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Escritório
Fandom: OC
Created: 5/7/2026
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RomanceHistoricalDramaCharacter StudyJealousySlice of LifeFluff
Entre Luzes, Câmeras e um Pouco de Veneno
O estúdio da TV Continental estava impregnado com o cheiro de laquê, fumaça de cigarro e o calor sufocante dos refletores de mil watts. Era 1974, e o "Show da Tarde" estava prestes a entrar no ar. No centro do palco, Evangeline Kostova retocava o batom rosado enquanto conferia seu reflexo em um monitor desligado. O vestido de seda azul-turquesa abraçava suas curvas com a elegância de uma estrela de cinema, e sua franja lateral, impecavelmente modelada ao estilo anos 50, não tinha um fio fora do lugar.
Atrás das câmeras, Thomas Bennett ajustava os fones de ouvido com dedos nervosos. Ele era o novo diretor, um prodígio de olhos avelã que parecia ter saído de um romance de formação. Seus cabelos escuros estavam devidamente penteados, mas, como sempre, um cacho rebelde insistia em cair sobre sua testa, dando-lhe um ar de vulnerabilidade que Eva adorava explorar.
— Três minutos para o ar, pessoal! — gritou um assistente.
Eva se virou, seus olhos azuis-acinzentados fixando-se imediatamente na figura de Thomas na cabine de comando. Ela caminhou até a beira do palco, rebolando o suficiente para fazer os técnicos suspirarem.
— Thomas, querido... — chamou ela, a voz carregada de um sotaque russo sutil e aveludado. — Meu microfone está bem posicionado? Sinto que ele está... apertando um pouco aqui.
Ela deslizou a mão pelo colo, indicando o transmissor preso à cintura. Thomas olhou para baixo, o rosto instantaneamente atingindo um tom de escarlate que rivalizava com as luzes de emergência do estúdio. Ele ajeitou os óculos, que usava apenas para ler o roteiro, e gaguejou.
— E-está perfeito, Evangeline. Não vejo... quer dizer, não há nada de errado.
— Tem certeza? — Ela se inclinou para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, ficando perigosamente perto dele. — Você parece tão tenso. Se quiser, depois do programa, posso te ensinar alguns exercícios de respiração que meu irmão mais velho me ensinou. São ótimos para o relaxamento... muscular.
Thomas engoliu em seco, fazendo um biquinho involuntário enquanto tentava se concentrar no cronômetro.
— Dez segundos! — gritou ele, a voz saindo uma oitava mais aguda do que o normal. — Para suas posições!
Eva soltou uma risadinha deliciada e voltou para o centro do palco, onde Johnny, seu co-apresentador, já a esperava. Johnny era o oposto de Thomas: bronzeado, com a camisa aberta até o peito revelando correntes de ouro e um sorriso que exalava uma confiança quase agressiva.
— Pronta para brilhar, boneca? — Johnny perguntou, passando o braço pelos ombros de Eva.
— Sempre, Johnny. — Ela sorriu para a câmera, mas seus olhos brilharam quando notou Thomas, lá atrás, fechando os punhos sobre a mesa de corte.
As luzes vermelhas acenderam. O tema musical vibrante começou a tocar.
— Boa tarde, Brasil! — anunciou Johnny, projetando a voz para as massas. — Estamos começando mais um programa repleto de música, fofocas e, claro, a beleza estonteante da minha parceira, Evangeline.
Eva fez uma mesura graciosa, piscando para a câmera dois. Durante o primeiro bloco, a química entre os dois apresentadores era palpável. Johnny, aproveitando-se do roteiro mais solto, não perdia a oportunidade de tocar no braço de Eva ou de sussurrar algo em seu ouvido durante os clipes musicais, fazendo-a rir alto.
Na cabine, Thomas sentia o estômago revirar. Ele odiava o modo como Johnny agia como se fosse dono do palco — e de Eva. Cada vez que a mão de Johnny tocava a cintura de Evangeline para guiá-la até o sofá de entrevistas, Thomas apertava um botão no console com mais força do que o necessário.
— Corte para a câmera três! — ordenou Thomas, com a voz ríspida. — Agora!
