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Meu italiio

Fandom: Nenhum

Created: 5/11/2026

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DramaDarkMysteryNoirCrimeThrillerRomanceCharacter Study
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Ouro e Sombras em Chicago

As luzes de neon da "The Velvet Throne" pulsavam como um coração elétrico no centro de Chicago. No camarim privativo, o silêncio era um luxo que apenas Fany podia desfrutar antes do espetáculo. Ela observava seu reflexo no espelho cercado por lâmpadas quentes, sentindo o peso das joias de safira que adornavam seu pescoço. Fany não era apenas uma mulher ali; ela era a joia da coroa, a mercadoria mais valiosa de uma indústria construída sobre desejos efêmeros.

Sua timidez era um contraste gritante com a profissão que exercia. Submersa em um mundo de luxúria e poder, ela aprendeu a criar uma fachada de mistério para esconder a garota que preferia o silêncio aos aplausos. O preço estipulado para uma única noite com ela era uma fortuna que afastava curiosos e até mesmo milionários excêntricos. Ela era a intocável, a lenda urbana das noites de Illinois.

— Você está deslumbrante, Fany. — A voz de Ricardo, o dono da boate, ecoou pela sala.

Ele se aproximou, colocando as mãos pesadas sobre os ombros dela. Havia um brilho de posse e um ciúme mal disfarçado em seus olhos. Ricardo a via como seu maior investimento, mas também como um troféu que ele detestava compartilhar.

— Obrigada, senhor — respondeu ela, a voz mal passando de um sussurro.

— Hoje será diferente — continuou ele, inclinando-se para perto do ouvido dela. — Alguém finalmente pagou o preço. E não foi qualquer um. Ele cobriu a oferta sem sequer piscar.

Fany sentiu um calafrio percorrer sua espinha. O medo e a curiosidade travaram uma batalha em seu peito. Quem teria tanto dinheiro e tanta audácia?

— Quem é ele? — perguntou ela, as mãos tremendo levemente enquanto ajustava a luva de seda.

— Um homem que não aceita "não" como resposta. Escute bem, Fany: você fará tudo o que ele pedir. Cada desejo, cada capricho. Ele é mais importante do que qualquer político ou empresário que já pisou aqui. Se ele quiser que você se ajoelhe, você se ajoelha. Se ele quiser o seu silêncio, você não respira. Entendeu?

Fany apenas assentiu, incapaz de formular palavras. O tom de Ricardo era de advertência, quase de pavor.

O show naquela noite foi uma névoa de movimentos coreografados e música clássica remixada. Fany dançou sob os holofotes, movendo-se com a graça de um cisne, enquanto centenas de olhos a devoravam. No entanto, ela sentia um par de olhos específico, vindo da área VIP mais sombria, que parecia queimar sua pele através do tecido fino do vestido.

Quando a apresentação terminou e o martelo do leilão simbólico bateu, o silêncio na plateia foi absoluto. O valor anunciado era astronômico.

Minutos depois, Fany estava no corredor dos quartos de luxo, o coração batendo contra as costelas como um pássaro engaiolado. Ricardo a acompanhou até a porta da suíte presidencial, a expressão dele era uma mistura de ganância satisfeita e uma amargura profunda.

— Lembre-se do que eu disse — murmurou Ricardo, a mão hesitando na maçaneta. — Ele é o dono da noite agora. Não o desagrade.

Ele abriu a porta e a empurrou suavemente para dentro, fechando-a logo em seguida.

O quarto estava mergulhado em uma escuridão quase total, quebrada apenas pelo brilho pálido da lua que atravessava as imensas janelas de vidro, revelando a silhueta dos arranha-céus de Chicago. O cheiro de tabaco caro e um perfume amadeirado impregnava o ar.

Fany deu um passo hesitante, seus saltos afundando no tapete felpudo.

— Olá? — chamou ela, a voz falhando.

De um canto escuro, onde uma poltrona de couro estava posicionada, veio uma voz profunda e rouca. As palavras eram rítmicas, musicais, mas completamente estranhas para ela.

— *Sei ancora più bella da vicino, piccola perla di Chicago.* — O homem falou, a voz vibrando no ambiente.

Fany congelou. Ela não entendia uma palavra de italiano, mas o tom era inconfundível: era o som do poder absoluto.

