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James Fraser no futuro
Fandom: Outlander
Created: 5/11/2026
Tags
RomanceDramaHurt/ComfortFantasyIsekai / Portal FantasyCurtainfic / Domestic StoryHistoricalFix-itTime TravelDivergenceCharacter StudyAU (Alternate Universe)Slice of LifeFluffHumorAdventureSongfic
O Círculo de Pedras e o Destino de Prata
O ar em Craigh na Dun não apenas soprava; ele vibrava. Era um zumbido constante, uma nota baixa e profunda que parecia ressoar dentro dos ossos de Jamie Fraser. Ele segurava a mão de sua irmã, Jenny, com uma força que quase a machucava, enquanto o outro braço envolvia Ian, seu cunhado e melhor amigo. Os sobrinhos, o jovem Jamie e o pequeno Ian, estavam espremidos entre eles, os rostos pálidos de terror sob a luz pálida do amanhecer escocês de 1761.
— Jamie, o que é esse barulho? — gritou Jenny, a voz quase sumindo diante do rugido súbito que emanava da fenda na pedra central.
— Não soltem! — Jamie respondeu, a voz de comando que usava nos campos de batalha agora carregada de um desespero que ele nunca sentira antes. — Apenas não soltem!
Eles não pretendiam atravessar. Eles estavam apenas fugindo de uma patrulha inglesa que os encurralara na colina. Mas a pedra não pediu permissão. O mundo se dissolveu em um vácuo de som e dor, uma pressão insuportável que parecia querer arrancar a alma de seus corpos através de seus poros.
Quando Jamie finalmente atingiu o chão, o impacto expulsou todo o ar de seus pulmões. O cheiro de urze e terra úmida ainda estava lá, mas algo estava errado. O ar era mais denso, impregnado com um odor estranho, metálico e acre.
— Jenny? Ian? — Jamie tossiu, tentando se levantar.
— Estamos aqui, Jamie — a voz de Ian soou fraca. Ele estava caído sobre os filhos, protegendo-os como um escudo humano. Jenny estava sentada, os olhos arregalados, olhando para as próprias mãos como se não tivesse certeza de que eram reais.
— Onde estamos? — perguntou o jovem Jamie, limpando a fuligem do rosto.
Jamie olhou ao redor. A colina era a mesma, mas as árvores pareciam diferentes, e ao longe, uma fita cinza e lisa cortava a paisagem, algo que ele nunca vira antes. Mas o que o paralisou foi o som: um rugido constante e distante, como o de mil carruagens correndo sem cavalos.
— Vamos descer — disse Jamie, a mão instintivamente buscando o cabo do punhal em seu cinto. — Precisamos encontrar abrigo.
Eles caminharam por horas, sentindo-se estrangeiros em sua própria terra. As roupas de lã grossa e os kilts pareciam deslocados naquele novo mundo. Quando chegaram à beira de uma estrada asfaltada, um monstro de metal passou por eles em uma velocidade impossível, emitindo um som de trovão. Jenny soltou um grito e se benzeu.
— Que tipo de feitiçaria é essa? — sussurrou Ian, segurando o coto de sua perna de pau, que latejava com o esforço da caminhada.
Jamie não respondeu. Ele sentia um puxão no peito, uma sensação que não experimentava há anos. Era uma direção, um instinto. Ele começou a andar em direção a uma casa de pedra que ficava no final de uma trilha arborizada. Era uma construção antiga, mas bem cuidada, com flores que Jamie não reconhecia crescendo em vasos de cerâmica.
No jardim da casa, uma mulher estava de costas para eles. Ela usava calças — algo que fez Jenny arfar de escândalo — e uma blusa branca simples. Seu cabelo, uma massa de cachos castanhos agora entremeados com fios de prata, estava preso de forma frouxa. Ao lado dela, uma jovem de cerca de vinte anos, com cabelos ruivos que brilhavam como fogo sob o sol, ria enquanto podava um arbusto.
Jamie sentiu o mundo parar. O coração, que ele acreditava ter se transformado em pedra no dia em que ela partira, deu um salto violento.
— Claire? — O nome saiu como um sopro, quase inaudível.
A mulher no jardim congelou. Seus ombros ficaram tensos, e ela permaneceu imóvel por um longo segundo, como se temesse que, ao se virar, o fantasma que chamara seu nome desaparecesse. Lentamente, ela girou o corpo.
Claire Fraser parecia mais velha, com rugas finas ao redor dos olhos que contavam histórias de anos de saudade, mas a inteligência e o fogo em seu olhar eram os mesmos. Ela deixou a tesoura de jardinagem cair na grama.
