
← Back
0 likes
a luz dos meus olhos
Fandom: percy jackson
Created: 2/2/2026
Tags
FantasyAdventureActionDramaHumorCharacter StudyMagical Realism
O Sorriso Dourado e o Mar de Problemas
O cheiro de pinho e ozono da Colina Meio-Sangue sempre foi um refúgio para Stella. Aos doze anos, com seus cabelos loiros esvoaçantes que pareciam capturar o próprio sol e olhos azuis que brilhavam com uma alegria contagiante, ela era a personificação da vivacidade. Filha de Apolo, o deus do sol, da música e da poesia, Stella herdara não apenas a beleza estonteante de seu pai, mas também um otimismo inabalável e uma energia que parecia não ter fim. Ela adorava a vida no acampamento, as aulas de arco e flecha (onde era, sem modéstia, uma prodígio), as sessões de fogueira com canções e as brincadeiras noturnas. Sua risada era um som constante, um lembrete alegre da luz que ela trazia para o mundo.
No entanto, a atmosfera no acampamento havia mudado. Uma nuvem de tensão pairava sobre os semideuses, mais densa do que qualquer névoa que pudesse esconder monstros. O boato do Raio-Mestre de Zeus roubado corria como um incêndio, e com ele, a ameaça cada vez maior de uma guerra entre os deuses. Stella, apesar de sua natureza alegre, sentia o peso da preocupação. Ela via os rostos tensos dos conselheiros, os sussurros apreensivos dos campistas mais velhos.
Foi então que Quíron, o sábio centauro, a convocou para a Casa Grande. O coração de Stella acelerou, uma mistura de nervosismo e excitação. Missões eram raras, e geralmente reservadas para os semideuses mais experientes. Entrar na sala de jogos, onde a fumaça das cartas de Pinochle pairava no ar, era como entrar em um santuário de segredos. Percy Jackson, o recém-chegado filho de Poseidon, estava lá, parecendo confuso e um tanto assustado. Ao seu lado, Annabeth Chase, filha de Atena, com seus olhos cinzentos afiados e uma expressão de inteligência calculista. E Grover Underwood, o sátiro com sua bengala e cascos nervosos, parecia à beira de um ataque de pânico.
"Stella", Quíron disse, sua voz calma, mas séria, "fico feliz que você tenha vindo."
Stella sorriu, tentando dissipar a tensão com sua habitual espontaneidade. "Claro, Quíron! Aconteceu algo emocionante?"
Annabeth, que parecia estar meditando sobre um mapa complexo, levantou os olhos. "Emocionante é uma forma de colocar. Você está na missão, Stella."
Os olhos azuis de Stella se arregalaram. "Na missão? Sério? Mas... eu nunca fui em uma missão antes!" Um misto de euforia e apreensão a invadiu. Ela sempre sonhara com missões, mas agora que a realidade se apresentava, a magnitude da responsabilidade era assustadora.
"Precisamos de seus talentos, Stella", Quíron explicou. "Sua capacidade de curar, sua mira impecável e, mais importante, seu espírito. Esta missão será perigosa e a moral precisará ser mantida. Percy, como filho de Poseidon, é o principal suspeito do roubo do Raio-Mestre. Ele precisa provar sua inocência e encontrar o verdadeiro ladrão antes que uma guerra total entre Zeus e Poseidon ecloda."
Percy, que até então parecia estar assimilando tudo com dificuldade, olhou para Stella. "Então você vem com a gente?" Sua voz soou um pouco incerta, como se ele não tivesse certeza se deveria ficar feliz ou ainda mais apavorado.
Stella, sempre pronta para um desafio, balançou a cabeça vigorosamente. "Claro que sim! Vai ser uma aventura, não vai?" Ela deu a Percy um de seus sorrisos mais radiantes, esperando que isso o tranquilizasse um pouco.
Annabeth suspirou. "É mais do que uma aventura, Stella. É uma questão de vida ou morte para todos nós."
Grover, que estava roendo as unhas, soltou um guincho. "E para os sátiros! Se os deuses entrarem em guerra, as florestas serão as primeiras a sofrer!"
