
← Back
0 likes
Sla
Fandom: Sla
Created: 5/21/2026
Tags
RomanceDramaAngstHurt/ComfortFantasyAlcohol AbuseCurtainfic / Domestic Story
O Sangue nas Mãos e o Perdão nas Asas
A mansão nas sombras da alcatéia parecia mais silenciosa do que o normal naquela noite. O relógio de pêndulo na sala de estar marcava quase três da manhã, e o som rítmico do tique-taque ecoava como marteladas no coração de Lion Mitsuki. O pequeno anjo, de apenas um metro e cinquenta e sete, parecia ainda menor encolhido no sofá de veludo. Suas asas, pequenas e frágeis, tremiam levemente sob a túnica clara, sensíveis às correntes de ar frio que sopravam pelas frestas das janelas.
Lion olhava para as próprias mãos, os olhos verdes brilhando com uma mistura de ansiedade e tristeza. Ele sabia quem era Nathaniel. Sabia que seu amado era o Rei Demônio Lobo, uma criatura de poder devastador, um líder que governava com garras de ferro e uma presença que fazia o próprio chão tremer. Nathaniel não era apenas um guerreiro; ele era a personificação do caos e da ordem em um mundo de sombras.
— Eu sei que ele é um demônio... o rei da alcatéia — sussurrou Lion para as paredes vazias, sua voz falhando. — Ele não precisa de um anjo se preocupando. Ele é forte. Ele é imortal para a maioria.
Mas Lion também sabia que, sob as cicatrizes e os chifres, Nathaniel ainda podia sentir dor. O anjo sentia cada flutuação na energia do companheiro, e naquela noite, o ar parecia carregado de estática e fúria. A preocupação era um peso físico em seu peito, uma pressão que o impedia de respirar direito.
De repente, o som pesado da porta de carvalho sendo escancarada interrompeu seus pensamentos.
Nathaniel entrou como uma tempestade de sombras. Seus dois metros e um de altura ocupavam todo o espaço do corredor. O cabelo preto, longo e selvagem, caía sobre o rosto, escondendo parcialmente as orelhas de lobo que estavam baixas, em sinal de estresse. Sua pele negra estava manchada de um vermelho viscoso que não era seu; o cheiro de ferro e morte o seguia como um rastro. O braço esquerdo tinha um corte profundo, e ele segurava uma garrafa de álcool forte na mão direita.
Lion se levantou rapidamente, os olhos arregalados de horror ao ver o estado do companheiro.
— Nathaniel! Você voltou... você está ferido! — Lion deu um passo à frente, as mãos estendidas, mas parou ao ver o brilho frio nos olhos do lobo.
Nathaniel não respondeu de imediato. Ele levou a garrafa aos lábios, virando metade do líquido de uma vez só, a garganta movendo-se com força. Com um movimento brusco, ele arremessou a garrafa contra a lareira apagada. O vidro se estilhaçou em mil pedaços, refletindo a luz fraca das velas.
— Por que está acordado? — a voz de Nathaniel saiu como um rosnado baixo, rouca e carregada de uma frieza que Lion raramente presenciava.
— Eu estava preocupado! — Lion exclamou, aproximando-se apesar do medo. — Você está sangrando, Nathaniel. E esse cheiro... por que você bebeu desse jeito? Você sabe que o álcool só piora o seu humor quando a caçada não vai bem.
Nathaniel soltou uma risada seca, desprovida de qualquer humor. Ele jogou o peso do corpo contra a mesa, sujando a madeira polida com o sangue de suas vítimas.
— A caçada foi um fracasso porque os humanos são covardes e os meus subordinados são inúteis — Nathaniel rosnou, limpando o sangue do rosto com as costas da mão, apenas borrando-o mais. — E agora eu chego em casa e tenho que lidar com o seu interrogatório?
— Não é um interrogatório, é cuidado! — Lion sentiu as lágrimas pinçarem seus olhos. — Eu não gosto do que você faz, Nathaniel. Eu não gosto de ver você chegar assim, coberto pelo sofrimento de outros. Isso te consome.
Nathaniel virou-se para ele, a aura demoníaca se expandindo, fazendo as sombras da sala dançarem de forma ameaçadora. Suas pequenas asas nas costas se agitaram, e os chifres pareciam mais imponentes sob a luz da lua.
