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The Life of A Vampires Girl

Fandom: The Originals

Created: 3/2/2026

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RomanceDramaFantasyAngstHurt/ComfortCanon SettingCharacter Study
Contents

O Regresso do Híbrido Original

O ar de Mystic Falls nunca pareceu tão denso para Victoria. Vinte e nove séculos de existência e o peso da mentira que carregava pareciam mais pesados do que qualquer maldição ancestral. A Escola Salvatore, um refúgio para tantos jovens superdotados, era o seu castelo, a sua fortaleza, e Alaric Saltzman, o seu fiel confidente e amigo.

"Victoria, tens certeza que não queres que eu fale com ele?" A voz de Alaric, carregada de preocupação, quebrou o silêncio da sala do diretor. Ele estava encostado à moldura da porta, os braços cruzados, os olhos fixos na amiga que parecia carregar o mundo nos ombros.

Victoria suspirou, alisando a saia do seu vestido de seda preta. Os seus olhos, de um azul profundo que parecia mudar de tom com as suas emoções, estavam fixos na janela, observando os alunos a passear no pátio. "Não, Ric. Isto é algo que eu preciso de fazer sozinha. Ele já está aqui há uma semana. Não posso continuar a fugir."

Alaric assentiu, relutante. Ele conhecia a história de Victoria e Klaus, uma paixão avassaladora que ardeu por séculos, terminada em 1957 com um coração partido e uma promessa de nunca mais. Mas o destino, ou talvez uma recaída noturna regada a bourbon e arrependimento, teve outros planos. Planos que resultaram em Hope, e depois, para a surpresa de todos, nas gémeas Saltzman.

"As meninas estão lá fora," Alaric disse, a voz mais suave. "Hope está a tentar ensinar Josie a usar um feitiço de levitação com a mente. Lizzie está a reclamar que a Hope está a roubar a sua melhor amiga."

Um sorriso terno formou-se nos lábios de Victoria. Hope, a sua primogénita, a tribrida que ela escondeu do mundo, especialmente do pai. Josie e Lizzie, as suas gémeas, concebidas magicamente apenas três semanas depois do nascimento de Hope, através de uma magia ancestral que Victoria mal compreendia, mas que a ligava ainda mais à sua linhagem de anjo e bruxa. Três filhas, todas irmãs, todas inseparáveis. O seu maior segredo, a sua maior alegria.

"Elas vão ficar bem," Victoria assegurou, o sorriso a desvanecer-se ligeiramente. "Mas eu não sei se eu vou ficar."

Alaric aproximou-se, colocando uma mão reconfortante no ombro dela. "Vais. És a mulher mais forte que eu conheço, Victoria. Enfrentaste o teu pai, superaste o teu lado vampiro quando quiseste, e controlas a tua magia como ninguém. Vais conseguir enfrentar o Klaus."

Ela virou-se para ele, os seus olhos azuis brilhando com uma mistura de medo e determinação. "Não é o Klaus que me assusta, Ric. É o que ele pode fazer às minhas filhas. É o que ele pode fazer ao meu segredo."

Naquele momento, um bater suave na porta chamou a atenção de ambos. Victoria sabia quem era. O seu coração, que não batia há quase três milénios, parecia querer explodir no seu peito.

"Eu vou deixá-los a sós," Alaric disse, apertando o ombro dela uma última vez antes de sair pela porta lateral, que dava para um corredor menos movimentado.

Victoria respirou fundo, tentando acalmar a tempestade de emoções dentro de si. A porta abriu-se, e lá estava ele. Klaus Mikaelson. O Híbrido Original, o homem que ela amou, odiou, e amou novamente. O tempo não tinha sido gentil com ele, mas também não o tinha prejudicado. Os seus olhos, de um verde intenso, ainda carregavam a mesma intensidade, a mesma promessa de perigo e paixão. O seu cabelo loiro-avermelhado estava ligeiramente desarrumado, e o seu sorriso, embora contido, ainda tinha o poder de a desarmar.

"Victoria," ele disse, a voz rouca e familiar, um som que a assombrava nos seus sonhos mais selvagens.

"Klaus," ela respondeu, a sua voz um pouco mais trémula do que gostaria.

Ele entrou, fechando a porta atrás de si. O cheiro dele – uma mistura de terra molhada, verbena e algo indefinível que era só dele – preencheu o ar, revivendo memórias que ela tentava suprimir.

"Pareces bem," ele comentou, os seus olhos percorrendo-a de cima a baixo, demorando-se nos seus lábios.