Quíron bateu com um casco no chão, chamando a atenção de todos. "A missão é clara: vocês devem ir para o Mundo Inferior, pois acreditamos que Hades é o verdadeiro ladrão. Vocês terão dez dias. Se não encontrarem o Raio-Mestre e o devolverem a Zeus antes do solstício de verão, a guerra será inevitável."
Stella sentiu um arrepio percorrer sua espinha. O Mundo Inferior. O lugar dos mortos. Não era exatamente o tipo de aventura que ela imaginava, mas a ideia de ajudar a evitar uma guerra a encheu de uma determinação feroz.
Naquela mesma noite, enquanto as estrelas pontilhavam o céu escuro e a fogueira crepitava, o grupo se preparava para partir. Stella estava vibrando de ansiedade. Ela tinha sua aljava cheia de flechas, seu arco de bronze celestial que seu pai lhe dera de presente, e uma mochila com alguns suprimentos e um kit de primeiros socorros.
"Você tem certeza que quer fazer isso, Stella?", Annabeth perguntou, sua voz mais suave do que o habitual enquanto a ajudava a apertar as fivelas de sua mochila. "É perigoso."
Stella sorriu. "Perigo é meu segundo nome! Além disso, se tem alguém que pode iluminar o caminho, sou eu, não é? Filha de Apolo e tudo mais." Ela piscou, tentando aliviar a tensão de Annabeth.
Percy, que estava ajustando sua espada Contracorrente, olhou para Stella com uma expressão que misturava admiração e um pouco de ceticismo. Ele ainda estava se acostumando com o mundo dos deuses e monstros, e a ideia de uma garota de doze anos tão alegre em uma missão tão sombria era um contraste e tanto.
"Só não se meta em muita encrenca", Percy disse, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios.
Stella riu. "Prometo tentar! Mas não posso garantir nada quando há monstros para lutar e o destino do mundo em jogo!"
A jornada começou na manhã seguinte. Quíron os acompanhou até os limites do acampamento, sua expressão sombria refletindo a gravidade da situação. Eles pegaram um ônibus para Nova York, um mundo de mortais que parecia alheio à tempestade iminente.
A cidade era um turbilhão de sons e cheiros, uma explosão de vida que Stella achou fascinante. Ela nunca havia passado muito tempo fora do acampamento, e a energia da cidade era quase tão contagiante quanto a sua própria. Ela observava as pessoas, imaginando quais delas poderiam ser semideuses ou monstros disfarçados.
Grover, no entanto, estava cada vez mais tenso. Suas mãos tremiam, e ele olhava para cada canto escuro com pavor. "Eu sinto o cheiro... o cheiro de monstros. Está por toda parte."
Annabeth, sempre prática, consultava seu mapa e fazia anotações. "Precisamos ser discretos. Não podemos chamar a atenção dos mortais ou dos monstros."
Stella, por sua vez, estava mais preocupada em manter o ânimo do grupo. Ela começou a cantarolar uma melodia alegre, uma canção que seu pai havia lhe ensinado. A música era sua forma de lidar com o estresse, e ela esperava que ajudasse os outros também. Percy, que inicialmente parecia um pouco irritado com o canto, acabou balançando a cabeça no ritmo, e até mesmo Annabeth esboçou um pequeno sorriso. Grover, porém, apenas gemeu.
A primeira parada foi o Museu Metropolitano de Arte. Annabeth acreditava que lá eles poderiam encontrar alguma pista sobre o Raio-Mestre, talvez alguma referência a artefatos divinos. O museu era grandioso, com corredores amplos e obras de arte que pareciam respirar história. Stella ficou maravilhada com as esculturas e pinturas, imaginando as histórias por trás de cada uma delas.
Enquanto Annabeth se aprofundava nas seções de mitologia grega, Stella e Percy exploravam as outras galerias. Percy, visivelmente desconfortável com a formalidade do lugar, tentava evitar esbarrar em qualquer coisa.
"Isso é muito chique para mim", ele murmurou para Stella. "Prefiro o ar livre."
Stella riu. "Ah, Percy, não seja tão rabugento! Olhe para essa estátua! Parece que vai ganhar vida a qualquer momento." Ela apontou para uma escultura de mármrmore de uma deusa grega.
