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Quando o amor dói e a esperança quase morreu junto
Fandom: Tokyo revengers
Created: 3/5/2026
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DramaAngstHurt/ComfortDarkGraphic ViolenceMpregRealismCharacter StudyRomanceSlice of LifeCurtainfic / Domestic StoryFix-it
O Preço da Fúria
A cobertura luxuosa, usualmente um refúgio de silêncio e poder, reverberava com a tensão palpável. Manjiro Sano, o Mikey, estava com os olhos negros faiscando em fúria, a voz grave e autoritária dominando o ambiente. Sanzu, seu vice-líder e noivo, recuava, os olhos azuis arregalados, as mãos instintivamente protegendo o abdômen. Uma discussão acalorada sobre um carregamento de drogas que havia dado errado escalara para algo muito mais sombrio.
– Você é um inútil, Sanzu! – A voz de Mikey explodiu, um trovão que fez o ar vibrar. – Eu confiei a você essa operação e você a estragou!
Sanzu estremeceu, seus lábios se apertando em uma linha fina. Ele queria responder, explicar, mas as palavras emperravam em sua garganta. O instinto de proteção era mais forte, uma barreira silenciosa entre ele e a ira de Mikey.
– Por que você não fala, hein?! – Mikey avançou, o rosto contorcido em uma careta de impaciência. – Sempre tão arrogante, tão certo de si, e agora? Agora você se cala?
A cada passo de Mikey, Sanzu recuava, a mão apertando ainda mais a região do ventre. O medo se infiltrava em seus ossos, um pressentimento gélido que o deixava paralisado.
– Eu te fiz uma pergunta, Sanzu! – Mikey parou a centímetros dele, a proximidade sufocante. – Responda!
Sanzu balançou a cabeça negativamente, os olhos marejados. Ele não conseguia. Não conseguia falar sobre o que estava acontecendo. Não agora, não assim.
A falta de resposta de Sanzu foi a gota d'água para Mikey. Um grito de frustração escapou de seus lábios e, em um acesso de raiva cega, ele ergueu a mão. O tapa estalou no rosto de Sanzu, um som seco e brutal que ecoou na cobertura.
Sanzu cambaleou, a cabeça virando com a força do golpe. Ele levou a mão ao rosto, sentindo o ardor e o gosto metálico de sangue na boca. Antes que pudesse se recuperar, um empurrão violento o lançou para trás. Ele perdeu o equilíbrio e caiu pesadamente no chão, a dor aguda irradiando por seu corpo.
Uma pontada excruciante perfurou seu abdômen. Sanzu arfou, os olhos se arregalando em pânico. Um calor úmido começou a se espalhar por entre suas pernas. Ele olhou para baixo, o coração batendo descompassadamente.
O sangue.
Um filete escuro e pegajoso escorria por suas coxas, manchando o tapete felpudo da sala. O pânico de Sanzu se transformou em terror puro. Ele não podia perder. Não podia perder o bebê.
Mikey, que estava ofegante e com a raiva ainda estampada no rosto, observava Sanzu no chão. A imagem do sangue fez com que sua fúria diminuísse um pouco, substituída por uma pontada de confusão.
– O que… o que é isso? – ele perguntou, a voz menos agressiva, mas ainda áspera.
Sanzu levantou os olhos para Mikey, as lágrimas escorrendo pelo rosto, misturando-se com o sangue do lábio partido. Uma risada fraca e amarga escapou de sua garganta, um som quase insano.
– Parabéns, Mikey – ele sussurrou, a voz embargada pela dor e pelo choque. – Você vai ser pai.
Mikey congelou. As palavras de Sanzu o atingiram como um raio, esvaziando sua raiva e deixando-o em choque. Pai? Ele?
– Eu… eu estava grávido – Sanzu continuou, a voz cada vez mais fraca. – Mas… eu não devo estar mais. Eu sinto… eu sinto que estou perdendo o bebê.
A respiração de Sanzu ficou ofegante, o rosto pálido e suado. A dor estava se intensificando, e a tontura o envolvia. O sangue continuava a escorrer, um lembrete cruel do que estava acontecendo.
– Sanzu… – Mikey se ajoelhou ao lado dele, a confusão dando lugar a um medo gelado. – O que você…
Mas Sanzu não conseguiu terminar a frase. Seus olhos rolaram para trás, e seu corpo relaxou, inerte, no chão. Ele havia desmaiado.
