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Hhhh
Fandom: Httyd
Created: 5/7/2026
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AU (Alternate Universe)DramaAngstHurt/ComfortTragedyCharacter DeathCrimeDetective
O Gelo que não se Quebra
A sirene da viatura cortava o silêncio da manhã gélida de Berk como uma faca afiada. Para Stoico, o Chefe de Polícia da pequena cidade, aquele som já era parte da trilha sonora de sua vida, algo que ele aprendeu a ignorar para manter o foco. Mas hoje, o ar parecia mais pesado. A neve caía em flocos densos, cobrindo as estradas e transformando a paisagem em um labirinto branco e perigoso.
— Central, aqui é a Unidade 1. Estou a dois minutos do Lago Raven — disse Stoico no rádio, sua voz rouca e firme. — Confirmem a situação.
— Chefe, a testemunha relatou um jovem patinando sozinho. O gelo cedeu perto do centro do lago. Ele submergiu e não retornou à superfície há pelo menos dez minutos.
Stoico sentiu um aperto no peito. Dez minutos em água congelante era uma sentença de morte, mas ele se recusava a aceitar isso antes de chegar lá. Ele acelerou, os pneus de neve rangendo contra o asfalto.
Ao estacionar próximo à margem, ele viu o buraco escuro no meio da imensidão branca. Não havia ninguém por perto, apenas o silêncio ensurdecedor da natureza. Stoico não esperou pela equipe de resgate especializada que vinha da cidade vizinha. Ele sabia que cada segundo era uma vida.
Ele vestiu o colete de flutuação sobre a farda pesada, amarrou uma corda de segurança no engate da viatura e começou a se arrastar pelo gelo. O estalo sob seus joelhos era aterrorizante, mas Stoico era um homem de granito. Ele alcançou a borda do buraco e mergulhou o braço na água negra.
O choque térmico foi imediato, mas ele ignorou a dor. Ele tateou o vazio até que seus dedos tocaram algo que não era lodo nem pedra. Era tecido. Um casaco de lã.
Com um rugido de esforço, Stoico puxou. O peso morto era difícil de manejar, mas ele usou toda a força de seus ombros largos para içar o corpo para cima do gelo firme.
— Vamos, garoto, respire! — Stoico exclamou, começando as manobras de ressuscitação assim que deitou o jovem de costas.
Foi então que o mundo de Stoico parou.
Ao limpar a neve e a água do rosto do jovem, os traços familiares surgiram sob a luz pálida do inverno. O cabelo platinado, agora grudado na testa, a pele pálida que ele costumava ver em todos os jantares de domingo, o sorriso travesso que agora estava congelado em uma expressão de vazio.
— Jack? — A voz de Stoico falhou, um som que ele nunca emitia. — Não... Jack, abra os olhos!
Era Jack Frost. O namorado de Soluço. O garoto que estava na vida de seu filho desde que ambos tinham quinze anos. O jovem que Stoico aprendeu a amar como se fosse seu próprio sangue, o único que conseguia tirar Soluço de sua concha e fazê-lo rir até perder o fôlego.
Stoico continuou as compressões torácicas com desespero.
— Um, dois, três... vamos, Jack! O Soluço está te esperando! — Ele gritava, as lágrimas começando a queimar seus olhos, congelando-se em suas bochechas.
Mas não houve resposta. O pulso de Jack era inexistente. Seus olhos, antes tão cheios de uma energia elétrica e azul, estavam fixos no nada. Ele estava frio, mais frio do que o gelo que o cercava.
Quando as outras viaturas e a ambulância chegaram, Stoico ainda estava debruçado sobre o corpo, os braços tremendo de exaustão e choque. O paramédico se aproximou e colocou a mão no ombro do Chefe de Polícia.
— Chefe... ele se foi. Já faz muito tempo.
Stoico olhou para o paramédico com um olhar perdido. Ele, o homem que enfrentava qualquer perigo, sentiu-se como uma criança indefesa.
— Eu não posso... — Stoico sussurrou, a voz embargada. — Eu não posso contar isso para o meu filho.
