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Cricket perde a consciência
Fandom: Fandom de Big City Greens
Created: 3/7/2026
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Slice of LifeDramaHurt/ComfortHumorCharacter StudyAdventureCurtainfic / Domestic StoryRealismAngst
O Dia em Que o Cricket Desligou
A manhã na casa dos Green na Big City começou com o de sempre: o aroma de panquecas queimadas vindo da cozinha, o som de Tilly cantarolando uma melodia sobre um esquilo que sonhava em ser astronauta, e o ruído inconfundível de algo sendo derrubado por Cricket.
"CRICKET!" Bill gritou do andar de baixo, com a voz já carregada de uma familiar exasperação. "O que você fez agora?"
Um silêncio momentâneo, seguido pelo som de algo rolando escada abaixo. Então, a cabeça de Cricket apareceu no topo da escada. Seus olhos azuis, normalmente cheios de um brilho travesso, pareciam um pouco mais arregalados que o normal. Ele estava descalço, como sempre, e a camisa cinza-azulada sob o macacão verde-marinho estava amassada.
"Nada demais, pai!" ele gritou de volta, com um sorriso forçado. "Só... uh... reorganizando as coisas."
Bill suspirou, esfregando as têmporas. "Reorganizando? Você derrubou a torradeira de novo?"
"Talvez", Cricket respondeu, descendo os degraus aos tropeços. "Mas eu acho que ela precisava de um pouco de... aventura!"
Tilly, que estava na sala de estar, acariciando seu boneco Saxon, olhou para o irmão com um brilho nos olhos. "A aventura aguarda, Cricket. Talvez a torradeira descubra um novo propósito como nave espacial."
Bill balançou a cabeça. "Tilly, por favor, não incentive ele. Cricket, quantas vezes eu tenho que dizer para você ter mais cuidado? Um dia você vai se machucar de verdade com essas suas 'aventuras'."
Cricket bufou. "Ah, pai, eu tô sempre bem! Eu sou forte, rápido e super durão! Lembra daquela vez que eu caí do telhado da Gloria e só quebrei um galho?"
"E quase quebrou o pescoço, Cricket!" Bill retrucou, com a voz um pouco mais alta. "Eu não sei de onde você tira tanta energia para se meter em tantas confusões!"
Alice, a matriarca da família, surgiu da cozinha, apoiada em sua bengala. "É de família, Bill. Você era igualzinho quando criança. Só que ele tem o bônus de ser um Green na Big City. O caos se amplifica aqui." Ela acenou com a bengala na direção de Cricket, um brilho de orgulho, mas também de preocupação, em seus olhos. "Mas você está certo, Bill. Até um Green tem seus limites."
Cricket, ignorando as advertências, já estava pulando pela sala, fingindo que estava em uma perseguição de carro imaginária. "Vroom, vroom! Peguei vocês, malvados! Ninguém me para!"
De repente, ele tropeçou em um tapete e caiu de cara no chão. O som foi mais um baque mole do que um estrondo. Bill e Tilly congelaram. Alice ergueu uma sobrancelha.
"Cricket?" Bill chamou, um tom de preocupação na voz.
O garoto não se moveu.
Tilly largou Saxon e correu até o irmão. "Cricket? Você está bem?"
Ela o cutucou. Nada.
Bill, com o coração acelerado, se aproximou rapidamente e se ajoelhou ao lado do filho. O rosto de Cricket estava pálido e seus olhos estavam fechados.
"Cricket! Ei, filho! Acorda!" Bill o sacudiu suavemente.
Nenhuma resposta.
O pânico começou a se instalar. Alice, que era a personificação da calma em situações de crise, sentiu uma pontada de ansiedade. "O que aconteceu? Ele bateu a cabeça?"
"Eu não sei! Ele só... caiu", Tilly disse, seus olhos ovais arregalados, uma lágrima começando a escorrer. "Ele não está se mexendo!"
Bill pegou Cricket no colo. O garoto estava mole e sem peso, uma visão rara para o sempre agitado Cricket. Bill notou que o corpo de Cricket estava um pouco frio.
"Precisamos levá-lo ao hospital!" Bill exclamou, a voz trêmula. "Agora!"