Foi então que eles sentiram um calafrio no ar, uma sensação de que não estavam sozinhos. Grover, que estava um pouco atrás deles, soltou um guincho abafado. "Monstro! Eu sinto! Está perto!"
Um som de arranhões e grunhidos veio de um corredor adjacente. Annabeth, que estava se aproximando, sacou sua faca de bronze celestial. "O que é isso?"
De repente, três Fúrias, com suas asas de morcego e rostos contorcidos de ódio, surgiram do corredor. Seus olhos vermelhos fixaram-se em Percy. "Filho de Poseidon! O ladrão! Você vai pagar!"
O museu, que antes era um lugar de tranquilidade, transformou-se em um campo de batalha. Os mortais começaram a gritar e correr em pânico.
"Corram!", Annabeth gritou, tentando guiar Percy e Stella para longe das Fúrias.
Mas Stella não era do tipo que fugia. Ela sacou seu arco, a madeira reluzindo levemente. Seus olhos azuis, antes cheios de alegria, agora ardiam com uma intensidade determinada. "Eu cuido de uma!" ela gritou, mirando em uma das Fúrias.
Com um movimento fluido e preciso, Stella disparou uma flecha. A ponta de bronze celestial atingiu a Fúria no ombro, e a criatura soltou um grito estridente de dor antes de se dissipar em poeira dourada.
Percy, que estava lutando com as outras duas Fúrias, usando sua espada Contracorrente, olhou para Stella com um misto de surpresa e admiração. "Uau! Bom tiro!"
Annabeth, que estava flanqueando as Fúrias, respondeu: "Ela é filha de Apolo, Percy. O que você esperava?"
Grover, apesar do pânico, tentava ser útil. Ele usava sua flauta para criar sons estridentes que pareciam irritar as Fúrias, distraindo-as o suficiente para Percy e Annabeth atacarem.
Stella disparou mais duas flechas, uma atingindo a segunda Fúria e a outra a terceira. Em questão de segundos, as três criaturas haviam se desintegrado em pó.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor, quebrado apenas pelos gritos distantes dos mortais e o som de alarmes. Stella abaixou seu arco, um sorriso vitorioso em seu rosto. "Isso foi... emocionante!"
Percy, ofegante, guardou sua espada. "Emocionante? Stella, quase fomos transformados em pó de monstro!"
Annabeth, com sua expressão habitual de seriedade, inspecionava os arredores. "Precisamos sair daqui. Agora. A névoa pode ter confundido os mortais, mas não podemos arriscar mais incidentes."
Enquanto eles saíam do museu, Stella sentiu uma pontada de orgulho. Ela havia lutado, havia ajudado, e não havia desmaiado de medo como achava que faria. A adrenalina ainda corria em suas veias, e ela sentia uma energia renovada.
"Para onde vamos agora?", Percy perguntou, olhando para Annabeth.
Annabeth consultou seu mapa novamente, seus olhos cinzentos fixos em um ponto. "O ônibus para o oeste. Nosso próximo destino é St. Louis. Acho que podemos encontrar algo no Arco Gateway."
A jornada de ônibus foi longa e cansativa. Stella tentava manter o ânimo cantando músicas baixinho e contando histórias engraçadas do acampamento, mas a tensão era palpável. Grover estava cada vez mais nervoso, Percy parecia pensativo e Annabeth estava imersa em seus pensamentos estratégicos.
Em St. Louis, o Arco Gateway se erguia majestoso contra o céu, um monumento de aço que parecia tocar as nuvens. Stella ficou impressionada com a grandiosidade da estrutura.
"É incrível!", ela exclamou, seus olhos azuis refletindo o brilho do sol no metal.
Annabeth, que lia um guia turístico, disse: "É um símbolo de expansão e descoberta. Talvez haja algo aqui que nos ajude a expandir nossa compreensão sobre o roubo."
Eles subiram até o topo do arco em um pequeno bonde, a vista da cidade se estendendo abaixo deles como um tapete. Stella estava fascinada, apontando para os diferentes pontos turísticos e imaginando as histórias que cada um deles guardava.
