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O destino do amor
Fandom: Para todos os garotos que já amei
Created: 5/9/2026
Tags
RomanceSlice of LifeFluffHumorCanon SettingBuddy MovieCharacter StudyRealism
Notas de Rodapé e Joelhos Ralados
A biblioteca da escola estava estranhamente silenciosa para uma tarde de terça-feira, o que era um milagre, considerando que Mateus parecia incapaz de ficar quieto por mais de cinco minutos. Alice ajustou os óculos no topo do nariz, os cachos caindo sobre o rosto enquanto ela revisava, pela décima vez, as referências bibliográficas do trabalho de história sobre a Revolução Industrial.
Ao seu lado, Mateus girava uma caneta entre os dedos com uma habilidade irritante. Ele parecia perfeitamente relaxado, com as pernas longas esticadas por baixo da mesa, invadindo o espaço de Alice.
— Você vai acabar furando o papel de tanto apertar essa caneta, baixinha — comentou Mateus, com aquele sorriso de canto que Alice ainda não sabia se a irritava ou a encantava.
— E você vai acabar levando um chute se não tirar o seu pé de cima do meu tênis — retrucou ela, embora não houvesse hostilidade real em sua voz. — Precisamos garantir que a conclusão esteja perfeita. O professor Miller não aceita nada menos que o impecável.
Mateus soltou uma risadinha baixa, inclinando-se mais para perto. O cheiro de sabonete e algo que lembrava grama recém-cortada — provavelmente do treino de futebol — invadiu o espaço pessoal de Alice.
— Relaxa. Nós fizemos um trabalho incrível. Suas notas sobre o impacto social e os meus gráficos... bom, os meus gráficos são obras de arte.
— Seus gráficos têm desenhos de engrenagens com rostos tristes, Mateus — Alice disse, tentando esconder o sorriso.
— É uma metáfora visual para a opressão do proletariado, Alice. Arte pura — ele piscou, e por um segundo, os olhos verdes dele brilharam sob a luz fluorescente da biblioteca.
Alice sentiu as bochechas esquentarem, as sardas parecendo queimar. Ela voltou a atenção para o laptop, sentindo o braço de Mateus roçar no seu enquanto ele se aproximava para ler a tela. O contato era leve, mas parecia carregar uma voltagem inesperada. Nas últimas semanas, desde que foram obrigados a formar uma dupla, a dinâmica entre eles havia mudado. O que começou como uma obrigação escolar transformou-se em tardes de risadas, discussões sobre táticas de tênis — que Mateus fingia entender — e uma proximidade que Alice não sabia como rotular.
— Acho que terminamos — suspirou ela, fechando o arquivo. — Só falta imprimir e grampear.
— Deixa que eu faço isso. Sou o mestre da impressora — ele se levantou, a altura dele sempre a impressionando. Ele estendeu a mão para ela. — Vamos, o dever nos chama.
Alice aceitou a mão dele para se levantar, e por um momento, ele não a soltou. A mão de Mateus era grande e quente, contrastando com os dedos pequenos e frios de Alice.
— Você está nervosa? — perguntou ele, a voz subitamente mais suave.
— Um pouco. Eu gosto de tirar notas boas, você sabe.
— Você é a melhor da sala, Alice. Comigo como seu fiel escudeiro, não tem como dar errado.
— Você é mais como o bobo da corte do que o escudeiro — ela brincou, finalmente soltando a mão dele, embora uma parte dela sentisse falta do calor.
Na manhã seguinte, o corredor da escola parecia mais agitado que o normal. Alice segurava a pasta com o trabalho como se fosse um tesouro nacional. Mateus caminhava ao lado dela, cumprimentando metade da escola com acenos e piadinhas, mas sempre voltando sua atenção para ela.
— Hoje é o dia — disse ele, fazendo uma pose dramática na porta da sala de história. — O dia em que a dupla dinâmica conquista o mundo, ou pelo menos o Miller.