"E tu também," ela mentiu. Ele parecia exausto, as olheiras leves debaixo dos olhos verdes. O que quer que o trouxesse a Mystic Falls, não era apenas reconquistá-la.

"Senti a tua falta," ele disse, dando um passo em frente.

Victoria recuou ligeiramente. "Não minta, Klaus. Tu não sentes falta de ninguém, exceto talvez a tua família. E mesmo assim, é um amor complicado."

Ele sorriu, um sorriso triste. "És a única que sempre me viu, Victoria. A única que não fugiu."

"Eu fugi em 1957," ela lembrou-o, a voz tingida de amargura. "Quando percebi que nunca irias mudar. Que a tua escuridão era maior do que o meu amor."

"Eu mudei," ele retrucou, a voz mais firme. "Eu tenho Hope."

O nome da filha fez o coração de Victoria apertar. "Sim, tu tens Hope. E isso é bom. Ela precisa de um pai."

"E tu precisas de um companheiro," ele disse, aproximando-se novamente. "Precisas de alguém que te entenda, Victoria. Alguém que te iguale."

"Eu tenho o meu trabalho, as minhas filhas, os meus amigos," ela enumerou, tentando manter a voz firme. "Eu não preciso de um companheiro, Klaus. Não preciso de ti."

Ele parou a poucos centímetros dela, os seus olhos verdes a perfurar os dela. "Não me digas que não sentes nada, Victoria. Não me digas que os nossos séculos juntos, a nossa paixão, a nossa história... não significam nada para ti."

Ela fechou os olhos por um breve momento, a memória dos seus beijos, dos seus toques, das suas noites quentes a inundar a sua mente. "Significaram. Significaram muito. Mas o que significou mais foi a dor que me causaste. A constante ameaça, a paranoia, a violência."

"Eu mudei," ele repetiu, a voz quase um sussurro. "Por Hope. E por ti. Eu quero a minha família de volta, Victoria. Quero a nossa família."

O segredo. Era agora ou nunca. Ela tinha que ser honesta, pelo menos em parte. Era o mínimo que ele merecia, e o máximo que ela podia dar.

"Klaus," ela começou, a voz baixa, quase inaudível. "Há algo que precisas de saber."

Ele franziu a testa, a sua expressão tornando-se de repente mais séria. "O quê?"

Victoria respirou fundo, os seus olhos azuis fixos nos dele. "Lembras-te daquela noite... em 2012? A recaída?"

Um brilho de reconhecimento e culpa passou pelos olhos dele. "Sim. Eu lembro-me."

"Bem, dessa noite..." ela hesitou, procurando as palavras certas. "Nós tivemos Hope. E depois... três semanas depois, eu fiquei grávida novamente. Magicamente. De gémeas."

Klaus piscou, a sua mente a tentar processar a informação. "Gémeas? Tu... tu tiveste mais filhos? E não me disseste?" A sua voz estava misturada com choque e uma dor que Victoria reconheceu.

"Eu não sabia como te dizer," ela confessou, as lágrimas a acumularem-se nos seus olhos. "Eu estava aterrorizada, Klaus. Aterrorizada com o que farias. Aterrorizada com o que a tua família faria. Com o que o mundo faria. Eu escondi a Hope de ti por anos, aterrorizada. E depois, estas duas pequenas almas surgiram. Elas são... elas são como anjos. E eu não podia arriscar. Não podia arriscar que a tua vida, a tua escuridão, as alcançasse."

Ele estava em silêncio, a sua expressão ilegível. Os seus olhos verdes estavam fixos nela, procurando a verdade nas suas palavras.

"Elas têm 10 anos agora," Victoria continuou, a voz embargada. "Elas são as filhas mais doces e gentis que se pode imaginar. E elas adoram a Hope. Elas são irmãs, Klaus. E a Hope... a Hope é a irmã mais velha que elas adoram."

"Elas são minhas?" ele perguntou, a voz baixa, quase um sussurro. "As gémeas... elas são minhas filhas também?"

Victoria balançou a cabeça, as lágrimas finalmente escorrendo pelo seu rosto. "Não. Elas não são tuas. Ou pelo menos, não biologicamente. Elas são... um milagre. Uma consequência da minha magia e da minha linhagem ancestral. Mas elas são minhas filhas. E a Hope é a irmã delas. E tu... tu és o pai da Hope."

Klaus recuou, a sua expressão de choque misturada com uma ponta de mágoa. "Então tu... tu tiveste três filhas. E escondeste-as de mim. Escondeste a Hope, e depois tiveste mais duas, e... e mantiveste-as todas longe de mim."

