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Eu (Não) Te Odeio
Fandom: Nao tem
Created: 5/8/2026
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RomanceDramaAngstMysteryThrillerJealousyCrimeCharacter StudyPsychologicalRetelling
Máscaras, Suor e Segundas Intenções
O auditório principal da universidade estava mergulhado em uma penumbra mística, interrompida apenas pelos feixes de luz âmbar que focavam o centro do palco. Beatriz respirou fundo, sentindo o cheiro familiar de pó de arroz e madeira antiga. Ela ajustou a postura, cada músculo do seu corpo respondendo à disciplina que anos de teatro lhe impuseram. Para Bea, a perfeição não era um objetivo; era o ponto de partida.
— De novo, Beatriz — a voz do diretor ecoou do fundo da plateia. — Mais entrega. Você está interpretando uma mulher traída, não uma estátua de porcelana.
— Eu sei, diretor — respondeu ela, a voz firme apesar da exaustão. — Só preciso que o som não falhe no clímax desta vez.
Ela limpou uma mecha de cabelo castanho que teimava em cair sobre seus olhos expressivos. Bea era, sem dúvida, a estrela do curso. Mas sua paz durou exatamente três segundos, até que o estrondo das portas duplas do fundo do auditório sendo abertas com violência quebrou o silêncio sagrado do ensaio.
O som de risadas altas e o quicar rítmico de uma bola de basquete invadiram o recinto. Alexandre entrou como se fosse o dono do mundo, ladeado pelo seu séquito inseparável. Ele usava a jaqueta do time, os ombros largos destacados pelo corte atlético, e aquele sorriso de lado que parecia projetado para irritar Beatriz e derreter qualquer outra pessoa num raio de cinco quilômetros.
— Olha só, galera — exclamou Alexandre, a voz ecoando pelas galerias —, o drama já começou e a gente nem perdeu o treino.
Ao lado dele, Synna — com suas unhas impecáveis e um olhar que destilava veneno — riu, encostando a cabeça no ombro de Alexandre. Ela era a "ficante oficial" da temporada, uma posição que ostentava como uma medalha de guerra, especialmente porque sabia o quanto Beatriz detestava a superficialidade de ambos.
— Alê, vamos embora — disse Synna, lançando um olhar de desdém para o palco. — O cheiro de mofo desse lugar está acabando com o meu perfume. E a atuação da "perfeitinha" ali está me dando sono.
— Calma, Synna — disse Gustavo, um dos cinco amigos de Alexandre, girando a bola de basquete no dedo. — Deixa o capitão se divertir um pouco.
Beatriz desceu os degraus do palco com uma elegância gélida. Suas amigas — Clara, Mariana e Alice — levantaram-se das primeiras fileiras, prontas para o contra-ataque.
— O auditório está reservado para o grupo de teatro, Alexandre — disse Beatriz, parando a poucos metros dele. — O ginásio fica do outro lado do campus. Ou será que o excesso de vaidade afetou seu senso de direção?
Alexandre deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. Ele era muito mais alto, forçando-a a olhar para cima, mas Bea não recuou um milímetro.
— Engraçado você falar de vaidade, Beatriz — retrucou ele, a voz baixando para um tom perigosamente suave. — Logo você, que passa três horas na frente do espelho pra fingir que é outra pessoa. Eu sou real. O que você vê é o que você tem.
— O que eu vejo é um garoto mimado que acha que o mundo é uma quadra de basquete — rebateu ela, os olhos faiscando.
— E o que eu vejo — Alexandre se inclinou, o hálito de menta chegando ao rosto dela — é uma garota que tem tanto medo de errar que esqueceu como se vive de verdade.
— Já chega! — Synna interrompeu, metendo-se entre os dois e empurrando levemente o ombro de Beatriz. — Alê, temos festa no banguê do time. Não perca seu tempo com essa... atriz de quinta.
— Cuidado onde toca, Synna — avisou Clara, a amiga mais impulsiva de Bea, aproximando-se com os braços cruzados. — Ou o próximo drama que você vai ver vai ser a reconstrução do seu nariz.