***
A casa de Soluço e Jack era um pequeno apartamento aconchegante perto da universidade. Soluço, agora com vinte e um anos, estava terminando seus projetos de engenharia na mesa da cozinha, cercado por papéis e protótipos. O cheiro de café fresco preenchia o ambiente.
Ele olhou para o relógio. Jack já deveria ter voltado de sua caminhada matinal. "Aquele idiota deve ter parado para tirar fotos de alguma árvore congelada", pensou Soluço com um sorriso carinhoso.
A batida na porta foi pesada. Lenta.
Soluço se levantou, limpando as mãos sujas de grafite na calça.
— Esqueceu as chaves de novo, Jack? Eu já disse que vou pendurar elas no seu pescoço...
Ao abrir a porta, o sorriso de Soluço desapareceu instantaneamente.
Seu pai estava parado ali. Stoico ainda usava a farda, que estava úmida e manchada de sal. Seu rosto estava vermelho do frio, mas seus olhos... Soluço nunca tinha visto seu pai com olhos tão quebrados.
— Pai? — Soluço deu um passo para trás, o coração começando a acelerar. — O que aconteceu? Houve algum problema na delegacia?
Stoico entrou sem dizer uma palavra, fechando a porta atrás de si. O silêncio que se seguiu foi a coisa mais aterrorizante que Soluço já sentira.
— Soluço... senta, por favor — disse Stoico, a voz saindo como um sussurro rouco.
— Não. Cadê o Jack? — Soluço olhou para o corredor, como se o namorado fosse aparecer a qualquer momento. — Pai, onde está o Jack?
Stoico deu um passo à frente e segurou os ombros do filho. Suas mãos grandes e calejadas estavam tremendo.
— Houve um acidente no Lago Raven, Soluço. O gelo... o gelo não aguentou.
O mundo de Soluço começou a girar. O ar parecia ter sido sugado do cômodo.
— Não. Não, ele é bom no gelo. Ele sabe onde pisar. Ele... ele deve estar no hospital, certo? Vamos lá agora! — Soluço tentou se soltar, a negação subindo por sua garganta como bile.
— Soluço, olhe para mim — Stoico pediu, as lágrimas finalmente caindo livremente por sua barba ruiva. — Eu o tirei de lá. Eu tentei de tudo. Eu juro por Deus que tentei de tudo... mas ele já tinha ido.
Soluço paralisou. Ele olhou para o pai, procurando por qualquer sinal de que aquilo fosse uma piada cruel, um erro, um pesadelo. Mas Stoico estava chorando. O grande Stoico, o Vasto, o homem que nunca se curvava, estava desabando diante dele.
— Não... — O grito de Soluço foi agudo e dilacerante. Ele caiu de joelhos no chão da cozinha. — Não, Jack! Não!
Stoico se ajoelhou com ele, envolvendo o filho em um abraço esmagador. Soluço agarrou a farda do pai, soluçando tão violentamente que mal conseguia respirar. Era um som de pura agonia, o som de um coração se partindo em mil pedaços que nunca poderiam ser colados novamente.
— Eu sinto muito, meu filho — Stoico murmurava, balançando o corpo de Soluço como fazia quando ele era pequeno. — Eu sinto tanto.
***
Os dias que se seguiram foram um borrão de cinza e dor. O velório de Jack Frost foi um dos eventos mais tristes que Berk já vira. O garoto que era pura luz tinha sido apagado de forma cruel e súbita.
Stoico permaneceu ao lado de Soluço o tempo todo. Ele não voltou para o trabalho. Ele não conseguia. Cada vez que fechava os olhos, ele sentia o corpo frio de Jack em seus braços, ouvia o silêncio do lago. Ele também estava de luto. Jack era o filho que a vida lhe deu de presente, o jovem que cuidava de Soluço com uma devoção que Stoico admirava profundamente. Eles compartilhavam piadas sobre a teimosia de Soluço, dividiam segredos sobre presentes de aniversário e planejavam o futuro.
Na noite após o enterro, Stoico encontrou Soluço sentado na varanda da casa da família, olhando para as estrelas. O jovem parecia uma sombra do que fora uma semana atrás.
Stoico sentou-se ao lado dele, o peso do banco de madeira rangendo sob seu corpo.