— Mas diretor, a câmera dois está com um ângulo melhor da Evangeline — observou o operador.
— Eu disse a três! — Thomas fez um bico emburrado, cruzando os braços. — Não precisamos focar tanto no Johnny. Ele está... ofuscando o cenário.
O intervalo comercial finalmente chegou. Assim que a luz de "No Ar" apagou, Eva se desprendeu de Johnny e caminhou em direção a Thomas, que estava fingindo ler atentamente um relatório de audiência.
— Você foi muito autoritário hoje, Tomzinho — disse ela, debruçando-se sobre a mesa dele. O cheiro de seu perfume de baunilha e jasmim o envolveu. — Mudou os ângulos bem na hora que o Johnny ia me contar uma piada.
— Eu estava apenas seguindo a estética do programa — murmurou Thomas, sem olhar para ela. — E o Johnny fala demais. Ele deveria se concentrar mais nas notícias e menos em... você.
Eva arqueou uma sobrancelha perfeitamente desenhada. Um sorriso travesso brincou em seus lábios rosados.
— Ora, diretor... isso soa quase como se você estivesse com ciúmes.
Thomas levantou o olhar, os olhos avelã arregalados de choque.
— Ciúmes? Eu? Isso é ridículo. Eu sou um profissional, Evangeline. Sou o diretor.
— Um diretor que fica muito fofo quando está bravo — ela esticou o braço e, com a ponta do dedo, ajeitou o cacho teimoso na testa dele. — Seus olhos ficam mais escuros. Sabia?
Thomas sentiu o coração martelar contra as costelas. Ele queria dizer algo inteligente, algo que mostrasse que ele estava no controle, mas a proximidade dela o deixava bobo.
— Eu... eu só acho que ele é muito informal. — Thomas fez um bico novamente, desviando o olhar. — Ele não respeita o espaço pessoal.
— E você respeita, Thomas? — Ela baixou a voz, tornando-a um sussurro íntimo. — Porque eu não me importaria se você invadisse o meu.
Antes que ele pudesse responder, Johnny se aproximou, limpando o suor da testa com um lenço de seda.
— Ei, diretor! — exclamou o apresentador, interrompendo o momento. — O que acha de darmos mais destaque para a dança no próximo bloco? Eu e a Eva ensaiamos uns passos de discoteca que vão levar a audiência à loucura.
Thomas sentiu uma pontada de irritação pura. Ele olhou para Johnny e depois para Eva, que parecia estar se divertindo com a situação.
— Não — disse Thomas, com uma firmeza que surpreendeu até a si mesmo. — O programa está muito carregado. Vamos manter o foco na entrevista com o cantor convidado. Sem danças.
— Ah, qual é, Bennett? Não seja estraga-prazeres — insistiu Johnny, colocando a mão no ombro de Thomas de forma condescendente. — As pessoas querem ver a Eva se mexer. E eu sou o par perfeito para ela.
Thomas se levantou da cadeira, ficando quase da mesma altura que Johnny. Sua timidez costumava ser sua característica principal, mas o ciúme estava agindo como um combustível inesperado.
— Eu sou o diretor deste programa, Johnny. E eu decido o que as pessoas querem ver. E agora, se me dão licença, preciso checar a iluminação.
Ele saiu em passos rápidos, as orelhas queimando de vermelho. Eva observou-o ir, um brilho de satisfação nos olhos. Ela adorava ver o Thomas "selvagem", por menor que fosse a demonstração.
— O que deu naquele nanico? — perguntou Johnny, confuso.
— Acho que ele só precisa de um pouco de atenção, Johnny — respondeu Eva, pegando seu espelhinho de mão. — Vá se preparar. Eu já volto.
Ela seguiu Thomas até os bastidores, onde as araras de roupas e os cenários desmontados criavam um labirinto de sombras. Ela o encontrou parado perto de um refletor desligado, chutando levemente o pé do tripé, parecendo uma criança que não ganhou o doce que queria.
— Thomas?
Ele se virou rapidamente, o rosto ainda marcado pela frustração.
— Evangeline, você não deveria estar aqui. O bloco começa em dois minutos.
