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Severus semideus

Fandom: Harry Potter

Created: 12/14/2025

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FantasyDramaActionAdventureMagical RealismCharacter StudyAngstMysteryAU (Alternate Universe)Hurt/Comfort
Contents

A Varinha e o Tridente


Era mais um dia infernal em Hogwarts, ou pelo menos, assim parecia para Severus Snape. O sol da primavera, que para a maioria dos estudantes significava esperança e a proximidade das férias, para ele era apenas um lembrete do tempo que precisaria passar naquele inferno antes de poder se refugiar nas masmorras. Seu humor, já azedo por natureza, estava em seu ponto mais baixo. E, como se o universo tivesse um senso de humor particularmente cruel, James Potter e seus capangas, os Marotos, decidiram que era o momento perfeito para mais uma de suas gracinhas.

Severus estava a caminho da biblioteca, seus passos arrastados e a cabeça baixa, os cabelos lisos e negros caindo sobre os olhos, como uma cortina que o separava do mundo. Ele segurava um exemplar raro de "Poções Avançadas" que havia conseguido emprestado do professor Slughorn, esperando ter algumas horas de paz para mergulhar em seus estudos e esquecer a existência de Potter.

Mas a paz, para Severus, era um luxo que raramente lhe era concedido. Ao virar um corredor pouco movimentado, uma figura alta e arrogante se materializou à sua frente, bloqueando seu caminho. James Potter, com seu sorriso presunçoso e os cabelos revoltos, acompanhado de Sirius Black e Peter Pettigrew. Remus Lupin, como de costume, estava mais atrás, com um livro na mão e uma expressão de desconforto que Severus, em sua raiva, raramente notava.

"Ora, ora, se não é o Ranhoso", zombou James, seus olhos castanhos brilhando com malícia. "Aonde vai com tanta pressa, Snape? Fugindo de um banho?"

Severus sentiu o calor subir por seu pescoço. Ele apertou o livro contra o peito, os nós dos dedos brancos. "Saia do meu caminho, Potter", sibilou, sua voz baixa e cheia de veneno.

Sirius Black soltou uma risada debochada. "Ele está bravo, James! Cuidado, ele pode nos morder."

"Ou nos sufocar com o cheiro de suas poções rançosas", acrescentou Peter, com sua risada aguda e irritante.

James deu um passo à frente, sua varinha já em riste. "Olha, Ranhoso, sabemos que você não tem nada melhor para fazer, mas nós temos. Que tal um pouco de diversão antes?"

"Eu não tenho tempo para suas brincadeiras infantis, Potter", Severus respondeu, tentando contorná-los. Mas James foi mais rápido.

"*Levicorpus!*"

Severus sentiu uma força invisível puxá-lo pelos tornozelos, e ele foi erguido de cabeça para baixo no ar, o livro caindo com um baque surdo no chão. O sangue correu para sua cabeça, e a humilhação o atingiu como um soco no estômago. Ele ouviu as risadas estridentes dos Marotos, e a visão de James, com seu sorriso vitorioso, queimou em sua mente.

"Solte-me, Potter! Seu cretino arrogante!" Severus rosnou, tentando se debater. Mas a magia de James era forte.

"Não seja tão ingrato, Ranhoso. Estamos apenas te ajudando a ver o mundo de uma perspectiva diferente", James disse, gesticulando com a varinha para que Severus girasse no ar.

A raiva borbulhava em Severus, uma fúria ardente que ameaçava explodir. Ele se sentia impotente, ridículo, e a cada risada de James, um novo fragmento de sua dignidade era estraçalhado. Ele queria revidar, queria fazê-los pagar, mas sua varinha estava no chão, e ele estava preso, pendurado como um boneco.

"Você vai pagar por isso, Potter!" ele gritou, sua voz rouca de raiva.

James apenas riu mais alto. "Oh, eu estou morrendo de medo, Ranhoso. O que você vai fazer? Me envenenar com seu hálito?"

Foi então que aconteceu. A raiva de Severus atingiu um ponto de ebulição, uma intensidade que ele nunca havia experimentado antes. Ele sentiu uma pontada aguda em seu peito, como se algo estivesse se partindo dentro dele. Uma energia fria e poderosa, algo profundo e indomável, começou a se agitar em suas veias. Seus olhos negros se arregalaram.

De repente, a água de uma das armaduras decorativas que ladeavam o corredor, uma que mal tinha um palmo de profundidade e era apenas para fins estéticos, começou a borbulhar e a se agitar violentamente. Gotas de água voaram para fora do recipiente, e a armadura inteira tremeu.

Os Marotos pararam de rir, seus sorrisos sumindo. James franziu a testa, confuso. "O que...?"

Antes que ele pudesse terminar a frase, a água da armadura se ergueu em um jato poderoso, um pequeno, mas furioso, gêiser que atingiu James Potter bem no peito, jogando-o para trás com força. Ele caiu no chão, encharcado e com uma expressão de choque.

Sirius e Peter gritaram, recuando. Remus, que observava a cena com apreensão, largou o livro e deu um passo para trás, seus olhos arregalados.