— Ele me disse, no mês passado — começou Stoico, a voz baixa —, que ia te pedir em casamento na primavera.
Soluço fechou os olhos, uma lágrima solitária descendo por seu rosto pálido.
— Ele me mostrou o anel — continuou Stoico. — Era simples, de prata, com uma pequena pedra azul que ele disse que lembrava a cor do céu no primeiro dia que vocês se conheceram. Ele estava tão nervoso, Soluço. O garoto que desafiava a gravidade estava com medo de você dizer não.
Soluço soltou um riso amargo e entrecortado.
— Eu nunca diria não para ele. Nunca.
— Eu sei — disse Stoico, colocando a mão sobre a de Soluço. — Jack era parte de nós. Ele não era apenas seu namorado, ele era minha família também. Eu sinto como se tivesse perdido um pedaço de mim naquele lago.
Soluço olhou para o pai, vendo pela primeira vez a profundidade da dor de Stoico. Ele percebeu que o pai não estava apenas sendo o "porto seguro" para ele; o pai estava sofrendo sua própria perda devastadora.
— Obrigado por ter tentado, pai — sussurrou Soluço, inclinando a cabeça no ombro largo de Stoico. — Obrigado por não deixá-lo sozinho naquela água.
Stoico apertou a mão do filho, sentindo o frio da noite, mas também o calor da conexão que eles ainda tinham.
— Nós vamos passar por isso, Soluço — disse Stoico com uma determinação que vinha do fundo de sua alma. — Vai demorar. Vai doer todos os dias. Mas eu não vou sair do seu lado. Nós vamos carregar a memória dele juntos.
O vento soprou, trazendo consigo um aroma de inverno e liberdade, algo que lembrava Jack. Soluço fechou os olhos e, pela primeira vez em dias, sentiu que podia respirar, mesmo que o ar estivesse gelado.
— Ele teria odiado ver a gente assim, tão tristes — disse Soluço, limpando o rosto.
— Ele teria feito alguma piada idiota e jogado uma bola de neve na minha cara — Stoico concordou, um pequeno e triste sorriso surgindo em seus lábios.
Eles ficaram ali, pai e filho, unidos pela tragédia e pelo amor, observando a neve cair sobre Berk, transformando o mundo em um lugar silencioso e branco, guardando para sempre a lembrança do garoto que amava o gelo, mas que tinha o coração mais quente que Stoico já conhecera.
— Central, aqui é a Unidade 1. Estou a dois minutos do Lago Raven — disse Stoico no rádio, sua voz rouca e firme. — Confirmem a situação.
— Chefe, a testemunha relatou um jovem patinando sozinho. O gelo cedeu perto do centro do lago. Ele submergiu e não retornou à superfície há pelo menos dez minutos.
Stoico sentiu um aperto no peito. Dez minutos em água congelante era uma sentença de morte, mas ele se recusava a aceitar isso antes de chegar lá. Ele acelerou, os pneus de neve rangendo contra o asfalto.
Ao estacionar próximo à margem, ele viu o buraco escuro no meio da imensidão branca. Não havia ninguém por perto, apenas o silêncio ensurdecedor da natureza. Stoico não esperou pela equipe de resgate especializada que vinha da cidade vizinha. Ele sabia que cada segundo era uma vida.
Ele vestiu o colete de flutuação sobre a farda pesada, amarrou uma corda de segurança no engate da viatura e começou a se arrastar pelo gelo. O estalo sob seus joelhos era aterrorizante, mas Stoico era um homem de granito. Ele alcançou a borda do buraco e mergulhou o braço na água negra.
O choque térmico foi imediato, mas ele ignorou a dor. Ele tateou o vazio até que seus dedos tocaram algo que não era lodo nem pedra. Era tecido. Um casaco de lã.
Com um rugido de esforço, Stoico puxou. O peso morto era difícil de manejar, mas ele usou toda a força de seus ombros largos para içar o corpo para cima do gelo firme.
— Vamos, garoto, respire! — Stoico exclamou, começando as manobras de ressuscitação assim que deitou o jovem de costas.
Foi então que o mundo de Stoico parou.
