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Corrupção da Realeza

Fandom: Dungeon Meshi

Created: 5/18/2026

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RomanceFantasyCanon SettingSlice of LifeCharacter StudyPWP (Plot? What Plot?)DramaExplicit Language
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Doce Amargor e Rendas Douradas

A escuridão do Reino Dourado não era como a noite comum da superfície; era uma penumbra densa, carregada com o cheiro de terra úmida, magia antiga e o aroma persistente de ensopados exóticos que Laios e seu grupo insistiam em cozinhar. Para Pattadol, no entanto, o único cheiro que importava era o de pergaminho velho e tinta fresca.

Sentada à mesa improvisada em uma das salas de pedra do castelo, a jovem elfa loira sentia o peso do mundo — ou pelo menos o peso de toda a burocracia dos Canários — sobre seus ombros. Como a única capitã minimamente funcional após o caos que se instalara com a ascensão do novo rei, Pattadol fora designada para organizar os relatórios de danos, as provisões e a logística de retirada. Era, na prática, uma punição por sua suposta "ineficiência" anterior, mas ela a aceitava com a seriedade rígida de quem precisava provar seu valor.

Seus olhos azuis ardiam sob a luz fraca de uma vela que já estava na metade. Ela suspirou, ajeitando a postura e tentando ignorar a dor latejante na base da coluna.

— Você parece um gárgula prestes a rachar, Pattadol. Se continuar franzindo a testa desse jeito, vai acabar com rugas permanentes antes dos duzentos anos.

A voz era melódica, carregada de um sarcasmo preguiçoso que Pattadol reconheceria em qualquer lugar do mundo. Ela nem precisou levantar o olhar para saber quem era.

Citrus entrou na sala com a elegância de uma pantera. A elfa alta, de pele negra retinta que contrastava magnificamente com seus longos cabelos brancos, caminhava sem fazer barulho. Os detalhes dourados em sua testa brilhavam sob a luz da vela, e seus olhos cor de ouro pareciam reter uma luminosidade própria, sempre fixos em Pattadol com um brilho de diversão maliciosa.

— Citrus. — Pattadol tentou manter a voz firme, embora o cansaço a traísse. — O que faz acordada a esta hora? E como entrou aqui sem que os guardas notassem?

— Os guardas estão ocupados demais tentando entender se o que o Rei Laios serviu no jantar era um réptil ou uma planta — Citrus respondeu, aproximando-se da mesa. — E eu? Bem, eu trouxe um presente.

Ela estendeu a mão, revelando uma caneca de cerâmica de onde subia um vapor perfumado. O cheiro era doce, mas com um toque robusto e cremoso que Pattadol nunca havia sentido antes.

— O que é isso? — perguntou a loira, desconfiada, mas já sentindo a boca salivar.

— Os locais chamam de "Capuccino" — Citrus explicou, deslizando a caneca para a frente de Pattadol. — Parece que o novo rei trouxe algumas... receitas curiosas de seus companheiros de viagem. É quente, tem leite e algo que desperta os sentidos. Achei que sua cabecinha quadrada precisasse de um estímulo.

Pattadol hesitou, mas o frio da sala a venceu. Ela pegou a caneca, sentindo o calor aquecer seus dedos pálidos, e tomou um gole pequeno. Seus olhos se arregalaram. Era delicioso.

— É... aceitável — murmurou Pattadol, embora tenha tomado um gole muito maior logo em seguida.

— "Aceitável"? — Citrus soltou uma risada curta, apoiando-se na borda da mesa. Ela se inclinou para frente, e o movimento fez com que seus cabelos brancos caíssem sobre os ombros, expondo o decote generoso de sua vestimenta. — Você é tão péssima em mentir quanto é em relaxar, querida capitã.

Pattadol tentou focar no relatório sobre o estoque de poções, mas a presença de Citrus era... perturbadora. A elfa mais alta não tinha o menor senso de pudor ou espaço pessoal. Ela usava roupas que pareciam mais destinadas a uma festa decadente do que a uma expedição em uma masmorra: tecidos finos que abraçavam suas curvas acentuadas e deixavam muito pouco à imaginação.

— Você não deveria estar vestida assim — disse Pattadol, a voz subindo uma oitava, denunciando seu nervosismo. — Estamos em serviço oficial, Citrus. Esse... esse decote é absolutamente inapropriado para uma sala de comando.

Citrus arqueou uma sobrancelha, um sorriso irônico brincando em seus lábios avermelhados.

— Ah, é mesmo? E o que exatamente o meu decote está fazendo para atrapalhar o seu precioso trabalho? — Ela se inclinou ainda mais, propositalmente. — Ele está impedindo você de ler? Ou está apenas fazendo seu coração bater um pouco mais rápido do que o recomendado pelos manuais dos Canários?

— Não seja ridícula! — Pattadol sentiu o rosto esquentar. — É uma questão de decoro. De seriedade! Como espera que os outros a respeitem se você se apresenta como se estivesse... como se estivesse...

— Como se eu estivesse confortável na minha própria pele? — Citrus completou, a voz baixando para um tom provocador. — Sabe, Pattadol, você é tão jovem e já age como uma anciã amargurada. Essa sua armadura emocional é muito mais pesada do que qualquer cota de malha.