O clima pesou instantaneamente. Os amigos de Alexandre — Gustavo, Lucas, Tiago, Rodrigo e Felipe — deram um passo à frente, enquanto as três amigas de Bea se mantiveram firmes. O suspense no ar era quase palpável, uma corda esticada prestes a arrebentar.
— Vamos, pessoal — disse Alexandre, por fim, mantendo o olhar fixo em Beatriz. — O show já perdeu a graça. A gente se vê por aí, Perfeitinha. Não esquece de tirar a máscara antes de dormir.
Eles saíram tão ruidosamente quanto entraram, deixando para trás um rastro de irritação e um silêncio desconfortável.
— Ele é um idiota — murmurou Mariana, colocando a mão no ombro de Bea. — Por que ele insiste em te provocar toda vez?
— Porque ele não suporta que alguém não caia no feitiço dele — respondeu Beatriz, embora seu coração estivesse batendo mais rápido do que ela gostaria de admitir. — Ele é vazio, pretensioso e... irritante.
— E bonito — completou Alice, recebendo olhares feios das outras três. — O quê? É verdade! Um vilão, mas um vilão bem moldado.
Beatriz ignorou o comentário e voltou para o palco, mas a concentração havia se esvaído. Havia algo no olhar de Alexandre, um desafio que ia além da simples implicância de corredor.
Mais tarde naquela noite, a chuva começou a cair torrencialmente sobre o campus. Bea estava na biblioteca, revisando o roteiro pela décima vez, quando as luzes piscaram e se apagaram completamente. Um trovão estrondou, fazendo as janelas vibrarem.
— Ótimo — resmungou ela, tateando a mochila em busca do celular.
Ao ligar a lanterna, ela se deparou com uma silhueta alta encostada na estante de livros de artes. O susto a fez soltar o aparelho, que caiu no tapete, iluminando o teto.
— Sabia que encontraria você aqui — disse a voz inconfundível de Alexandre.
— Você está me perseguindo agora? — Ela se abaixou para pegar o celular, o coração acelerado. — Onde estão seus súditos? Onde está a Synna?
— Synna está onde as pessoas como ela ficam: em qualquer lugar que tenha bebida e música alta — ele respondeu, saindo da sombra. Ele estava molhado da chuva, a camiseta branca colada ao corpo, revelando a musculatura tensa. — E eu não estou te perseguindo. Eu venho aqui para pensar. É o único lugar onde ninguém me pede um autógrafo ou espera que eu marque trinta pontos.
Beatriz franziu o cenho, surpresa com a confissão.
— O grande Alexandre busca silêncio? Achei que você se alimentasse de aplausos.
— E você? — Ele deu um passo em direção a ela, a luz da lanterna criando sombras dramáticas em seu rosto. — Busca a perfeição porque ama a arte ou porque tem pavor de que alguém veja quem você é de verdade quando as cortinas fecham?
— Você não sabe nada sobre mim — disse ela, a voz tremendo levemente.
— Eu sei que você treina até os dedos sangrarem — disse ele, agora tão perto que Bea podia sentir o calor que emanava dele apesar da chuva. — Eu sei que você não aceita nada menos que o primeiro lugar. E sei que você me odeia porque eu te lembro que a vida não segue um roteiro.
— Eu te odeio porque você é arrogante — corrigiu ela, embora o ódio estivesse começando a se misturar com algo muito mais perigoso.
— Tem certeza? — Alexandre estendeu a mão e, num gesto inesperadamente delicado, tocou o rosto de Beatriz, afastando uma mecha úmida de cabelo. — Ou você me odeia porque eu sou o único que consegue te desestabilizar?
Beatriz sentiu o ar faltar. O suspense entre eles não era mais sobre a briga no auditório, mas sobre o que aconteceria se aquela tensão finalmente quebrasse. Ela deveria se afastar, deveria dizer algo cortante, mas seus pés pareciam colados ao chão.
— Você é um problema, Alexandre — sussurrou ela.
— E você é o papel mais difícil que eu já tentei ler — ele retrucou, o rosto a centímetros do dela.