— Eu... eu sinto muito, senhor — disse ela, baixando a cabeça em um gesto instintivo de submissão. — Eu não entendo o que o senhor diz.

Houve um movimento na escuridão. O som de um isqueiro riscando o silêncio revelou, por um breve segundo, um rosto de ângulos agudos, olhos escuros como obsidiana e uma cicatriz leve que cruzava a mandíbula. Ele acendeu um charuto, a brasa iluminando seu rosto de forma intermitente.

— *Vieni qui* — comandou ele.

Percebendo a confusão no rosto dela, ele mudou para um inglês impecável, embora carregado de um sotaque pesado.

— Aproxime-se, Fany. Não tenha medo de quem pagou tanto para ter você.

Ela caminhou lentamente até ele. À medida que se aproximava, a presença do homem parecia ocupar todo o espaço do quarto. Ele se levantou, revelando-se muito mais alto do que ela imaginava. O terno sob medida gritava autoridade.

— O meu chefe disse que eu deveria fazer tudo o que o senhor quisesse — sussurrou ela, parando a poucos centímetros dele.

O homem soltou a fumaça do charuto lentamente, os olhos percorrendo o corpo de Fany com uma intensidade que a fazia sentir-se despida, mesmo sob as camadas de seda.

— O seu "chefe" é um homem pequeno que não sabe o valor do que possui — disse ele, a voz fria. — Eu sou Lorenzo Moretti. E eu não compro apenas corpos, Fany. Eu compro lealdade. Eu compro almas.

Fany estremeceu ao ouvir o nome. Moretti. O nome era sussurrado nos becos e nos altos escalões como um sinônimo de morte e fortuna. O chefe da máfia italiana não era apenas um cliente; ele era o dono de metade do submundo que sustentava aquela cidade.

— O que o senhor quer de mim? — perguntou ela, os olhos começando a lacrimejar pelo nervosismo.

Lorenzo estendeu a mão e, com o polegar, acariciou o lábio inferior de Fany. O toque era surpreendentemente gentil, o que a assustou ainda mais.

— *Voglio vedere cosa c'è dietro questa maschera di timidezza* — murmurou ele, voltando ao italiano por um momento, antes de traduzir com um sorriso sombrio: — Quero ver o que há por trás dessa máscara. Quero saber por que a garota mais cara deste país parece que vai quebrar se eu soprar com muita força.

Ele se inclinou, o rosto a milímetros do dela.

— Hoje, você não é uma garota de programa, Fany. Hoje, você é minha convidada de honra em um jogo de sombras. Você está pronta para aceitar tudo o que eu quero?

Fany fechou os olhos, sentindo a respiração quente dele contra sua pele. Ela lembrou-se das palavras de Ricardo, da pressão de sua vida e da solidão de sua redoma de vidro. Pela primeira vez em anos, ela não se sentiu apenas uma mercadoria, mas o centro de um interesse perigoso e fascinante.

— Sim, senhor Moretti — respondeu ela, finalmente encontrando o olhar dele. — Eu aceito.

Lorenzo sorriu, um gesto que não alcançou seus olhos gélidos, e apontou para a varanda que dava para a cidade iluminada.

— Então comece servindo o vinho. Ouro para a garota de ouro. Mas lembre-se, pequena perla... no meu mundo, tudo tem um preço extra.

Fany caminhou até a mesa de cristal onde uma garrafa de vinho já esperava. Suas mãos ainda tremiam, mas havia algo novo despertando em seu peito. O medo estava lá, mas a curiosidade sobre o homem que falava em línguas estranhas e comandava exércitos invisíveis era, pela primeira vez, mais forte do que sua timidez.

A noite em Chicago estava apenas começando, e o contrato que Fany assinou com o silêncio estava prestes a ser rasgado pelas mãos de um homem que não conhecia limites.

— *Iniziamo* — disse Lorenzo, sentando-se novamente e observando-a com a paciência de um predador que sabe que a presa não tem para onde fugir.

Fany serviu o vinho, sentindo que, ao cruzar aquele quarto escuro, ela havia deixado para trás a garota submersa para se tornar algo que ainda não conseguia nomear. Algo que pertencia, agora, à máfia italiana.
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