Severus, ainda de cabeça para baixo, sentiu a energia percorrer seu corpo. Ele olhou para a água que agora estava escorrendo pela armadura, e depois para James, que tossia e se levantava com dificuldade. Não foi um feitiço. Ele não havia conjurado nada. Mas ele sabia. Ele sentiu.

Foi ele quem fez aquilo.

A magia de James, que o prendia no ar, vacilou. James, atordoado e encharcado, tentava se recuperar. Severus sentiu um novo impulso de poder, e com um grunhido, ele se jogou para baixo, conseguindo se soltar do feitiço. Ele caiu de pé, cambaleando um pouco, mas ileso.

Ele pegou sua varinha do chão, seus olhos fixos em James. "Eu disse que você ia pagar", ele sibilou, mas sua voz estava diferente, mais profunda, com um eco estranho.

James se levantou, sua expressão de choque se transformando em raiva. "O que você fez, Snape? Que tipo de magia negra foi essa?"

"Eu não fiz nada!" Severus respondeu, mas ele sabia que estava mentindo. Pelo menos, em parte. Ele não sabia o que tinha feito, mas sabia que era dele.

Sirius, recuperado do susto, apontou sua varinha para Severus. "Não minta, Ranhoso! Você usou alguma coisa esquisita!"

De repente, as tochas que iluminavam o corredor começaram a piscar erraticamente, e um som abafado, como o de ondas distantes, ecoou pelas paredes. O ar ficou pesado, carregado de uma eletricidade estranha.

Severus sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ele olhou para suas mãos, que tremiam levemente. A energia ainda estava lá, pulsando sob sua pele.

"O que diabos está acontecendo aqui?" A voz grave da Professora McGonagall cortou o ar, e a diretora da Grifinória apareceu no corredor, sua expressão de desaprovação endurecida.

Ao ver James encharcado e Severus com a varinha em riste, ela suspirou. "Potter, Black, Pettigrew! Snape! O que é toda essa confusão?"

"Foi o Snape, Professora!" James acusou, apontando para Severus. "Ele usou alguma magia estranha, me atacou com água!"

"Mentira!" Severus retrucou, sua voz ainda tingida de uma estranha intensidade. "Ele me atacou primeiro, me pendurou no ar! A água... a água só apareceu!"

McGonagall olhou para a armadura agora vazia, depois para James, que estava visivelmente molhado. Ela franziu a testa. "Água? De onde veio essa água, Potter?"

"Eu não sei, Professora! Ele fez alguma coisa!" James insistiu.

McGonusgal direcionou seu olhar perfurante para Severus. "Snape, você está dizendo que a água simplesmente... surgiu? Sem um feitiço?"

Severus hesitou. Como ele explicaria o que sentiu? A explosão de raiva, a energia fria, a sensação de que algo dentro dele havia despertado? "Eu... eu não conjurei nada, Professora. Eu só... senti raiva."

McGonagall apertou os lábios. "Sua raiva fez a água voar e atacar o Sr. Potter? Isso é uma afirmação bastante extraordinária, Sr. Snape."

Antes que Severus pudesse responder, a porta de uma sala próxima se abriu, e Alvo Dumbledore, com um brilho intrigante em seus olhos azuis, surgiu. "Minerva, parece que temos uma pequena agitação aqui. E uma atmosfera bastante... eletrizante, se me permite dizer."

Dumbledore olhou para Severus, e por um momento, Severus sentiu como se o diretor estivesse lendo sua alma. Os olhos azuis de Dumbledore pareciam perfurar a superfície, buscando algo mais profundo.

"Severus, meu caro, você parece um tanto... agitado", Dumbledore disse, com sua voz calma e serena. "Houve alguma perturbação?"

"Professor Dumbledore, os Marotos me atacaram de novo! E então, alguma coisa aconteceu com a água da armadura, e ela atacou o Potter!", Severus explicou, sua voz cheia de frustração.

Dumbledore olhou para a armadura, depois para James, e finalmente para Severus. Um pequeno sorriso brincou em seus lábios. "Entendo. Venham todos, por favor, à minha sala. Precisamos discutir isso com um pouco mais de... privacidade."

Os Marotos, embora relutantes, seguiram Dumbledore, com McGonagall os guiando. Severus, por sua vez, sentia um misto de apreensão e uma estranha excitação. A energia ainda zumbia em seu corpo, um sussurro de poder que o deixava inquieto.

Na sala de Dumbledore, os Marotos foram repreendidos por McGonagall, que lhes deu uma detenção severa. James tentou argumentar que Severus havia usado magia negra, mas Dumbledore o silenciou com um olhar.

"Sr. Potter, o que o Sr. Snape descreve é algo que vai além da magia negra comum. E francamente, a natureza do que aconteceu parece estar mais ligada a um... despertar, do que a um feitiço intencional." Dumbledore disse, seus olhos fixos em Severus.

Severus sentiu um calafrio. "Despertar, Professor? O que o senhor quer dizer?"

