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meninas
Fandom: katseye
Created: 5/21/2026
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AU (Alternate Universe)DramaSlice of LifeCurtainfic / Domestic StoryCharacter StudyRealism
Sob as Luzes de Neon e o Som do Silêncio
A cobertura em Seul não parecia mais o dormitório vibrante de um grupo de idols em ascensão. O ar estava pesado, carregado com o cheiro de café forte e o zumbido incessante de três laptops abertos simultaneamente na mesa de jantar. Lara ajustou os fones de ouvido, os dedos voando sobre o teclado enquanto analisava planilhas de alcance e métricas de engajamento que fariam qualquer executivo da indústria tremer. Elas não eram mais apenas o KATSEYE; elas eram a própria empresa.
— Alguém viu o contrato da marca de cosméticos de Paris? — perguntou Sophia, entrando na sala com um tablet na mão e o cabelo preso em um coque apressado. — Eles querem exclusividade para a Manon, mas os termos de licenciamento de imagem estão uma bagunça.
Manon, que estava jogada no sofá com uma máscara facial e lendo um roteiro, nem sequer levantou os olhos.
— Se não tiver uma cláusula que me permita escolher os fotógrafos, eu não assino — disse Manon com uma voz calma, porém implacável. — Já passamos da fase de aceitar qualquer coisa só por exposição, Soph. Agora nós somos o "job".
Megan apareceu na porta da cozinha, equilibrando cinco copos de smoothie verde. Ela parecia a mais enérgica, embora as olheiras denunciassem as poucas horas de sono.
— Megan, você revisou a coreografia para o comercial da bebida energética? — Lara perguntou, girando a cadeira giratória.
— Já mudei metade dos passos — respondeu Megan, entregando os copos para as meninas. — A agência queria algo muito "fofo". Eu disse a eles que o KATSEYE vende poder, não açúcar. Eles reclamaram do orçamento, mas eu mostrei os números do último trimestre e eles calaram a boca.
Daniela entrou no recinto logo em seguida, fechando a porta da varanda. Ela estava ao telefone até aquele segundo, falando um espanhol rápido e incisivo que indicava que alguém, em algum lugar do mundo, estava levando uma bronca.
— Resolvido — anunciou Daniela, jogando-se ao lado de Manon. — O fornecedor de tecidos para a nossa linha de roupas tentou cobrar o dobro pelo frete. Eu lembrei a ele que temos cinco milhões de seguidores prontos para ouvir uma avaliação negativa sobre a logística dele. O desconto milagrosamente apareceu.
Houve um momento de silêncio, apenas o som dos goles nos smoothies. Elas se olharam, e por um instante, a imagem das meninas que treinavam dez horas por dia em uma sala de espelhos parecia uma memória de outra vida. Elas ainda dançavam, ainda cantavam, mas o jogo agora era outro. Elas eram as donas do tabuleiro.
— Cadê a Yoonchae? — perguntou Sophia, notando a ausência da caçula.
— No quarto, terminando a edição do vlog de bastidores — respondeu Lara. — Ela se tornou uma editora melhor do que os profissionais que a gravadora nos mandava. Ela diz que ninguém entende o nosso "ângulo" melhor do que nós mesmas.
Como se fosse convocada, Yoonchae saiu do corredor, esfregando os olhos. Ela segurava um iPad que exibia uma sequência de cortes rápidos e cores vibrantes.
— Está pronto — disse Yoonchae, sentando-se no chão, no centro do círculo que as outras formavam. — Mas eu mudei a trilha sonora. Usei o demo que a Lara produziu na semana passada. Ficou muito mais... executivo.
— Deixa eu ver — pediu Sophia.
As seis se inclinaram sobre a pequena tela. O vídeo não mostrava apenas idols bonitas; mostrava mulheres em reuniões, discutindo contratos, escolhendo tecidos, dirigindo suas próprias sessões de fotos. Era o retrato da transição. Elas tinham "virado do job". O trabalho não era mais algo que acontecia com elas; era algo que elas comandavam.
— Isso vai quebrar a internet — comentou Daniela, com um sorriso de lado. — As pessoas ainda acham que a gente só acorda e aparece bonita no palco.
— Que pensem — disse Manon, retirando a máscara facial e revelando uma pele impecável. — Enquanto eles subestimam a nossa inteligência, a gente compra as ações deles.
— Meninas, foco — interrompeu Sophia, embora também estivesse sorrindo. — Temos a reunião com os investidores de Tóquio em duas horas. Lara, os gráficos estão prontos?
— Estão no servidor — confirmou Lara. — Projeção de crescimento de 20% para o próximo semestre, sem contar o lucro das licenças individuais.
— Ótimo — Sophia levantou-se, assumindo a postura de líder que sempre lhe foi natural, mas que agora ganhava um peso corporativo. — Megan e Dani, vocês cuidam da parte técnica da performance. Yoonchae, você monitora o feedback em tempo real. Manon e eu cuidamos da negociação dos valores brutos.
— E se eles tentarem nos diminuir por causa da idade de novo? — perguntou Yoonchae, com uma ponta de ansiedade.