Foi então que o problema começou. A bordo do bonde, uma mulher idosa, com um sorriso doce e olhos que pareciam chamas, se aproximou deles. Stella sentiu uma pontada de desconforto, uma sensação de que algo estava errado.
"Ora, ora", a mulher disse, sua voz rouca e melosa. "Que grupo interessante. Jovens e cheios de energia. E um sátiro, que delícia." Seus olhos se fixaram em Grover, que estremeceu.
Grover apertou a mão de Percy. "Eu sinto... o cheiro dela... é forte."
Annabeth, sempre alerta, colocou a mão no punho de sua faca. "Quem é você?"
A mulher sorriu, revelando dentes afiados que pareciam longos demais para uma humana. "Eu sou Equidna, a Mãe dos Monstros. E este é meu filho, Quimera."
De repente, o bonde pareceu encolher. A mulher se transformou, crescendo em altura e largura, sua pele se tornando escamosa, seus olhos brilhando com malícia. E ao seu lado, um monstro gigantesco com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de serpente materializou-se. A Quimera.
O pânico se espalhou entre os mortais no bonde. Gritos ecoaram no espaço confinado. Stella, apesar do medo que tentava se instalar em seu coração, puxou seu arco.
"Percy, Annabeth, Grover!", ela gritou, sua voz firme. "Vamos!"
A Quimera soltou um rugido estrondoso, e de sua boca de leão, chamas irromperam, quase atingindo Percy. O ar no bonde ficou insuportavelmente quente.
Percy, com sua espada Contracorrente em mãos, tentou atacar a Quimera, mas o monstro era grande demais para o espaço apertado. Annabeth tentava desviar as chamas com seu escudo, enquanto Grover tentava tocar sua flauta, mas o som estava abafado pelo rugido da Quimera.
Stella, com sua mira precisa, disparou flechas contra a Quimera, visando seus pontos vulneráveis. As flechas batiam na pele escamosa do monstro, mas não pareciam causar muito dano.
"Precisamos de um plano!", Annabeth gritou, sua voz tensa. "Não podemos lutar aqui!"
Equidna riu, uma risada estridente que perfurava os ouvidos. "Não há para onde ir, semideuses. Vocês são meus. Especialmente você, filho de Poseidon. Seu sangue será uma oferenda digna."
Percy, em um ato de desespero, tentou empurrar a Quimera para fora do bonde, mas o monstro era forte demais. As chamas da Quimera atingiram o painel de controle do bonde, causando faíscas e fumaça.
"O bonde está caindo!", Grover guinchou, apontando para a estrutura que começava a ranger perigosamente.
Stella olhou para a situação, seus olhos azuis cheios de uma determinação feroz. Ela não podia deixar que eles morressem ali. Ela não podia deixar que a missão falhasse.
Ela viu uma abertura, um pequeno vão entre a Quimera e a parede do bonde. Era arriscado, mas era a única chance.
"Percy! Annabeth! Grover!", ela gritou, sua voz soando acima do barulho. "Pulem! Eu vou distraí-los!"
Antes que eles pudessem protestar, Stella disparou uma flecha diretamente no olho da Quimera. O monstro soltou um urro de dor e fúria, virando-se para Stella.
Equidna, furiosa, avançou em direção a Stella. "Sua garota atrevida! Você vai se arrepender disso!"
Stella sabia que não tinha chance contra Equidna e a Quimera sozinha. Mas ela precisava ganhar tempo. Ela disparou mais flechas, correndo e desviando dos ataques, usando sua agilidade e o espaço limitado a seu favor.
Enquanto Percy, Annabeth e Grover, relutantemente, saltavam do bonde em queda, Stella continuou a lutar. Ela sentiu uma picada de veneno do rabo de serpente da Quimera atingir seu braço, mas a dor a impulsionou ainda mais.
"Vão!", ela gritou, seus olhos azuis brilhando com uma coragem que ela não sabia que possuía. "Eu vou ficar bem!"