Lá fora, um raio iluminou o céu, revelando por um breve segundo a intensidade nos olhos de ambos. Antes que qualquer um pudesse recuar, o som de passos apressados e vozes ecoou no corredor da biblioteca.
— Alê? Você está aí dentro? — Era a voz de Synna, estridente e carregada de ciúmes. — O segurança disse que viu alguém entrar!
Alexandre se afastou bruscamente, a máscara de indiferença voltando ao rosto instantaneamente.
— É melhor você ir, Perfeitinha — disse ele, o tom voltando a ser sarcástico, embora seus olhos ainda guardassem o brilho do momento anterior. — Não queremos que a "Rainha" tenha um ataque de pelanca no meio dos livros.
Beatriz apenas assentiu, as mãos trêmulas escondidas nos bolsos do casaco. Ela observou Alexandre caminhar em direção à porta e sair para o corredor, onde foi recebido pelos gritos de Synna e as risadas de seus amigos.
Ela ficou sozinha na escuridão da biblioteca, o som da chuva abafando seus pensamentos. O jogo tinha mudado. O que antes era apenas uma rivalidade escolar havia se transformado em algo muito mais complexo e sombrio. E Beatriz sabia que, no teatro da vida real, o drama estava apenas começando.
No dia seguinte, o campus acordou com um boato que se espalhou como fogo: o troféu de campeonato do time de basquete, a joia da coroa de Alexandre, havia sumido da vitrine principal. E, no lugar dele, alguém havia deixado uma única máscara de teatro, sorrindo ironicamente para quem passasse.
Beatriz, ao passar pelo corredor e ver a confusão, sentiu um frio na espinha. Ela olhou para o lado e encontrou Alexandre no meio da multidão. Ele não estava gritando ou acusando ninguém. Ele apenas olhava para a máscara e, depois, fixou o olhar nela.
Ele não parecia zangado. Ele parecia... interessado.
— Isso foi obra sua? — Clara sussurrou ao lado de Bea, chocada.
— Não — respondeu Beatriz, a voz baixa. — Mas quem quer que tenha feito isso, acabou de começar uma guerra.
E, pela primeira vez, Beatriz não tinha certeza se queria ser a heroína ou a vilã daquela história. O que ela sabia era que Alexandre não deixaria aquilo passar barato, e que Synna faria de tudo para destruir quem quer que estivesse no caminho do seu "prêmio". O palco estava montado, os personagens estavam em posição, e o suspense agora era o protagonista.
— De novo, Beatriz — a voz do diretor ecoou do fundo da plateia. — Mais entrega. Você está interpretando uma mulher traída, não uma estátua de porcelana.
— Eu sei, diretor — respondeu ela, a voz firme apesar da exaustão. — Só preciso que o som não falhe no clímax desta vez.
Ela limpou uma mecha de cabelo castanho que teimava em cair sobre seus olhos expressivos. Bea era, sem dúvida, a estrela do curso. Mas sua paz durou exatamente três segundos, até que o estrondo das portas duplas do fundo do auditório sendo abertas com violência quebrou o silêncio sagrado do ensaio.
O som de risadas altas e o quicar rítmico de uma bola de basquete invadiram o recinto. Alexandre entrou como se fosse o dono do mundo, ladeado pelo seu séquito inseparável. Ele usava a jaqueta do time, os ombros largos destacados pelo corte atlético, e aquele sorriso de lado que parecia projetado para irritar Beatriz e derreter qualquer outra pessoa num raio de cinco quilômetros.
— Olha só, galera — exclamou Alexandre, a voz ecoando pelas galerias —, o drama já começou e a gente nem perdeu o treino.
Ao lado dele, Synna — com suas unhas impecáveis e um olhar que destilava veneno — riu, encostando a cabeça no ombro de Alexandre. Ela era a "ficante oficial" da temporada, uma posição que ostentava como uma medalha de guerra, especialmente porque sabia o quanto Beatriz detestava a superficialidade de ambos.
— Alê, vamos embora — disse Synna, lançando um olhar de desdém para o palco. — O cheiro de mofo desse lugar está acabando com o meu perfume. E a atuação da "perfeitinha" ali está me dando sono.