— Você não gosta? — Nathaniel deu um passo em direção ao pequeno anjo, que recuou instintivamente. — Você é um anjo, Lion. Você vive de luz e bondade. O que você sabe sobre o que é necessário para manter esta alcatéia viva? Você vive aqui, protegido por mim, enquanto eu me sujo no lixo do mundo para que ninguém toque em você.
— Eu nunca pedi para você se tornar um monstro por mim! — Lion gritou, a voz subindo de tom pela primeira vez.
— Um monstro? — Nathaniel se aproximou, sua sombra engolindo o corpo pequeno de Lion. — É isso que eu sou para você agora? Talvez se você não fosse tão fraco, tão inútil com essas asas que nem servem para voar, eu não tivesse que me esforçar tanto para garantir que o mundo tenha medo de nós!
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Lion paralisou, sentindo como se tivesse levado um soco no estômago. Nathaniel nunca tinha usado suas inseguranças contra ele. Nunca.
— Nathaniel... — a voz de Lion saiu em um fio.
— Quer saber a verdade? — Nathaniel continuou, o estresse e a embriaguez nublando seu julgamento, a crueldade saindo sem filtro. — Às vezes eu olho para você e me pergunto por que perco meu tempo. Você é apenas um fardo, Lion. Um enfeite bonito e quebrado que eu carrego para me lembrar de algo que eu nunca poderei ser. Você não passa de uma criatura patética que nem o próprio céu quis manter.
Lion sentiu o coração se despedaçar. A mão direita subiu ao peito, apertando o tecido da túnica acima do coração, enquanto a outra cobria o rosto. As lágrimas começaram a cair, pesadas e quentes, escorrendo por entre seus dedos. O soluço que escapou de sua garganta foi agoniante, um som de pura dor emocional que pareceu cortar o ar carregado da sala.
Sem dizer uma palavra, Lion se virou, as pernas trêmulas, tentando caminhar em direção ao quarto. Ele queria se esconder, queria desaparecer. As palavras de Nathaniel tinham atingido o ponto mais sensível de sua alma: a sensação de inutilidade e a dor da rejeição.
Nathaniel ficou parado, observando as costas curvadas do anjo. O silêncio da casa agora era preenchido apenas pelos soluços baixos e sofridos de Lion.
De repente, como se um véu tivesse sido rasgado, a névoa de fúria e álcool na mente de Nathaniel se dissipou. O impacto do que ele havia dito o atingiu com a força de um raio. Ele viu Lion — seu Lion, a única criatura que o olhava sem medo, que cuidava de suas feridas com mãos gentis — desmoronando por causa de suas palavras venenosas.
O arrependimento foi instantâneo e devastador. As orelhas de lobo de Nathaniel baixaram completamente, colando-se à cabeça. Seus olhos, que muitos pensavam ser cegos, mas que viam a alma de Lion com clareza, se encheram de um horror profundo.
— Lion... — ele murmurou, a voz agora carregada de desespero.
Ele deu dois passos largos e alcançou o pequeno anjo antes que ele cruzasse a porta. Com o braço ferido e tudo, Nathaniel envolveu a cintura de Lion, puxando-o para trás, contra seu peito largo e manchado de sangue.
— Me solta! — Lion choramingou, tentando se soltar, mas sem força real. — Se eu sou um fardo, me deixe ir!
— Não! — Nathaniel o apertou com mais força, enterrando o rosto no pescoço do anjo, ignorando o fato de que estava sujando as vestes brancas de Lion com o sangue de suas vítimas. — Me perdoa... por favor, meu pequeno, me perdoa. Eu não quis dizer aquilo. Eu sou um idiota, um monstro, um animal...
Lion continuou a chorar, o peito soluçando contra o de Nathaniel. O demônio virou o anjo em seus braços, forçando-o a olhar para ele. Nathaniel se ajoelhou no chão, para ficar na altura de Lion, uma posição de completa submissão que ele não mostrava a ninguém.
— Olhe para mim, Lion — Nathaniel pediu, as mãos grandes e calejadas segurando o rosto delicado do anjo com uma ternura extrema, usando os polegares para limpar as lágrimas que não paravam de cair. — Eu estava com raiva, eu estava frustrado com o mundo, mas nada disso justifica o que eu disse. Você não é um fardo. Você é a minha âncora. Sem você, eu já teria me perdido na escuridão há muito tempo.
