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E se fosse diferente?

Fandom: Soy Luna

Created: 5/9/2026

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RomanceDramaAngstHurt/ComfortCharacter StudyJealousyCanon SettingSlice of Life
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Onde o Som se Torna Silêncio

A luz do Jam & Roller estava começando a diminuir, as lâmpadas coloridas da pista refletindo no piso de madeira polida que Luna conhecia tão bem. No entanto, o brilho habitual nos olhos dela parecia ter se apagado junto com o fim do expediente. Ela estava sentada em um dos bancos laterais, com os patins ainda nos pés, mas as mãos caídas sobre os joelhos, sem força para desamarrar os cadarços.

Mais uma vez. Tinha acontecido mais uma vez. A discussão com Matteo ainda ecoava em sua mente como um disco riscado, repetindo as mesmas frases de ciúmes, as mesmas cobranças e aquele orgulho dele que sempre funcionava como uma muralha. Luna estava exausta. Não era uma exaustão física — embora o treino tivesse sido intenso —, era um cansaço da alma. Ela amava Matteo, ou pelo menos achava que a intensidade daquela montanha-russa emocional era o que o amor deveria ser. Mas, naquele momento, a queda livre estava durando tempo demais.

— Luna? Ainda por aqui?

A voz era calma, equilibrada, como uma nota de violoncelo no meio de uma orquestra barulhenta. Ela levantou o olhar e encontrou Gastón. Ele carregava um livro em uma das mãos e a mochila pendurada no ombro. Não havia a urgência dramática de Matteo em sua expressão, apenas uma preocupação genuína e suave.

— Ah, oi, Gastón — Luna forçou um sorriso, mas a tentativa falhou miseravelmente. — Só... perdia a noção do tempo. De novo.

Gastón aproximou-se e sentou-se no banco ao lado dela, mantendo uma distância respeitosa. Ele não tentou invadir o espaço dela, nem começou a falar sobre si mesmo. Apenas ficou ali, oferecendo sua presença.

— Às vezes o tempo corre mais devagar quando a cabeça está cheia — comentou ele, olhando para a pista vazia. — Quer ajuda com esses patins? Você parece que vai dormir sentada.

Luna soltou uma risada curta, a primeira faísca de leveza em horas.

— Acho que eu aceitaria, sim. Minhas mãos decidiram entrar em greve.

Gastón se abaixou e, com movimentos ágeis e cuidadosos, começou a desatar os nós apertados dos patins de Luna. Enquanto ele fazia isso, Luna o observava. Gastón sempre fora o "melhor amigo do Maçariquinho", o rapaz intelectual e tranquilo que namorava sua melhor amiga, Nina. Mas, nos últimos tempos, desde que ele e Nina haviam decidido seguir caminhos diferentes de forma amigável, e desde que Matteo e Luna entraram em um ciclo de términos e voltas, Gastón se tornara um porto seguro inesperado.

— Pronto — disse ele, guardando os patins na bolsa dela. — Agora, o que acha de um suco? O Nico já fechou o balcão, mas eu sei onde ele guarda as chaves da geladeira de bebidas prontas. Prometo que não conto para ninguém.

— Você? Quebrando as regras? — Luna arqueou as sobrancelhas, divertida. — O mundo está mesmo de cabeça para baixo.

— Por uma boa causa, eu sou capaz de grandes crimes — ele piscou, estendendo a mão para ajudá-la a levantar.

Eles caminharam até a lanchonete. O Roller, no escuro, tinha uma atmosfera mágica, despida da pressão das competições e dos olhares curiosos. Gastón pegou dois sucos e eles se sentaram em uma das mesas altas.

— Você não precisa falar se não quiser — começou Gastón, abrindo a garrafa para ela. — Mas saiba que, se precisar de alguém para ouvir sem julgar, eu estou aqui.

Luna suspirou, sentindo a empatia dele envolvê-la como um cobertor.