— Calma, Synna — disse Gustavo, um dos cinco amigos de Alexandre, girando a bola de basquete no dedo. — Deixa o capitão se divertir um pouco.
Beatriz desceu os degraus do palco com uma elegância gélida. Suas amigas — Clara, Mariana e Alice — levantaram-se das primeiras fileiras, prontas para o contra-ataque.
— O auditório está reservado para o grupo de teatro, Alexandre — disse Beatriz, parando a poucos metros dele. — O ginásio fica do outro lado do campus. Ou será que o excesso de vaidade afetou seu senso de direção?
Alexandre deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. Ele era muito mais alto, forçando-a a olhar para cima, mas Bea não recuou um milímetro.
— Engraçado você falar de vaidade, Beatriz — retrucou ele, a voz baixando para um tom perigosamente suave. — Logo você, que passa três horas na frente do espelho pra fingir que é outra pessoa. Eu sou real. O que você vê é o que você tem.
— O que eu vejo é um garoto mimado que acha que o mundo é uma quadra de basquete — rebateu ela, os olhos faiscando.
— E o que eu vejo — Alexandre se inclinou, o hálito de menta chegando ao rosto dela — é uma garota que tem tanto medo de errar que esqueceu como se vive de verdade.
— Já chega! — Synna interrompeu, metendo-se entre os dois e empurrando levemente o ombro de Beatriz. — Alê, temos festa no banguê do time. Não perca seu tempo com essa... atriz de quinta.
— Cuidado onde toca, Synna — avisou Clara, a amiga mais impulsiva de Bea, aproximando-se com os braços cruzados. — Ou o próximo drama que você vai ver vai ser a reconstrução do seu nariz.
O clima pesou instantaneamente. Os amigos de Alexandre — Gustavo, Lucas, Tiago, Rodrigo e Felipe — deram um passo à frente, enquanto as três amigas de Bea se mantiveram firmes. O suspense no ar era quase palpável, uma corda esticada prestes a arrebentar.
— Vamos, pessoal — disse Alexandre, por fim, mantendo o olhar fixo em Beatriz. — O show já perdeu a graça. A gente se vê por aí, Perfeitinha. Não esquece de tirar a máscara antes de dormir.
Eles saíram tão ruidosamente quanto entraram, deixando para trás um rastro de irritação e um silêncio desconfortável.
— Ele é um idiota — murmurou Mariana, colocando a mão no ombro de Bea. — Por que ele insiste em te provocar toda vez?
— Porque ele não suporta que alguém não caia no feitiço dele — respondeu Beatriz, embora seu coração estivesse batendo mais rápido do que ela gostaria de admitir. — Ele é vazio, pretensioso e... irritante.
— E bonito — completou Alice, recebendo olhares feios das outras três. — O quê? É verdade! Um vilão, mas um vilão bem moldado.
Beatriz ignorou o comentário e voltou para o palco, mas a concentração havia se esvaído. Havia algo no olhar de Alexandre, um desafio que ia além da simples implicância de corredor.
Mais tarde naquela noite, a chuva começou a cair torrencialmente sobre o campus. Bea estava na biblioteca, revisando o roteiro pela décima vez, quando as luzes piscaram e se apagaram completamente. Um trovão estrondou, fazendo as janelas vibrarem.
— Ótimo — resmungou ela, tateando a mochila em busca do celular.
Ao ligar a lanterna, ela se deparou com uma silhueta alta encostada na estante de livros de artes. O susto a fez soltar o aparelho, que caiu no tapete, iluminando o teto.
— Sabia que encontraria você aqui — disse a voz inconfundível de Alexandre.
— Você está me perseguindo agora? — Ela se abaixou para pegar o celular, o coração acelerado. — Onde estão seus súditos? Onde está a Synna?
— Synna está onde as pessoas como ela ficam: em qualquer lugar que tenha bebida e música alta — ele respondeu, saindo da sombra. Ele estava molhado da chuva, a camiseta branca colada ao corpo, revelando a musculatura tensa. — E eu não estou te perseguindo. Eu venho aqui para pensar. É o único lugar onde ninguém me pede um autógrafo ou espera que eu marque trinta pontos.