O pânico tomou conta de Mikey. O sangue, o corpo pálido de Sanzu, as palavras sobre o bebê… Tudo se encaixou em um grito silencioso de terror. Ele tocou o rosto de Sanzu, sentindo a pele fria e pegajosa.
– Sanzu! Sanzu, acorde! – ele gritou, sacudindo-o levemente.
Não houve resposta.
Mikey ergueu Sanzu nos braços, sentindo o peso leve e frágil de seu noivo. O sangue manchava suas roupas, mas ele não se importava. A única coisa que importava era Sanzu e o bebê.
Ele correu para fora da cobertura, gritando ordens para seus homens.
– Chamem uma ambulância! Agora!
Mas ele não podia esperar. Ele mesmo levaria Sanzu. Desceu os elevadores em uma velocidade vertiginosa, o coração batendo descompassadamente no peito. Seus homens, chocados com a cena, abriram caminho enquanto ele corria para o carro.
A viagem até o hospital foi um borrão de velocidade e desespero. Mikey dirigia como um louco, ignorando todas as leis de trânsito, a única imagem em sua mente sendo o rosto pálido de Sanzu.
No hospital, a cena foi caótica. Enfermeiras e médicos cercaram Sanzu, levando-o para dentro enquanto Mikey era segurado por seguranças, impedido de entrar na sala de emergência. A angústia era insuportável.
Horas se arrastaram, cada minuto uma eternidade. Mikey andava de um lado para o outro na sala de espera, a mente em turbilhão. A culpa o corroía, um veneno amargo que se espalhava por suas veias. Ele o havia agredido. Ele havia causado isso.
Finalmente, um médico se aproximou, o rosto cansado, mas com um leve sorriso.
– O paciente Haruchiyo Akashi… – ele começou.
Mikey se aproximou, a respiração presa na garganta.
– E o bebê?
– É um milagre, Sr. Sano – o médico disse, o tom de voz suave. – Ambos sobreviveram.
Um suspiro de alívio escapou dos lábios de Mikey, um peso gigantesco sendo retirado de seus ombros. Ele sentiu as pernas fraquejarem.
– No entanto – o médico continuou, a expressão séria. – A situação é extremamente delicada. Houve um descolamento parcial da placenta. Se o Sr. Akashi sofrer qualquer tipo de trauma físico novamente, ou se estressar excessivamente, as chances de perder o bebê são quase cem por cento. E, dadas as circunstâncias, a vida dele também estaria em risco.
As palavras do médico atingiram Mikey como um soco no estômago. Qualquer trauma físico. Ele havia causado isso. A culpa retornou com força total, esmagadora.
– Ele está acordado? – Mikey perguntou, a voz rouca.
– Sim, está. Ele está em recuperação, mas ele precisa de repouso absoluto. E, acima de tudo, ele precisa de paz.
Mikey foi levado ao quarto de Sanzu. O cheiro de hospital era forte, e o ambiente era estéril. Sanzu estava deitado na cama, pálido, com um acesso intravenoso no braço. Seus olhos, azuis e inchados, estavam fixos no teto.
Quando Mikey entrou, Sanzu virou a cabeça, e seus olhos se encontraram. Não havia raiva, nem ódio nos olhos de Sanzu, apenas uma tristeza profunda e um cansaço que parecia ir até a alma.
– Sanzu… – Mikey se aproximou da cama, a voz embargada.
– Mikey – Sanzu sussurrou, a voz fraca.
Mikey se sentou na cadeira ao lado da cama, as mãos tremendo. Ele queria tocar Sanzu, mas tinha medo. Medo de machucá-lo de novo. Medo de sua própria fúria incontrolável.
– Eu… eu sinto muito – Mikey disse, as palavras saindo com dificuldade. – Eu não sabia. Eu juro que eu não sabia.
Sanzu fechou os olhos por um momento, uma lágrima solitária escorrendo pela têmpora.
– Eu sei que você não sabia – ele disse, a voz quase inaudível. – Mas isso não muda o que aconteceu.
– Eu quase te perdi – Mikey continuou, a voz embargada pela emoção. – Quase perdi nosso… nosso filho.
