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my crazy

Fandom: It: Bem-Vindos a Derry

Created: 2/16/2026

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RomanceDramaAngstHurt/ComfortSlice of LifeRealismCharacter StudyDiscrimination
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Sinfonia Silenciosa

A poeira fina na sala de aula parecia dançar nos raios de sol que invadiam a janela, iluminando as partículas suspensas no ar. Lilly Bainbridge observava-as, os olhos fixos em um ponto distante, como se a cena à sua frente fosse um filme mudo que ela precisava decifrar. O burburinho dos colegas, as risadas abafadas, o arrastar de cadeiras — tudo era um ruído distante, abafado por uma névoa densa que a envolvia desde a morte de seu pai.

Seu pai. A memória ainda era um golpe no estômago, um peso constante em seu peito. A culpa, como um parasita, corroía-a por dentro, sussurrando que ela poderia ter feito algo, que deveria ter feito algo. Essa culpa era a armadura que a isolava do mundo, tornando-a uma figura quase translúcida nos corredores da Derry High School.

Mas havia uma exceção. Um raio de sol que, por vezes, conseguia penetrar a névoa. Esse raio tinha um nome: [S/N].

[S/N] estava sentada algumas carteiras à frente, o cabelo [cor do cabelo] caindo suavemente sobre os ombros enquanto ela rabiscava algo em seu caderno. Lilly observava-a com uma intensidade que beirava a adoração, cada movimento de [S/N] era uma melodia silenciosa em seu coração. A forma como ela mordia o lábio inferior quando estava concentrada, o jeito como seus olhos [cor dos olhos] brilhavam quando ela sorria, a risada suave que, de vez em quando, escapava de seus lábios – tudo em [S/N] era pura poesia.

Lilly a amava. Amava com a profundidade e a inocência do primeiro amor, um amor que era um segredo bem guardado, trancado a sete chaves dentro de seu coração atormentado. Ela nunca falava com [S/N]. Não conseguia. As palavras se engasgavam em sua garganta, a voz tremia, e a simples ideia de se aproximar e proferir um "oi" a fazia suar frio.

O bullying era outro fardo. Os comentários maldosos, os empurrões nos corredores, os olhares de desprezo. Tudo isso a empurrava ainda mais para dentro de si mesma, fortalecendo a barreira invisível que a separava dos outros. Ela era a "esquisita", a "deprê", a "filha do morto". Nomes que ecoavam em sua mente, reforçando a crença de que ela não era digna de ser vista, muito menos amada.

E, por causa disso, o amor por [S/N] era um amor não correspondido, um fardo silencioso que ela carregava com resignação. Ela estava convencida de que [S/N] nunca a notaria, nunca veria a garota por trás da máscara de tristeza, nunca entenderia a profundidade dos sentimentos que ela nutria.

O que Lilly não sabia, o que a sua própria tristeza a impedia de ver, era que [S/N] também gostava dela.

[S/N] sentia o olhar de Lilly. Não era um olhar de desprezo ou de pena, mas algo diferente, algo mais suave, mais intenso. Desde que o pai de Lilly havia morrido, [S/N] a observava. Via a dor em seus olhos, a forma como ela se encolhia, a maneira como evitava o contato visual. E, contra todas as expectativas, algo começou a florescer no coração de [S/N].

Era uma atração estranha, quase magnética. A quietude de Lilly, a vulnerabilidade que ela tentava esconder, a aura de mistério que a envolvia – tudo isso intrigava [S/N]. Ela queria saber mais, queria entender o que se passava por trás daqueles olhos tristes.

[S/N] notava os bullies. Via como eles atormentavam Lilly, e cada vez que isso acontecia, uma raiva silenciosa fervia dentro dela. Ela queria intervir, queria defender Lilly, mas algo a impedia. Medo, talvez. Medo de ser rejeitada, de piorar a situação, de não saber como abordar alguém tão machucado.

O sino tocou, rompendo o silêncio da sala. Os alunos se levantaram, o barulho de cadeiras sendo arrastadas e mochilas sendo fechadas preencheu o ambiente. Lilly, como sempre, foi uma das últimas a sair, movendo-se com uma lentidão quase etérea.

[S/N] esperou. Deixou que a maioria dos alunos saísse, fingindo arrumar seus livros, mas seus olhos estavam fixos em Lilly. Quando Lilly finalmente se levantou, [S/N] viu a oportunidade.

"Lilly?", [S/N] chamou, a voz um pouco mais alta do que o planejado.

Lilly parou, o corpo enrijecido, como um cervo apanhado pelos faróis. Ela se virou lentamente, os olhos arregalados, o coração batendo descompassadamente. [S/N] estava falando com ela? Não era um dos bullies?

"Oi", Lilly sussurrou, a voz quase inaudível.

[S/N] deu um passo à frente, um sorriso suave nos lábios. "Você esqueceu seu livro de história." Ela apontou para o livro que estava na carteira de Lilly.

