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Stay Still

Fandom: Stray Kids

Created: 5/7/2026

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AU (Alternate Universe)DramaAngstHurt/ComfortPsychologicalCharacter StudyCanon SettingDiscriminationSelf-HarmRealismHorrorSlice of LifeFluffHumorRomanceCurtainfic / Domestic StoryEating Disorders
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Sombras e Holofotes

O cheiro de mofo misturado com spray de cabelo sempre seria o perfume da infância de Choi Jiah. Enquanto a maioria das crianças de sete anos estava preocupada em não ralar o joelho no parquinho ou em qual sabor de sorvete escolheria no domingo, Jiah estava sentada em cadeiras de plástico desconfortáveis, decorando falas que crianças da sua idade não deveriam sequer compreender.

Ela não era uma criança comum. Nunca foi. Havia algo na intensidade do seu olhar, uma profundidade que assustava os diretores de elenco e, ao mesmo tempo, os fascinava. Jiah não "atuava" como se estivesse brincando; ela se transformava.

Seu primeiro grande papel foi em um curta-metragem de terror psicológico. Ela interpretava uma versão mirim de uma personagem inspirada na estética de Tiffany, a noiva de Chucky. Enquanto as outras atrizes mirins choravam quando viam o sangue cenográfico ou as próteses de monstros, Jiah cutucava a textura da maquiagem com curiosidade técnica.

— Jiah, querida, você não tem medo? — perguntou a maquiadora certa vez, enquanto aplicava uma cicatriz falsa no rosto pálido da menina.

— Por que eu teria? — Jiah respondeu, mantendo o rosto imóvel para não estragar o trabalho. — É só tinta e silicone. O que dá medo de verdade é esquecer o tempo da respiração na cena.

Aquela resposta, vinda de uma garota que mal alcançava a maçaneta das portas, tornou-se a lenda local nos sets de gravação. Jiah era a "garota estranha". A pequena profissional que não precisava de pausas para lanchar se a cena ainda não estivesse perfeita.

Sua obsessão começou ali. Não era apenas sobre atuar; era sobre controle. Nos filmes de terror, ela aprendeu a manipular o medo alheio. Nos musicais, aprendeu que cada nota precisava ser alcançada com a precisão de um bisturi. Nas dublagens, descobriu que sua voz poderia ser mil pessoas diferentes, contanto que ela anulasse a si mesma.

Aos dez anos, Jiah já tinha um currículo que muitos adultos invejariam, mas seus olhos carregavam um cansaço que não pertencia a uma década de vida. Ela aprendeu cedo que o mundo só batia palmas quando ela era impecável. Se ela errasse um passo de dança no treino noturno, ela ficava mais duas horas. Se sua voz falhasse em uma nota alta, ela repetia o exercício até que suas cordas vocais queimassem.

Esconder emoções tornou-se sua segunda natureza, talvez a mais refinada de suas artes. Se estava triste, ela interpretava uma personagem alegre. Se estava exausta, vestia a máscara da determinação.

— Você precisa sorrir mais, Jiah — dizia sua mãe, conferindo a agenda de testes do dia seguinte. — O público gosta de ver que você está se divertindo.

— Eu estou me divertindo — respondia Jiah, com um sorriso que não chegava aos olhos, mas que era tecnicamente perfeito para qualquer câmera.

Ela cresceu rápido demais porque o palco não aceitava o ritmo da infância. O palco exigia entrega total. E Jiah, em sua busca desesperada por perfeição, entregou tudo o que tinha, sem perceber que, ao construir aquela performer absurda, estava enterrando a menina que só queria, por um momento, não ter que ser nada além de uma criança.

O silêncio do camarim, após as luzes se apagarem, era o único lugar onde ela se permitia não ser ninguém. Mas, mesmo ali, o eco das críticas e a pressão por ser a melhor continuavam a ressoar em sua mente, moldando a garota que, anos mais tarde, encontraria um grupo de garotos que tentariam, desesperadamente, ensiná-la que ela não precisava ser perfeita para ser amada.

Mas isso ainda estava longe. Por enquanto, Jiah era apenas a pequena rainha do terror, a voz por trás das dublagens impecáveis e a sombra que treinava até a exaustão, aprendendo que o mundo era um palco onde a vulnerabilidade era o único erro que ela não podia cometer.
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