Beatriz franziu o cenho, surpresa com a confissão.
— O grande Alexandre busca silêncio? Achei que você se alimentasse de aplausos.
— E você? — Ele deu um passo em direção a ela, a luz da lanterna criando sombras dramáticas em seu rosto. — Busca a perfeição porque ama a arte ou porque tem pavor de que alguém veja quem você é de verdade quando as cortinas fecham?
— Você não sabe nada sobre mim — disse ela, a voz tremendo levemente.
— Eu sei que você treina até os dedos sangrarem — disse ele, agora tão perto que Bea podia sentir o calor que emanava dele apesar da chuva. — Eu sei que você não aceita nada menos que o primeiro lugar. E sei que você me odeia porque eu te lembro que a vida não segue um roteiro.
— Eu te odeio porque você é arrogante — corrigiu ela, embora o ódio estivesse começando a se misturar com algo muito mais perigoso.
— Tem certeza? — Alexandre estendeu a mão e, num gesto inesperadamente delicado, tocou o rosto de Beatriz, afastando uma mecha úmida de cabelo. — Ou você me odeia porque eu sou o único que consegue te desestabilizar?
Beatriz sentiu o ar faltar. O suspense entre eles não era mais sobre a briga no auditório, mas sobre o que aconteceria se aquela tensão finalmente quebrasse. Ela deveria se afastar, deveria dizer algo cortante, mas seus pés pareciam colados ao chão.
— Você é um problema, Alexandre — sussurrou ela.
— E você é o papel mais difícil que eu já tentei ler — ele retrucou, o rosto a centímetros do dela.
Lá fora, um raio iluminou o céu, revelando por um breve segundo a intensidade nos olhos de ambos. Antes que qualquer um pudesse recuar, o som de passos apressados e vozes ecoou no corredor da biblioteca.
— Alê? Você está aí dentro? — Era a voz de Synna, estridente e carregada de ciúmes. — O segurança disse que viu alguém entrar!
Alexandre se afastou bruscamente, a máscara de indiferença voltando ao rosto instantaneamente.
— É melhor você ir, Perfeitinha — disse ele, o tom voltando a ser sarcástico, embora seus olhos ainda guardassem o brilho do momento anterior. — Não queremos que a "Rainha" tenha um ataque de pelanca no meio dos livros.
Beatriz apenas assentiu, as mãos trêmulas escondidas nos bolsos do casaco. Ela observou Alexandre caminhar em direção à porta e sair para o corredor, onde foi recebido pelos gritos de Synna e as risadas de seus amigos.
Ela ficou sozinha na escuridão da biblioteca, o som da chuva abafando seus pensamentos. O jogo tinha mudado. O que antes era apenas uma rivalidade escolar havia se transformado em algo muito mais complexo e sombrio. E Beatriz sabia que, no teatro da vida real, o drama estava apenas começando.
No dia seguinte, o campus acordou com um boato que se espalhou como fogo: o troféu de campeonato do time de basquete, a joia da coroa de Alexandre, havia sumido da vitrine principal. E, no lugar dele, alguém havia deixado uma única máscara de teatro, sorrindo ironicamente para quem passasse.
Beatriz, ao passar pelo corredor e ver a confusão, sentiu um frio na espinha. Ela olhou para o lado e encontrou Alexandre no meio da multidão. Ele não estava gritando ou acusando ninguém. Ele apenas olhava para a máscara e, depois, fixou o olhar nela.
Ele não parecia zangado. Ele parecia... interessado.
— Isso foi obra sua? — Clara sussurrou ao lado de Bea, chocada.
— Não — respondeu Beatriz, a voz baixa. — Mas quem quer que tenha feito isso, acabou de começar uma guerra.
E, pela primeira vez, Beatriz não tinha certeza se queria ser a heroína ou a vilã daquela história. O que ela sabia era que Alexandre não deixaria aquilo passar barato, e que Synna faria de tudo para destruir quem quer que estivesse no caminho do seu "prêmio". O palco estava montado, os personagens estavam em posição, e o suspense agora era o protagonista.