— Aí a gente faz o que fazemos de melhor — respondeu Megan, alongando os braços. — Mostramos que o nosso talento é o que paga o salário deles.
O clima na cobertura mudou instantaneamente. O que era um ambiente de trabalho doméstico transformou-se em uma sala de guerra. Cada uma delas sabia exatamente o seu papel. Elas não eram apenas um grupo global; eram uma marca multimilionária gerida por seis mentes que se recusavam a ser apenas rostos em um cartaz.
Enquanto se preparavam, vestindo blazers de corte impecável sobre roupas de grife, Lara parou por um segundo diante da janela, observando as luzes de Seul lá embaixo.
— Às vezes sinto falta de quando a nossa única preocupação era não errar a nota alta de "Touch" — confessou Lara, sem se virar.
Daniela aproximou-se e colocou a mão em seu ombro.
— Eu também — admitiu Daniela. — Mas olha para nós agora. Ninguém pode nos dizer o que fazer, o que vestir ou o que cantar. Nós somos as donas da nossa própria voz. Isso vale cada noite em claro revisando contrato.
— Com certeza — acrescentou Sophia, aparecendo atrás delas com as chaves do carro. — Agora vamos. Temos um império para gerenciar antes do jantar.
Elas saíram do apartamento em fila, um movimento coordenado que não precisava de música para ser coreografado. O elevador descia, e o reflexo no espelho mostrava seis mulheres que haviam entendido, cedo demais e de forma brilhante, que na indústria da música, ou você é o produto, ou você é o dono da fábrica.
No estacionamento, os carros pretos aguardavam. Não eram carros enviados pela empresa; eram os carros delas.
— Prontas? — perguntou Manon, ajustando os óculos escuros mesmo dentro da garagem.
— Sempre — responderam as outras em uníssono.
O ronco dos motores ecoou pelo concreto. O KATSEYE não estava indo para um show. Elas estavam indo para o trabalho. E, naquele mundo, não havia ninguém que fizesse o "job" melhor do que elas.
Enquanto os carros ganhavam as ruas de Seul, o tablet de Yoonchae apitou com uma notificação. O vídeo que ela acabara de postar já havia ultrapassado cem mil visualizações em menos de cinco minutos. Os comentários variavam entre choque e admiração. "Elas são as chefes agora", dizia um dos comentários mais curtidos.
Yoonchae sorriu para a tela e digitou uma resposta rápida antes de guardar o aparelho.
— O que você escreveu? — perguntou Megan, curiosa.
— Apenas a verdade — respondeu a caçula, olhando pela janela. — Escrevi: "O show é apenas 10% do que somos capazes".
As outras riram, uma risada confiante de quem sabia que o futuro não era algo que esperavam acontecer, mas algo que elas estavam construindo, cláusula por cláusula, batida por batida. O mundo ainda veria muito do KATSEYE, mas não da forma que esperavam. O palco agora era o mundo, e elas não aceitariam nada menos do que o controle total das luzes.
— Alguém viu o contrato da marca de cosméticos de Paris? — perguntou Sophia, entrando na sala com um tablet na mão e o cabelo preso em um coque apressado. — Eles querem exclusividade para a Manon, mas os termos de licenciamento de imagem estão uma bagunça.
Manon, que estava jogada no sofá com uma máscara facial e lendo um roteiro, nem sequer levantou os olhos.
— Se não tiver uma cláusula que me permita escolher os fotógrafos, eu não assino — disse Manon com uma voz calma, porém implacável. — Já passamos da fase de aceitar qualquer coisa só por exposição, Soph. Agora nós somos o "job".
Megan apareceu na porta da cozinha, equilibrando cinco copos de smoothie verde. Ela parecia a mais enérgica, embora as olheiras denunciassem as poucas horas de sono.
— Megan, você revisou a coreografia para o comercial da bebida energética? — Lara perguntou, girando a cadeira giratória.
— Já mudei metade dos passos — respondeu Megan, entregando os copos para as meninas. — A agência queria algo muito "fofo". Eu disse a eles que o KATSEYE vende poder, não açúcar. Eles reclamaram do orçamento, mas eu mostrei os números do último trimestre e eles calaram a boca.
Daniela entrou no recinto logo em seguida, fechando a porta da varanda. Ela estava ao telefone até aquele segundo, falando um espanhol rápido e incisivo que indicava que alguém, em algum lugar do mundo, estava levando uma bronca.
— Resolvido — anunciou Daniela, jogando-se ao lado de Manon. — O fornecedor de tecidos para a nossa linha de roupas tentou cobrar o dobro pelo frete. Eu lembrei a ele que temos cinco milhões de seguidores prontos para ouvir uma avaliação negativa sobre a logística dele. O desconto milagrosamente apareceu.
Houve um momento de silêncio, apenas o som dos goles nos smoothies. Elas se olharam, e por um instante, a imagem das meninas que treinavam dez horas por dia em uma sala de espelhos parecia uma memória de outra vida. Elas ainda dançavam, ainda cantavam, mas o jogo agora era outro. Elas eram as donas do tabuleiro.
— Cadê a Yoonchae? — perguntou Sophia, notando a ausência da caçula.