— É o Matteo, Gastón. De novo. Eu sinto que estou sempre tentando alcançar algo que foge de mim. Quando estamos bem, é maravilhoso, é como voar. Mas quando estamos mal... eu sinto que estou me afogando. Eu não sei quem eu sou quando estou com ele, porque gasto toda a minha energia tentando fazer o relacionamento funcionar.

Gastón ouviu com atenção, sem interromper. Ele processava cada palavra de Luna, percebendo a dor por trás daquela energia solar que ela costumava emanar.

— O amor não deveria ser uma batalha constante, Luna — disse ele, com voz baixa. — Às vezes, a gente se acostuma com o drama porque acha que a intensidade é prova de paixão. Mas a paz também é uma forma de amor. Talvez a mais profunda.

Luna olhou para ele, surpresa. Ninguém nunca tinha dito algo assim para ela. Com Matteo, tudo era urgência, era fogo, era o "Rei da Pista" exigindo atenção. Com Gastón, o silêncio não era desconfortável. Era acolhedor.

Nas semanas seguintes, essa dinâmica se intensificou. Eles se tornaram uma dupla constante no Roller. Gastón ajudava Luna a estudar para as provas de literatura, lendo poesias que faziam os olhos dela brilharem de uma forma nova. Em troca, Luna o levava para a pista e o desafiava a tentar passos de dança que o faziam rir de sua própria falta de jeito.

Eram risadas leves. Eram conversas sobre o futuro, sobre quem eles queriam ser além dos patins e da escola. Luna percebeu que, perto de Gastón, ela não precisava "performar". Ela podia ser a Luna que se sentia perdida, a Luna que tinha dúvidas sobre seu passado em Cancún, e ele simplesmente a aceitava.

Matteo, porém, não era cego.

De um canto da pista, ele observava Luna rir de algo que Gastón sussurrara em seu ouvido enquanto olhavam algumas fotos na câmera dele. O peito de Matteo apertou. Ele conhecia aquele brilho nos olhos de Luna; era o brilho que costumava ser dele. Mas agora, havia uma serenidade ali que ele nunca soube proporcionar.

— Eles parecem bem, não é? — A voz de Nina surgiu ao lado dele, fazendo-o saltar levemente.

Nina ajustou os óculos, observando o ex-namorado e a melhor amiga com uma expressão melancólica, mas compreensiva.

— O Gastón está apaixonado — afirmou Nina, com a clareza analítica que lhe era peculiar. — E o mais assustador, Matteo, é que ele ainda não percebeu. Mas a Luna... a Luna está encontrando nele o que ela sempre buscou em todo lugar: um lugar para descansar.

— Eu posso dar isso a ela — rosnou Matteo, embora sua voz soasse mais insegura do que ele gostaria.

— Você dá a ela o céu e o inferno, Matteo — disse Nina, olhando-o nos olhos. — O Gastón dá a ela o chão. E, às vezes, é disso que uma estrela precisa para não se apagar.

Matteo não respondeu. Ele viu Gastón colocar a mão suavemente no ombro de Luna, e viu como ela não recuou. Pelo contrário, ela se inclinou levemente para o toque.

A tensão explodiu em uma noite de Open Music. Luna havia se apresentado com uma música autoral, uma melodia mais lenta e introspectiva do que suas canções habituais. Ao descer do palco, ela estava trêmula, emocionada. A letra falava sobre encontrar a própria voz no meio do ruído.

Matteo tentou se aproximar primeiro, com um buquê de flores e um discurso pronto sobre como ela era a estrela mais brilhante da noite. Mas Luna, quase por instinto, desviou o caminho e foi direto para onde Gastón a esperava, perto da saída de emergência, longe do barulho dos aplausos.

— Eu me senti... vulnerável lá em cima — confessou ela, a respiração ainda ofegante. — Eu não sei se as pessoas entenderam. Eu não sei se eu entendo o que estou sentindo.

