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Observando o futuro

Fandom: Naruto

Created: 5/17/2026

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DramaHurt/ComfortSlice of LifeCharacter StudyTime TravelCanon SettingDivergencePsychologicalAngstFix-itAU (Alternate Universe)FantasyRetellingSpoilersRomanceFluffHumorCurtainfic / Domestic StorySoulmates
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O Abraço que Curou o Vale

A paz era uma ilusão frágil nas Nações Elementares, mas naquele dia, o próprio tempo pareceu estagnar. No centro de Konoha, no topo do Monumento Hokage, e simultaneamente em todas as vilas ocultas, o céu não escureceu, mas se transformou. Uma fenda de luz azulada se abriu, expandindo-se até formar uma tela colossal, translúcida e vibrante, que pairava sobre o mundo como o olho de um deus.

Ninjas de todas as patentes pararam. Kakashi Hatake, com o coração pesado pelas perdas da guerra e pela deserção de seu aluno mais problemático, olhou para cima, apertando o protetor de testa. Ao seu lado, Sakura Haruno sentiu um aperto no peito, uma premonição que a fez prender o fôlego.

A tela começou a pulsar. Não eram imagens do presente, nem lembranças do passado que todos conheciam. Era algo mais nítido, carregado de uma energia que cheirava a ozônio e destino.

As imagens se estabilizaram em um cenário icônico e devastador: o Vale do Fim. As estátuas de Hashirama Senju e Madara Uchiha estavam em ruínas, decapitadas pela violência de um embate que desafiava a compreensão humana. O Rio da Eternidade havia sido drenado, restando apenas uma cratera de terra batida e pedras calcinadas.

No centro daquele caos, dois corpos jaziam deitados, lado a lado.

— Naruto... Sasuke... — sussurrou Sakura em Konoha, as lágrimas já inundando seus olhos ao reconhecer as silhuetas.

Na tela, o silêncio era absoluto, quebrado apenas pelo som do vento soprando sobre os escombros. O sol estava se pondo, banhando a cena em um tom alaranjado e melancólico. Naruto Uzumaki e Sasuke Uchiha pareciam mortos para um observador comum, mas o leve subir e descer de seus peitos indicava que a vida ainda teimava em permanecer.

Diferente de qualquer linha temporal que o destino pudesse ter traçado, ali, naquela visão, o choque final de seus jutsus mais poderosos não havia arrancado seus membros. Seus braços estavam intactos, embora as roupas estivessem em farrapos e a pele coberta de fuligem e sangue seco.

Sasuke foi o primeiro a abrir os olhos. O Sharingan estava desativado, revelando o ônix profundo de suas íris, agora despidas de ódio. Ele olhou para o céu, depois para o lado, encontrando o rosto adormecido de seu único amigo.

— Por que... — a voz de Sasuke ecoou pela tela, audível para todos no mundo ninja — ... você foi tão longe?

Naruto soltou um gemido baixo e abriu os olhos azuis, turvos de exaustão, mas ainda brilhando com aquela determinação inabalável que definia sua existência.

— Porque eu sou seu amigo — respondeu Naruto, com um sorriso fraco que não alcançava totalmente os olhos, mas que carregava o peso de anos de perseguição.

O mundo assistia, hipnotizado. Em Kumogakure, o Raikage observava com os braços cruzados, o cenho franzido. Em Suna, Gaara sentia a dor de Naruto como se fosse sua.

Na tela, Sasuke fez um esforço hercúleo. Ele apoiou as palmas das mãos no chão pedregoso e empurrou o corpo para cima. Seus músculos tremiam, protestando contra o abuso de chakra. Ele se sentou, respirando pesadamente, enquanto Naruto continuava deitado, olhando para ele com uma mistura de expectativa e cansaço.

Sasuke não se levantou para atacar. Ele não buscou uma kunai ou preparou um Chidori. Ele apenas olhou para Naruto, e pela primeira vez em muitos anos, a máscara de vingador desmoronou completamente. As barreiras que ele construiu com o sangue do seu clã e a solidão do seu exílio ruíram diante da persistência solar do loiro.

Com movimentos lentos, Sasuke se ajoelhou e, em seguida, levantou-se completamente. Ele cambaleou por um momento, mas recuperou o equilíbrio. Naruto tentou se levantar também, mas Sasuke fez um sinal suave com a mão para que ele ficasse parado.