Alice, apesar de sua idade, agiu rapidamente. "Eu vou pegar as chaves do carro. Tilly, pegue um cobertor! Rápido!"
A corrida até o hospital foi um borrão de ansiedade. Bill dirigia como um louco, ignorando completamente as regras que ele mesmo pregava. Tilly, sentada no banco de trás, segurava a mão mole de Cricket, sussurrando para ele acordar. Alice, ao lado de Bill, mantinha um olhar fixo na estrada, mas sua mente estava em seu neto.
No hospital, a cena era de caos controlado. Enfermeiras e médicos se apressavam, e Cricket foi levado às pressas para uma sala de emergência. A família Green foi deixada na sala de espera, cada segundo se arrastando como uma eternidade.
Bill andava de um lado para o outro, as mãos enfiadas nos cabelos. "Isso é minha culpa! Eu devia ter sido mais firme com ele. Eu devia ter ficado de olho!"
Tilly, com Saxon apertado contra o peito, chorava baixinho. "Ele parecia tão... quieto. Eu nunca vi o Cricket quieto."
Alice, sentada, observava a porta da sala de emergência, seu rosto uma máscara de preocupação. "Não se culpe, Bill. Cricket é um desastre natural ambulante. Ninguém pode prever o que ele vai fazer."
Horas se passaram. Horas que pareciam dias. Finalmente, um médico saiu da sala de emergência. Ele tinha um olhar cansado, mas também um leve sorriso.
"A família Green?" ele perguntou.
Todos se levantaram de uma vez.
"Como ele está, doutor?" Bill perguntou, com a voz rouca.
O médico suspirou. "Ele está bem. Ele só... desmaiou."
"Desmaiou?" Alice perguntou, incrédula. "O Cricket? Ele nunca desmaia!"
"Sim, senhora. Parece que seu neto simplesmente... se esgotou", o médico explicou. "Ele tem um nível de energia extraordinariamente alto, e pelo que entendi, ele está sempre em movimento, sempre se metendo em alguma coisa."
Bill assentiu. "Sim, isso é ele. Ele é um turbilhão."
"Bem, parece que o turbilhão finalmente ficou sem vento", o médico disse com um leve sorriso. "Ele estava com desidratação severa e exaustão extrema. O corpo dele simplesmente desligou para forçá-lo a descansar."
Tilly soltou um suspiro de alívio. "Então ele vai ficar bem?"
"Ele vai ficar bem", o médico confirmou. "Nós demos a ele fluidos intravenosos e ele está dormindo agora. Ele vai precisar de muito descanso e muita água. E talvez um pouco menos de... aventuras por um tempo."
Bill sentiu as pernas fraquejarem e se sentou. "Graças a Deus."
Eles foram autorizados a ver Cricket. Ele estava deitado na cama do hospital, um soro em seu braço. Seus dentes de coelho estavam relaxados, e seu cabelo tigela estava um pouco bagunçado. Pela primeira vez em muito tempo, Cricket estava completamente imóvel.
Tilly se aproximou da cama, os olhos vermelhos de tanto chorar. Ela colocou a mãozinha na testa de Cricket. "Ele está quente agora."
Bill se ajoelhou ao lado da cama. Ele olhou para o filho, uma mistura de alívio e culpa em seu peito. "Você me deu um susto e tanto, garoto."
Alice observava a cena, uma emoção que raramente mostrava em seu rosto: ternura. "Ele é um bom garoto, Bill. Só precisa aprender a desacelerar às vezes."
No dia seguinte, Cricket acordou. Ele piscou, confuso com o ambiente branco e estéril. "Onde eu estou?"
"Você está no hospital, Cricket", Bill disse, que estava sentado em uma cadeira ao lado da cama, com Tilly dormindo em seu ombro.
Cricket tentou se sentar, mas sentiu uma pontada de tontura. "Hospital? O que aconteceu?"
"Você desmaiou", Tilly murmurou, acordando. "Você nos deu um susto e tanto!"
Cricket franziu a testa. "Desmaiei? Eu?" Ele não conseguia se lembrar de ter desmaiado antes. Era como se o mundo tivesse simplesmente... apagado. "Mas eu sou super durão!"
