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Nerd and Popular unlikely love

Fandom: EngLot

Created: 5/18/2026

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RomanceDramaSlice of LifeJealousyCharacter StudyAU (Alternate Universe)
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O Reflexo por Trás das Lentes

O campus da universidade estava banhado pelo tom alaranjado do fim de tarde, mas o clima na mesa do refeitório externo era de pura conspiração. Charlotte Austin observava, através de seus cílios longos, a figura solitária sentada sob a sombra de uma acácia. Engfa Waraha estava lá, como sempre: o moletom cinza três vezes maior que seu corpo escondendo qualquer silhueta, os óculos de armação fina escorregando levemente pelo nariz enquanto ela lia um livro denso de astrofísica, e os fones de ouvido isolando-a do resto do mundo.

— Ela é um mistério impossível de decifrar — comentou Heide, girando o canudo em seu suco. — Ninguém nunca viu a Engfa em uma festa, ninguém sabe onde ela mora e, honestamente, acho que ela nem sabe que o resto de nós existe.

— Ela é só… nerd — Tina deu de ombros, lixando as unhas com indiferença. — Inteligente demais para o próprio bem, mas sem graça nenhuma.

Marima, com um sorriso travesso que Charlotte conhecia bem, inclinou-se para frente.

— Eu duvido que alguém aqui consiga tirar aquela expressão de "não me toque" do rosto dela. Especialmente você, Charlotte.

Charlotte sentiu o coração dar um solavanco. Ela fingiu desinteresse, ajustando uma mecha de seu cabelo castanho-claro ondulado. O que as amigas não sabiam era que Charlotte passava noites stalkeando o perfil privado (e quase sem fotos) de Engfa, tentando encontrar qualquer pista sobre a garota que, apesar de parecer invisível para muitos, ocupava todos os seus pensamentos.

— O que você quer dizer com isso? — Charlotte perguntou, tentando manter a voz firme.

— Uma aposta — propôs Marima. — Convide a Engfa para um encontro. Faça ela se apaixonar, ou pelo menos sair daquela bolha. Depois que ela estiver na palma da sua mão, você conta que foi tudo uma brincadeira. Se conseguir, eu te dou aquela bolsa da Prada que você namorou na vitrine ontem.

Charlotte sentiu um gosto amargo na boca. A ideia de machucar Engfa era repulsiva, mas a oportunidade de finalmente ter um motivo "oficial" para se aproximar dela era tentadora demais para sua natureza possessiva e curiosa. Ela já amava Engfa em segredo; a aposta seria apenas o seu passaporte.

— Feito — disse Charlotte, embora suas mãos estivessem suando.

Ela se levantou, ajeitando a saia de grife, e caminhou em direção à árvore. A cada passo, o perfume suave de Engfa — algo que lembrava sândalo e chuva — tornava-se mais nítido. Quando parou diante da garota, Engfa nem sequer levantou os olhos.

— Engfa? — chamou Charlotte, a voz mais doce do que o habitual.

A garota de óculos pausou a música e levantou o olhar. Por trás das lentes, os olhos castanhos de Engfa eram profundos e analíticos. Charlotte notou, de perto, as veias marcadas nas mãos dela que seguravam o livro, uma visão estranhamente atraente.

— Sim? — A voz de Engfa era baixa, rouca e absurdamente calma.

— Eu estava pensando… — Charlotte começou, sentindo-se subitamente pequena sob aquele olhar. — Se você não gostaria de ir ao cinema comigo neste sábado. Ou jantar. Apenas nós duas.

Engfa inclinou a cabeça, observando Charlotte de cima a baixo. Houve um silêncio tenso. Engfa notou o leve tremor nos dedos de Charlotte e a forma como as amigas dela observavam de longe. Um sorriso quase imperceptível surgiu no canto de seus lábios, revelando a ponta de um canino levemente pontiagudo.

— Um encontro, Austin? — perguntou Engfa, fechando o livro com um estalo seco. — Tem certeza de que aguenta o ritmo?

— Eu… eu aguento — respondeu Charlotte, surpresa pela audácia da resposta.