Ao limpar a neve e a água do rosto do jovem, os traços familiares surgiram sob a luz pálida do inverno. O cabelo platinado, agora grudado na testa, a pele pálida que ele costumava ver em todos os jantares de domingo, o sorriso travesso que agora estava congelado em uma expressão de vazio.
— Jack? — A voz de Stoico falhou, um som que ele nunca emitia. — Não... Jack, abra os olhos!
Era Jack Frost. O namorado de Soluço. O garoto que estava na vida de seu filho desde que ambos tinham quinze anos. O jovem que Stoico aprendeu a amar como se fosse seu próprio sangue, o único que conseguia tirar Soluço de sua concha e fazê-lo rir até perder o fôlego.
Stoico continuou as compressões torácicas com desespero.
— Um, dois, três... vamos, Jack! O Soluço está te esperando! — Ele gritava, as lágrimas começando a queimar seus olhos, congelando-se em suas bochechas.
Mas não houve resposta. O pulso de Jack era inexistente. Seus olhos, antes tão cheios de uma energia elétrica e azul, estavam fixos no nada. Ele estava frio, mais frio do que o gelo que o cercava.
Quando as outras viaturas e a ambulância chegaram, Stoico ainda estava debruçado sobre o corpo, os braços tremendo de exaustão e choque. O paramédico se aproximou e colocou a mão no ombro do Chefe de Polícia.
— Chefe... ele se foi. Já faz muito tempo.
Stoico olhou para o paramédico com um olhar perdido. Ele, o homem que enfrentava qualquer perigo, sentiu-se como uma criança indefesa.
— Eu não posso... — Stoico sussurrou, a voz embargada. — Eu não posso contar isso para o meu filho.
***
A casa de Soluço e Jack era um pequeno apartamento aconchegante perto da universidade. Soluço, agora com vinte e um anos, estava terminando seus projetos de engenharia na mesa da cozinha, cercado por papéis e protótipos. O cheiro de café fresco preenchia o ambiente.
Ele olhou para o relógio. Jack já deveria ter voltado de sua caminhada matinal. "Aquele idiota deve ter parado para tirar fotos de alguma árvore congelada", pensou Soluço com um sorriso carinhoso.
A batida na porta foi pesada. Lenta.
Soluço se levantou, limpando as mãos sujas de grafite na calça.
— Esqueceu as chaves de novo, Jack? Eu já disse que vou pendurar elas no seu pescoço...
Ao abrir a porta, o sorriso de Soluço desapareceu instantaneamente.
Seu pai estava parado ali. Stoico ainda usava a farda, que estava úmida e manchada de sal. Seu rosto estava vermelho do frio, mas seus olhos... Soluço nunca tinha visto seu pai com olhos tão quebrados.
— Pai? — Soluço deu um passo para trás, o coração começando a acelerar. — O que aconteceu? Houve algum problema na delegacia?
Stoico entrou sem dizer uma palavra, fechando a porta atrás de si. O silêncio que se seguiu foi a coisa mais aterrorizante que Soluço já sentira.
— Soluço... senta, por favor — disse Stoico, a voz saindo como um sussurro rouco.
— Não. Cadê o Jack? — Soluço olhou para o corredor, como se o namorado fosse aparecer a qualquer momento. — Pai, onde está o Jack?
Stoico deu um passo à frente e segurou os ombros do filho. Suas mãos grandes e calejadas estavam tremendo.
— Houve um acidente no Lago Raven, Soluço. O gelo... o gelo não aguentou.
O mundo de Soluço começou a girar. O ar parecia ter sido sugado do cômodo.
— Não. Não, ele é bom no gelo. Ele sabe onde pisar. Ele... ele deve estar no hospital, certo? Vamos lá agora! — Soluço tentou se soltar, a negação subindo por sua garganta como bile.
— Soluço, olhe para mim — Stoico pediu, as lágrimas finalmente caindo livremente por sua barba ruiva. — Eu o tirei de lá. Eu tentei de tudo. Eu juro por Deus que tentei de tudo... mas ele já tinha ido.
