seco e sem humor. — O Rei não olha para trás. As estrelas de Xianyang brilham para o povo que eu protegi, não para fantasmas invocados por valquírias desesperadas.
Escondidos atrás de uma sebe, Ares e Brunhilde observavam, esperando o drama, a dúvida, o colapso do casal. Mas o que viram foi algo muito diferente.
Hades caminhou até Qin, ignorando completamente a presença da deusa. Ele colocou a mão sobre a de Qin, entrelaçando seus dedos.
— Eles acham que somos frágeis — comentou Hades, olhando para os "ex-amantes" como se fossem insetos curiosos. — Eles acham que o que sentimos é um capricho de momento.
— Eles não entendem o que é ser um Rei — Qin respondeu, virando o rosto na direção de Hades, mesmo sob a venda. — Um Rei é solitário até encontrar outro que suporte o peso da coroa. Eu senti a dor de um império inteiro em meus ombros, Hades. Você acha que um fantasma do passado pode competir com alguém que entende o peso do meu sangue?
Hades apertou a mão de Qin. Ele sabia dos traumas do imperador, da infância de abusos e do isolamento que a sinestesia lhe causava. Ele respeitava Qin não apenas como um amante, mas como um igual em sofrimento e dever.
— Perséfone, General — Hades falou em voz alta, sua voz ecoando por todo o jardim. — Voltem para o descanso de onde foram tirados. Este teatro termina agora.
— Mas Hades! — a deusa tentou dar um passo à frente. — Nós governamos juntos!
— Nós governamos por dever — corrigiu Hades friamente. — Com ele, eu governo por escolha.
Qin Shi Huang soltou a mão de Hades apenas para ajustar sua capa com um movimento dramático e exuberante.
— E você — Qin apontou para o general —, diga a quem quer que tenha te enviado que, se quiserem me derrubar, precisarão de algo muito mais forte do que nostalgia. Eu sou o começo e o fim. Eu sou Qin Shi Huang!
Com um estalar de dedos de Hades, as manifestações começaram a se dissolver em poeira estelar e névoa sombria. O plano de Brunhilde e dos deuses havia falhado miseravelmente. Eles não contavam com a profundidade da conexão entre os dois soberanos.
Quando voltaram a ficar sozinhos, o silêncio do jardim tornou-se acolhedor novamente. Qin relaxou os ombros, a "armadura emocional" que ele sempre usava cedendo um pouco na presença de Hades.
— Isso foi... irritante — admitiu Qin, sentando-se novamente no divã, mas desta vez puxando Hades para se sentar ao seu lado.
— Foi uma tentativa desesperada de pessoas que temem o que não podem controlar — Hades respondeu, permitindo que Qin encostasse a cabeça em seu ombro. — Eles não entendem que um Rei não trai sua própria vontade.
— Hao... — Qin sorriu de lado, um sorriso verdadeiro, sem a arrogância que mostrava ao mundo. — Você fala muito bem para um deus velho.
— E você é muito insolente para um humano que ainda respira — brincou Hades, passando o braço pela cintura de Qin.
— Eu não sou apenas um humano — Qin ergueu um dedo, em tom de lição. — Eu sou o homem que fez o Rei do Submundo se apaixonar. Isso me torna, no mínimo, o dono da metade deste lugar.
Hades soltou uma gargalhada rara e alta, que ecoou pelos corredores de pedra, assustando os conspiradores que ainda ouviam de longe.
— Sim, você é. E como dono, o que o Imperador deseja agora?
Qin ficou em silêncio por um momento, sentindo através de sua sinestesia a calma e a força que emanavam de Hades. Não havia dor ali, apenas uma estabilidade que ele nunca teve em sua vida mortal.
— Desejo que você me sirva mais daquele néctar — disse Qin, recuperando seu tom imperioso. — E que ninguém mais ouse interromper meu descanso. Onde o Rei se senta, Hades...
— É o trono — completou Hades, servindo a taça de Qin. — Eu já decorei a frase, Qin.
E ali, entre as sombras do submundo e o brilho do ouro imperial, os dois governantes permaneceram, inabaláveis diante de deuses e homens, unidos por um laço que nem a morte, nem o passado, ousariam quebrar novamente.