"Até os super durões precisam descansar, Cricket", Alice disse, entrando no quarto com um copo de água. "Você estava se esforçando demais."
Cricket pegou o copo e bebeu a água rapidamente. Ele sentiu uma sensação estranha. Uma sensação de fraqueza, de... vulnerabilidade. Ele, o garoto selvagem e imparável, tinha desmaiado.
"Eu não gosto disso", ele resmungou. "Eu não gosto de ficar parado."
Bill sorriu, um sorriso genuíno de alívio. "Eu sei, filho. Mas você vai ter que ficar parado por um tempo. O médico disse que você precisa descansar."
Cricket bufou. "Descansar é chato. É como bagels. Chatas!"
Tilly riu. "Mas você precisa, Cricket. Para não desligar de novo."
A ideia de "desligar" novamente não agradou Cricket. Ele amava explosões, mas não a ideia de seu próprio corpo explodir ou, pior, parar.
Nos dias seguintes, Cricket foi forçado a desacelerar. Ele odiava cada minuto. Ele tentava pular na cama, mas a tontura o forçava a sentar. Ele tentava correr, mas as enfermeiras o impediam. Ele até tentou pregar uma peça em uma enfermeira, mas seu coração não estava nisso.
Ele sentia falta da adrenalina, do caos. Sentia falta de ser ele mesmo.
Uma tarde, enquanto Bill estava lendo um livro na sala de estar e Tilly estava desenhando um mapa de fantasia com Saxon, Cricket desceu as escadas lentamente. Ele estava um pouco mais pálido que o normal, mas seus olhos já tinham um pouco do brilho de volta.
"Pai", ele chamou.
Bill abaixou o livro. "Sim, Cricket?"
"Eu não gosto de ficar doente", Cricket disse, com uma voz surpreendentemente suave. "É... solitário."
Bill se levantou e abraçou o filho. "Eu sei, garoto. Ninguém gosta de ficar doente. Mas você está melhorando. E nós estamos aqui com você."
Cricket se aninhou no abraço do pai. Ele sentiu o calor e a segurança. Ele ainda era um encrenqueiro, um turbilhão de energia, mas naquele momento, ele era apenas um garoto que precisava de um pouco de conforto.
Nos dias que se seguiram, Cricket se recuperou gradualmente. Ele ainda era o mesmo Cricket, propenso a travessuras e aventuras. Mas algo havia mudado. Ele bebia mais água. Ele até tirava cochilos ocasionais (para o espanto de Bill). E, por um breve período, ele foi um pouco mais cuidadoso.
Um dia, enquanto a família estava na Gloria + Green Coffee, Cricket estava ajudando a varrer o chão (uma tarefa que ele normalmente detestava). Ele estava descalço, como sempre, mas desta vez, ele estava varrendo com um pouco mais de cuidado.
Gloria observava, incrédula. "O que aconteceu com o Cricket? Ele está... trabalhando?"
Alice sorriu. "Ele teve um pequeno "desligamento". Acho que o susto o fez pensar um pouco sobre seus limites."
Cricket, ouvindo a conversa, parou de varrer. Ele olhou para Gloria, um brilho travesso voltando aos seus olhos. "Ah, eu só estou recarregando, Gloria! Logo, logo, o velho Cricket estará de volta, maior e melhor do que nunca! Prepare-se para o caos!"
Ele deu uma piscadela e continuou a varrer, mas desta vez com um pouco mais de entusiasmo, quase como se estivesse dançando.
Bill balançou a cabeça, um sorriso no rosto. "Acho que não há como parar o turbilhão, afinal."
Tilly, observando o irmão, sorriu. "Ele é como um rio, pai. Pode desacelerar, mas nunca para de fluir."
E, de fato, Cricket nunca parou de fluir. Ele continuou a ser o selvagem, otimista e bagunceiro Cricket Green, mas com uma pequena diferença. Ele aprendeu que, às vezes, até o mais indomável dos espíritos precisa de um momento para respirar. E que, no final das contas, ter uma família para pegá-lo quando ele desmaiava era a maior aventura de todas. Ele ainda preferia donuts a bagels, mas agora, ele também apreciava um bom copo de água. E talvez, apenas talvez, ele tivesse aprendido uma pequena lição sobre os perigos da exaustão. Mas não se preocupem, o caos ainda estava no menu. Afinal, ele era Cricket Green. E o mundo estava esperando para ser "reorganizado".