Lion olhou para Nathaniel através da visão embaçada. Ele viu o arrependimento genuíno nos olhos do demônio, viu a dor que era quase igual à sua. Nathaniel estava quebrado à sua frente, o grande Rei Lobo reduzido a um ser suplicante por causa do choro de seu amado.
— Você me chamou de inútil — Lion soluçou, a voz pequena. — Você disse que o céu não me quis...
— O céu é estúpido demais para merecer você — Nathaniel disse com ferocidade, encostando a testa na de Lion. — E eu sou um miserável por ter usado sua gentileza contra você. Suas asas são perfeitas porque são suas. Sua força não está no campo de batalha, Lion, está no fato de que você consegue amar alguém como eu. Isso é mais corajoso do que qualquer coisa que eu já fiz.
Nathaniel abraçou Lion novamente, escondendo o rosto no peito do anjo. Lion, apesar do cheiro de sangue e da dor das palavras ditas, não conseguiu se afastar. Ele envolveu o pescoço de Nathaniel com seus braços pequenos, sentindo os músculos tensos do demônio relaxarem sob seu toque. O carinho de Lion era o único remédio para a fera dentro de Nathaniel.
— Não faça mais isso — Lion sussurrou, acariciando as orelhas baixas do lobo. — Não me afaste quando você estiver sofrendo.
Nathaniel ergueu o rosto, os olhos brilhando com uma promessa silenciosa. Ele se inclinou e beijou a testa de Lion, depois cada uma das pálpebras ainda úmidas.
— Eu te amo, pequeno — Nathaniel sussurrou contra o ouvido de Lion, a voz vibrando suavemente. — Mais do que a minha própria vida. Mais do que o meu reino.
Lion apertou o abraço, enterrando o rosto nos cabelos pretos e rebeldes do demônio.
— Eu também te amo, seu lobo idiota — respondeu Lion, permitindo que um pequeno sorriso surgisse entre os soluços que cessavam. — Agora, vamos limpar essas feridas. Você está uma bagunça.
Nathaniel soltou um suspiro de alívio, sentindo o peso do mundo diminuir. Ele se levantou, carregando Lion nos braços como se ele não pesasse nada, levando-o em direção ao calor da lareira que ele mesmo acenderia com um estalar de dedos. Naquela noite, o rei demônio aprendeu que a lâmina mais afiada não era feita de aço, mas de palavras, e que a única cura para o estrago que ela causava era a entrega total ao amor de seu anjo.
Enquanto as chamas começavam a dançar, Nathaniel jurou a si mesmo que protegeria aquele choro e aquele sorriso com tudo o que restava de sua alma imortal. Porque Lion não era seu enfeite; ele era seu coração batendo fora do peito.
Lion olhava para as próprias mãos, os olhos verdes brilhando com uma mistura de ansiedade e tristeza. Ele sabia quem era Nathaniel. Sabia que seu amado era o Rei Demônio Lobo, uma criatura de poder devastador, um líder que governava com garras de ferro e uma presença que fazia o próprio chão tremer. Nathaniel não era apenas um guerreiro; ele era a personificação do caos e da ordem em um mundo de sombras.
— Eu sei que ele é um demônio... o rei da alcatéia — sussurrou Lion para as paredes vazias, sua voz falhando. — Ele não precisa de um anjo se preocupando. Ele é forte. Ele é imortal para a maioria.
Mas Lion também sabia que, sob as cicatrizes e os chifres, Nathaniel ainda podia sentir dor. O anjo sentia cada flutuação na energia do companheiro, e naquela noite, o ar parecia carregado de estática e fúria. A preocupação era um peso físico em seu peito, uma pressão que o impedia de respirar direito.
De repente, o som pesado da porta de carvalho sendo escancarada interrompeu seus pensamentos.
Nathaniel entrou como uma tempestade de sombras. Seus dois metros e um de altura ocupavam todo o espaço do corredor. O cabelo preto, longo e selvagem, caía sobre o rosto, escondendo parcialmente as orelhas de lobo que estavam baixas, em sinal de estresse. Sua pele negra estava manchada de um vermelho viscoso que não era seu; o cheiro de ferro e morte o seguia como um rastro. O braço esquerdo tinha um corte profundo, e ele segurava uma garrafa de álcool forte na mão direita.
Lion se levantou rapidamente, os olhos arregalados de horror ao ver o estado do companheiro.
— Nathaniel! Você voltou... você está ferido! — Lion deu um passo à frente, as mãos estendidas, mas parou ao ver o brilho frio nos olhos do lobo.