— O bloco pode esperar — ela se aproximou lentamente, encurralando-o contra uma parede de compensado. — Você ficou bravo com o Johnny.
— Ele é um exibido — resmungou Thomas, fazendo bico. — E ele fica tocando em você como se... como se tivesse o direito.
— E quem tem esse direito, Tom? — Ela colocou as mãos nos ombros dele, sentindo o tecido do terno barato sob seus dedos. — Você gostaria de ter esse direito?
Thomas engoliu em seco. A inocência em seus olhos lutava contra um desejo crescente. Ele olhou para os lábios rosados de Eva e, por um momento, a timidez pareceu desaparecer.
— Talvez — sussurrou ele, a voz rouca. — Talvez eu não queira apenas dirigir você de longe.
Eva sorriu, uma expressão de puro triunfo. Ela se inclinou, seus lábios quase roçando os dele, sentindo a respiração curta de Thomas.
— Então prove, diretor. No próximo bloco, mostre para o Johnny — e para mim — quem é que realmente manda aqui.
Ela deu um beijo rápido e estalado na bochecha dele, deixando uma marca de batom perfeitamente definida, e saiu saltitando de volta para o palco.
Thomas ficou parado por alguns segundos, a mão tocando o local onde ela o beijara. O bico desapareceu, substituído por um sorriso pequeno e determinado. Ele tirou os óculos, guardou-os no bolso e caminhou de volta para a cabine com uma postura nova.
— Atenção, todos! — a voz de Thomas ecoou pelo sistema de som, firme e clara. — Mudança de planos. Johnny, você vai ficar no canto esquerdo para a introdução. Eva, você fica no centro. Câmera um focada apenas nela. E Johnny... mantenha as mãos nos bolsos. O foco hoje é a estrela do show.
Eva, no palco, piscou para a cabine de comando. Ela sabia que os próximos blocos seriam interessantes. Afinal, não havia nada mais charmoso do que um homem tímido descobrindo que, por trás das câmeras, ele era quem detinha todo o poder — especialmente o poder sobre o coração da estrela principal.
Enquanto a música recomeçava e as luzes se acendiam, Thomas Bennett, o diretor que costumava corar por qualquer coisa, mantinha o olhar fixo em Evangeline. Ele ainda era o mesmo rapaz carinhoso e um pouco bobo, mas agora, ele tinha um segredo: ele sabia que, sob as luzes de 1974, a única audiência que realmente importava para Eva era a dele. E ele não pretendia dividir o espetáculo com mais ninguém.
Atrás das câmeras, Thomas Bennett ajustava os fones de ouvido com dedos nervosos. Ele era o novo diretor, um prodígio de olhos avelã que parecia ter saído de um romance de formação. Seus cabelos escuros estavam devidamente penteados, mas, como sempre, um cacho rebelde insistia em cair sobre sua testa, dando-lhe um ar de vulnerabilidade que Eva adorava explorar.
— Três minutos para o ar, pessoal! — gritou um assistente.
Eva se virou, seus olhos azuis-acinzentados fixando-se imediatamente na figura de Thomas na cabine de comando. Ela caminhou até a beira do palco, rebolando o suficiente para fazer os técnicos suspirarem.
— Thomas, querido... — chamou ela, a voz carregada de um sotaque russo sutil e aveludado. — Meu microfone está bem posicionado? Sinto que ele está... apertando um pouco aqui.
Ela deslizou a mão pelo colo, indicando o transmissor preso à cintura. Thomas olhou para baixo, o rosto instantaneamente atingindo um tom de escarlate que rivalizava com as luzes de emergência do estúdio. Ele ajeitou os óculos, que usava apenas para ler o roteiro, e gaguejou.
— E-está perfeito, Evangeline. Não vejo... quer dizer, não há nada de errado.
— Tem certeza? — Ela se inclinou para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, ficando perigosamente perto dele. — Você parece tão tenso. Se quiser, depois do programa, posso te ensinar alguns exercícios de respiração que meu irmão mais velho me ensinou. São ótimos para o relaxamento... muscular.
Thomas engoliu em seco, fazendo um biquinho involuntário enquanto tentava se concentrar no cronômetro.