"Eu protegi-as," Victoria corrigiu, a voz embargada. "Eu protegi-as da tua vida de violência, de inimigos, de maldições. Eu queria que elas tivessem uma vida normal, na medida do possível. Eu queria que tivessem uma infância, sem a sombra do seu pai Híbrido Original, do seu avô Diabo, ou da sua avó Anjo."

Ele olhou para ela, os seus olhos verdes a brilhar com uma intensidade que ela não via há muito tempo. "Então, tu vês-me como uma maldição? A mim e à minha família?"

"Eu vejo-te como alguém que atrai o caos, Klaus," ela disse, a voz firme agora. "E eu não queria esse caos para as minhas filhas. Não queria que elas vivessem com medo, como eu vivi durante séculos ao teu lado."

Ele virou-se, afastando-se dela, os seus passos ecoando no chão de madeira. Ele parou junto à janela, observando o pátio onde Hope, Josie e Lizzie estavam a brincar. Ele observou Hope, a sua filha, a rir enquanto Josie falhava um feitiço e acabava com os cabelos cheios de folhas. Lizzie estava a repreendê-las, mas com um sorriso no rosto.

Uma emoção complexa passou pelo rosto de Klaus. Dor, arrependimento, e algo mais que Victoria não conseguia identificar.

"Elas parecem felizes," ele disse, a voz baixa, quase inaudível.

"Elas são," Victoria respondeu, a voz mais suave. "Elas são a minha vida. A minha razão de ser."

Ele virou-se para ela, os seus olhos verdes fixos nos dela. "Eu quero fazer parte disso, Victoria. Quero ser o pai delas. Quero ser o teu companheiro. Eu juro que mudei. Eu juro que farei o que for preciso para as proteger. Para te proteger."

Victoria balançou a cabeça, as lágrimas ainda a escorrer. "Não é assim tão simples, Klaus. Tu não podes simplesmente entrar nas nossas vidas e esperar que tudo volte ao normal. Há muita dor, muita história. E há o facto de que as gémeas não são tuas. E Hope... Hope já tem uma vida aqui. Uma família."

"Eu sei que não é simples," ele admitiu, dando um passo em frente. "Mas eu estou disposto a tentar. Estou disposto a lutar por ti, Victoria. Por Hope. Por esta família que tu criaste."

Ele estendeu a mão, o seu olhar implorando. "Dá-me uma chance. Uma última chance para provar que sou digno. Para provar que somos dignos."

Victoria olhou para a mão estendida dele, a sua mente a correr através de séculos de memórias. As promessas quebradas, a dor, o amor avassalador que sentia por ele. E agora, as suas filhas. Hope, Josie e Lizzie. O seu mundo inteiro.

Ela não sabia se podia confiar nele. Não sabia se podia arriscar os seus corações novamente. Mas ao olhar para os seus olhos verdes, viu uma vulnerabilidade que raramente ele mostrava. Uma verdadeira dor.

"Eu não sei, Klaus," ela sussurrou, a voz embargada.

"Por favor, Victoria," ele implorou, a sua voz rouca. "Deixa-me tentar. Pela Hope. Por nós."

Ela fechou os olhos, respirando fundo. O cheiro dele, a sua presença, a sua promessa. Era tentador. Era a sua maior fraqueza.

"Tudo bem," ela disse, abrindo os olhos e olhando para ele. "Uma chance. Mas se tu magoares as minhas filhas, se magoares a Hope, se magoares a mim... eu juro, Klaus Mikaelson, que farei com que te arrependas de teres nascido. E tu sabes que eu sou capaz disso."

Um pequeno sorriso formou-se nos lábios de Klaus, o primeiro sorriso genuíno que ela via nele desde que ele chegara a Mystic Falls. "Eu não te desiludirei, Victoria. Eu prometo."

Ele deu mais um passo, fechando a distância entre eles. A sua mão tocou o rosto dela, o seu polegar acariciando a sua bochecha. Os seus olhos verdes estavam fixos nos dela, a promessa de um futuro incerto, mas talvez, apenas talvez, cheio de esperança.

Victoria sentiu um arrepio percorrer o seu corpo, uma mistura de medo e excitação. O seu coração, que não batia há séculos, parecia querer explodir em seu peito. A batalha tinha apenas começado. E desta vez, as apostas eram mais altas do que nunca. As suas filhas. A sua família. O seu futuro.

Enquanto Klaus se inclinava para ela, os seus lábios quase a tocar os dela, Victoria sabia que a sua vida, a vida das suas filhas, nunca mais seria a mesma. O Híbrido Original tinha regressado. E ele estava ali para ficar.
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