A palavra "filho" pairou no ar, carregada de um peso que Mikey nunca havia sentido antes. Ele, o temido líder da Bonten, estava prestes a ser pai. E quase havia destruído tudo antes mesmo de começar.
– O médico disse que… se acontecer de novo… – Mikey não conseguiu terminar a frase, a garganta apertada.
Sanzu abriu os olhos novamente, fixando o olhar em Mikey.
– Eu sei – ele disse. – Eu ouvi.
Um silêncio pesado caiu sobre o quarto. Mikey olhava para Sanzu, o coração apertado pela dor e pelo arrependimento. Ele havia prometido protegê-lo, amá-lo. E havia falhado miseravelmente.
– Eu vou mudar, Sanzu – Mikey prometeu, a voz rouca de emoção. – Eu juro. Eu nunca mais vou te machucar. Nunca mais vou levantar a mão para você.
Sanzu apenas o observou, a expressão ilegível. A lealdade de Sanzu a Mikey era inquestionável, mas a ferida era profunda. A confiança havia sido quebrada de uma forma que talvez nunca pudesse ser totalmente reparada.
– Eu te amo, Sanzu – Mikey disse, as lágrimas finalmente escorrendo pelo seu rosto. – Eu amo você e nosso bebê.
Sanzu fechou os olhos novamente, uma lágrima escorrendo por seu rosto. Ele não respondeu. A dor física e emocional era avassaladora, e ele não tinha forças para mais nada.
Mikey permaneceu ao lado da cama, observando Sanzu dormir. A imagem do sangue, da queda, e das palavras de Sanzu se repetiam em sua mente. Ele havia sido um monstro.
Ele havia batido em Sanzu muitas vezes no passado, em seus acessos de raiva. Mas nunca havia chegado a esse ponto. Nunca havia causado tanto dano. E agora, as consequências eram irreversíveis. A vida de Sanzu e a vida de seu filho estavam por um fio, tudo por causa de sua fúria descontrolada.
Mikey sabia que tinha que mudar. Por Sanzu, por seu filho, por si mesmo. Mas a sombra de seu passado, de sua violência, pairava sobre ele, um lembrete constante do monstro que ele era.
Ele pegou a mão pálida de Sanzu, apertando-a suavemente.
– Eu vou te proteger – ele sussurrou. – Eu vou proteger vocês dois. Custe o que custar.
Mas a pergunta permanecia: Sanzu seria capaz de perdoá-lo? E Mikey seria capaz de perdoar a si mesmo? O caminho à frente seria longo e doloroso, e o preço de sua fúria quase havia sido a perda de tudo o que ele mais amava.
– Você é um inútil, Sanzu! – A voz de Mikey explodiu, um trovão que fez o ar vibrar. – Eu confiei a você essa operação e você a estragou!
Sanzu estremeceu, seus lábios se apertando em uma linha fina. Ele queria responder, explicar, mas as palavras emperravam em sua garganta. O instinto de proteção era mais forte, uma barreira silenciosa entre ele e a ira de Mikey.
– Por que você não fala, hein?! – Mikey avançou, o rosto contorcido em uma careta de impaciência. – Sempre tão arrogante, tão certo de si, e agora? Agora você se cala?
A cada passo de Mikey, Sanzu recuava, a mão apertando ainda mais a região do ventre. O medo se infiltrava em seus ossos, um pressentimento gélido que o deixava paralisado.
– Eu te fiz uma pergunta, Sanzu! – Mikey parou a centímetros dele, a proximidade sufocante. – Responda!
Sanzu balançou a cabeça negativamente, os olhos marejados. Ele não conseguia. Não conseguia falar sobre o que estava acontecendo. Não agora, não assim.
A falta de resposta de Sanzu foi a gota d'água para Mikey. Um grito de frustração escapou de seus lábios e, em um acesso de raiva cega, ele ergueu a mão. O tapa estalou no rosto de Sanzu, um som seco e brutal que ecoou na cobertura.
Sanzu cambaleou, a cabeça virando com a força do golpe. Ele levou a mão ao rosto, sentindo o ardor e o gosto metálico de sangue na boca. Antes que pudesse se recuperar, um empurrão violento o lançou para trás. Ele perdeu o equilíbrio e caiu pesadamente no chão, a dor aguda irradiando por seu corpo.