— Dez segundos! — gritou ele, a voz saindo uma oitava mais aguda do que o normal. — Para suas posições!
Eva soltou uma risadinha deliciada e voltou para o centro do palco, onde Johnny, seu co-apresentador, já a esperava. Johnny era o oposto de Thomas: bronzeado, com a camisa aberta até o peito revelando correntes de ouro e um sorriso que exalava uma confiança quase agressiva.
— Pronta para brilhar, boneca? — Johnny perguntou, passando o braço pelos ombros de Eva.
— Sempre, Johnny. — Ela sorriu para a câmera, mas seus olhos brilharam quando notou Thomas, lá atrás, fechando os punhos sobre a mesa de corte.
As luzes vermelhas acenderam. O tema musical vibrante começou a tocar.
— Boa tarde, Brasil! — anunciou Johnny, projetando a voz para as massas. — Estamos começando mais um programa repleto de música, fofocas e, claro, a beleza estonteante da minha parceira, Evangeline.
Eva fez uma mesura graciosa, piscando para a câmera dois. Durante o primeiro bloco, a química entre os dois apresentadores era palpável. Johnny, aproveitando-se do roteiro mais solto, não perdia a oportunidade de tocar no braço de Eva ou de sussurrar algo em seu ouvido durante os clipes musicais, fazendo-a rir alto.
Na cabine, Thomas sentia o estômago revirar. Ele odiava o modo como Johnny agia como se fosse dono do palco — e de Eva. Cada vez que a mão de Johnny tocava a cintura de Evangeline para guiá-la até o sofá de entrevistas, Thomas apertava um botão no console com mais força do que o necessário.
— Corte para a câmera três! — ordenou Thomas, com a voz ríspida. — Agora!
— Mas diretor, a câmera dois está com um ângulo melhor da Evangeline — observou o operador.
— Eu disse a três! — Thomas fez um bico emburrado, cruzando os braços. — Não precisamos focar tanto no Johnny. Ele está... ofuscando o cenário.
O intervalo comercial finalmente chegou. Assim que a luz de "No Ar" apagou, Eva se desprendeu de Johnny e caminhou em direção a Thomas, que estava fingindo ler atentamente um relatório de audiência.
— Você foi muito autoritário hoje, Tomzinho — disse ela, debruçando-se sobre a mesa dele. O cheiro de seu perfume de baunilha e jasmim o envolveu. — Mudou os ângulos bem na hora que o Johnny ia me contar uma piada.
— Eu estava apenas seguindo a estética do programa — murmurou Thomas, sem olhar para ela. — E o Johnny fala demais. Ele deveria se concentrar mais nas notícias e menos em... você.
Eva arqueou uma sobrancelha perfeitamente desenhada. Um sorriso travesso brincou em seus lábios rosados.
— Ora, diretor... isso soa quase como se você estivesse com ciúmes.
Thomas levantou o olhar, os olhos avelã arregalados de choque.
— Ciúmes? Eu? Isso é ridículo. Eu sou um profissional, Evangeline. Sou o diretor.
— Um diretor que fica muito fofo quando está bravo — ela esticou o braço e, com a ponta do dedo, ajeitou o cacho teimoso na testa dele. — Seus olhos ficam mais escuros. Sabia?
Thomas sentiu o coração martelar contra as costelas. Ele queria dizer algo inteligente, algo que mostrasse que ele estava no controle, mas a proximidade dela o deixava bobo.
— Eu... eu só acho que ele é muito informal. — Thomas fez um bico novamente, desviando o olhar. — Ele não respeita o espaço pessoal.
— E você respeita, Thomas? — Ela baixou a voz, tornando-a um sussurro íntimo. — Porque eu não me importaria se você invadisse o meu.
Antes que ele pudesse responder, Johnny se aproximou, limpando o suor da testa com um lenço de seda.
— Ei, diretor! — exclamou o apresentador, interrompendo o momento. — O que acha de darmos mais destaque para a dança no próximo bloco? Eu e a Eva ensaiamos uns passos de discoteca que vão levar a audiência à loucura.
Thomas sentiu uma pontada de irritação pura. Ele olhou para Johnny e depois para Eva, que parecia estar se divertindo com a situação.
