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O Amor Real
Fandom: Novela Carrossel
Created: 1/6/2026
Tags
Slice of LifeDramaHurt/ComfortRealismCurtainfic / Domestic StoryCharacter StudyAU (Alternate Universe)
Um Papai para Chamar de Meu
A sala de aula estava em polvorosa, como sempre. Crianças correndo, risadas ecoando, e a professora Helena tentando, com sua paciência infinita, colocar ordem na bagunça. Mas, para mim, o caos era apenas um ruído de fundo. Meus olhos estavam fixos em Paulo Guerra.
Ele estava no canto da sala, fingindo não se importar com a briga de bolinhas de papel que acontecia entre Kokimoto e Mário. Seus cabelos castanhos estavam um pouco bagunçados, caindo sobre a testa, e um sorriso de canto de boca, quase imperceptível, brincava em seus lábios enquanto ele observava a cena. Paulo era lindo. Lindo de um jeito que fazia meu coração acelerar e minhas bochechas corarem só de pensar.
Eu sempre fui um pouco tímida, mas por ele, eu me arriscava. E hoje, mais do que nunca, eu precisava de um abraço dele. Um abraço daqueles que apertam forte e nos fazem sentir seguros, amados. Eu vinha de uma família um pouco complicada. Meus pais biológicos... bem, eles não estavam por perto. Eu morava com minha avó, que era um anjo, mas a ausência de uma figura paterna era um buraco no meu peito que parecia aumentar a cada dia.
Respirei fundo, tentando reunir toda a coragem que tinha. Caminhei em sua direção, sentindo minhas pernas tremerem um pouco. Ele me notou, e seus olhos negros, que às vezes pareciam tão distantes, se fixaram nos meus. O sorriso em seu rosto se alargou um pouco, e meu coração deu um salto.
"Oi, Paulo", eu disse, minha voz um pouco mais baixa do que eu gostaria.
"E aí, [Seu Nome]?", ele respondeu, com aquele tom de voz que era só dele, um misto de desinteresse calculado e um carinho que só eu parecia perceber.
"Posso... posso te pedir uma coisa?", perguntei, brincando com a barra do meu uniforme.
Ele inclinou a cabeça, curioso. "Depende. É para me emprestar seu lanche de novo?"
Eu ri, um pouco envergonhada. "Não! É... é outra coisa."
Ele me encarou por um momento, e eu pude ver um brilho de algo mais profundo em seus olhos. Carinho. Sim, era carinho. Eu sentia isso.
"Fala, então", ele disse, se encostando na parede.
"Eu... eu queria um abraço", confessei, sentindo minhas bochechas queimarem. "Bem forte. Um abraço bem apertado."
Para minha surpresa, ele não zombou. Não fez nenhuma piada sobre eu ser carente ou chorona. Em vez disso, ele sorriu, um sorriso genuíno que iluminou seu rosto.
"Só um abraço?", ele perguntou, mas já estava se aproximando.
Assenti, meus olhos implorando.
E então, ele me abraçou. Forte. Tão forte que eu quase perdi o fôlego, mas de um jeito bom. Meus braços se enrolaram em sua cintura, e eu senti o cheiro dele – um cheiro bom, de sabonete e um toque de aventura. Era o abraço mais seguro, mais acolhedor que eu já havia recebido. Eu podia sentir o calor do seu corpo, a batida do seu coração. Por um momento, o mundo parou. Não existia mais barulho, nem confusão. Apenas eu e Paulo, em nosso próprio universo particular.
Ele apertou um pouco mais, e eu senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto. Uma lágrima de alívio, de gratidão, de um amor que eu já não conseguia esconder.
"Ei, por que as lágrimas?", ele sussurrou, afastando-se um pouco, mas ainda me segurando. Seus dedos roçaram minha bochecha, limpando a lágrima.
"É que... é tão bom", eu disse, minha voz embargada.
Ele me olhou nos olhos, e havia algo diferente no seu olhar. Uma profundidade que eu nunca tinha visto antes. E então, ele fez algo que me surpreendeu ainda mais. Ele se inclinou e beijou minha bochecha. Depois a outra. E então, um beijo suave na minha testa.
"Você é uma bobona, sabia?", ele disse, mas o tom era de puro carinho. "Mas eu gosto de você, [Seu Nome]."
Meu coração disparou. Gostar. Ele disse que gostava de mim.
"Eu também gosto de você, Paulo", eu respondi, com um sorriso que parecia preencher todo o meu rosto.
Nesse momento, a professora Helena bateu palmas, chamando a atenção de todos. "Crianças, para os seus lugares! A aula vai começar!"
Paulo suspirou, mas não me soltou imediatamente. Ele me deu mais um apertão e um sorriso cúmplice antes de me deixar ir.
Eu voltei para o meu lugar, com o coração ainda batendo forte e o rosto ainda corado. O cheiro dele ainda estava em mim, e a sensação dos seus beijos na minha pele.
Os dias se seguiram, e a nossa amizade, que já era forte, se aprofundou ainda mais. Paulo, o menino travesso e rebelde, mostrava um lado carinhoso e protetor comigo que surpreendia a todos, até mesmo a si mesmo. Ele me defendia dos valentões, me ajudava nas lições (mesmo que reclamando) e sempre tinha um abraço e um sorriso quando eu mais precisava.
Um dia, depois da aula, estávamos sentados no pátio, observando as nuvens. Eu estava com a cabeça encostada no ombro dele, uma posição que se tornou natural em nossa convivência.
"Paulo", eu disse, minha voz um pouco hesitante.
"Hum?", ele murmurou, sem tirar os olhos do céu.