Nathaniel não respondeu de imediato. Ele levou a garrafa aos lábios, virando metade do líquido de uma vez só, a garganta movendo-se com força. Com um movimento brusco, ele arremessou a garrafa contra a lareira apagada. O vidro se estilhaçou em mil pedaços, refletindo a luz fraca das velas.
— Por que está acordado? — a voz de Nathaniel saiu como um rosnado baixo, rouca e carregada de uma frieza que Lion raramente presenciava.
— Eu estava preocupado! — Lion exclamou, aproximando-se apesar do medo. — Você está sangrando, Nathaniel. E esse cheiro... por que você bebeu desse jeito? Você sabe que o álcool só piora o seu humor quando a caçada não vai bem.
Nathaniel soltou uma risada seca, desprovida de qualquer humor. Ele jogou o peso do corpo contra a mesa, sujando a madeira polida com o sangue de suas vítimas.
— A caçada foi um fracasso porque os humanos são covardes e os meus subordinados são inúteis — Nathaniel rosnou, limpando o sangue do rosto com as costas da mão, apenas borrando-o mais. — E agora eu chego em casa e tenho que lidar com o seu interrogatório?
— Não é um interrogatório, é cuidado! — Lion sentiu as lágrimas pinçarem seus olhos. — Eu não gosto do que você faz, Nathaniel. Eu não gosto de ver você chegar assim, coberto pelo sofrimento de outros. Isso te consome.
Nathaniel virou-se para ele, a aura demoníaca se expandindo, fazendo as sombras da sala dançarem de forma ameaçadora. Suas pequenas asas nas costas se agitaram, e os chifres pareciam mais imponentes sob a luz da lua.
— Você não gosta? — Nathaniel deu um passo em direção ao pequeno anjo, que recuou instintivamente. — Você é um anjo, Lion. Você vive de luz e bondade. O que você sabe sobre o que é necessário para manter esta alcatéia viva? Você vive aqui, protegido por mim, enquanto eu me sujo no lixo do mundo para que ninguém toque em você.
— Eu nunca pedi para você se tornar um monstro por mim! — Lion gritou, a voz subindo de tom pela primeira vez.
— Um monstro? — Nathaniel se aproximou, sua sombra engolindo o corpo pequeno de Lion. — É isso que eu sou para você agora? Talvez se você não fosse tão fraco, tão inútil com essas asas que nem servem para voar, eu não tivesse que me esforçar tanto para garantir que o mundo tenha medo de nós!
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Lion paralisou, sentindo como se tivesse levado um soco no estômago. Nathaniel nunca tinha usado suas inseguranças contra ele. Nunca.
— Nathaniel... — a voz de Lion saiu em um fio.
— Quer saber a verdade? — Nathaniel continuou, o estresse e a embriaguez nublando seu julgamento, a crueldade saindo sem filtro. — Às vezes eu olho para você e me pergunto por que perco meu tempo. Você é apenas um fardo, Lion. Um enfeite bonito e quebrado que eu carrego para me lembrar de algo que eu nunca poderei ser. Você não passa de uma criatura patética que nem o próprio céu quis manter.
Lion sentiu o coração se despedaçar. A mão direita subiu ao peito, apertando o tecido da túnica acima do coração, enquanto a outra cobria o rosto. As lágrimas começaram a cair, pesadas e quentes, escorrendo por entre seus dedos. O soluço que escapou de sua garganta foi agoniante, um som de pura dor emocional que pareceu cortar o ar carregado da sala.
Sem dizer uma palavra, Lion se virou, as pernas trêmulas, tentando caminhar em direção ao quarto. Ele queria se esconder, queria desaparecer. As palavras de Nathaniel tinham atingido o ponto mais sensível de sua alma: a sensação de inutilidade e a dor da rejeição.
Nathaniel ficou parado, observando as costas curvadas do anjo. O silêncio da casa agora era preenchido apenas pelos soluços baixos e sofridos de Lion.
De repente, como se um véu tivesse sido rasgado, a névoa de fúria e álcool na mente de Nathaniel se dissipou. O impacto do que ele havia dito o atingiu com a força de um raio. Ele viu Lion — seu Lion, a única criatura que o olhava sem medo, que cuidava de suas feridas com mãos gentis — desmoronando por causa de suas palavras venenosas.