— Sábado, às 20h. Eu te busco. Me passe seu endereço.

Charlotte ficou estática enquanto Engfa se levantava. Ao ficar de pé, a diferença de altura e a presença de Engfa se tornaram esmagadoras. Mesmo sob o moletom largo, havia uma aura de elegância e poder que Charlotte nunca tinha notado no meio da multidão. Engfa colocou os fones de volta e saiu caminhando com uma postura impecável, deixando Charlotte para trás com o coração martelando contra as costelas.

O sábado chegou mais rápido do que Charlotte esperava. Ela passou horas se arrumando, escolhendo um vestido que realçasse suas curvas, mas que ainda parecesse casual. Ela estava nervosa, não pela aposta, mas pela possibilidade de que Engfa descobrisse seu segredo: que ela já estava rendida muito antes de Marima abrir a boca.

Às 20h em ponto, um ronco ensurdecedor de motor ecoou pela rua da mansão dos Austin. Charlotte correu até a janela e seus olhos quase saíram das órbitas. Parada à frente do portão estava uma Kawasaki Ninja H2R preta, uma máquina que exalava perigo e adrenalina.

A piloto desceu da moto, retirando o capacete de fibra de carbono. Charlotte sentiu o ar faltar. Não era a nerd do campus.

Engfa Waraha estava vestindo uma calça de couro preta justa que delineava pernas musculosas e longas, uma jaqueta de motociclista que deixava transparecer ombros largos e uma postura atlética, e uma camiseta branca básica que, por ser levemente justa, revelava o abdômen definido por anos de muay-thai e academia. Sem os óculos de grau, substituídos por lentes de contato devido ao seu leve astigmatismo, e com o cabelo castanho-escuro penteado para trás de forma rebelde, ela parecia uma estrela de cinema.

Charlotte desceu as escadas quase tropeçando nos próprios pés. Ao abrir a porta, ela se deparou com Engfa encostada na moto, segurando um capacete extra.

— Você está… diferente — conseguiu dizer Charlotte, os olhos fixos nos braços de Engfa, onde as veias estavam saltadas devido ao esforço de pilotar a moto pesada.

— O moletom é para o campus, Charlotte — disse Engfa, aproximando-se com um passo predatório. O perfume de sândalo agora estava misturado ao cheiro de gasolina e couro. — Fora dele, eu prefiro ser eu mesma. Vamos?

— Você dirige isso? — Charlotte apontou para a Ninja H2R.

— Adoro adrenalina — Engfa sorriu, e desta vez o sorriso foi completo, sexy e confiante. — E adoro observar como as pessoas se surpreendem quando percebem que nem tudo é o que parece.

Ela estendeu o capacete para Charlotte, mas antes que a menor pudesse pegá-lo, Engfa deu um passo para dentro do espaço pessoal de Charlotte, as mãos firmes enquadrando o rosto da herdeira dos Austin.

— Você está linda, Charlotte. Mas eu sei sobre a aposta.

O mundo de Charlotte desabou por um segundo. O sangue fugiu de seu rosto.

— Engfa, eu posso explicar…

— Shhh — Engfa colocou o polegar sobre os lábios de Charlotte, a pele quente contra a dela. — Eu não me importo com a aposta de Marima. O que eu quero saber é por que você me stalkeia há três meses se só queria ganhar uma bolsa de grife.

Charlotte arregalou os olhos. Como ela sabia?

— Eu sou inteligente, lembra? — Engfa sussurrou perto do ouvido de Charlotte, fazendo-a arrepiar-se inteira. — Eu vi você me olhando nos treinos de muay-thai. Eu vi você tentando tirar fotos escondidas na biblioteca. Eu só estava esperando você ter coragem de vir até mim.

— Eu não fiz isso por causa da bolsa — confessou Charlotte, a voz embargada pela honestidade repentina. — Eu fiz porque eu não sabia como chegar perto de você. Você parece tão… intocável.

Engfa recuou um pouco, olhando nos olhos de Charlotte com uma intensidade possessiva que fez o ventre da outra garota esquentar.