— Não — disse Thomas, com uma firmeza que surpreendeu até a si mesmo. — O programa está muito carregado. Vamos manter o foco na entrevista com o cantor convidado. Sem danças.
— Ah, qual é, Bennett? Não seja estraga-prazeres — insistiu Johnny, colocando a mão no ombro de Thomas de forma condescendente. — As pessoas querem ver a Eva se mexer. E eu sou o par perfeito para ela.
Thomas se levantou da cadeira, ficando quase da mesma altura que Johnny. Sua timidez costumava ser sua característica principal, mas o ciúme estava agindo como um combustível inesperado.
— Eu sou o diretor deste programa, Johnny. E eu decido o que as pessoas querem ver. E agora, se me dão licença, preciso checar a iluminação.
Ele saiu em passos rápidos, as orelhas queimando de vermelho. Eva observou-o ir, um brilho de satisfação nos olhos. Ela adorava ver o Thomas "selvagem", por menor que fosse a demonstração.
— O que deu naquele nanico? — perguntou Johnny, confuso.
— Acho que ele só precisa de um pouco de atenção, Johnny — respondeu Eva, pegando seu espelhinho de mão. — Vá se preparar. Eu já volto.
Ela seguiu Thomas até os bastidores, onde as araras de roupas e os cenários desmontados criavam um labirinto de sombras. Ela o encontrou parado perto de um refletor desligado, chutando levemente o pé do tripé, parecendo uma criança que não ganhou o doce que queria.
— Thomas?
Ele se virou rapidamente, o rosto ainda marcado pela frustração.
— Evangeline, você não deveria estar aqui. O bloco começa em dois minutos.
— O bloco pode esperar — ela se aproximou lentamente, encurralando-o contra uma parede de compensado. — Você ficou bravo com o Johnny.
— Ele é um exibido — resmungou Thomas, fazendo bico. — E ele fica tocando em você como se... como se tivesse o direito.
— E quem tem esse direito, Tom? — Ela colocou as mãos nos ombros dele, sentindo o tecido do terno barato sob seus dedos. — Você gostaria de ter esse direito?
Thomas engoliu em seco. A inocência em seus olhos lutava contra um desejo crescente. Ele olhou para os lábios rosados de Eva e, por um momento, a timidez pareceu desaparecer.
— Talvez — sussurrou ele, a voz rouca. — Talvez eu não queira apenas dirigir você de longe.
Eva sorriu, uma expressão de puro triunfo. Ela se inclinou, seus lábios quase roçando os dele, sentindo a respiração curta de Thomas.
— Então prove, diretor. No próximo bloco, mostre para o Johnny — e para mim — quem é que realmente manda aqui.
Ela deu um beijo rápido e estalado na bochecha dele, deixando uma marca de batom perfeitamente definida, e saiu saltitando de volta para o palco.
Thomas ficou parado por alguns segundos, a mão tocando o local onde ela o beijara. O bico desapareceu, substituído por um sorriso pequeno e determinado. Ele tirou os óculos, guardou-os no bolso e caminhou de volta para a cabine com uma postura nova.
— Atenção, todos! — a voz de Thomas ecoou pelo sistema de som, firme e clara. — Mudança de planos. Johnny, você vai ficar no canto esquerdo para a introdução. Eva, você fica no centro. Câmera um focada apenas nela. E Johnny... mantenha as mãos nos bolsos. O foco hoje é a estrela do show.
Eva, no palco, piscou para a cabine de comando. Ela sabia que os próximos blocos seriam interessantes. Afinal, não havia nada mais charmoso do que um homem tímido descobrindo que, por trás das câmeras, ele era quem detinha todo o poder — especialmente o poder sobre o coração da estrela principal.
Enquanto a música recomeçava e as luzes se acendiam, Thomas Bennett, o diretor que costumava corar por qualquer coisa, mantinha o olhar fixo em Evangeline. Ele ainda era o mesmo rapaz carinhoso e um pouco bobo, mas agora, ele tinha um segredo: ele sabia que, sob as luzes de 1974, a única audiência que realmente importava para Eva era a dele. E ele não pretendia dividir o espetáculo com mais ninguém.