Citrus contornou a mesa, caminhando até ficar atrás da cadeira de Pattadol. Ela inclinou-se sobre o ombro da loira, o hálito quente roçando a orelha pontuda de Pattadol.

— Olhe para mim e diga, com toda a sua autoridade de capitã... o que exatamente incomoda você?

Pattadol girou a cadeira abruptamente, pretendendo dar uma bronca definitiva, mas o movimento a colocou cara a cara com o busto de Citrus. A proximidade era tal que ela podia ver o brilho da pele negra e sentir o perfume cítrico que dava nome à elfa.

— É indecente! — Pattadol exclamou, gesticulando freneticamente para o peito da outra. — Você deveria colocar algo que cubra... tudo isso! Há regras de vestimenta, Citrus!

— Regras? — Citrus riu, uma risada profunda e vibrante. — Pattadol, olhe ao redor. Estamos em um reino governado por um homem que come monstros. A equipe está dispersa, o mundo quase acabou semana passada e você está preocupada com quanta pele eu decidi mostrar?

Ela deu um passo à frente, forçando Pattadol a se encolher na cadeira.

— Além disso — continuou Citrus, os olhos dourados brilhando com uma intensidade predatória e divertida —, eu não sou a única no grupo que veste pouca roupa. Já viu as roupas de baixo que alguns dos nossos guerreiros usam para treinar? Ou a maneira como as elfas da guarda real se vestem no verão? Por que o meu corpo incomoda tanto você, especificamente?

— Porque você faz isso de propósito! — Pattadol acusou, o dedo trêmulo apontado para Citrus. — Você usa sua... sua aparência para desestabilizar as pessoas! Para me provocar!

Citrus parou por um momento, o sorriso se tornando algo mais suave, porém não menos perigoso. Ela levou a mão ao próprio decote, deslizando os dedos longos pela borda do tecido.

— E se eu disser que você está certa? — sussurrou ela. — E se eu disser que adoro ver como você fica vermelha? Adoro como sua seriedade desmorona quando eu chego perto. Você é tão certinha, Pattadol... dá vontade de ver o que acontece quando você finalmente perde o controle.

Pattadol tentou desviar o olhar, mas Citrus segurou seu queixo com delicadeza, forçando-a a encarar aqueles olhos dourados.

— Você diz que eu deveria me cobrir — Citrus continuou, aproximando o rosto. — Mas seus olhos não param de descer. Se você odeia tanto, por que não consegue parar de olhar?

— Eu não estou olhando! — mentiu Pattadol, a voz falhando miseravelmente.

— Está sim. — Citrus soltou o queixo dela e, num movimento audacioso, pegou a mão de Pattadol e a levou em direção ao seu próprio colo, parando a milímetros de sua pele. — Quer conferir se o tecido é mesmo tão inadequado assim? Ou quer admitir que está morrendo de curiosidade para saber o que há por baixo de toda essa "indecência"?

O coração de Pattadol martelava contra as costelas. Ela deveria retirar a mão. Deveria expulsar Citrus da sala e dar-lhe uma advertência formal por insubordinação e conduta imprópria. Ela era a capitã, afinal. Ela era a responsável.

Mas o calor que emanava de Citrus era convidativo. O cheiro do capuccino ainda flutuava no ar, misturando-se ao perfume da elfa negra, criando uma atmosfera inebriante que nublava o julgamento de Pattadol.

— Você é... insuportável — sussurrou Pattadol, mas sua mão não recuou. Seus dedos, por vontade própria, roçaram a pele macia logo acima do decote de Citrus.

A elfa mais alta soltou um suspiro satisfeito, fechando os olhos por um breve segundo.

— E você é uma péssima mentirosa, Pattadol.

— Se alguém entrar... — Pattadol começou, mas Citrus a interrompeu, colocando um dedo sobre seus lábios.

— Ninguém vai entrar. Estão todos ocupados demais com o novo mundo. Só existimos nós duas nesta sala escura, com papéis chatos e um capuccino que está esfriando.

Citrus inclinou-se novamente, desta vez eliminando qualquer distância. Seus lábios avermelhados tocaram o canto da boca de Pattadol, um beijo casto que prometia muito mais.

— Então? — provocou Citrus, afastando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos azuis e dilatados da loira. — Vai continuar reclamando da minha roupa ou vai finalmente admitir que prefere me ver sem ela?

Pattadol sentiu a última barreira de sua resistência desmoronar. A responsabilidade, os relatórios, a punição dos Canários... tudo parecia distante e sem importância diante do fogo que Citrus acendera nela.

— Eu odeio você — murmurou Pattadol, antes de puxar Citrus pelo colarinho daquela roupa tão "inadequada" para um beijo de verdade.

Citrus sorriu contra os lábios dela, uma vitória silenciosa e deliciosa.

— Eu sei que odeia, querida. Eu sei.

Naquela noite, os relatórios ficaram inacabados. O capuccino esfriou completamente sobre a mesa. E, pela primeira vez em muito tempo, Pattadol não se importou nem um pouco com as regras.
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