— Jamie? — A voz dela quebrou no meio da palavra. — Meu Deus... Jamie?
— Sou eu, Sassenach — disse ele, dando um passo à frente, as pernas tremendo como as de um recém-nascido.
Claire correu. Ela não se importou com a presença de Jenny, Ian ou dos rapazes. Ela se jogou nos braços dele com uma força que quase os derrubou. Jamie a apertou contra o peito, enterrando o rosto em seu pescoço, aspirando o cheiro dela — sabão, lavanda e algo que era apenas Claire.
— Você está morto — ela soluçava contra a camisa dele. — Frank morreu há três anos, e eu pensei... eu pensei que você tivesse morrido em Culloden... eu vivi minha vida inteira achando que você era apenas pó e memória.
Jamie a afastou o suficiente para olhar em seus olhos, as mãos grandes emoldurando o rosto dela.
— Eu não morri, Claire. Eu nunca morreria enquanto houvesse a chance de te encontrar de novo. Mas o que é este lugar? Que ano é este?
— É 1961, Jamie — respondeu ela, limpando as lágrimas. — Vocês viajaram... vocês atravessaram o tempo.
— 1961? — Jenny se aproximou, a voz carregada de desconfiança e assombro. — Claire? É você mesma? Você sumiu por vinte anos! Nós achamos que os feéricos tinham levado você!
Claire olhou por cima do ombro de Jamie e viu a família dele. Um sorriso trêmulo surgiu em seus lábios.
— Jenny. Ian. Oh, meu Deus, como é bom ver vocês.
A jovem ruiva, que assistira a tudo em silêncio absoluto, deu um passo à frente. Seus olhos azuis, idênticos aos de Jamie, estavam arregalados de choque.
— Mãe? — perguntou a moça. — Quem são essas pessoas? Por que ele... por que ele se parece tanto comigo?
Jamie sentiu o ar faltar. Ele olhou para a jovem, notando a linha do maxilar, a altura, o modo como ela se posicionava. Era como olhar para um espelho de sua própria alma.
— Jamie — disse Claire, a voz suave agora, cheia de uma emoção profunda —, esta é Brianna. Sua filha.
Jamie sentiu os joelhos cederem. Ian o segurou pelo ombro, dando-lhe o apoio necessário. O highlander deu um passo em direção à filha, a mão estendida, hesitando.
— Minha... minha filha? — Ele olhou para Claire, que assentiu com lágrimas nos olhos. — Eu tenho uma filha?
— Você tem — disse Brianna, a voz firme, embora seus olhos estivessem úmidos. — Minha mãe me contou histórias sobre você a vida inteira. Ela disse que você era um rei entre os homens. Mas ela disse que você tinha ficado no passado.
— Eu estava no passado até algumas horas atrás, moça — disse Jamie, finalmente encontrando coragem para tocar o rosto dela. A pele era quente e real. — Eu teria atravessado o oceano a nado e enfrentado mil exércitos se soubesse que você existia.
— Entrem — disse Claire, recuperando um pouco de sua postura prática de médica. — Entrem antes que os vizinhos comecem a fazer perguntas sobre os homens de saia no meu gramado. Temos muito o que conversar. E vocês parecem que não comem há um século... o que, tecnicamente, é verdade.
A cozinha de Claire era um lugar de maravilhas e horrores para os viajantes de 1761. O fogão que não precisava de lenha, a luz que surgia ao toque de um interruptor e a água que corria quente de uma torneira deixaram Jenny e Ian em um estado de choque silencioso.
— Então o tal Randall... o capitão inglês... — começou Jenny, sentada à mesa redonda enquanto observava Claire preparar chá. — Você se casou com ele?
Claire suspirou, colocando as xícaras sobre a mesa.
— Com o descendente dele, Jenny. Frank Randall. Ele era um bom homem, à sua maneira. Ele criou Brianna como se fosse dele. Ele morreu em um acidente de carro há três anos. Eu vivi como viúva desde então, cuidando da minha clínica e de Brianna.
— Um acidente de quê? — perguntou o jovem Ian, os olhos brilhando de curiosidade enquanto examinava uma torradeira.
— Uma daquelas carruagens de metal que vocês viram na estrada — explicou Claire. — Chamamos de carros.
Jamie estava sentado ao lado de Brianna, incapaz de desviar o olhar dela. Ele pegou a mão da filha, maravilhando-se com a força que sentia ali.
— Você tem o nome do meu pai — disse ele. — Brian Fraser. Ele ficaria orgulhoso de ver a mulher que você se tornou.