Dumbledore suspirou, seu olhar se tornando mais sério. "Severus, há coisas no mundo que vão além da magia que conhecemos em Hogwarts. Magia antiga, magia de linhagem, magia que se manifesta de formas inesperadas."

Ele pegou uma pequena caixa de madeira ornamentada de sua mesa e a abriu. Dentro, havia um objeto estranho: um tridente em miniatura, feito de um metal escuro e brilhante, com um brilho azulado.

"Você já ouviu falar de semideuses, Severus?" Dumbledore perguntou, sua voz baixa.

Severus piscou. "Semideuses? Como os da mitologia grega? Histórias de crianças de deuses e mortais?"

"Exatamente", Dumbledore assentiu. "Eles são mais do que apenas mitos, Severus. Eles existem. E às vezes, seus poderes se manifestam de formas... dramáticas."

Dumbledore estendeu o tridente em miniatura para Severus. "Este é um símbolo. Um símbolo de poder, de herança. E de um deus em particular."

Severus pegou o tridente. Ele era frio ao toque, mas uma energia familiar, a mesma que sentira no corredor, percorreu seus dedos. Ele olhou para Dumbledore, uma mistura de descrença e choque em seus olhos.

"O senhor está dizendo que eu sou... um semideus?" Severus perguntou, sua voz quase um sussurro.

Dumbledore sorriu gentilmente. "Severus, o que você demonstrou hoje, a capacidade de manipular a água com a sua emoção, o ar pesado, a eletricidade... tudo isso aponta para uma linhagem muito específica. Uma linhagem que remonta a um dos Três Grandes."

Severus sentiu o ar sair de seus pulmões. "Três Grandes? O senhor está falando de... Zeus, Hades e... Poseidon?"

Dumbledore assentiu. "Precisamente. E a maneira como a água reagiu à sua raiva, a energia fria que você descreveu, o tridente... tudo isso sugere que você é filho de Poseidon."

Severus sentiu sua mente girar. Poseidon. O deus grego dos mares, terremotos e cavalos. Ele, Severus Snape, filho de um deus mitológico? Era insano. Era ridículo. E, no entanto, a sensação de poder que ele sentira, a conexão com o tridente em suas mãos, tudo parecia... se encaixar.

"Isso é... impossível", ele murmurou, mas a palavra soou vazia.

"Nada é impossível, Severus, quando se trata dos deuses", Dumbledore disse. "A magia bruxa é apenas uma faceta da magia do mundo. A magia dos deuses é outra, e muitas vezes, elas se entrelaçam."

"Minha mãe... ela nunca mencionou nada", Severus disse, pensando em Eileen Prince, uma bruxa de sangue puro.

Dumbledore balançou a cabeça. "As mães mortais de semideuses raramente o fazem. É para protegê-los. A vida de um semideus é perigosa, Severus. São atraídos monstros, perigos que a maioria dos bruxos nunca sonharia em enfrentar."

"Monstros? Tipo... minotauros e ciclopes?" Severus perguntou, sentindo um arrepio.

"Exatamente", Dumbledore confirmou. "E é por isso que você precisará de treinamento. Não apenas em magia bruxa, mas também em como controlar seus poderes de semideus."

Severus olhou para o tridente em sua mão, depois para Dumbledore. Seu mundo havia virado de cabeça para baixo em questão de minutos. Ele era um bruxo, sim. Mas ele era também algo mais. Algo antigo, algo poderoso.

"O que eu faço agora, Professor?" ele perguntou, sua voz um pouco trêmula.

Dumbledore sorriu. "Primeiro, você vai manter isso em segredo. Para a sua segurança, e para a segurança de todos. Segundo, você vai começar a aprender. Eu tenho alguns contatos, pessoas que podem ajudá-lo a entender o que significa ser um filho de Poseidon."

"E os Marotos?"

Dumbledore olhou para a porta, onde McGonagall ainda estava conversando com os garotos. "Eles não entenderão, Severus. Para eles, você é apenas o 'Ranhoso'. E por enquanto, é melhor que continue sendo."

Severus assentiu. Ele sentia uma mistura de raiva e uma estranha sensação de alívio. A raiva por James Potter ainda estava lá, mas agora, havia algo mais. Um propósito. Um segredo.

Ele olhou para o tridente em sua mão. Ele era Severus Snape, bruxo, mestre em poções, e agora... filho de Poseidon. O mundo nunca mais seria o mesmo. E talvez, apenas talvez, ele finalmente tivesse o poder de se defender. E de fazer James Potter pagar por tudo. A muito custo.

Com o tridente em suas mãos, Severus sentiu um novo tipo de força, uma que não vinha de livros ou feitiços, mas de algo mais profundo, mais antigo. Ele seria um bruxo, sim, mas também seria um guerreiro. Um filho do mar, com a fúria das ondas e a profundidade de um oceano desconhecido.

A risada de James Potter ainda ecoava em seus ouvidos, mas agora, Severus tinha um segredo. Um segredo que poderia mudar tudo. E ele estava pronto para descobrir o que significava ser um semideus, mesmo que isso significasse mergulhar em um mundo de perigos e deuses. O mundo bruxo era apenas o começo.
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