"CRICKET!" Bill gritou do andar de baixo, com a voz já carregada de uma familiar exasperação. "O que você fez agora?"
Um silêncio momentâneo, seguido pelo som de algo rolando escada abaixo. Então, a cabeça de Cricket apareceu no topo da escada. Seus olhos azuis, normalmente cheios de um brilho travesso, pareciam um pouco mais arregalados que o normal. Ele estava descalço, como sempre, e a camisa cinza-azulada sob o macacão verde-marinho estava amassada.
"Nada demais, pai!" ele gritou de volta, com um sorriso forçado. "Só... uh... reorganizando as coisas."
Bill suspirou, esfregando as têmporas. "Reorganizando? Você derrubou a torradeira de novo?"
"Talvez", Cricket respondeu, descendo os degraus aos tropeços. "Mas eu acho que ela precisava de um pouco de... aventura!"
Tilly, que estava na sala de estar, acariciando seu boneco Saxon, olhou para o irmão com um brilho nos olhos. "A aventura aguarda, Cricket. Talvez a torradeira descubra um novo propósito como nave espacial."
Bill balançou a cabeça. "Tilly, por favor, não incentive ele. Cricket, quantas vezes eu tenho que dizer para você ter mais cuidado? Um dia você vai se machucar de verdade com essas suas 'aventuras'."
Cricket bufou. "Ah, pai, eu tô sempre bem! Eu sou forte, rápido e super durão! Lembra daquela vez que eu caí do telhado da Gloria e só quebrei um galho?"
"E quase quebrou o pescoço, Cricket!" Bill retrucou, com a voz um pouco mais alta. "Eu não sei de onde você tira tanta energia para se meter em tantas confusões!"
Alice, a matriarca da família, surgiu da cozinha, apoiada em sua bengala. "É de família, Bill. Você era igualzinho quando criança. Só que ele tem o bônus de ser um Green na Big City. O caos se amplifica aqui." Ela acenou com a bengala na direção de Cricket, um brilho de orgulho, mas também de preocupação, em seus olhos. "Mas você está certo, Bill. Até um Green tem seus limites."
Cricket, ignorando as advertências, já estava pulando pela sala, fingindo que estava em uma perseguição de carro imaginária. "Vroom, vroom! Peguei vocês, malvados! Ninguém me para!"
De repente, ele tropeçou em um tapete e caiu de cara no chão. O som foi mais um baque mole do que um estrondo. Bill e Tilly congelaram. Alice ergueu uma sobrancelha.
"Cricket?" Bill chamou, um tom de preocupação na voz.
O garoto não se moveu.
Tilly largou Saxon e correu até o irmão. "Cricket? Você está bem?"
Ela o cutucou. Nada.
Bill, com o coração acelerado, se aproximou rapidamente e se ajoelhou ao lado do filho. O rosto de Cricket estava pálido e seus olhos estavam fechados.
"Cricket! Ei, filho! Acorda!" Bill o sacudiu suavemente.
Nenhuma resposta.
O pânico começou a se instalar. Alice, que era a personificação da calma em situações de crise, sentiu uma pontada de ansiedade. "O que aconteceu? Ele bateu a cabeça?"
"Eu não sei! Ele só... caiu", Tilly disse, seus olhos ovais arregalados, uma lágrima começando a escorrer. "Ele não está se mexendo!"
Bill pegou Cricket no colo. O garoto estava mole e sem peso, uma visão rara para o sempre agitado Cricket. Bill notou que o corpo de Cricket estava um pouco frio.
"Precisamos levá-lo ao hospital!" Bill exclamou, a voz trêmula. "Agora!"
Alice, apesar de sua idade, agiu rapidamente. "Eu vou pegar as chaves do carro. Tilly, pegue um cobertor! Rápido!"