O motivo? O relacionamento escandaloso entre o Primeiro Imperador da China, Qin Shi Huang, e o Rei do Submundo, Hades.
— Isso é um absurdo! — exclamou Ares, gesticulando freneticamente. — Meu tio, o pilar de dignidade do Olimpo, passando as tardes bebendo chá e rindo das piadas insolentes daquele humano que se senta onde bem entende?
— O problema não é o chá, Ares — retrucou Brunhilde, cruzando os braços com irritação. — O problema é que Qin está ignorando completamente minhas ordens. Ele deveria estar treinando, mas prefere decorar os jardins de Hades com estátuas de si mesmo. A distração deles coloca o Ragnarok em risco.
A solução encontrada pelo grupo foi drástica: a ressurreição temporária de figuras do passado. Se o amor atual era o problema, o retorno de antigas chamas seria o extintor.
No centro do jardim privativo de Hades, o clima era oposto à tensão dos conspiradores. Qin Shi Huang estava reclinado em um divã de seda que ele mesmo mandou trazer para o Helheim, uma venda cobrindo seus olhos, mas um sorriso presunçoso brincando em seus lábios.
— Hao... — suspirou Qin, sentindo a brisa fria do submundo. — Este lugar ficaria muito melhor com um pouco mais de vermelho imperial, não acha, Hades?
Hades, que estava sentado ao lado dele lendo alguns relatórios sobre as almas recém-chegadas, soltou um riso baixo e sofisticado. Ele fechou o pergaminho e olhou para o homem ao seu lado com uma ternura que poucos deuses já haviam presenciado.
— Você já mandou pintar metade das colunas do meu palácio de dourado, Qin. Se continuar assim, meus servos esquecerão quem é o verdadeiro soberano daqui.
— Onde eu me sento é o trono — Qin ergueu o queixo, a arrogância natural transbordando. — E como eu me sinto em casa aqui, tecnicamente, todo o Helheim é minha cadeira.
Hades estendeu a mão, tocando levemente o ombro de Qin. Ele sentiu o imperador retesar-se por um milésimo de segundo — a sinestesia toque-espelho de Qin ainda era uma barreira que eles navegavam com cuidado. Hades não queria causar dor, apenas oferecer conforto.
— Você é um convidado caro, Imperador. Mas um que eu não pretendo deixar ir.
A conversa foi interrompida pelo som de passos pesados e o aroma de um perfume antigo que Hades reconheceu imediatamente. Das sombras das colunas, surgiu uma mulher de beleza gélida e porte divino, vestida em sedas negras e prateadas. Era Perséfone, ou ao menos, a representação dela que os deuses haviam conseguido manifestar.
Ao mesmo tempo, do lado oposto, um jovem general da dinastia Qin, cujas crônicas diziam ter sido o único confidente próximo de Ying Zheng antes de sua ascensão total, caminhou em direção a eles.
— Hades, meu senhor — disse a mulher, sua voz como cristais quebrando. — Senti sua falta no trono que costumávamos compartilhar.
Qin Shi Huang não removeu a venda, mas sua postura mudou instantaneamente. O sorriso carismático tornou-se uma linha fina de frieza absoluta. Ele sentiu a presença do homem que se aproximava dele, o calor de uma memória de quando ele ainda era apenas um jovem tentando unificar um reino sangrento.
— Zheng... — disse o jovem general. — Você mudou tanto. Esqueceu-se das promessas que fizemos sob as estrelas de Xianyang?
Hades levantou-se lentamente, sua aura de Rei do Submundo expandindo-se, fazendo as sombras ao redor dançarem com ferocidade. Ele olhou para a mulher à sua frente com uma calma estrategista, mas seus olhos brilhavam com uma inteligência perigosa.
— Perséfone — disse Hades, a voz firme e desprovida de qualquer hesitação romântica. — Você é uma memória honrada, mas o tempo não retrocede para os deuses, e muito menos para os mortos que eu governo.
Enquanto isso, Qin se levantou do divã com uma elegância felina. Ele caminhou até o general ressuscitado, parando a poucos centímetros dele.