O bonde se desprendeu da estrutura, despencando em direção ao solo. Stella, com um último ato de desafio, disparou uma flecha flamejante, um dom que ela raramente usava, mas que agora parecia a única esperança. A flecha atingiu Equidna, que soltou um grito de surpresa e dor.
Enquanto o bonde caía, Stella fechou os olhos, o sorriso alegre em seus lábios, mesmo diante do perigo iminente. Ela havia cumprido sua parte. Ela havia ganhado tempo para seus amigos. E ela sabia que, de alguma forma, ela iria sobreviver. Afinal, ela era filha de Apolo. E o sol sempre volta a nascer.
No entanto, a atmosfera no acampamento havia mudado. Uma nuvem de tensão pairava sobre os semideuses, mais densa do que qualquer névoa que pudesse esconder monstros. O boato do Raio-Mestre de Zeus roubado corria como um incêndio, e com ele, a ameaça cada vez maior de uma guerra entre os deuses. Stella, apesar de sua natureza alegre, sentia o peso da preocupação. Ela via os rostos tensos dos conselheiros, os sussurros apreensivos dos campistas mais velhos.
Foi então que Quíron, o sábio centauro, a convocou para a Casa Grande. O coração de Stella acelerou, uma mistura de nervosismo e excitação. Missões eram raras, e geralmente reservadas para os semideuses mais experientes. Entrar na sala de jogos, onde a fumaça das cartas de Pinochle pairava no ar, era como entrar em um santuário de segredos. Percy Jackson, o recém-chegado filho de Poseidon, estava lá, parecendo confuso e um tanto assustado. Ao seu lado, Annabeth Chase, filha de Atena, com seus olhos cinzentos afiados e uma expressão de inteligência calculista. E Grover Underwood, o sátiro com sua bengala e cascos nervosos, parecia à beira de um ataque de pânico.
"Stella", Quíron disse, sua voz calma, mas séria, "fico feliz que você tenha vindo."
Stella sorriu, tentando dissipar a tensão com sua habitual espontaneidade. "Claro, Quíron! Aconteceu algo emocionante?"
Annabeth, que parecia estar meditando sobre um mapa complexo, levantou os olhos. "Emocionante é uma forma de colocar. Você está na missão, Stella."
Os olhos azuis de Stella se arregalaram. "Na missão? Sério? Mas... eu nunca fui em uma missão antes!" Um misto de euforia e apreensão a invadiu. Ela sempre sonhara com missões, mas agora que a realidade se apresentava, a magnitude da responsabilidade era assustadora.
"Precisamos de seus talentos, Stella", Quíron explicou. "Sua capacidade de curar, sua mira impecável e, mais importante, seu espírito. Esta missão será perigosa e a moral precisará ser mantida. Percy, como filho de Poseidon, é o principal suspeito do roubo do Raio-Mestre. Ele precisa provar sua inocência e encontrar o verdadeiro ladrão antes que uma guerra total entre Zeus e Poseidon ecloda."
Percy, que até então parecia estar assimilando tudo com dificuldade, olhou para Stella. "Então você vem com a gente?" Sua voz soou um pouco incerta, como se ele não tivesse certeza se deveria ficar feliz ou ainda mais apavorado.
Stella, sempre pronta para um desafio, balançou a cabeça vigorosamente. "Claro que sim! Vai ser uma aventura, não vai?" Ela deu a Percy um de seus sorrisos mais radiantes, esperando que isso o tranquilizasse um pouco.
Annabeth suspirou. "É mais do que uma aventura, Stella. É uma questão de vida ou morte para todos nós."
Grover, que estava roendo as unhas, soltou um guincho. "E para os sátiros! Se os deuses entrarem em guerra, as florestas serão as primeiras a sofrer!"
Quíron bateu com um casco no chão, chamando a atenção de todos. "A missão é clara: vocês devem ir para o Mundo Inferior, pois acreditamos que Hades é o verdadeiro ladrão. Vocês terão dez dias. Se não encontrarem o Raio-Mestre e o devolverem a Zeus antes do solstício de verão, a guerra será inevitável."
Stella sentiu um arrepio percorrer sua espinha. O Mundo Inferior. O lugar dos mortos. Não era exatamente o tipo de aventura que ela imaginava, mas a ideia de ajudar a evitar uma guerra a encheu de uma determinação feroz.