— Só entrega o trabalho, Mateus — pediu Alice, embora estivesse rindo.
Eles caminharam até a mesa do professor. O Sr. Miller era um homem de poucas palavras e óculos que pareciam aumentar seus olhos em três vezes. Ele recebeu a pasta, deu uma olhada rápida e fez um som gutural que poderia significar qualquer coisa entre "está horrível" e "estou impressionado".
— Podem se sentar — disse o professor, sem desviar os olhos das páginas.
A aula pareceu durar uma eternidade. Alice não conseguia se concentrar na explicação sobre a Unificação Italiana. Ela sentia o olhar de Mateus nela de vez em quando, e toda vez que ela retribuía, ele fazia uma careta engraçada ou sussurrava algo sem sentido.
— Ele está sorrindo — sussurrou Mateus, inclinando-se para o lado de Alice.
— Quem? O Miller? Ele não sorri desde 1994 — Alice respondeu em um sussurro ainda mais baixo.
— Juro por Deus. Ele acabou de olhar para a página do seu ensaio sobre as ferrovias e os lábios dele se mexeram para cima. É um sinal.
Alice revirou os olhos, mas sentiu um frio na barriga. Quando o sinal finalmente tocou, o Sr. Miller se levantou e pigarreou.
— Antes de saírem, gostaria de entregar as notas dos trabalhos de campo. No geral, estou satisfeito, mas uma dupla em particular se destacou pela profundidade da pesquisa e... — ele fez uma pausa, olhando para Mateus — pela criatividade visual inusitada.
A sala ficou em silêncio.
— Alice e Mateus, excelente trabalho. Nota A.
Alice sentiu como se um peso tivesse saído de seus ombros. Antes que pudesse processar, Mateus a envolveu em um abraço de urso, tirando-a do chão por um segundo.
— Eu não disse? Eu não disse? — ele comemorava, a risada vibrando contra o ombro dela.
— Mateus! Me coloca no chão! — Alice ria, o rosto enterrado no pescoço dele por um breve momento antes de ele a soltar.
— A gente precisa comemorar — disse ele, ainda com as mãos nos ombros dela, os olhos verdes brilhando de excitação. — Milkshake? Por minha conta.
— Você só quer uma desculpa para tomar aquele milkshake de chocolate gigante — provocou ela, ajeitando a mochila nas costas.
— Talvez. Mas eu quero comemorar com a minha parceira de crime. O que me diz?
Alice olhou para ele, vendo além do garoto "sonso" e engraçado que todos conheciam. Havia algo genuíno ali, algo que a fazia se sentir vista de uma forma que ninguém mais conseguia.
— Tudo bem, Mateus. Mas eu escolho a música no carro.
— Justo. Mas nada de trilhas sonoras de musicais o tempo todo, combinado?
— Não prometo nada.
Eles saíram da sala de aula lado a lado. O contato entre eles agora parecia mais natural, menos carregado de hesitação. Enquanto caminhavam pelo estacionamento, Mateus esbarrou o ombro no dela de propósito, fazendo-a cambalear um pouco.
— Ei! — reclamou ela, rindo.
— Foi sem querer, juro! — mentiu ele, descaradamente. — É que eu sou muito alto, perco o equilíbrio.
— Você é um idiota, Mateus.
— Mas sou o seu idiota nota A.
Alice sentiu o coração dar um salto estranho. Ela nunca fora boa em lidar com sentimentos que não pudessem ser organizados em listas ou explicados em livros de história, mas ali, sob o sol da tarde, com Mateus abrindo a porta do carro para ela com uma reverência exagerada, ela sentiu que talvez não precisasse de todas as respostas agora.
— Para onde vamos, mestre da impressora? — perguntou ela, entrando no carro.
— Para o melhor lugar da cidade. E depois... quem sabe? O mundo é pequeno para quem acabou de conquistar a Revolução Industrial.