— Você fala de promessas? — Qin riu, um som seco e sem humor. — O Rei não olha para trás. As estrelas de Xianyang brilham para o povo que eu protegi, não para fantasmas invocados por valquírias desesperadas.
Escondidos atrás de uma sebe, Ares e Brunhilde observavam, esperando o drama, a dúvida, o colapso do casal. Mas o que viram foi algo muito diferente.
Hades caminhou até Qin, ignorando completamente a presença da deusa. Ele colocou a mão sobre a de Qin, entrelaçando seus dedos.
— Eles acham que somos frágeis — comentou Hades, olhando para os "ex-amantes" como se fossem insetos curiosos. — Eles acham que o que sentimos é um capricho de momento.
— Eles não entendem o que é ser um Rei — Qin respondeu, virando o rosto na direção de Hades, mesmo sob a venda. — Um Rei é solitário até encontrar outro que suporte o peso da coroa. Eu senti a dor de um império inteiro em meus ombros, Hades. Você acha que um fantasma do passado pode competir com alguém que entende o peso do meu sangue?
Hades apertou a mão de Qin. Ele sabia dos traumas do imperador, da infância de abusos e do isolamento que a sinestesia lhe causava. Ele respeitava Qin não apenas como um amante, mas como um igual em sofrimento e dever.
— Perséfone, General — Hades falou em voz alta, sua voz ecoando por todo o jardim. — Voltem para o descanso de onde foram tirados. Este teatro termina agora.
— Mas Hades! — a deusa tentou dar um passo à frente. — Nós governamos juntos!
— Nós governamos por dever — corrigiu Hades friamente. — Com ele, eu governo por escolha.
Qin Shi Huang soltou a mão de Hades apenas para ajustar sua capa com um movimento dramático e exuberante.
— E você — Qin apontou para o general —, diga a quem quer que tenha te enviado que, se quiserem me derrubar, precisarão de algo muito mais forte do que nostalgia. Eu sou o começo e o fim. Eu sou Qin Shi Huang!
Com um estalar de dedos de Hades, as manifestações começaram a se dissolver em poeira estelar e névoa sombria. O plano de Brunhilde e dos deuses havia falhado miseravelmente. Eles não contavam com a profundidade da conexão entre os dois soberanos.
Quando voltaram a ficar sozinhos, o silêncio do jardim tornou-se acolhedor novamente. Qin relaxou os ombros, a "armadura emocional" que ele sempre usava cedendo um pouco na presença de Hades.
— Isso foi... irritante — admitiu Qin, sentando-se novamente no divã, mas desta vez puxando Hades para se sentar ao seu lado.
— Foi uma tentativa desesperada de pessoas que temem o que não podem controlar — Hades respondeu, permitindo que Qin encostasse a cabeça em seu ombro. — Eles não entendem que um Rei não trai sua própria vontade.
— Hao... — Qin sorriu de lado, um sorriso verdadeiro, sem a arrogância que mostrava ao mundo. — Você fala muito bem para um deus velho.
— E você é muito insolente para um humano que ainda respira — brincou Hades, passando o braço pela cintura de Qin.
— Eu não sou apenas um humano — Qin ergueu um dedo, em tom de lição. — Eu sou o homem que fez o Rei do Submundo se apaixonar. Isso me torna, no mínimo, o dono da metade deste lugar.
Hades soltou uma gargalhada rara e alta, que ecoou pelos corredores de pedra, assustando os conspiradores que ainda ouviam de longe.
— Sim, você é. E como dono, o que o Imperador deseja agora?
Qin ficou em silêncio por um momento, sentindo através de sua sinestesia a calma e a força que emanavam de Hades. Não havia dor ali, apenas uma estabilidade que ele nunca teve em sua vida mortal.
— Desejo que você me sirva mais daquele néctar — disse Qin, recuperando seu tom imperioso. — E que ninguém mais ouse interromper meu descanso. Onde o Rei se senta, Hades...
— É o trono — completou Hades, servindo a taça de Qin. — Eu já decorei a frase, Qin.
E ali, entre as sombras do submundo e o brilho do ouro imperial, os dois governantes permaneceram, inabaláveis diante de deuses e homens, unidos por um laço que nem a morte, nem o passado, ousariam quebrar novamente.