Naquela mesma noite, enquanto as estrelas pontilhavam o céu escuro e a fogueira crepitava, o grupo se preparava para partir. Stella estava vibrando de ansiedade. Ela tinha sua aljava cheia de flechas, seu arco de bronze celestial que seu pai lhe dera de presente, e uma mochila com alguns suprimentos e um kit de primeiros socorros.
"Você tem certeza que quer fazer isso, Stella?", Annabeth perguntou, sua voz mais suave do que o habitual enquanto a ajudava a apertar as fivelas de sua mochila. "É perigoso."
Stella sorriu. "Perigo é meu segundo nome! Além disso, se tem alguém que pode iluminar o caminho, sou eu, não é? Filha de Apolo e tudo mais." Ela piscou, tentando aliviar a tensão de Annabeth.
Percy, que estava ajustando sua espada Contracorrente, olhou para Stella com uma expressão que misturava admiração e um pouco de ceticismo. Ele ainda estava se acostumando com o mundo dos deuses e monstros, e a ideia de uma garota de doze anos tão alegre em uma missão tão sombria era um contraste e tanto.
"Só não se meta em muita encrenca", Percy disse, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios.
Stella riu. "Prometo tentar! Mas não posso garantir nada quando há monstros para lutar e o destino do mundo em jogo!"
A jornada começou na manhã seguinte. Quíron os acompanhou até os limites do acampamento, sua expressão sombria refletindo a gravidade da situação. Eles pegaram um ônibus para Nova York, um mundo de mortais que parecia alheio à tempestade iminente.
A cidade era um turbilhão de sons e cheiros, uma explosão de vida que Stella achou fascinante. Ela nunca havia passado muito tempo fora do acampamento, e a energia da cidade era quase tão contagiante quanto a sua própria. Ela observava as pessoas, imaginando quais delas poderiam ser semideuses ou monstros disfarçados.
Grover, no entanto, estava cada vez mais tenso. Suas mãos tremiam, e ele olhava para cada canto escuro com pavor. "Eu sinto o cheiro... o cheiro de monstros. Está por toda parte."
Annabeth, sempre prática, consultava seu mapa e fazia anotações. "Precisamos ser discretos. Não podemos chamar a atenção dos mortais ou dos monstros."
Stella, por sua vez, estava mais preocupada em manter o ânimo do grupo. Ela começou a cantarolar uma melodia alegre, uma canção que seu pai havia lhe ensinado. A música era sua forma de lidar com o estresse, e ela esperava que ajudasse os outros também. Percy, que inicialmente parecia um pouco irritado com o canto, acabou balançando a cabeça no ritmo, e até mesmo Annabeth esboçou um pequeno sorriso. Grover, porém, apenas gemeu.
A primeira parada foi o Museu Metropolitano de Arte. Annabeth acreditava que lá eles poderiam encontrar alguma pista sobre o Raio-Mestre, talvez alguma referência a artefatos divinos. O museu era grandioso, com corredores amplos e obras de arte que pareciam respirar história. Stella ficou maravilhada com as esculturas e pinturas, imaginando as histórias por trás de cada uma delas.
Enquanto Annabeth se aprofundava nas seções de mitologia grega, Stella e Percy exploravam as outras galerias. Percy, visivelmente desconfortável com a formalidade do lugar, tentava evitar esbarrar em qualquer coisa.
"Isso é muito chique para mim", ele murmurou para Stella. "Prefiro o ar livre."
Stella riu. "Ah, Percy, não seja tão rabugento! Olhe para essa estátua! Parece que vai ganhar vida a qualquer momento." Ela apontou para uma escultura de mármrmore de uma deusa grega.
Foi então que eles sentiram um calafrio no ar, uma sensação de que não estavam sozinhos. Grover, que estava um pouco atrás deles, soltou um guincho abafado. "Monstro! Eu sinto! Está perto!"
Um som de arranhões e grunhidos veio de um corredor adjacente. Annabeth, que estava se aproximando, sacou sua faca de bronze celestial. "O que é isso?"
