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Te amo

Fandom: Harry potter

Created: 5/19/2026

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RomanceDramaAngstHurt/ComfortFantasyCharacter StudyDivergenceCanon Setting
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O Peso do Trono de Vidro

A Sala Comunal da Sonserina estava mergulhada em um silêncio sepulcral, quebrado apenas pelo estalar rítmico das brasas na lareira de pedra verde. Tom Riddle observava as chamas, mas não via o fogo. Seus olhos escuros e gélidos estavam fixos no vazio, enquanto seus dedos longos e pálidos giravam distraidamente o anel dos Gaunt em seu dedo indicador.

Faziam sete dias. Sete dias desde que o calor de Karen havia sido substituído pelo frio cortante de sua ausência. Sete dias desde que ela o confrontara no Corujal, sob a luz pálida da lua, e proferira palavras que ainda ecoavam em sua mente como uma maldição imperdoável.

— Se você seguir por esse caminho, Tom — dissera ela, com a voz embargada, mas os olhos cheios de uma determinação que ele raramente via em outros —, você não estará apenas criando um legado. Estará cavando uma cova para o homem que eu amo. E eu não vou ficar aqui para ver você se enterrar.

A decisão dele era clara, ou pelo menos deveria ser. Ele planejava um ritual obscuro, um passo definitivo para garantir que sua alma jamais fosse tocada pela mortalidade. Era a culminação de anos de pesquisa, o ápice de sua ambição. Mas Karen, com sua irritante capacidade de enxergar através de suas máscaras, percebera o custo. Ela percebera que, para alcançar aquela imortalidade, Tom teria que fragmentar a única coisa que ela valorizava nele: sua humanidade remanescente.

Tom fechou os olhos, recostando a cabeça na poltrona de couro. Ele tentou evocar a frieza que costumava ser seu escudo, mas a memória dela o traía. Ele se lembrou da primeira vez que a viu na biblioteca, não como uma seguidora deslumbrada, mas como uma igual que ousou questionar sua interpretação de "Magia Defensiva Prática".

Ele se lembrou do cheiro de baunilha e pergaminho que sempre a acompanhava, e de como o toque dela em sua mão era a única coisa capaz de silenciar as vozes de ódio e ressentimento que gritavam em sua mente desde os tempos do orfanato Wool.

— Milorde? — Uma voz hesitante interrompeu seus pensamentos.

Tom abriu os olhos lentamente. Abraxas Malfoy estava parado a poucos metros, mantendo uma distância respeitosa. O loiro parecia desconfortável, segurando um pergaminho com o selo que Tom conhecia bem.

— O que foi, Abraxas? — A voz de Tom era um sussurro perigoso, carregado de uma impaciência que fez o outro recuar um passo.

— Os preparativos para... o evento de amanhã à noite. Estão concluídos — informou Malfoy, limpando a garganta. — Os outros estão esperando o seu sinal. Eles acreditam que este é o momento de mostrar nossa força.

Tom olhou para o pergaminho. Ali continha o plano para o primeiro ato de violência real de seu grupo, um ataque coordenado que marcaria o início de sua ascensão e o sacrifício necessário para seu ritual. Era o ponto de não retorno.

— Deixe-me sozinho — ordenou Tom, sem olhar para o amigo.

— Mas, Tom, a Karen... ela tem falado com alguns de nós. Ela está tentando convencer...

— Eu disse para sair, Abraxas — rosnou Tom, e o brilho escarlate que por vezes cruzava suas pupilas fez com que Malfoy desaparecesse nas sombras das masmorras sem dizer mais uma palavra.

Novamente só, Tom levantou-se e caminhou até a janela que dava para as profundezas do Lago Negro. Uma lula gigante deslizou preguiçosamente pelo vidro. Ele pensou na briga de uma semana atrás. Ele a chamara de fraca. Dissera que ela não tinha a visão necessária para entender a grandeza. E ela, em resposta, apenas lhe dera um olhar de profunda piedade.

— A grandeza sem amor é apenas uma prisão dourada, Tom — ela dissera antes de dar as costas e sair, deixando-o sozinho no frio.

Ele a amava? A palavra era estranha em sua boca, quase um veneno. Mas o vazio em seu peito dizia que sim. Sem ela, o trono que ele estava construindo parecia subitamente feito de vidro, pronto para estilhaçar sob o peso de sua própria solidão. Ele percebeu que, se seguisse com o plano naquela noite, ele ganharia o mundo, mas perderia a única pessoa que realmente o conhecia e, de algum modo distorcido, o aceitava.

Ele não era um homem de redenção, mas era um homem de cálculos. E o cálculo de uma vida sem Karen resultava em um saldo negativo que ele não estava disposto a pagar.

Tom saiu da Sala Comunal, seus passos ecoando nos corredores desertos de Hogwarts. Ele sabia onde ela estaria. Karen sempre ia para a Torre de Astronomia quando precisava pensar, buscando no céu a ordem que o mundo dos homens lhe negava.