— Eu sou historiadora, papai — disse Brianna, a palavra "papai" saindo de forma hesitante, mas doce. — Eu ajudei a mamãe a pesquisar sobre você. Nós íamos para a Escócia no próximo mês para tentar descobrir o que aconteceu com você depois de Culloden.
— Culloden nunca aconteceu para mim — disse Jamie, a voz sombria. — O Príncipe foi impedido antes que pudesse levar os clãs à ruína. Nós mudamos algo, Claire. O futuro que você temia... ele não aconteceu daquela forma.
Claire parou, o bule de chá suspenso no ar.
— O quê? Você quer dizer que a revolta foi evitada?
— Sim — disse Ian, intervindo. — Jamie e eu passamos anos garantindo que o dinheiro nunca chegasse às mãos certas. Os clãs estão em paz, ou o mais próximo disso que os escoceses conseguem chegar.
Claire sentou-se pesadamente em uma cadeira.
— Então tudo mudou... Se a história mudou, como vocês ainda estão aqui? Como Brianna ainda existe?
— Talvez — sugeriu Jamie, apertando a mão de Claire — o destino tenha decidido que já sofremos o suficiente separados. Talvez as pedras tenham nos trazido aqui porque este é o único tempo onde podemos ser uma família completa.
Jenny, que estivera observando a interação entre o irmão e a mulher que ela sempre considerara uma bruxa ou uma santa, soltou um longo suspiro.
— Bem, se vamos ficar neste futuro estranho, Claire, você vai ter que me ensinar a usar essa caixa que gela a comida. E, pelo amor de Deus, arranje um vestido decente para você. Calças são para cavaleiros e bandidos.
O riso que irrompeu na cozinha quebrou a tensão acumulada por séculos. Claire olhou para Jamie, e através do cansaço e do choque, ela viu o homem que amava. Ele estava ali, em sua cozinha do século XX, um guerreiro de kilt cercado por eletrodomésticos cromados.
— O que fazemos agora, Jamie? — perguntou ela em voz baixa.
Jamie Fraser levantou-se e puxou Claire para perto, enquanto Brianna se juntava a eles, formando um círculo que nem o tempo, nem a morte, puderam romper.
— Agora — disse ele, com o brilho de determinação que Claire conhecia tão bem — nós vivemos. Não importa o século, Sassenach. Desde que eu esteja com você, estou em casa.
Lá fora, o sol de 1961 começava a se pôr sobre as colinas da Escócia, as mesmas colinas que guardavam os segredos de dois séculos atrás. Para os Fraser, a jornada através das pedras tinha terminado, mas a verdadeira aventura de aprender a viver em um mundo novo, juntos, estava apenas começando.
— Jamie, o que é esse barulho? — gritou Jenny, a voz quase sumindo diante do rugido súbito que emanava da fenda na pedra central.
— Não soltem! — Jamie respondeu, a voz de comando que usava nos campos de batalha agora carregada de um desespero que ele nunca sentira antes. — Apenas não soltem!
Eles não pretendiam atravessar. Eles estavam apenas fugindo de uma patrulha inglesa que os encurralara na colina. Mas a pedra não pediu permissão. O mundo se dissolveu em um vácuo de som e dor, uma pressão insuportável que parecia querer arrancar a alma de seus corpos através de seus poros.
Quando Jamie finalmente atingiu o chão, o impacto expulsou todo o ar de seus pulmões. O cheiro de urze e terra úmida ainda estava lá, mas algo estava errado. O ar era mais denso, impregnado com um odor estranho, metálico e acre.
— Jenny? Ian? — Jamie tossiu, tentando se levantar.
— Estamos aqui, Jamie — a voz de Ian soou fraca. Ele estava caído sobre os filhos, protegendo-os como um escudo humano. Jenny estava sentada, os olhos arregalados, olhando para as próprias mãos como se não tivesse certeza de que eram reais.
— Onde estamos? — perguntou o jovem Jamie, limpando a fuligem do rosto.
Jamie olhou ao redor. A colina era a mesma, mas as árvores pareciam diferentes, e ao longe, uma fita cinza e lisa cortava a paisagem, algo que ele nunca vira antes. Mas o que o paralisou foi o som: um rugido constante e distante, como o de mil carruagens correndo sem cavalos.
— Vamos descer — disse Jamie, a mão instintivamente buscando o cabo do punhal em seu cinto. — Precisamos encontrar abrigo.