De repente, três Fúrias, com suas asas de morcego e rostos contorcidos de ódio, surgiram do corredor. Seus olhos vermelhos fixaram-se em Percy. "Filho de Poseidon! O ladrão! Você vai pagar!"
O museu, que antes era um lugar de tranquilidade, transformou-se em um campo de batalha. Os mortais começaram a gritar e correr em pânico.
"Corram!", Annabeth gritou, tentando guiar Percy e Stella para longe das Fúrias.
Mas Stella não era do tipo que fugia. Ela sacou seu arco, a madeira reluzindo levemente. Seus olhos azuis, antes cheios de alegria, agora ardiam com uma intensidade determinada. "Eu cuido de uma!" ela gritou, mirando em uma das Fúrias.
Com um movimento fluido e preciso, Stella disparou uma flecha. A ponta de bronze celestial atingiu a Fúria no ombro, e a criatura soltou um grito estridente de dor antes de se dissipar em poeira dourada.
Percy, que estava lutando com as outras duas Fúrias, usando sua espada Contracorrente, olhou para Stella com um misto de surpresa e admiração. "Uau! Bom tiro!"
Annabeth, que estava flanqueando as Fúrias, respondeu: "Ela é filha de Apolo, Percy. O que você esperava?"
Grover, apesar do pânico, tentava ser útil. Ele usava sua flauta para criar sons estridentes que pareciam irritar as Fúrias, distraindo-as o suficiente para Percy e Annabeth atacarem.
Stella disparou mais duas flechas, uma atingindo a segunda Fúria e a outra a terceira. Em questão de segundos, as três criaturas haviam se desintegrado em pó.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor, quebrado apenas pelos gritos distantes dos mortais e o som de alarmes. Stella abaixou seu arco, um sorriso vitorioso em seu rosto. "Isso foi... emocionante!"
Percy, ofegante, guardou sua espada. "Emocionante? Stella, quase fomos transformados em pó de monstro!"
Annabeth, com sua expressão habitual de seriedade, inspecionava os arredores. "Precisamos sair daqui. Agora. A névoa pode ter confundido os mortais, mas não podemos arriscar mais incidentes."
Enquanto eles saíam do museu, Stella sentiu uma pontada de orgulho. Ela havia lutado, havia ajudado, e não havia desmaiado de medo como achava que faria. A adrenalina ainda corria em suas veias, e ela sentia uma energia renovada.
"Para onde vamos agora?", Percy perguntou, olhando para Annabeth.
Annabeth consultou seu mapa novamente, seus olhos cinzentos fixos em um ponto. "O ônibus para o oeste. Nosso próximo destino é St. Louis. Acho que podemos encontrar algo no Arco Gateway."
A jornada de ônibus foi longa e cansativa. Stella tentava manter o ânimo cantando músicas baixinho e contando histórias engraçadas do acampamento, mas a tensão era palpável. Grover estava cada vez mais nervoso, Percy parecia pensativo e Annabeth estava imersa em seus pensamentos estratégicos.
Em St. Louis, o Arco Gateway se erguia majestoso contra o céu, um monumento de aço que parecia tocar as nuvens. Stella ficou impressionada com a grandiosidade da estrutura.
"É incrível!", ela exclamou, seus olhos azuis refletindo o brilho do sol no metal.
Annabeth, que lia um guia turístico, disse: "É um símbolo de expansão e descoberta. Talvez haja algo aqui que nos ajude a expandir nossa compreensão sobre o roubo."
Eles subiram até o topo do arco em um pequeno bonde, a vista da cidade se estendendo abaixo deles como um tapete. Stella estava fascinada, apontando para os diferentes pontos turísticos e imaginando as histórias que cada um deles guardava.
Foi então que o problema começou. A bordo do bonde, uma mulher idosa, com um sorriso doce e olhos que pareciam chamas, se aproximou deles. Stella sentiu uma pontada de desconforto, uma sensação de que algo estava errado.
"Ora, ora", a mulher disse, sua voz rouca e melosa. "Que grupo interessante. Jovens e cheios de energia. E um sátiro, que delícia." Seus olhos se fixaram em Grover, que estremeceu.