Gastón não entregou flores, nem fez um discurso. Ele apenas deu um passo à frente e segurou as mãos dela.

— Elas não precisam entender, Luna. Você entendeu. Você falou a sua verdade. Isso é o que importa.

— Eu sinto que tudo está mudando, Gastón — disse ela, os olhos lacrimejando. — Minha família, o passado da Mansão, e agora... isso. Eu me sinto perdida de novo. Quem é a Luna Valente sem o drama? Sem a competição?

Gastón sorriu, aquele sorriso calmo que sempre desarmava as defesas dela.

— A Luna Valente é a pessoa que tem coragem de sentir tudo isso e ainda assim sorrir para o mundo. Você não precisa de um roteiro, Luna. Você só precisa de alguém que segure a sua mão enquanto você descobre o caminho.

Luna olhou para as mãos deles unidas. O calor que emanava de Gastón não era o fogo abrasador de Matteo, que às vezes a queimava. Era um calor constante, como o sol de outono.

— E você? — perguntou ela em um sussurro. — Você estaria disposto a segurar a minha mão, mesmo que eu não saiba para onde estou indo?

Gastón hesitou por um segundo. Ele pensou em Matteo, seu melhor amigo. Pensou na lealdade que os unia. Mas então olhou para Luna — para a Luna real, que estava ali, despida de pretensões — e percebeu que não podia mais mentir para si mesmo.

— Eu já estou segurando, Luna — respondeu ele. — E não pretendo soltar.

O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pela música abafada que vinha do palco principal. Luna se aproximou, sentindo o perfume amadeirado dele. Ela se sentia segura. Pela primeira vez em muito tempo, a ansiedade que sempre morava em seu peito havia desaparecido.

Ela se inclinou, e Gastón inclinou-se também. O beijo foi lento, uma descoberta suave de lábios que se tocavam com reverência. Não houve fogos de artifício barulhentos, mas sim uma sensação de "chegada". Era como se todas as peças do quebra-cabeça de Luna finalmente tivessem encontrado uma base sólida.

Ao longe, Matteo observava a cena pela fresta da porta. Ele sentiu a raiva subir, o desejo de entrar lá e reivindicar o que achava que era seu. Mas ele parou. Ele viu a expressão de Luna ao se afastar do beijo: ela estava em paz. Ela não parecia agitada ou em conflito. Ela parecia... inteira.

Com um suspiro pesado, Matteo abaixou as flores e as deixou sobre uma mesa vazia. Ele percebeu, com uma maturidade que lhe custou muito a alcançar, que amava Luna o suficiente para entender que ele não era o que ela precisava agora. Ele era a tempestade; Gastón era o porto.

Dias depois, o Roller parecia o mesmo para todos, mas para Luna e Gastón, tudo havia mudado. Eles caminhavam pelo parque, patinando lado a lado em um ritmo calmo.

— Sabe o que é engraçado? — comentou Luna, entrelaçando seus dedos aos dele.

— O quê? — perguntou Gastón, olhando para ela com aquela adoração discreta que agora era sua marca registrada.

— Todo mundo sempre diz que eu sou "solar". Que eu ilumino tudo. Mas com você, Gastón... eu sinto que posso ser a lua também. Posso ter minhas fases, posso ficar no escuro às vezes, e você continua me olhando do mesmo jeito.

Gastón parou de patinar e a puxou para um abraço, no meio do caminho arborizado.

— O sol e a lua fazem parte do mesmo céu, Luna. E eu pretendo estar em todas as suas fases.

Luna sorriu, encostando a cabeça no peito dele. Ela ainda tinha muito o que descobrir sobre si mesma, sobre sua identidade e sobre o futuro. Mas, pela primeira vez, ela não tinha pressa. O amor não era mais uma corrida de obstáculos; era uma caminhada tranquila ao entardecer, e ela finalmente tinha encontrado alguém que gostava do ritmo dos seus passos.
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