— Acabou, Naruto — disse Sasuke, sua voz falhando levemente.

O Uchiha deu dois passos à frente. Naruto, ainda deitado, o acompanhava com o olhar, o coração batendo forte contra as costelas. Sasuke se inclinou e, em um gesto que ninguém no mundo ninja jamais esperaria do último Uchiha, estendeu as mãos para ajudar Naruto a subir.

Naruto segurou as mãos de Sasuke. O contato era quente, real. Sasuke puxou-o para cima com firmeza e, assim que o loiro ficou de pé, o Uchiha não o soltou.

Sasuke deu um passo final, fechando o espaço entre eles, e envolveu Naruto em um abraço apertado.

O silêncio que caiu sobre as vilas foi absoluto. Era um abraço desajeitado no início, carregado de anos de ressentimento, lutas e palavras não ditas, mas logo se tornou um porto seguro. Sasuke enterrou o rosto no ombro da jaqueta rasgada de Naruto, apertando o tecido com as mãos.

Naruto congelou por um segundo. Ele, que enfrentara deuses, demônios e o ódio de uma vila inteira, parecia desarmado por aquele gesto de afeto. Seus olhos se arregalaram e, de repente, a represa que ele manteve fechada desde que Sasuke partira da vila, anos atrás, rompeu-se.

O primeiro soluço de Naruto foi audível e doloroso.

— Você voltou... — soluçou Naruto, as lágrimas começando a escorrer livremente, lavando a sujeira em seu rosto. — Sasuke... seu idiota... você finalmente voltou.

— Eu estou aqui — sussurrou Sasuke, fechando os olhos com força, permitindo que suas próprias lágrimas, embora mais silenciosas, molhassem o ombro do amigo.

Naruto chorou como uma criança. Não era o choro de um herói, mas o de um órfão que finalmente encontrara seu irmão perdido. Ele envolveu os braços em volta de Sasuke, apertando-o como se temesse que, se o soltasse, o Uchiha se transformaria em fumaça e corvos.

— Eu achei que... que eu teria que te matar para te parar — disse Naruto entre soluços profundos, o corpo inteiro tremendo. — Eu não queria isso... eu nunca quis isso!

— Eu sei — respondeu Sasuke, a voz embargada. — Me perdoe, Naruto. Por tudo.

Na tela, a imagem começou a se afastar, mostrando os dois jovens abraçados no centro da devastação. O contraste era poético: o cenário de destruição total servindo de berço para a reconstrução de um laço que nem o tempo, nem o ódio, conseguiram quebrar.

Em Konoha, Sakura caiu de joelhos, cobrindo a boca com as mãos enquanto chorava de soluçar. Kakashi sentiu uma lágrima solitária escorrer por trás de sua máscara, um sorriso triste e aliviado curvando seus lábios.

— Eles conseguiram — murmurou o Jounin. — Eles realmente mudaram o destino.

A tela começou a brilhar com mais intensidade, as cores se fundindo em um branco puro. Antes de desaparecer completamente, uma última frase ecoou na mente de cada pessoa que assistia, como um sussurro do futuro:

"Onde há vontade de fogo, há sempre um caminho de volta para casa."

A luz se apagou. O céu voltou ao seu azul normal, e o Monumento Hokage permaneceu em silêncio. Mas o mundo ninja já não era o mesmo. A visão do futuro plantara uma semente de esperança em meio à guerra iminente.

Longe dali, em um esconderijo escuro, o Sasuke do presente fechou os olhos, sentindo um calor inexplicável no peito que ele não conseguia explicar, uma lembrança de um abraço que ele ainda não havia dado, mas que, no fundo de sua alma atormentada, ele agora sabia que precisava.

E Naruto, treinando em algum lugar das florestas, olhou para as próprias mãos, sentindo o peso de uma promessa que agora parecia mais possível do que nunca. Ele limpou uma lágrima teimosa que surgiu sem aviso e sorriu.

— Eu vou te trazer de volta, Sasuke. E eu vou te dar esse abraço.

O Vale do Fim ainda esperava por eles, mas agora, o fim não parecia mais o objetivo, e sim o começo.
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