Uma pontada excruciante perfurou seu abdômen. Sanzu arfou, os olhos se arregalando em pânico. Um calor úmido começou a se espalhar por entre suas pernas. Ele olhou para baixo, o coração batendo descompassadamente.
O sangue.
Um filete escuro e pegajoso escorria por suas coxas, manchando o tapete felpudo da sala. O pânico de Sanzu se transformou em terror puro. Ele não podia perder. Não podia perder o bebê.
Mikey, que estava ofegante e com a raiva ainda estampada no rosto, observava Sanzu no chão. A imagem do sangue fez com que sua fúria diminuísse um pouco, substituída por uma pontada de confusão.
– O que… o que é isso? – ele perguntou, a voz menos agressiva, mas ainda áspera.
Sanzu levantou os olhos para Mikey, as lágrimas escorrendo pelo rosto, misturando-se com o sangue do lábio partido. Uma risada fraca e amarga escapou de sua garganta, um som quase insano.
– Parabéns, Mikey – ele sussurrou, a voz embargada pela dor e pelo choque. – Você vai ser pai.
Mikey congelou. As palavras de Sanzu o atingiram como um raio, esvaziando sua raiva e deixando-o em choque. Pai? Ele?
– Eu… eu estava grávido – Sanzu continuou, a voz cada vez mais fraca. – Mas… eu não devo estar mais. Eu sinto… eu sinto que estou perdendo o bebê.
A respiração de Sanzu ficou ofegante, o rosto pálido e suado. A dor estava se intensificando, e a tontura o envolvia. O sangue continuava a escorrer, um lembrete cruel do que estava acontecendo.
– Sanzu… – Mikey se ajoelhou ao lado dele, a confusão dando lugar a um medo gelado. – O que você…
Mas Sanzu não conseguiu terminar a frase. Seus olhos rolaram para trás, e seu corpo relaxou, inerte, no chão. Ele havia desmaiado.
O pânico tomou conta de Mikey. O sangue, o corpo pálido de Sanzu, as palavras sobre o bebê… Tudo se encaixou em um grito silencioso de terror. Ele tocou o rosto de Sanzu, sentindo a pele fria e pegajosa.
– Sanzu! Sanzu, acorde! – ele gritou, sacudindo-o levemente.
Não houve resposta.
Mikey ergueu Sanzu nos braços, sentindo o peso leve e frágil de seu noivo. O sangue manchava suas roupas, mas ele não se importava. A única coisa que importava era Sanzu e o bebê.
Ele correu para fora da cobertura, gritando ordens para seus homens.
– Chamem uma ambulância! Agora!
Mas ele não podia esperar. Ele mesmo levaria Sanzu. Desceu os elevadores em uma velocidade vertiginosa, o coração batendo descompassadamente no peito. Seus homens, chocados com a cena, abriram caminho enquanto ele corria para o carro.
A viagem até o hospital foi um borrão de velocidade e desespero. Mikey dirigia como um louco, ignorando todas as leis de trânsito, a única imagem em sua mente sendo o rosto pálido de Sanzu.
No hospital, a cena foi caótica. Enfermeiras e médicos cercaram Sanzu, levando-o para dentro enquanto Mikey era segurado por seguranças, impedido de entrar na sala de emergência. A angústia era insuportável.
Horas se arrastaram, cada minuto uma eternidade. Mikey andava de um lado para o outro na sala de espera, a mente em turbilhão. A culpa o corroía, um veneno amargo que se espalhava por suas veias. Ele o havia agredido. Ele havia causado isso.
Finalmente, um médico se aproximou, o rosto cansado, mas com um leve sorriso.
– O paciente Haruchiyo Akashi… – ele começou.
Mikey se aproximou, a respiração presa na garganta.
– E o bebê?
– É um milagre, Sr. Sano – o médico disse, o tom de voz suave. – Ambos sobreviveram.
Um suspiro de alívio escapou dos lábios de Mikey, um peso gigantesco sendo retirado de seus ombros. Ele sentiu as pernas fraquejarem.
– No entanto – o médico continuou, a expressão séria. – A situação é extremamente delicada. Houve um descolamento parcial da placenta. Se o Sr. Akashi sofrer qualquer tipo de trauma físico novamente, ou se estressar excessivamente, as chances de perder o bebê são quase cem por cento. E, dadas as circunstâncias, a vida dele também estaria em risco.