A corrida até o hospital foi um borrão de ansiedade. Bill dirigia como um louco, ignorando completamente as regras que ele mesmo pregava. Tilly, sentada no banco de trás, segurava a mão mole de Cricket, sussurrando para ele acordar. Alice, ao lado de Bill, mantinha um olhar fixo na estrada, mas sua mente estava em seu neto.
No hospital, a cena era de caos controlado. Enfermeiras e médicos se apressavam, e Cricket foi levado às pressas para uma sala de emergência. A família Green foi deixada na sala de espera, cada segundo se arrastando como uma eternidade.
Bill andava de um lado para o outro, as mãos enfiadas nos cabelos. "Isso é minha culpa! Eu devia ter sido mais firme com ele. Eu devia ter ficado de olho!"
Tilly, com Saxon apertado contra o peito, chorava baixinho. "Ele parecia tão... quieto. Eu nunca vi o Cricket quieto."
Alice, sentada, observava a porta da sala de emergência, seu rosto uma máscara de preocupação. "Não se culpe, Bill. Cricket é um desastre natural ambulante. Ninguém pode prever o que ele vai fazer."
Horas se passaram. Horas que pareciam dias. Finalmente, um médico saiu da sala de emergência. Ele tinha um olhar cansado, mas também um leve sorriso.
"A família Green?" ele perguntou.
Todos se levantaram de uma vez.
"Como ele está, doutor?" Bill perguntou, com a voz rouca.
O médico suspirou. "Ele está bem. Ele só... desmaiou."
"Desmaiou?" Alice perguntou, incrédula. "O Cricket? Ele nunca desmaia!"
"Sim, senhora. Parece que seu neto simplesmente... se esgotou", o médico explicou. "Ele tem um nível de energia extraordinariamente alto, e pelo que entendi, ele está sempre em movimento, sempre se metendo em alguma coisa."
Bill assentiu. "Sim, isso é ele. Ele é um turbilhão."
"Bem, parece que o turbilhão finalmente ficou sem vento", o médico disse com um leve sorriso. "Ele estava com desidratação severa e exaustão extrema. O corpo dele simplesmente desligou para forçá-lo a descansar."
Tilly soltou um suspiro de alívio. "Então ele vai ficar bem?"
"Ele vai ficar bem", o médico confirmou. "Nós demos a ele fluidos intravenosos e ele está dormindo agora. Ele vai precisar de muito descanso e muita água. E talvez um pouco menos de... aventuras por um tempo."
Bill sentiu as pernas fraquejarem e se sentou. "Graças a Deus."
Eles foram autorizados a ver Cricket. Ele estava deitado na cama do hospital, um soro em seu braço. Seus dentes de coelho estavam relaxados, e seu cabelo tigela estava um pouco bagunçado. Pela primeira vez em muito tempo, Cricket estava completamente imóvel.
Tilly se aproximou da cama, os olhos vermelhos de tanto chorar. Ela colocou a mãozinha na testa de Cricket. "Ele está quente agora."
Bill se ajoelhou ao lado da cama. Ele olhou para o filho, uma mistura de alívio e culpa em seu peito. "Você me deu um susto e tanto, garoto."
Alice observava a cena, uma emoção que raramente mostrava em seu rosto: ternura. "Ele é um bom garoto, Bill. Só precisa aprender a desacelerar às vezes."
No dia seguinte, Cricket acordou. Ele piscou, confuso com o ambiente branco e estéril. "Onde eu estou?"
"Você está no hospital, Cricket", Bill disse, que estava sentado em uma cadeira ao lado da cama, com Tilly dormindo em seu ombro.
Cricket tentou se sentar, mas sentiu uma pontada de tontura. "Hospital? O que aconteceu?"
"Você desmaiou", Tilly murmurou, acordando. "Você nos deu um susto e tanto!"
Cricket franziu a testa. "Desmaiei? Eu?" Ele não conseguia se lembrar de ter desmaiado antes. Era como se o mundo tivesse simplesmente... apagado. "Mas eu sou super durão!"
"Até os super durões precisam descansar, Cricket", Alice disse, entrando no quarto com um copo de água. "Você estava se esforçando demais."
Cricket pegou o copo e bebeu a água rapidamente. Ele sentiu uma sensação estranha. Uma sensação de fraqueza, de... vulnerabilidade. Ele, o garoto selvagem e imparável, tinha desmaiado.