Enquanto Mateus dava partida no motor e Alice começava a procurar uma música no celular, ela percebeu que o trabalho de história tinha terminado, mas o que quer que estivesse acontecendo entre eles estava apenas começando o seu capítulo mais interessante. O contato, que antes era apenas um esbarrão acidental de joelhos sob a mesa da biblioteca, agora parecia uma promessa silenciosa de que as tardes de terça-feira nunca mais seriam as mesmas.
Ao seu lado, Mateus girava uma caneta entre os dedos com uma habilidade irritante. Ele parecia perfeitamente relaxado, com as pernas longas esticadas por baixo da mesa, invadindo o espaço de Alice.
— Você vai acabar furando o papel de tanto apertar essa caneta, baixinha — comentou Mateus, com aquele sorriso de canto que Alice ainda não sabia se a irritava ou a encantava.
— E você vai acabar levando um chute se não tirar o seu pé de cima do meu tênis — retrucou ela, embora não houvesse hostilidade real em sua voz. — Precisamos garantir que a conclusão esteja perfeita. O professor Miller não aceita nada menos que o impecável.
Mateus soltou uma risadinha baixa, inclinando-se mais para perto. O cheiro de sabonete e algo que lembrava grama recém-cortada — provavelmente do treino de futebol — invadiu o espaço pessoal de Alice.
— Relaxa. Nós fizemos um trabalho incrível. Suas notas sobre o impacto social e os meus gráficos... bom, os meus gráficos são obras de arte.
— Seus gráficos têm desenhos de engrenagens com rostos tristes, Mateus — Alice disse, tentando esconder o sorriso.
— É uma metáfora visual para a opressão do proletariado, Alice. Arte pura — ele piscou, e por um segundo, os olhos verdes dele brilharam sob a luz fluorescente da biblioteca.
Alice sentiu as bochechas esquentarem, as sardas parecendo queimar. Ela voltou a atenção para o laptop, sentindo o braço de Mateus roçar no seu enquanto ele se aproximava para ler a tela. O contato era leve, mas parecia carregar uma voltagem inesperada. Nas últimas semanas, desde que foram obrigados a formar uma dupla, a dinâmica entre eles havia mudado. O que começou como uma obrigação escolar transformou-se em tardes de risadas, discussões sobre táticas de tênis — que Mateus fingia entender — e uma proximidade que Alice não sabia como rotular.
— Acho que terminamos — suspirou ela, fechando o arquivo. — Só falta imprimir e grampear.
— Deixa que eu faço isso. Sou o mestre da impressora — ele se levantou, a altura dele sempre a impressionando. Ele estendeu a mão para ela. — Vamos, o dever nos chama.
Alice aceitou a mão dele para se levantar, e por um momento, ele não a soltou. A mão de Mateus era grande e quente, contrastando com os dedos pequenos e frios de Alice.
— Você está nervosa? — perguntou ele, a voz subitamente mais suave.
— Um pouco. Eu gosto de tirar notas boas, você sabe.
— Você é a melhor da sala, Alice. Comigo como seu fiel escudeiro, não tem como dar errado.
— Você é mais como o bobo da corte do que o escudeiro — ela brincou, finalmente soltando a mão dele, embora uma parte dela sentisse falta do calor.
Na manhã seguinte, o corredor da escola parecia mais agitado que o normal. Alice segurava a pasta com o trabalho como se fosse um tesouro nacional. Mateus caminhava ao lado dela, cumprimentando metade da escola com acenos e piadinhas, mas sempre voltando sua atenção para ela.
— Hoje é o dia — disse ele, fazendo uma pose dramática na porta da sala de história. — O dia em que a dupla dinâmica conquista o mundo, ou pelo menos o Miller.
— Só entrega o trabalho, Mateus — pediu Alice, embora estivesse rindo.
Eles caminharam até a mesa do professor. O Sr. Miller era um homem de poucas palavras e óculos que pareciam aumentar seus olhos em três vezes. Ele recebeu a pasta, deu uma olhada rápida e fez um som gutural que poderia significar qualquer coisa entre "está horrível" e "estou impressionado".