Soluço paralisou. Ele olhou para o pai, procurando por qualquer sinal de que aquilo fosse uma piada cruel, um erro, um pesadelo. Mas Stoico estava chorando. O grande Stoico, o Vasto, o homem que nunca se curvava, estava desabando diante dele.
— Não... — O grito de Soluço foi agudo e dilacerante. Ele caiu de joelhos no chão da cozinha. — Não, Jack! Não!
Stoico se ajoelhou com ele, envolvendo o filho em um abraço esmagador. Soluço agarrou a farda do pai, soluçando tão violentamente que mal conseguia respirar. Era um som de pura agonia, o som de um coração se partindo em mil pedaços que nunca poderiam ser colados novamente.
— Eu sinto muito, meu filho — Stoico murmurava, balançando o corpo de Soluço como fazia quando ele era pequeno. — Eu sinto tanto.
***
Os dias que se seguiram foram um borrão de cinza e dor. O velório de Jack Frost foi um dos eventos mais tristes que Berk já vira. O garoto que era pura luz tinha sido apagado de forma cruel e súbita.
Stoico permaneceu ao lado de Soluço o tempo todo. Ele não voltou para o trabalho. Ele não conseguia. Cada vez que fechava os olhos, ele sentia o corpo frio de Jack em seus braços, ouvia o silêncio do lago. Ele também estava de luto. Jack era o filho que a vida lhe deu de presente, o jovem que cuidava de Soluço com uma devoção que Stoico admirava profundamente. Eles compartilhavam piadas sobre a teimosia de Soluço, dividiam segredos sobre presentes de aniversário e planejavam o futuro.
Na noite após o enterro, Stoico encontrou Soluço sentado na varanda da casa da família, olhando para as estrelas. O jovem parecia uma sombra do que fora uma semana atrás.
Stoico sentou-se ao lado dele, o peso do banco de madeira rangendo sob seu corpo.
— Ele me disse, no mês passado — começou Stoico, a voz baixa —, que ia te pedir em casamento na primavera.
Soluço fechou os olhos, uma lágrima solitária descendo por seu rosto pálido.
— Ele me mostrou o anel — continuou Stoico. — Era simples, de prata, com uma pequena pedra azul que ele disse que lembrava a cor do céu no primeiro dia que vocês se conheceram. Ele estava tão nervoso, Soluço. O garoto que desafiava a gravidade estava com medo de você dizer não.
Soluço soltou um riso amargo e entrecortado.
— Eu nunca diria não para ele. Nunca.
— Eu sei — disse Stoico, colocando a mão sobre a de Soluço. — Jack era parte de nós. Ele não era apenas seu namorado, ele era minha família também. Eu sinto como se tivesse perdido um pedaço de mim naquele lago.
Soluço olhou para o pai, vendo pela primeira vez a profundidade da dor de Stoico. Ele percebeu que o pai não estava apenas sendo o "porto seguro" para ele; o pai estava sofrendo sua própria perda devastadora.
— Obrigado por ter tentado, pai — sussurrou Soluço, inclinando a cabeça no ombro largo de Stoico. — Obrigado por não deixá-lo sozinho naquela água.
Stoico apertou a mão do filho, sentindo o frio da noite, mas também o calor da conexão que eles ainda tinham.
— Nós vamos passar por isso, Soluço — disse Stoico com uma determinação que vinha do fundo de sua alma. — Vai demorar. Vai doer todos os dias. Mas eu não vou sair do seu lado. Nós vamos carregar a memória dele juntos.
O vento soprou, trazendo consigo um aroma de inverno e liberdade, algo que lembrava Jack. Soluço fechou os olhos e, pela primeira vez em dias, sentiu que podia respirar, mesmo que o ar estivesse gelado.
— Ele teria odiado ver a gente assim, tão tristes — disse Soluço, limpando o rosto.
— Ele teria feito alguma piada idiota e jogado uma bola de neve na minha cara — Stoico concordou, um pequeno e triste sorriso surgindo em seus lábios.
Eles ficaram ali, pai e filho, unidos pela tragédia e pelo amor, observando a neve cair sobre Berk, transformando o mundo em um lugar silencioso e branco, guardando para sempre a lembrança do garoto que amava o gelo, mas que tinha o coração mais quente que Stoico já conhecera.