Eles caminharam por horas, sentindo-se estrangeiros em sua própria terra. As roupas de lã grossa e os kilts pareciam deslocados naquele novo mundo. Quando chegaram à beira de uma estrada asfaltada, um monstro de metal passou por eles em uma velocidade impossível, emitindo um som de trovão. Jenny soltou um grito e se benzeu.
— Que tipo de feitiçaria é essa? — sussurrou Ian, segurando o coto de sua perna de pau, que latejava com o esforço da caminhada.
Jamie não respondeu. Ele sentia um puxão no peito, uma sensação que não experimentava há anos. Era uma direção, um instinto. Ele começou a andar em direção a uma casa de pedra que ficava no final de uma trilha arborizada. Era uma construção antiga, mas bem cuidada, com flores que Jamie não reconhecia crescendo em vasos de cerâmica.
No jardim da casa, uma mulher estava de costas para eles. Ela usava calças — algo que fez Jenny arfar de escândalo — e uma blusa branca simples. Seu cabelo, uma massa de cachos castanhos agora entremeados com fios de prata, estava preso de forma frouxa. Ao lado dela, uma jovem de cerca de vinte anos, com cabelos ruivos que brilhavam como fogo sob o sol, ria enquanto podava um arbusto.
Jamie sentiu o mundo parar. O coração, que ele acreditava ter se transformado em pedra no dia em que ela partira, deu um salto violento.
— Claire? — O nome saiu como um sopro, quase inaudível.
A mulher no jardim congelou. Seus ombros ficaram tensos, e ela permaneceu imóvel por um longo segundo, como se temesse que, ao se virar, o fantasma que chamara seu nome desaparecesse. Lentamente, ela girou o corpo.
Claire Fraser parecia mais velha, com rugas finas ao redor dos olhos que contavam histórias de anos de saudade, mas a inteligência e o fogo em seu olhar eram os mesmos. Ela deixou a tesoura de jardinagem cair na grama.
— Jamie? — A voz dela quebrou no meio da palavra. — Meu Deus... Jamie?
— Sou eu, Sassenach — disse ele, dando um passo à frente, as pernas tremendo como as de um recém-nascido.
Claire correu. Ela não se importou com a presença de Jenny, Ian ou dos rapazes. Ela se jogou nos braços dele com uma força que quase os derrubou. Jamie a apertou contra o peito, enterrando o rosto em seu pescoço, aspirando o cheiro dela — sabão, lavanda e algo que era apenas Claire.
— Você está morto — ela soluçava contra a camisa dele. — Frank morreu há três anos, e eu pensei... eu pensei que você tivesse morrido em Culloden... eu vivi minha vida inteira achando que você era apenas pó e memória.
Jamie a afastou o suficiente para olhar em seus olhos, as mãos grandes emoldurando o rosto dela.
— Eu não morri, Claire. Eu nunca morreria enquanto houvesse a chance de te encontrar de novo. Mas o que é este lugar? Que ano é este?
— É 1961, Jamie — respondeu ela, limpando as lágrimas. — Vocês viajaram... vocês atravessaram o tempo.
— 1961? — Jenny se aproximou, a voz carregada de desconfiança e assombro. — Claire? É você mesma? Você sumiu por vinte anos! Nós achamos que os feéricos tinham levado você!
Claire olhou por cima do ombro de Jamie e viu a família dele. Um sorriso trêmulo surgiu em seus lábios.
— Jenny. Ian. Oh, meu Deus, como é bom ver vocês.
A jovem ruiva, que assistira a tudo em silêncio absoluto, deu um passo à frente. Seus olhos azuis, idênticos aos de Jamie, estavam arregalados de choque.
— Mãe? — perguntou a moça. — Quem são essas pessoas? Por que ele... por que ele se parece tanto comigo?
Jamie sentiu o ar faltar. Ele olhou para a jovem, notando a linha do maxilar, a altura, o modo como ela se posicionava. Era como olhar para um espelho de sua própria alma.
— Jamie — disse Claire, a voz suave agora, cheia de uma emoção profunda —, esta é Brianna. Sua filha.
Jamie sentiu os joelhos cederem. Ian o segurou pelo ombro, dando-lhe o apoio necessário. O highlander deu um passo em direção à filha, a mão estendida, hesitando.
— Minha... minha filha? — Ele olhou para Claire, que assentiu com lágrimas nos olhos. — Eu tenho uma filha?
— Você tem — disse Brianna, a voz firme, embora seus olhos estivessem úmidos. — Minha mãe me contou histórias sobre você a vida inteira. Ela disse que você era um rei entre os homens. Mas ela disse que você tinha ficado no passado.
