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O submisso

Fandom: Fic

Created: 2/2/2026

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DramaHurt/ComfortDarkCharacter StudyRealismPsychologicalAngst
Contents

A Lição Inesquecível

O ar na sala de estudo de Sebastian era denso, carregado com a tensão que só a expectativa de um castigo iminente podia criar. A luz fraca do abajur de bronze sobre a mesa de mogno lançava sombras longas e dançantes, transformando os objetos familiares em figuras ameaçadoras. Damian, ajoelhado no tapete persa, sentia o coração martelando contra as costelas, um ritmo descompassado e urgente que ecoava em seus ouvidos. Seus olhos, fixos no chão, não ousavam se erguer para encontrar o olhar de seu Mestre. Sabia o que o aguardava. A transgressão fora grave, a quebra de uma regra fundamental, e a punição seria proporcional.

Sebastian estava sentado à sua grande escrivaninha, a postura impecável, as mãos entrelaçadas sobre o tampo polido. A quietude dele era mais aterrorizante do que qualquer grito. Cada tic-tac do relógio de pêndulo na parede parecia amplificado, cada respiração de Damian, um sussurro traidor no silêncio opressor.

"Damian," a voz de Sebastian era calma, controlada, mas carregada com uma autoridade inquestionável que enviava um arrepio pela espinha de Damian. "Você sabe por que está aqui."

Damian engoliu em seco. "Sim, Mestre." Sua voz era um fio, mal audível.

"E você sabe a gravidade de sua desobediência?"

"Sim, Mestre. Eu... eu falhei." As palavras eram um reconhecimento amargo de sua falha. Ele havia prometido seguir as instruções de Sebastian à risca, especialmente em relação à sua saúde e bem-estar. Mas a tentação de se exceder no trabalho havia sido forte demais, e ele negligenciara o descanso prescrito, mergulhando em um projeto até a exaustão. Sebastian o encontrara adormecido sobre a mesa, pálido e com febre. A decepção no olhar de seu Mestre fora mais dolorosa do que qualquer tapa.

Sebastian levantou-se lentamente, sua figura alta e imponente projetando uma sombra ainda maior sobre o ajoelhado. Ele contornou a mesa, seus passos firmes e deliberados, cada um deles um martelo no peito de Damian. Parou atrás dele, e Damian sentiu o calor da presença de seu Mestre, uma mistura estranha de medo e anseio.

"Você sabe que minha preocupação com seu bem-estar é primordial, Damian. Que todas as minhas regras são para o seu próprio bem." A voz era agora mais próxima, ressoando diretamente nos ouvidos de Damian. "E ainda assim, você escolheu ignorar minhas ordens. Colocou-se em risco, e me desrespeitou ao fazê-lo."

"Me perdoe, Mestre. Eu não queria... Eu me perdi no trabalho. Não foi intencional." Damian tentou se explicar, mas sabia que desculpas eram fúteis.

"Intenção não anula a consequência, Damian. Suas ações tiveram um impacto. Você me preocupou. Você se prejudicou. E agora, você deve ser lembrado da importância da obediência e do auto-cuidado."

Sebastian moveu-se para a frente de Damian novamente, e seus olhos, frios e determinados, encontraram os de seu submisso. A intensidade do olhar era quase insuportável.

"Levante-se, Damian."

Damian obedeceu, hesitante, sentindo cada músculo protestar. Ele ficou de pé, os ombros ligeiramente curvados, a cabeça baixa.

"Vire-se e apoie-se na mesa." A ordem veio, clara e concisa.

Damian virou-se, apoiando as mãos na superfície lisa e fria da mesa de mogno. O cheiro de cera e madeira antiga preencheu suas narinas. Ele sentiu o olhar de Sebastian em suas costas, pesado e perscrutador.

Um breve silêncio se seguiu, que pareceu durar uma eternidade. Então, Damian ouviu o som sutil de tecido sendo movido. Ele sabia o que era. Sebastian estava tirando seu cinto. O som do couro sendo puxado através das fivelas era um prenúncio arrepiante.

"Você já foi avisado sobre as consequências de ignorar suas próprias necessidades, Damian. Você tem uma natureza zelosa, eu sei, mas sua dedicação não pode se sobrepor à sua saúde. É meu dever garantir que você se cuide." A voz de Sebastian era agora mais grave, mais sombria. "E para isso, às vezes, é preciso uma lembrança mais... física."

Damian sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ele sabia o que viria. O cinto de couro era uma ferramenta familiar, mas nunca menos temida. Ele apertou os olhos, respirando fundo, preparando-se.

Ele ouviu o sibilar do cinto no ar antes que o primeiro golpe atingisse. Um estalo forte e seco que ressoou na sala. A dor irrompeu em suas nádegas, um choque ardente que o fez prender a respiração. Ele estremeceu, os dedos apertando a madeira da mesa, as juntas brancas.

Sebastian esperou um momento, avaliando a reação de Damian, antes de desferir o segundo golpe. Novamente, o som cortou o silêncio, seguido por outra onda de dor. Desta vez, Damian soltou um pequeno gemido, uma admissão involuntária de sua vulnerabilidade.

"Um," Sebastian contou, sua voz firme e sem emoção. "Pela sua desobediência."

O cinto subiu e desceu novamente. O terceiro golpe foi mais forte, a dor se espalhando, aquecendo a pele. Damian sentiu as lágrimas se acumulando nos cantos de seus olhos, mas ele se recusava a deixá-las cair.

"Dois," Sebastian continuou, a voz inabalável. "Por me preocupar."

