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YOU.

Fandom: The Maze Runner

Created: 12/13/2025

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DystopiaScience FictionPsychologicalAngstDramaOmegaverseHuman ExperimentationSurvival
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A Escolha de Newt

A poeira do Labirinto ainda se agarrava aos seus pulmões, mas a liberdade prometida era apenas uma miragem. Fora dali, o mundo era um espetáculo de ruínas, um lembrete cruel de que a WCKD não brincava em serviço. Mas a verdadeira devastação não estava nas cidades em escombros, e sim dentro deles. A Clareira, que um dia fora um refúgio de regras e rotinas, transformara-se num campo de batalha silencioso, onde a guerra era travada nos recantos mais sombrios da mente.

Os alfas carregavam marcas invisíveis. A insónia era uma constante, os olhos sempre abertos, vigiando uma ameaça que nunca se materializava de forma tangível, mas que pairava no ar como um miasma. A agressividade reprimida era palpável, um rugido contido que ameaçava explodir a qualquer momento. Os instintos de proteção, antes um motor para a sobrevivência, haviam-se tornado uma jaula, aprisionando Newt no seu centro. Eles não dormiam em turnos; dormiam em círculos, os corpos tensos, as mentes em alerta, Newt sempre no epicentro, como um tesouro frágil que o perigo poderia arrebatar a qualquer instante.

A WCKD observava. Cada movimento, cada olhar, cada suspiro.

Newt, por sua vez, começava a mudar. O stress prolongado, a pressão constante de ser o ponto focal daquele experimento cruel, a culpa silenciosa por cada vida perdida, tudo se manifestava de formas subtis e perturbadoras. Lapsos de memória, momentos em que a sua mente parecia esvaziar-se de qualquer pensamento, como um quadro em branco. Crises de ansiedade que o deixavam sem ar, com o coração a bater descompassado no peito, como um pássaro enjaulado. E as dores físicas, sem explicação, que percorriam o seu corpo, como se a sua própria carne estivesse a rebelar-se contra a tortura mental.

Os Criadores chamavam-lhe “instabilidade do ômega”. Thomas, com a sua fúria protetora a borbulhar, chamava-lhe tortura.

– Eles estão a quebrá-lo, Teresa, – Thomas sussurrou uma noite, a voz rouca de desespero, enquanto observavam Newt encolhido num canto, os olhos fixos num ponto invisível.

Teresa, sempre um passo à frente, sempre a analisar os padrões que os outros apenas sentiam, percebeu a verdade antes de todos.

– Não é instabilidade, Thomas. – A sua voz era baixa, quase um sussurro, mas carregada de uma frieza calculista que gelava a espinha. – Ele está a ser condicionado. Reprogramado.

Thomas franziu a testa, sem entender.

– Para quê?

– Para reagir de determinada forma aos alfas. Para ser o gatilho.

Minho, o alfa pragmático e observador, começou a notar que os sensores da WCKD disparavam sempre que Newt tomava decisões emocionais, sempre que a sua empatia o levava a agir de forma a proteger o grupo.

– Não é uma coincidência, – ele rosnou para Alby, uma tarde, enquanto Newt tentava acalmar Gally, que estava à beira de um ataque de fúria. – Cada vez que ele tenta apaziguar a situação, cada vez que ele se coloca em risco para nos manter unidos, eles registam.

Alby, o alfa estruturado e cauteloso, finalmente percebeu a extensão da manipulação.

– Os testes não são sobre sobrevivência, – ele murmurou, a voz grave. – São sobre lealdade. Até onde um alfa é capaz de ir quando o sistema ameaça quebrar o seu ponto mais vulnerável? Eles querem ver-nos implodir.

Gally, isolado e radicalizado pela sua própria paranoia, tornou-se o peão perfeito para a WCKD. Ele acreditava que sacrificar Newt era a única forma de salvar o resto, de restaurar a ordem que, em sua mente distorcida, o ômega havia quebrado. A sua raiva e medo foram habilmente explorados. Informações confidenciais começaram a vazar, planos de fuga, rotas, pontos fracos do grupo. O conflito atingiu o seu ponto mais perigoso quando o grupo percebeu que a WCKD tinha um protocolo final: separar o ômega do bando.

A tentativa de captura aconteceu à noite.