As palavras do médico atingiram Mikey como um soco no estômago. Qualquer trauma físico. Ele havia causado isso. A culpa retornou com força total, esmagadora.
– Ele está acordado? – Mikey perguntou, a voz rouca.
– Sim, está. Ele está em recuperação, mas ele precisa de repouso absoluto. E, acima de tudo, ele precisa de paz.
Mikey foi levado ao quarto de Sanzu. O cheiro de hospital era forte, e o ambiente era estéril. Sanzu estava deitado na cama, pálido, com um acesso intravenoso no braço. Seus olhos, azuis e inchados, estavam fixos no teto.
Quando Mikey entrou, Sanzu virou a cabeça, e seus olhos se encontraram. Não havia raiva, nem ódio nos olhos de Sanzu, apenas uma tristeza profunda e um cansaço que parecia ir até a alma.
– Sanzu… – Mikey se aproximou da cama, a voz embargada.
– Mikey – Sanzu sussurrou, a voz fraca.
Mikey se sentou na cadeira ao lado da cama, as mãos tremendo. Ele queria tocar Sanzu, mas tinha medo. Medo de machucá-lo de novo. Medo de sua própria fúria incontrolável.
– Eu… eu sinto muito – Mikey disse, as palavras saindo com dificuldade. – Eu não sabia. Eu juro que eu não sabia.
Sanzu fechou os olhos por um momento, uma lágrima solitária escorrendo pela têmpora.
– Eu sei que você não sabia – ele disse, a voz quase inaudível. – Mas isso não muda o que aconteceu.
– Eu quase te perdi – Mikey continuou, a voz embargada pela emoção. – Quase perdi nosso… nosso filho.
A palavra "filho" pairou no ar, carregada de um peso que Mikey nunca havia sentido antes. Ele, o temido líder da Bonten, estava prestes a ser pai. E quase havia destruído tudo antes mesmo de começar.
– O médico disse que… se acontecer de novo… – Mikey não conseguiu terminar a frase, a garganta apertada.
Sanzu abriu os olhos novamente, fixando o olhar em Mikey.
– Eu sei – ele disse. – Eu ouvi.
Um silêncio pesado caiu sobre o quarto. Mikey olhava para Sanzu, o coração apertado pela dor e pelo arrependimento. Ele havia prometido protegê-lo, amá-lo. E havia falhado miseravelmente.
– Eu vou mudar, Sanzu – Mikey prometeu, a voz rouca de emoção. – Eu juro. Eu nunca mais vou te machucar. Nunca mais vou levantar a mão para você.
Sanzu apenas o observou, a expressão ilegível. A lealdade de Sanzu a Mikey era inquestionável, mas a ferida era profunda. A confiança havia sido quebrada de uma forma que talvez nunca pudesse ser totalmente reparada.
– Eu te amo, Sanzu – Mikey disse, as lágrimas finalmente escorrendo pelo seu rosto. – Eu amo você e nosso bebê.
Sanzu fechou os olhos novamente, uma lágrima escorrendo por seu rosto. Ele não respondeu. A dor física e emocional era avassaladora, e ele não tinha forças para mais nada.
Mikey permaneceu ao lado da cama, observando Sanzu dormir. A imagem do sangue, da queda, e das palavras de Sanzu se repetiam em sua mente. Ele havia sido um monstro.
Ele havia batido em Sanzu muitas vezes no passado, em seus acessos de raiva. Mas nunca havia chegado a esse ponto. Nunca havia causado tanto dano. E agora, as consequências eram irreversíveis. A vida de Sanzu e a vida de seu filho estavam por um fio, tudo por causa de sua fúria descontrolada.
Mikey sabia que tinha que mudar. Por Sanzu, por seu filho, por si mesmo. Mas a sombra de seu passado, de sua violência, pairava sobre ele, um lembrete constante do monstro que ele era.
Ele pegou a mão pálida de Sanzu, apertando-a suavemente.
– Eu vou te proteger – ele sussurrou. – Eu vou proteger vocês dois. Custe o que custar.
Mas a pergunta permanecia: Sanzu seria capaz de perdoá-lo? E Mikey seria capaz de perdoar a si mesmo? O caminho à frente seria longo e doloroso, e o preço de sua fúria quase havia sido a perda de tudo o que ele mais amava.