"Eu não gosto disso", ele resmungou. "Eu não gosto de ficar parado."
Bill sorriu, um sorriso genuíno de alívio. "Eu sei, filho. Mas você vai ter que ficar parado por um tempo. O médico disse que você precisa descansar."
Cricket bufou. "Descansar é chato. É como bagels. Chatas!"
Tilly riu. "Mas você precisa, Cricket. Para não desligar de novo."
A ideia de "desligar" novamente não agradou Cricket. Ele amava explosões, mas não a ideia de seu próprio corpo explodir ou, pior, parar.
Nos dias seguintes, Cricket foi forçado a desacelerar. Ele odiava cada minuto. Ele tentava pular na cama, mas a tontura o forçava a sentar. Ele tentava correr, mas as enfermeiras o impediam. Ele até tentou pregar uma peça em uma enfermeira, mas seu coração não estava nisso.
Ele sentia falta da adrenalina, do caos. Sentia falta de ser ele mesmo.
Uma tarde, enquanto Bill estava lendo um livro na sala de estar e Tilly estava desenhando um mapa de fantasia com Saxon, Cricket desceu as escadas lentamente. Ele estava um pouco mais pálido que o normal, mas seus olhos já tinham um pouco do brilho de volta.
"Pai", ele chamou.
Bill abaixou o livro. "Sim, Cricket?"
"Eu não gosto de ficar doente", Cricket disse, com uma voz surpreendentemente suave. "É... solitário."
Bill se levantou e abraçou o filho. "Eu sei, garoto. Ninguém gosta de ficar doente. Mas você está melhorando. E nós estamos aqui com você."
Cricket se aninhou no abraço do pai. Ele sentiu o calor e a segurança. Ele ainda era um encrenqueiro, um turbilhão de energia, mas naquele momento, ele era apenas um garoto que precisava de um pouco de conforto.
Nos dias que se seguiram, Cricket se recuperou gradualmente. Ele ainda era o mesmo Cricket, propenso a travessuras e aventuras. Mas algo havia mudado. Ele bebia mais água. Ele até tirava cochilos ocasionais (para o espanto de Bill). E, por um breve período, ele foi um pouco mais cuidadoso.
Um dia, enquanto a família estava na Gloria + Green Coffee, Cricket estava ajudando a varrer o chão (uma tarefa que ele normalmente detestava). Ele estava descalço, como sempre, mas desta vez, ele estava varrendo com um pouco mais de cuidado.
Gloria observava, incrédula. "O que aconteceu com o Cricket? Ele está... trabalhando?"
Alice sorriu. "Ele teve um pequeno "desligamento". Acho que o susto o fez pensar um pouco sobre seus limites."
Cricket, ouvindo a conversa, parou de varrer. Ele olhou para Gloria, um brilho travesso voltando aos seus olhos. "Ah, eu só estou recarregando, Gloria! Logo, logo, o velho Cricket estará de volta, maior e melhor do que nunca! Prepare-se para o caos!"
Ele deu uma piscadela e continuou a varrer, mas desta vez com um pouco mais de entusiasmo, quase como se estivesse dançando.
Bill balançou a cabeça, um sorriso no rosto. "Acho que não há como parar o turbilhão, afinal."
Tilly, observando o irmão, sorriu. "Ele é como um rio, pai. Pode desacelerar, mas nunca para de fluir."
E, de fato, Cricket nunca parou de fluir. Ele continuou a ser o selvagem, otimista e bagunceiro Cricket Green, mas com uma pequena diferença. Ele aprendeu que, às vezes, até o mais indomável dos espíritos precisa de um momento para respirar. E que, no final das contas, ter uma família para pegá-lo quando ele desmaiava era a maior aventura de todas. Ele ainda preferia donuts a bagels, mas agora, ele também apreciava um bom copo de água. E talvez, apenas talvez, ele tivesse aprendido uma pequena lição sobre os perigos da exaustão. Mas não se preocupem, o caos ainda estava no menu. Afinal, ele era Cricket Green. E o mundo estava esperando para ser "reorganizado".