Cada golpe era preciso, medido, sem raiva, mas com uma determinação fria que era quase mais assustadora do que a fúria. A cada estalo, a dor aumentava, se acumulava, transformando-se em uma sensação latejante e constante. Damian sentia o calor se espalhando, a pele queimando sob o impacto repetido.

"Três," Sebastian pronunciou, e o cinto desceu mais uma vez. "Por negligenciar sua própria saúde."

Damian mordeu o lábio inferior para conter os gemidos que ameaçavam escapar. As lágrimas agora escorriam silenciosamente por suas bochechas, mas ele não se permitiu soluçar. A vergonha de sua falha e a intensidade da punição o mantinham em um estado de tensão e submissão. Ele sabia que merecia cada golpe.

Sebastian continuou a contar, cada número acompanhado pelo som agudo do cinto e a dor que se seguia. "Quatro... cinco... seis..."

A cada golpe, Damian sentia a pele queimar, a sensibilidade aumentando exponencialmente. Ele podia sentir as marcas se formando, o vermelho se aprofundando. Seus quadris estavam agora em chamas, uma dor pulsante que irradiava.

"Sete... oito... nove..."

O corpo de Damian tremia sob o impacto, mas ele manteve sua posição, as mãos agarradas à mesa, a cabeça baixa. Ele se concentrava em sua respiração, tentando controlá-la, tentando não dar a Sebastian a satisfação de vê-lo quebrado.

"Dez." O último golpe foi o mais forte, a dor explodindo em suas nádegas, fazendo-o arquear as costas em um reflexo involuntário. Um gemido alto escapou de seus lábios, e ele sentiu as pernas fraquejarem.

Sebastian parou. O som do cinto sendo guardado fez Damian prender a respiração. O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pela respiração ofegante de Damian e o batimento acelerado de seu coração.

"Você pode se virar agora, Damian." A voz de Sebastian estava de volta ao seu tom normal, embora ainda carregada de autoridade.

Damian virou-se lentamente, as pernas bambas, os olhos marejados. Ele encontrou o olhar de Sebastian, que era agora uma mistura de firmeza e algo que ele não conseguia identificar, mas que parecia um cuidado sombrio.

"Você entende a lição, Damian?" Sebastian perguntou, sua voz baixa e séria.

Damian assentiu, as lágrimas escorrendo livremente agora. "Sim, Mestre. Eu entendo." A dor era excruciante, mas a mensagem era clara.

"Você entende que minha intenção é sempre o seu bem, mesmo quando a correção é dolorosa?"

"Sim, Mestre." Sua voz estava embargada.

Sebastian deu um passo à frente, e Damian encolheu-se ligeiramente, esperando mais. Mas Sebastian apenas estendeu a mão, sua palma aberta.

"Venha aqui."

Damian hesitou por um momento, a dor latejando, o medo ainda presente. Mas havia algo no olhar de Sebastian, uma promessa de consolo após a tempestade. Ele deu um passo trêmulo, depois outro, até ficar diante de seu Mestre.

Sebastian colocou a mão na nuca de Damian, guiando-o suavemente para baixo, até que Damian estivesse ajoelhado a seus pés novamente. Ajoelhado, ele sentiu o calor da mão de Sebastian em seu cabelo, um toque inesperado de ternura.

"Olhe para mim, Damian."

Damian ergueu os olhos, encontrando o olhar de Sebastian. Os olhos de seu Mestre, antes frios e duros, agora continham uma profundidade de emoção que Damian reconhecia. Cuidado. Preocupação.

"Você sente a dor agora, Damian?"

"Sim, Mestre. Dói muito."

"E o que a dor lhe ensina?"

Damian levou um momento para processar a pergunta, a mente ainda nublada pela dor e pela emoção. "Ela me ensina a obedecer, Mestre. A me lembrar das minhas responsabilidades com a minha saúde. A... a valorizar o seu cuidado."

Sebastian assentiu lentamente, um pequeno sorriso quase imperceptível surgindo em seus lábios. "Exatamente. A dor é um lembrete, Damian. Um lembrete de que suas ações têm consequências, e que eu não tolerarei que você se prejudique. É um lembrete de que você é meu, e eu cuidarei de você, mesmo que isso signifique ser duro."

Ele se abaixou ligeiramente, sua mão ainda em Damian, e Damian sentiu o toque gentil dos dedos de Sebastian em sua bochecha úmida.

"Você está perdoado, Damian. Mas a lição deve ser lembrada."

"Eu vou me lembrar, Mestre. Eu prometo." A voz de Damian era um sussurro, mas carregado de sinceridade.

Sebastian se levantou, e Damian sentiu a mão deixar seu cabelo. "Agora, levante-se. E venha comigo. Há um bálsamo que vai aliviar a dor, e depois, um jantar leve e um descanso adequado. Nada de trabalho por hoje."

Damian obedeceu, levantando-se com dificuldade, a dor protestando a cada movimento. Mas havia um novo sentimento misturado à dor e à vergonha: um profundo senso de alívio e gratidão. Ele sabia que Sebastian o amava à sua maneira, uma maneira que exigia disciplina e obediência, mas que sempre tinha o bem-estar de Damian em seu cerne.

Enquanto seguia Sebastian para fora da sala de estudo, mancando ligeiramente, Damian sentiu o calor de um novo entendimento. A punição fora severa, mas justa. E a lição, ele sabia, seria inesquecível. Ele nunca mais negligenciaria as ordens de seu Mestre, nem sua própria saúde. Ele havia aprendido da maneira mais difícil, mas havia aprendido. E, de alguma forma estranha e profunda, ele se sentia mais próximo de Sebastian do que nunca. A dor física se misturava com a certeza de ser cuidado, de ser importante para seu Mestre, e isso, por si só, era um tipo de consolo.
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