O arrependimento foi instantâneo e devastador. As orelhas de lobo de Nathaniel baixaram completamente, colando-se à cabeça. Seus olhos, que muitos pensavam ser cegos, mas que viam a alma de Lion com clareza, se encheram de um horror profundo.
— Lion... — ele murmurou, a voz agora carregada de desespero.
Ele deu dois passos largos e alcançou o pequeno anjo antes que ele cruzasse a porta. Com o braço ferido e tudo, Nathaniel envolveu a cintura de Lion, puxando-o para trás, contra seu peito largo e manchado de sangue.
— Me solta! — Lion choramingou, tentando se soltar, mas sem força real. — Se eu sou um fardo, me deixe ir!
— Não! — Nathaniel o apertou com mais força, enterrando o rosto no pescoço do anjo, ignorando o fato de que estava sujando as vestes brancas de Lion com o sangue de suas vítimas. — Me perdoa... por favor, meu pequeno, me perdoa. Eu não quis dizer aquilo. Eu sou um idiota, um monstro, um animal...
Lion continuou a chorar, o peito soluçando contra o de Nathaniel. O demônio virou o anjo em seus braços, forçando-o a olhar para ele. Nathaniel se ajoelhou no chão, para ficar na altura de Lion, uma posição de completa submissão que ele não mostrava a ninguém.
— Olhe para mim, Lion — Nathaniel pediu, as mãos grandes e calejadas segurando o rosto delicado do anjo com uma ternura extrema, usando os polegares para limpar as lágrimas que não paravam de cair. — Eu estava com raiva, eu estava frustrado com o mundo, mas nada disso justifica o que eu disse. Você não é um fardo. Você é a minha âncora. Sem você, eu já teria me perdido na escuridão há muito tempo.
Lion olhou para Nathaniel através da visão embaçada. Ele viu o arrependimento genuíno nos olhos do demônio, viu a dor que era quase igual à sua. Nathaniel estava quebrado à sua frente, o grande Rei Lobo reduzido a um ser suplicante por causa do choro de seu amado.
— Você me chamou de inútil — Lion soluçou, a voz pequena. — Você disse que o céu não me quis...
— O céu é estúpido demais para merecer você — Nathaniel disse com ferocidade, encostando a testa na de Lion. — E eu sou um miserável por ter usado sua gentileza contra você. Suas asas são perfeitas porque são suas. Sua força não está no campo de batalha, Lion, está no fato de que você consegue amar alguém como eu. Isso é mais corajoso do que qualquer coisa que eu já fiz.
Nathaniel abraçou Lion novamente, escondendo o rosto no peito do anjo. Lion, apesar do cheiro de sangue e da dor das palavras ditas, não conseguiu se afastar. Ele envolveu o pescoço de Nathaniel com seus braços pequenos, sentindo os músculos tensos do demônio relaxarem sob seu toque. O carinho de Lion era o único remédio para a fera dentro de Nathaniel.
— Não faça mais isso — Lion sussurrou, acariciando as orelhas baixas do lobo. — Não me afaste quando você estiver sofrendo.
Nathaniel ergueu o rosto, os olhos brilhando com uma promessa silenciosa. Ele se inclinou e beijou a testa de Lion, depois cada uma das pálpebras ainda úmidas.
— Eu te amo, pequeno — Nathaniel sussurrou contra o ouvido de Lion, a voz vibrando suavemente. — Mais do que a minha própria vida. Mais do que o meu reino.
Lion apertou o abraço, enterrando o rosto nos cabelos pretos e rebeldes do demônio.
— Eu também te amo, seu lobo idiota — respondeu Lion, permitindo que um pequeno sorriso surgisse entre os soluços que cessavam. — Agora, vamos limpar essas feridas. Você está uma bagunça.
Nathaniel soltou um suspiro de alívio, sentindo o peso do mundo diminuir. Ele se levantou, carregando Lion nos braços como se ele não pesasse nada, levando-o em direção ao calor da lareira que ele mesmo acenderia com um estalar de dedos. Naquela noite, o rei demônio aprendeu que a lâmina mais afiada não era feita de aço, mas de palavras, e que a única cura para o estrago que ela causava era a entrega total ao amor de seu anjo.
Enquanto as chamas começavam a dançar, Nathaniel jurou a si mesmo que protegeria aquele choro e aquele sorriso com tudo o que restava de sua alma imortal. Porque Lion não era seu enfeite; ele era seu coração batendo fora do peito.