— Podem se sentar — disse o professor, sem desviar os olhos das páginas.
A aula pareceu durar uma eternidade. Alice não conseguia se concentrar na explicação sobre a Unificação Italiana. Ela sentia o olhar de Mateus nela de vez em quando, e toda vez que ela retribuía, ele fazia uma careta engraçada ou sussurrava algo sem sentido.
— Ele está sorrindo — sussurrou Mateus, inclinando-se para o lado de Alice.
— Quem? O Miller? Ele não sorri desde 1994 — Alice respondeu em um sussurro ainda mais baixo.
— Juro por Deus. Ele acabou de olhar para a página do seu ensaio sobre as ferrovias e os lábios dele se mexeram para cima. É um sinal.
Alice revirou os olhos, mas sentiu um frio na barriga. Quando o sinal finalmente tocou, o Sr. Miller se levantou e pigarreou.
— Antes de saírem, gostaria de entregar as notas dos trabalhos de campo. No geral, estou satisfeito, mas uma dupla em particular se destacou pela profundidade da pesquisa e... — ele fez uma pausa, olhando para Mateus — pela criatividade visual inusitada.
A sala ficou em silêncio.
— Alice e Mateus, excelente trabalho. Nota A.
Alice sentiu como se um peso tivesse saído de seus ombros. Antes que pudesse processar, Mateus a envolveu em um abraço de urso, tirando-a do chão por um segundo.
— Eu não disse? Eu não disse? — ele comemorava, a risada vibrando contra o ombro dela.
— Mateus! Me coloca no chão! — Alice ria, o rosto enterrado no pescoço dele por um breve momento antes de ele a soltar.
— A gente precisa comemorar — disse ele, ainda com as mãos nos ombros dela, os olhos verdes brilhando de excitação. — Milkshake? Por minha conta.
— Você só quer uma desculpa para tomar aquele milkshake de chocolate gigante — provocou ela, ajeitando a mochila nas costas.
— Talvez. Mas eu quero comemorar com a minha parceira de crime. O que me diz?
Alice olhou para ele, vendo além do garoto "sonso" e engraçado que todos conheciam. Havia algo genuíno ali, algo que a fazia se sentir vista de uma forma que ninguém mais conseguia.
— Tudo bem, Mateus. Mas eu escolho a música no carro.
— Justo. Mas nada de trilhas sonoras de musicais o tempo todo, combinado?
— Não prometo nada.
Eles saíram da sala de aula lado a lado. O contato entre eles agora parecia mais natural, menos carregado de hesitação. Enquanto caminhavam pelo estacionamento, Mateus esbarrou o ombro no dela de propósito, fazendo-a cambalear um pouco.
— Ei! — reclamou ela, rindo.
— Foi sem querer, juro! — mentiu ele, descaradamente. — É que eu sou muito alto, perco o equilíbrio.
— Você é um idiota, Mateus.
— Mas sou o seu idiota nota A.
Alice sentiu o coração dar um salto estranho. Ela nunca fora boa em lidar com sentimentos que não pudessem ser organizados em listas ou explicados em livros de história, mas ali, sob o sol da tarde, com Mateus abrindo a porta do carro para ela com uma reverência exagerada, ela sentiu que talvez não precisasse de todas as respostas agora.
— Para onde vamos, mestre da impressora? — perguntou ela, entrando no carro.
— Para o melhor lugar da cidade. E depois... quem sabe? O mundo é pequeno para quem acabou de conquistar a Revolução Industrial.
Enquanto Mateus dava partida no motor e Alice começava a procurar uma música no celular, ela percebeu que o trabalho de história tinha terminado, mas o que quer que estivesse acontecendo entre eles estava apenas começando o seu capítulo mais interessante. O contato, que antes era apenas um esbarrão acidental de joelhos sob a mesa da biblioteca, agora parecia uma promessa silenciosa de que as tardes de terça-feira nunca mais seriam as mesmas.