Não havia monstros mecânicos, nem o Labirinto labiríntico para os guiar. Apenas humanos armados, sombras esguias no escuro, corredores estreitos e a urgência de decisões rápidas. Newt foi levado durante minutos que pareceram horas, a sua ausência perfurando o coração do grupo como uma lâmina gelada. O desespero de Thomas era palpável, um rugido silencioso que ecoava na escuridão. Minho liderou a carga com uma fúria selvagem, Alby tentou manter a formação, mas o caos era inevitável.

Eles recuperaram-no, claro. Lutaram como demónios para o trazer de volta. Mas algo já havia sido quebrado. Ele regressou… diferente. Mais fechado. Mais distante. Como se estivesse a preparar-se para desaparecer, não apenas fisicamente, mas da essência do que ele era.

Teresa, com os seus dedos ágeis a dançar sobre os teclados de computadores que havia conseguido ativar, descobriu os arquivos que confirmavam o pior cenário.

– Newt foi criado para ser o fator de colapso emocional, – ela anunciou, a voz fria, mas os olhos revelando uma ponta de choque. – Se ele ceder, nós tornamo-nos instáveis. Se nós cedermos, o experimento é considerado um sucesso.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. A verdade, nua e crua, pairava no ar.

E Newt sabia disso.

A sua mente brilhante, sempre um passo à frente, já havia processado todas as variáveis. Pela primeira vez, ele considerou seriamente afastar-se por conta própria. Não por medo da WCKD, não por covardia. Mas por amor. Um amor profundo e doloroso pelos alfas que o protegiam com tanto fervor. Ele acreditava que desaparecer era a única forma de proteger quem amava, de quebrar o ciclo vicioso que a WCKD havia imposto.

Thomas percebeu tarde demais. Notou o olhar distante de Newt, a forma como ele se afastava dos abraços, a sua voz que se tornava cada vez mais um sussurro. Tentou alcançá-lo, mas a parede que Newt havia erguido era intransponível.

Minho reagiu com fúria. A ideia de Newt se afastar, de se sacrificar silenciosamente, era uma afronta ao seu instinto protetor.

– Ele não vai a lugar nenhum! – ele rosnou, os punhos cerrados. – Nós vamos protegê-lo!

Alby tentou manter a ordem, a sua voz grave ecoando no ar.

– Precisamos de um plano, Minho. Não podemos agir impulsivamente.

Mas a verdade era que tudo estava a desmoronar.

A manhã seguinte trouxe um vazio insuportável. Newt não estava no seu lugar habitual, nem em nenhum dos locais onde costumava estar. A cama estava arrumada, um pequeno pedaço de papel dobrado cuidadosamente sobre o travesse.

Thomas apanhou-o, as mãos a tremer. As palavras eram poucas, a letra de Newt, geralmente tão elegante, parecia distorcida pela pressa ou pela emoção.

"Não posso ser o vosso colapso. Encontrem a vossa própria saída. Eu amo-vos."

A mensagem era fragmentada, mas a intenção era clara. Newt desaparecera voluntariamente.

O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pelo grito de dor e fúria de Thomas. Ele havia falhado. Eles haviam falhado. O seu instinto de alfa, que jurara proteger Newt a todo custo, havia sido ineficaz.

Minho reagiu com uma fúria cega, as suas pupilas dilatadas, a sua postura tensa.

– Não! Ele não pode fazer isso!

Alby, com o rosto pálido, tentou manter a compostura.

– Temos que pensar. Temos que encontrá-lo.

O arco final desta fase não era sobre fuga, mas sobre escolha. A escolha de Newt de se sacrificar para os proteger, e a escolha deles de não permitir isso.

A caçada começou.

Não para salvar o mundo. Não para desvendar os segredos da WCKD ou para lutar contra Grievers. Não. A caçada era para salvar Newt de se tornar exatamente o que os Criadores queriam: um sacrifício.

E desta vez, não haveria regras. Os seus instintos de alfa seriam a sua única bússola, a sua lealdade a Newt, o seu único mapa. Eles iriam encontrá-lo, custasse o que custasse. Porque proteger alguém não significava controlá-lo, mas respeitar a sua decisão – mesmo quando ela doía. Mas eles também sabiam que proteger alguém significava lutar por essa pessoa, mesmo contra a sua própria vontade, se essa vontade fosse autodestrutiva.

Newt havia feito a sua escolha. Agora, eles fariam a deles. E a WCKD, e o mundo em ruínas, que se cuidassem. Porque um grupo de alfas com o seu ômega perdido era uma força imparável, um furacão de fúria e determinação que não descansaria até o ter de volta.
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