Lilly olhou para o livro, depois para [S/N], um leve rubor colorindo suas bochechas pálidas. "Ah... obrigada." Ela se aproximou, pegando o livro com mãos trêmulas.

"De nada", [S/N] disse, o sorriso se alargando. "Você está bem?"

A pergunta pegou Lilly de surpresa. Ninguém nunca lhe perguntava se ela estava bem. As pessoas apenas a evitavam, ou a atormentavam. "Sim", ela mentiu, a voz ainda um sussurro. "Estou bem."

[S/N] assentiu, mas seus olhos mostravam que ela não estava convencida. "Se precisar de alguma coisa, sabe... ou se quiser conversar... estou aqui."

O coração de Lilly deu um salto. Conversar? Com [S/N]? Era um sonho, uma fantasia. "Obrigada", ela repetiu, sentindo as lágrimas arderem em seus olhos. Ela não queria chorar na frente de [S/N].

"Bem", [S/N] disse, percebendo o desconforto de Lilly. "Eu preciso ir. Te vejo amanhã?"

Lilly balançou a cabeça. "Sim. Até amanhã."

[S/N] acenou com a cabeça e saiu da sala, deixando Lilly sozinha, o livro de história apertado contra o peito. As palavras de [S/N] ecoavam em sua mente: "Se precisar de alguma coisa... se quiser conversar... estou aqui."

Era possível? Era possível que alguém se importasse?

Lilly caminhou pelos corredores, a cabeça baixa, mas com um leve tremor de esperança em seu coração. A névoa ainda estava lá, mas um pequeno raio de sol havia conseguido penetrar.

No dia seguinte, a cena se repetiu, mas com uma pequena diferença. Enquanto Lilly entrava na sala de aula, seus olhos se encontraram com os de [S/N]. [S/N] sorriu, um sorriso genuíno e caloroso. Lilly sentiu um calor se espalhar por seu peito, um sentimento que ela não experimentava há muito tempo. Ela conseguiu, por um breve momento, retribuir o sorriso.

Durante a aula, Lilly pegou-se observando [S/N] mais do que o usual. Ela notou a forma como [S/N] anotava as coisas, a maneira como mordia a ponta da caneta quando estava pensativa. E, vez ou outra, [S/N] virava a cabeça e seus olhares se cruzavam, um flash de reconhecimento e algo mais – algo que Lilly não conseguia identificar, mas que a fazia sentir-se menos sozinha.

No almoço, Lilly sentou-se em sua mesa habitual, no canto mais afastado do refeitório, onde o barulho e a multidão eram menos opressores. Ela comia seu sanduíche em silêncio, os olhos fixos em seu prato.

De repente, uma bandeja foi colocada na mesa à sua frente. Lilly levantou a cabeça, assustada. Era [S/N].

"Tudo bem se eu sentar aqui?", [S/N] perguntou, um pouco sem jeito.

Lilly apenas balançou a cabeça. As palavras novamente se recusavam a sair.

[S/N] sentou-se, e por alguns minutos, um silêncio constrangedor pairou sobre a mesa. Lilly continuou a comer, seus olhos fixos em seu prato, mas seu coração batia como um tambor.

"Você gosta de batata frita?", [S/N] perguntou, quebrando o silêncio. Ela empurrou algumas batatas fritas de sua bandeja para o lado de Lilly.

Lilly olhou para as batatas, depois para [S/N]. "Sim", ela sussurrou.

"Eu também", [S/N] disse, sorrindo. "São a melhor parte do almoço, na minha opinião."

Lilly deu um pequeno sorriso. Era o primeiro sorriso genuíno que ela dava em muito tempo.

"Então", [S/N] continuou, tentando puxar assunto. "Você tem algum programa de TV favorito?"

Lilly pensou por um momento. "Eu gosto de [nome de um programa de TV popular da época, ou um programa genérico de mistério/drama]."

Os olhos de [S/N] se arregalaram. "Sério? Eu adoro esse programa! Quem é o seu personagem favorito?"

E assim, a conversa começou. Tímida no início, com Lilly respondendo em monossílabos, mas aos poucos, as palavras começaram a fluir. Lilly se viu falando sobre os enredos, sobre os personagens, sobre suas teorias. Ela não percebeu que estava sorrindo, que seus olhos brilhavam com uma faísca que não se via há muito tempo.

[S/N] ouvia atentamente, fazendo perguntas, rindo das observações de Lilly. Ela estava fascinada. A garota quieta e triste que ela observava de longe estava se revelando uma pessoa inteligente, apaixonada por histórias, com um senso de humor sutil.

O almoço terminou rápido demais. Quando o sino tocou, Lilly sentiu uma pontada de decepção.

"Foi legal conversar com você, Lilly", [S/N] disse, enquanto elas se levantavam.