"Sabe... eu sinto falta de ter um pai", confessei, as palavras saindo antes que eu pudesse contê-las.
Ele ficou em silêncio por um momento, e eu me arrependi de ter falado. Ele provavelmente acharia isso estranho, ou ficaria desconfortável.
Mas então, ele se virou para mim, seus olhos sérios. "Eu sei, [Seu Nome]."
"É que... eu vejo os outros com os pais deles, e... e eu sinto um vazio", eu continuei, as lágrimas começando a se formar nos meus olhos.
Ele me abraçou novamente, apertando-me contra ele. "Não chora, tá bom? Você tem a sua avó, que é incrível."
"Eu sei", eu disse, fungando. "Mas é diferente, sabe? Um pai... um pai é diferente."
Ele ficou em silêncio por um longo tempo, apenas me acariciando os cabelos. Eu pensei que ele não diria mais nada, que ele tentaria mudar de assunto. Mas então, ele falou, e suas palavras me pegaram de surpresa.
"E se... e se eu pudesse ser esse pai para você?", ele disse, sua voz baixa, quase um sussurro.
Eu levantei a cabeça, olhando para ele, chocada. "O quê?"
Ele me olhou nos olhos, e a seriedade em sua expressão era palpável. "Eu sei que é estranho. E que eu sou só um garoto. Mas... eu me importo muito com você, [Seu Nome]. Mais do que você imagina."
Meu coração começou a bater descontroladamente. Era isso que eu sempre sonhei, mas nunca ousei pedir.
"Eu te vejo, [Seu Nome]. Eu vejo o quanto você é especial, o quanto você é forte. E eu... eu quero cuidar de você. Eu quero te proteger. Eu quero ser a pessoa que te dá conselhos, que te ajuda quando você está triste. Eu quero ser o seu porto seguro."
As lágrimas escorriam livremente pelo meu rosto agora, mas não eram lágrimas de tristeza. Eram lágrimas de pura alegria e esperança.
"Você... você faria isso por mim?", eu perguntei, minha voz quase inaudível.
Ele assentiu, seus olhos brilhando com uma emoção que eu nunca tinha visto nele antes. "Eu faria qualquer coisa por você, [Seu Nome]."
"Mas... como assim? Ser meu pai?", eu perguntei, ainda tentando processar tudo.
Ele sorriu, um sorriso um pouco tímido, mas cheio de amor. "Eu sei que não posso ser seu pai biológico. Mas eu posso ser o seu pai adotivo. Posso ser a pessoa que te escolhe, que te ama incondicionalmente, que te apoia em tudo."
Aquelas palavras... elas tocaram a parte mais profunda da minha alma. Escolher. Ele estava me escolhendo.
"Você... você realmente quer isso?", eu perguntei, ainda sem acreditar.
"Mais do que tudo", ele respondeu, e a sinceridade em sua voz era inquestionável. "Eu quero ser o seu papai, [Seu Nome]. Seu papai biológico de coração e seu papai adotivo para sempre."
Eu não pude conter a emoção. Me joguei nos braços dele, abraçando-o com toda a força que eu tinha. Eu chorei, chorei de alívio, de felicidade, de um amor que transbordava.
Ele me segurou apertado, me beijando o cabelo, o topo da cabeça, as bochechas. "Eu estou aqui, [Seu Nome]. Eu estou aqui para você."
Naquele dia, no pátio da Escola Mundial, Paulo Guerra, o menino travesso e rebelde, se transformou em algo muito mais para mim. Ele se tornou o meu papai. Não de sangue, mas de alma. Um pai que me escolheu, que me amava, que me protegia.
A ideia de ter um "pai" da minha idade, mesmo que de coração, era um pouco estranha para o mundo lá fora. Mas para nós, fazia todo o sentido. Ele preenchia um vazio que eu nem sabia que poderia ser preenchido. Ele me dava a segurança, o carinho e o amor incondicional que eu tanto ansiava.
Com o tempo, nossa relação se tornou ainda mais forte. Ele me acompanhava em todas as reuniões de pais e mestres, me ajudava com os deveres de casa, me levava para passear. Ele era meu confidente, meu protetor, meu melhor amigo. Ele era meu papai.
Os outros colegas, no início, acharam estranho. Mas logo perceberam o quão genuíno era o nosso vínculo. Eles viram o carinho em seus olhos, a forma como ele me defendia, a maneira como ele se preocupava comigo. E, aos poucos, eles começaram a nos ver como uma família. Uma família um pouco diferente, sim, mas cheia de amor.
A Professora Helena, sempre atenta e compreensiva, foi uma das primeiras a apoiar nossa "família". Ela via a transformação em Paulo, o quanto ele se tornava mais responsável e carinhoso ao meu lado. E via a felicidade em meus olhos, a segurança que eu encontrava em sua presença.
"Paulo, você tem um coração de ouro", ela me disse um dia, com um sorriso gentil. "E você, [Seu Nome], tem muita sorte."
E eu sabia que tinha. Eu tinha Paulo. Meu Paulo. Meu papai.
Anos se passaram, e a nossa relação só se consolidou. Paulo cresceu, se tornou um homem, mas o papel de "pai" para mim nunca mudou. Ele continuava me abraçando forte, me beijando o rosto e as bochechas, me protegendo e me amando com a mesma intensidade de quando ele fez aquela promessa no pátio da escola.
Eu nunca tive um pai biológico, mas eu tinha algo muito mais valioso: um pai de escolha. Um pai que me amava com todo o coração, que me queria em sua vida, que me via como sua filha. E isso, para mim, era o maior presente que a vida poderia me dar. Eu tinha um papai para chamar de meu. E ele era o melhor de todos.