— Eu estava no passado até algumas horas atrás, moça — disse Jamie, finalmente encontrando coragem para tocar o rosto dela. A pele era quente e real. — Eu teria atravessado o oceano a nado e enfrentado mil exércitos se soubesse que você existia.
— Entrem — disse Claire, recuperando um pouco de sua postura prática de médica. — Entrem antes que os vizinhos comecem a fazer perguntas sobre os homens de saia no meu gramado. Temos muito o que conversar. E vocês parecem que não comem há um século... o que, tecnicamente, é verdade.
A cozinha de Claire era um lugar de maravilhas e horrores para os viajantes de 1761. O fogão que não precisava de lenha, a luz que surgia ao toque de um interruptor e a água que corria quente de uma torneira deixaram Jenny e Ian em um estado de choque silencioso.
— Então o tal Randall... o capitão inglês... — começou Jenny, sentada à mesa redonda enquanto observava Claire preparar chá. — Você se casou com ele?
Claire suspirou, colocando as xícaras sobre a mesa.
— Com o descendente dele, Jenny. Frank Randall. Ele era um bom homem, à sua maneira. Ele criou Brianna como se fosse dele. Ele morreu em um acidente de carro há três anos. Eu vivi como viúva desde então, cuidando da minha clínica e de Brianna.
— Um acidente de quê? — perguntou o jovem Ian, os olhos brilhando de curiosidade enquanto examinava uma torradeira.
— Uma daquelas carruagens de metal que vocês viram na estrada — explicou Claire. — Chamamos de carros.
Jamie estava sentado ao lado de Brianna, incapaz de desviar o olhar dela. Ele pegou a mão da filha, maravilhando-se com a força que sentia ali.
— Você tem o nome do meu pai — disse ele. — Brian Fraser. Ele ficaria orgulhoso de ver a mulher que você se tornou.
— Eu sou historiadora, papai — disse Brianna, a palavra "papai" saindo de forma hesitante, mas doce. — Eu ajudei a mamãe a pesquisar sobre você. Nós íamos para a Escócia no próximo mês para tentar descobrir o que aconteceu com você depois de Culloden.
— Culloden nunca aconteceu para mim — disse Jamie, a voz sombria. — O Príncipe foi impedido antes que pudesse levar os clãs à ruína. Nós mudamos algo, Claire. O futuro que você temia... ele não aconteceu daquela forma.
Claire parou, o bule de chá suspenso no ar.
— O quê? Você quer dizer que a revolta foi evitada?
— Sim — disse Ian, intervindo. — Jamie e eu passamos anos garantindo que o dinheiro nunca chegasse às mãos certas. Os clãs estão em paz, ou o mais próximo disso que os escoceses conseguem chegar.
Claire sentou-se pesadamente em uma cadeira.
— Então tudo mudou... Se a história mudou, como vocês ainda estão aqui? Como Brianna ainda existe?
— Talvez — sugeriu Jamie, apertando a mão de Claire — o destino tenha decidido que já sofremos o suficiente separados. Talvez as pedras tenham nos trazido aqui porque este é o único tempo onde podemos ser uma família completa.
Jenny, que estivera observando a interação entre o irmão e a mulher que ela sempre considerara uma bruxa ou uma santa, soltou um longo suspiro.
— Bem, se vamos ficar neste futuro estranho, Claire, você vai ter que me ensinar a usar essa caixa que gela a comida. E, pelo amor de Deus, arranje um vestido decente para você. Calças são para cavaleiros e bandidos.
O riso que irrompeu na cozinha quebrou a tensão acumulada por séculos. Claire olhou para Jamie, e através do cansaço e do choque, ela viu o homem que amava. Ele estava ali, em sua cozinha do século XX, um guerreiro de kilt cercado por eletrodomésticos cromados.
— O que fazemos agora, Jamie? — perguntou ela em voz baixa.
Jamie Fraser levantou-se e puxou Claire para perto, enquanto Brianna se juntava a eles, formando um círculo que nem o tempo, nem a morte, puderam romper.
— Agora — disse ele, com o brilho de determinação que Claire conhecia tão bem — nós vivemos. Não importa o século, Sassenach. Desde que eu esteja com você, estou em casa.
Lá fora, o sol de 1961 começava a se pôr sobre as colinas da Escócia, as mesmas colinas que guardavam os segredos de dois séculos atrás. Para os Fraser, a jornada através das pedras tinha terminado, mas a verdadeira aventura de aprender a viver em um mundo novo, juntos, estava apenas começando.