— No quarto, terminando a edição do vlog de bastidores — respondeu Lara. — Ela se tornou uma editora melhor do que os profissionais que a gravadora nos mandava. Ela diz que ninguém entende o nosso "ângulo" melhor do que nós mesmas.
Como se fosse convocada, Yoonchae saiu do corredor, esfregando os olhos. Ela segurava um iPad que exibia uma sequência de cortes rápidos e cores vibrantes.
— Está pronto — disse Yoonchae, sentando-se no chão, no centro do círculo que as outras formavam. — Mas eu mudei a trilha sonora. Usei o demo que a Lara produziu na semana passada. Ficou muito mais... executivo.
— Deixa eu ver — pediu Sophia.
As seis se inclinaram sobre a pequena tela. O vídeo não mostrava apenas idols bonitas; mostrava mulheres em reuniões, discutindo contratos, escolhendo tecidos, dirigindo suas próprias sessões de fotos. Era o retrato da transição. Elas tinham "virado do job". O trabalho não era mais algo que acontecia com elas; era algo que elas comandavam.
— Isso vai quebrar a internet — comentou Daniela, com um sorriso de lado. — As pessoas ainda acham que a gente só acorda e aparece bonita no palco.
— Que pensem — disse Manon, retirando a máscara facial e revelando uma pele impecável. — Enquanto eles subestimam a nossa inteligência, a gente compra as ações deles.
— Meninas, foco — interrompeu Sophia, embora também estivesse sorrindo. — Temos a reunião com os investidores de Tóquio em duas horas. Lara, os gráficos estão prontos?
— Estão no servidor — confirmou Lara. — Projeção de crescimento de 20% para o próximo semestre, sem contar o lucro das licenças individuais.
— Ótimo — Sophia levantou-se, assumindo a postura de líder que sempre lhe foi natural, mas que agora ganhava um peso corporativo. — Megan e Dani, vocês cuidam da parte técnica da performance. Yoonchae, você monitora o feedback em tempo real. Manon e eu cuidamos da negociação dos valores brutos.
— E se eles tentarem nos diminuir por causa da idade de novo? — perguntou Yoonchae, com uma ponta de ansiedade.
— Aí a gente faz o que fazemos de melhor — respondeu Megan, alongando os braços. — Mostramos que o nosso talento é o que paga o salário deles.
O clima na cobertura mudou instantaneamente. O que era um ambiente de trabalho doméstico transformou-se em uma sala de guerra. Cada uma delas sabia exatamente o seu papel. Elas não eram apenas um grupo global; eram uma marca multimilionária gerida por seis mentes que se recusavam a ser apenas rostos em um cartaz.
Enquanto se preparavam, vestindo blazers de corte impecável sobre roupas de grife, Lara parou por um segundo diante da janela, observando as luzes de Seul lá embaixo.
— Às vezes sinto falta de quando a nossa única preocupação era não errar a nota alta de "Touch" — confessou Lara, sem se virar.
Daniela aproximou-se e colocou a mão em seu ombro.
— Eu também — admitiu Daniela. — Mas olha para nós agora. Ninguém pode nos dizer o que fazer, o que vestir ou o que cantar. Nós somos as donas da nossa própria voz. Isso vale cada noite em claro revisando contrato.
— Com certeza — acrescentou Sophia, aparecendo atrás delas com as chaves do carro. — Agora vamos. Temos um império para gerenciar antes do jantar.
Elas saíram do apartamento em fila, um movimento coordenado que não precisava de música para ser coreografado. O elevador descia, e o reflexo no espelho mostrava seis mulheres que haviam entendido, cedo demais e de forma brilhante, que na indústria da música, ou você é o produto, ou você é o dono da fábrica.
No estacionamento, os carros pretos aguardavam. Não eram carros enviados pela empresa; eram os carros delas.
— Prontas? — perguntou Manon, ajustando os óculos escuros mesmo dentro da garagem.
— Sempre — responderam as outras em uníssono.
O ronco dos motores ecoou pelo concreto. O KATSEYE não estava indo para um show. Elas estavam indo para o trabalho. E, naquele mundo, não havia ninguém que fizesse o "job" melhor do que elas.
Enquanto os carros ganhavam as ruas de Seul, o tablet de Yoonchae apitou com uma notificação. O vídeo que ela acabara de postar já havia ultrapassado cem mil visualizações em menos de cinco minutos. Os comentários variavam entre choque e admiração. "Elas são as chefes agora", dizia um dos comentários mais curtidos.
Yoonchae sorriu para a tela e digitou uma resposta rápida antes de guardar o aparelho.
— O que você escreveu? — perguntou Megan, curiosa.
— Apenas a verdade — respondeu a caçula, olhando pela janela. — Escrevi: "O show é apenas 10% do que somos capazes".
As outras riram, uma risada confiante de quem sabia que o futuro não era algo que esperavam acontecer, mas algo que elas estavam construindo, cláusula por cláusula, batida por batida. O mundo ainda veria muito do KATSEYE, mas não da forma que esperavam. O palco agora era o mundo, e elas não aceitariam nada menos do que o controle total das luzes.