Quando ele chegou ao topo da escada em espiral, o vento frio da noite açoitou seu rosto. Ela estava lá, encostada no parapeito, observando as estrelas. Ela não se virou quando ele se aproximou, mas ele soube que ela sentira sua presença.

— Veio me dizer que sou uma traidora por não apoiar sua loucura? — perguntou ela, a voz carregada de uma fadiga que partiu o que restava do coração de Tom.

Tom parou a alguns passos de distância. Ele observou o perfil dela, iluminado pela luz prateada.

— Passei a última semana tentando me convencer de que você estava errada — disse ele, a voz desprovida de sua habitual arrogância. — Tentei me convencer de que seu julgamento era nublado pelo sentimentalismo.

Karen finalmente se virou. Seus olhos estavam vermelhos, denunciando noites mal dormidas.

— E o que concluiu, Tom? Que sou apenas um obstáculo no seu caminho para a glória?

— Concluí que a glória não tem sabor se eu não tiver você para testemunhá-la — respondeu ele, dando um passo à frente. — Concluí que o preço que eu estava disposto a pagar era alto demais, não porque eu tema a escuridão, mas porque temo o mundo onde você não olha para mim da mesma forma.

Karen soltou uma risada amarga, balançando a cabeça.

— Você espera que eu acredite que vai desistir de tudo isso? Do poder? Do controle?

— Eu desisti do ritual — afirmou ele, e a gravidade em sua voz a fez estacar. — Mandei Malfoy e os outros recuarem. Não haverá ataque. Não haverá... fragmentação. Pelo menos não hoje.

Ela o estudou por um longo tempo, procurando por qualquer sinal de decepção ou manipulação. Tom permitiu que suas defesas caíssem, algo que ele só fazia diante dela.

— Por que, Tom? — sussurrou ela, aproximando-se cautelosamente.

— Porque eu prefiro ser um homem mortal ao seu lado do que um deus sozinho — disse ele, estendendo a mão. — Eu não posso mudar quem eu sou, Karen. A ambição ainda queima em mim. Mas eu não quero perder o que temos por causa de uma sede que nunca será saciada.

Karen hesitou, olhando para a mão estendida dele. Ela sabia que ele era perigoso. Sabia que o caminho dele ainda seria tortuoso. Mas viu, naquele momento, o rapaz que ele fora antes de ser consumido pela sombra.

— Uma semana — disse ela, a voz tremendo. — Uma semana inteira de silêncio e dor. Eu achei que tinha perdido você para sempre.

— Você nunca vai me perder — prometeu ele, fechando a distância entre eles e segurando o rosto dela com as duas mãos. — A menos que você me mande embora.

— Eu nunca faria isso — respondeu ela, as lágrimas finalmente caindo. — Só quero que você seja o homem que eu sei que pode ser.

Tom inclinou a cabeça, encostando a testa na dela. O frio da noite parecia ter dissipado.

— Eu não sou um homem bom, Karen. Você sabe disso.

— Eu sei — disse ela, envolvendo a cintura dele com os braços, puxando-o para perto. — Mas você é o meu Tom. E isso é o suficiente por enquanto.

Eles ficaram ali, abraçados sob o manto das estrelas. Para o resto do mundo, Tom Riddle ainda era o monitor perfeito, o aluno prodígio e o futuro líder de uma revolução silenciosa. Mas ali, no alto da torre, ele era apenas um jovem que havia escolhido, pela primeira vez na vida, o amor em vez do poder.

— O que você vai dizer a eles? — perguntou ela após um tempo, referindo-se aos seus seguidores. — Eles esperam um líder inabalável.

Tom deu um sorriso de canto, um vislumbre de sua natureza calculista voltando à tona, mas desta vez suavizada.

— Direi que mudei de estratégia. Direi que a paciência é uma virtude que eles ainda precisam aprender. — Ele a beijou no topo da cabeça. — E direi que qualquer um que ousar questionar minha decisão terá que lidar comigo pessoalmente.

Karen riu baixo, escondendo o rosto no peito dele.

— Você não consegue evitar, não é? Sempre o tom de ameaça.

— É o meu charme — brincou ele, sentindo uma leveza que não experimentava há anos.

Eles desceram da torre juntos, de mãos dadas, atravessando os corredores escuros de Hogwarts. O futuro ainda era incerto, e as sombras na mente de Tom não haviam desaparecido completamente, mas naquela noite, a escuridão recuara.

Ao chegarem à entrada do salão comunal, Tom parou e a puxou para um último beijo, um beijo que selava não apenas a reconciliação, mas um novo pacto.

— Não me deixe ficar cego novamente — pediu ele, quase em um sussurro, antes de entrarem.

— Não deixarei — prometeu ela, apertando sua mão com força. — Estarei bem aqui, Tom. Sempre.

Naquela noite, as masmorras da Sonserina não pareceram tão frias. E, pela primeira vez em muito tempo, Tom Riddle dormiu sem sonhar com coroas de ossos ou imortalidade, mas sim com o som da risada de Karen ecoando pelos jardins da escola. O poder era tentador, mas o calor de uma alma que o amava era, ele descobriu, a magia mais potente de todas.
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