"Com você também, [S/N]", Lilly respondeu, para sua própria surpresa.

Nos dias seguintes, a presença de [S/N] tornou-se uma constante na vida de Lilly. Elas se encontravam no almoço, conversavam nos corredores, e até mesmo trocavam algumas palavras antes da aula começar. [S/N] era paciente, gentil, e nunca a pressionava a falar mais do que ela queria. Ela simplesmente estava lá, uma presença reconfortante que começava a dissipar a névoa ao redor de Lilly.

Uma tarde, enquanto caminhavam para casa – seus caminhos se cruzavam por algumas quadras – os bullies apareceram. Patrick Hockstetter, Henry Bowers e seus comparsas.

"Olha só, a esquisita e a namoradinha dela", Patrick zombou, empurrando Lilly.

Lilly estremeceu, seus olhos se encheram de lágrimas. Ela se preparou para o habitual tormento.

Mas, para sua surpresa, [S/N] interveio.

"Deixem ela em paz, seus idiotas!", [S/N] gritou, dando um passo à frente de Lilly.

Henry Bowers riu. "Olha só, a namoradinha da esquisita é valente."

"Ela não é minha namorada, e mesmo que fosse, não é da sua conta!", [S/N] retrucou, o rosto vermelho de raiva. "Vocês são uns covardes. Não têm nada melhor para fazer do que perturbar os outros?"

Patrick e Henry se entreolharam, surpresos com a ousadia de [S/N]. Eles estavam acostumados com o silêncio e o medo das vítimas.

"É melhor vocês darem o fora", [S/N] continuou, sua voz firme. "Ou eu vou contar para o diretor sobre o que vocês fizeram com a bicicleta do Mike Hanlon na semana passada."

Os olhos de Patrick se arregalaram. Ele e Henry haviam queimado a bicicleta de Mike, e achavam que ninguém sabia.

"Você não faria isso", Patrick disse, um tom de incerteza em sua voz.

"Experimenta para ver", [S/N] desafiou.

Os bullies hesitaram por um momento, depois, com um bufo de raiva, se afastaram, resmungando ameaças vazias.

Quando eles desapareceram da vista, [S/N] se virou para Lilly, que estava parada, chocada, as lágrimas escorrendo pelo rosto.

"Você está bem?", [S/N] perguntou, sua voz suave novamente. Ela estendeu a mão e gentilmente enxugou uma lágrima do rosto de Lilly.

Lilly não conseguia falar. Ninguém nunca a havia defendido antes. Ela sentiu uma mistura avassaladora de gratidão, surpresa e algo mais profundo – um amor que agora se tornava palpável.

"Obrigada", Lilly sussurrou, a voz embargada.

[S/N] sorriu, um sorriso gentil e reconfortante. "Não precisa agradecer. Eles não têm o direito de fazer isso com você." Ela hesitou, depois, com um suspiro, disse: "Lilly, eu... eu me importo com você."

O coração de Lilly pulou uma batida. As palavras de [S/N] eram um bálsamo para sua alma ferida. Ela olhou nos olhos de [S/N], e pela primeira vez, viu o que estava lá – o carinho, a preocupação, o amor.

"Eu também me importo com você, [S/N]", Lilly disse, sua voz um pouco mais forte.

[S/N] sorriu, seus olhos brilhando. Ela deu um passo à frente e, com um gesto hesitante, pegou a mão de Lilly. A pele de Lilly estava fria, mas a de [S/N] era quente e reconfortante.

"Eu sei que você passou por muita coisa", [S/N] disse, apertando a mão de Lilly. "E eu não posso apagar a sua dor. Mas eu posso estar aqui para você. Eu quero estar aqui para você."

As lágrimas que Lilly havia segurado por tanto tempo finalmente escorreram livremente. Mas desta vez, não eram lágrimas de tristeza ou culpa, mas de alívio e esperança.

"Eu... eu gosto de você, [S/N]", Lilly confessou, a voz embargada.

[S/N] apertou a mão de Lilly novamente. "Eu também gosto de você, Lilly. Muito."

Elas ficaram ali, de mãos dadas, no meio da calçada, enquanto o sol da tarde começava a se pôr sobre Derry. O ar estava frio, mas o calor que emanava de suas mãos entrelaçadas era suficiente para aquecer seus corações.

Lilly ainda sentia a dor da perda de seu pai, a culpa ainda era um fardo, e o mundo de Derry ainda era um lugar sombrio. Mas, pela primeira vez em muito tempo, ela não estava sozinha. Ela tinha [S/N]. E com [S/N] ao seu lado, a névoa que a envolvia começava a se dissipar, revelando um vislumbre de um futuro onde a esperança e o amor poderiam florescer.

A sinfonia silenciosa em seu coração finalmente encontrava uma melodia, uma melodia que ela esperava que durasse para sempre. E, talvez, apenas talvez, ela pudesse até mesmo aprender a cantar junto.
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