— Ninguém é intocável, Charlotte. Especialmente para alguém que eu já decidi que será minha.

O encontro não foi em um restaurante chique, como Charlotte imaginou. Engfa a levou para um mirante afastado da cidade, onde as luzes de Bangkok pareciam um tapete de diamantes. Elas conversaram por horas sobre tudo: sobre o coelhinho de Charlotte, Phalo, e sobre o cachorrinho de Engfa, Kiew. Engfa contou sobre sua paixão secreta por música e como o sobrenome Waraha era um fardo que ela preferia esconder para ser julgada pelo seu próprio mérito.

— Minhas amigas acham que você é uma nerd indefesa — disse Charlotte, sentada no capô da moto enquanto Engfa permanecia entre suas pernas, protegendo-a do vento frio.

— E você? O que você acha? — perguntou Engfa, as mãos grandes e calejadas descansando nas coxas de Charlotte.

— Eu acho que você é a pessoa mais perigosa que já conheci — Charlotte admitiu, passando os dedos pela nuca de Engfa. — Porque você me faz querer desistir de tudo só para ver você sorrir sem esses óculos.

Engfa soltou uma risada curta e rouca, puxando Charlotte para mais perto. A possessividade de Engfa era silenciosa, manifestando-se na forma como ela cercava o corpo de Charlotte, garantindo que nada a atingisse.

— Esqueça a aposta, Charlotte. Amanhã, quando você chegar na universidade, todos vão saber que você não me "conquistou" por um desafio. Eles vão saber que eu permiti que você entrasse.

— Você é muito convencida para uma nerd — brincou Charlotte, embora seu coração estivesse transbordando.

— E você é muito ciumenta para quem acabou de chegar — rebateu Engfa, notando como Charlotte fechava a expressão sempre que o celular de Engfa vibrava com mensagens de Faye, sua melhor amiga. — Não se preocupe, baby. Faye é só minha parceira de festas. Você é a única que eu trouxe para o meu lugar favorito.

Charlotte sentiu uma onda de satisfação. O instinto possessivo que ela sempre tentou esconder florescia diante de Engfa, porque a outra garota não apenas aceitava, como retribuía na mesma moeda.

— Promete que não vai me contar que isso é um plano de vingança? — perguntou Charlotte em um sussurro, enquanto Engfa se inclinava para o beijo.

— Eu não perco meu tempo com vingança, Charlotte Austin — disse Engfa, os lábios a milímetros dos dela. — Eu invisto no que eu quero. E eu quero você desde o primeiro dia em que te vi pintando aquelas telas no jardim da escola, com o rosto sujo de tinta e o olhar mais determinado do mundo.

O beijo foi intenso, carregado de uma eletricidade que apenas anos de observação mútua e silenciosa poderiam criar. Engfa beijava como pilotava: com precisão, força e uma paixão que tirava o fôlego.

Naquela noite, Charlotte percebeu que a aposta tinha sido o seu maior erro e, ao mesmo tempo, seu maior acerto. Engfa Waraha era muito mais do que os óculos e os moletons sugeriam. Ela era uma força da natureza, uma herdeira poderosa escondida sob a pele de uma estudante comum, e agora, ela era o segredo mais perigoso e viciante de Charlotte.

— Engfa? — chamou Charlotte, quando elas finalmente se afastaram para respirar.

— Sim?

— Eu odeio abacaxi.

Engfa riu, um som rico e genuíno que ecoou pelo mirante.

— Eu sei. Eu li sua ficha médica na secretaria do diretor no mês passado. Só para garantir que eu nunca te daria nada que te fizesse mal.

Charlotte sorriu, sentindo-se estranhamente segura. Algumas pessoas poderiam chamar aquilo de obsessão, mas para as duas, era apenas a forma como o amor se manifestava entre duas herdeiras que tinham tudo, mas que só encontraram o que realmente importava uma na outra.

— Você é louca — disse Charlotte.

— Por você? Com certeza — respondeu Engfa, colocando o capacete em Charlotte e preparando-se para levá-la de volta, sabendo que, a partir daquele dia, a vida de ambas nunca mais seria a mesma.
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