Grover apertou a mão de Percy. "Eu sinto... o cheiro dela... é forte."
Annabeth, sempre alerta, colocou a mão no punho de sua faca. "Quem é você?"
A mulher sorriu, revelando dentes afiados que pareciam longos demais para uma humana. "Eu sou Equidna, a Mãe dos Monstros. E este é meu filho, Quimera."
De repente, o bonde pareceu encolher. A mulher se transformou, crescendo em altura e largura, sua pele se tornando escamosa, seus olhos brilhando com malícia. E ao seu lado, um monstro gigantesco com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de serpente materializou-se. A Quimera.
O pânico se espalhou entre os mortais no bonde. Gritos ecoaram no espaço confinado. Stella, apesar do medo que tentava se instalar em seu coração, puxou seu arco.
"Percy, Annabeth, Grover!", ela gritou, sua voz firme. "Vamos!"
A Quimera soltou um rugido estrondoso, e de sua boca de leão, chamas irromperam, quase atingindo Percy. O ar no bonde ficou insuportavelmente quente.
Percy, com sua espada Contracorrente em mãos, tentou atacar a Quimera, mas o monstro era grande demais para o espaço apertado. Annabeth tentava desviar as chamas com seu escudo, enquanto Grover tentava tocar sua flauta, mas o som estava abafado pelo rugido da Quimera.
Stella, com sua mira precisa, disparou flechas contra a Quimera, visando seus pontos vulneráveis. As flechas batiam na pele escamosa do monstro, mas não pareciam causar muito dano.
"Precisamos de um plano!", Annabeth gritou, sua voz tensa. "Não podemos lutar aqui!"
Equidna riu, uma risada estridente que perfurava os ouvidos. "Não há para onde ir, semideuses. Vocês são meus. Especialmente você, filho de Poseidon. Seu sangue será uma oferenda digna."
Percy, em um ato de desespero, tentou empurrar a Quimera para fora do bonde, mas o monstro era forte demais. As chamas da Quimera atingiram o painel de controle do bonde, causando faíscas e fumaça.
"O bonde está caindo!", Grover guinchou, apontando para a estrutura que começava a ranger perigosamente.
Stella olhou para a situação, seus olhos azuis cheios de uma determinação feroz. Ela não podia deixar que eles morressem ali. Ela não podia deixar que a missão falhasse.
Ela viu uma abertura, um pequeno vão entre a Quimera e a parede do bonde. Era arriscado, mas era a única chance.
"Percy! Annabeth! Grover!", ela gritou, sua voz soando acima do barulho. "Pulem! Eu vou distraí-los!"
Antes que eles pudessem protestar, Stella disparou uma flecha diretamente no olho da Quimera. O monstro soltou um urro de dor e fúria, virando-se para Stella.
Equidna, furiosa, avançou em direção a Stella. "Sua garota atrevida! Você vai se arrepender disso!"
Stella sabia que não tinha chance contra Equidna e a Quimera sozinha. Mas ela precisava ganhar tempo. Ela disparou mais flechas, correndo e desviando dos ataques, usando sua agilidade e o espaço limitado a seu favor.
Enquanto Percy, Annabeth e Grover, relutantemente, saltavam do bonde em queda, Stella continuou a lutar. Ela sentiu uma picada de veneno do rabo de serpente da Quimera atingir seu braço, mas a dor a impulsionou ainda mais.
"Vão!", ela gritou, seus olhos azuis brilhando com uma coragem que ela não sabia que possuía. "Eu vou ficar bem!"
O bonde se desprendeu da estrutura, despencando em direção ao solo. Stella, com um último ato de desafio, disparou uma flecha flamejante, um dom que ela raramente usava, mas que agora parecia a única esperança. A flecha atingiu Equidna, que soltou um grito de surpresa e dor.
Enquanto o bonde caía, Stella fechou os olhos, o sorriso alegre em seus lábios, mesmo diante do perigo iminente. Ela havia cumprido sua parte. Ela havia ganhado tempo para seus amigos. E ela sabia que, de alguma forma, ela iria sobreviver. Afinal, ela era filha de Apolo. E o sol sempre volta a nascer.
