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Jujutsu kaisen
Fandom: Jujutseu kaisen
Created: 4/3/2026
Tags
DramaAngstHurt/ComfortPsychologicalCharacter StudyCanon SettingMissing SceneDarkSuicide AttemptTragedyFix-it
As Sombras sob o Sorriso
O dormitório da Escola de Jujutsu de Tóquio nunca pareceu tão silencioso. O ar estava pesado, carregado não apenas com a umidade da chuva que batia contra as janelas de vidro, mas com o peso de tudo o que havia sido perdido. Shibuya não foi apenas uma batalha; foi um moedor de carne que deixou cicatrizes profundas na alma de todos os sobreviventes.
Itadori Yuji estava sentado na beira de sua cama, os olhos fixos em algum ponto invisível no chão de madeira. Ele não comia direito há dias. O brilho dourado que costumava emanar de sua presença havia se extinguido, substituído por uma névoa cinzenta de apatia e culpa. O peso de Sukuna, as mortes de Nanami e Nobara — ou o que ele acreditava ter sido a morte dela até sua recuperação milagrosa — e a destruição da cidade o esmagavam.
No corredor, Megumi Fushiguro e Nobara Kugisaki observavam a porta fechada de Yuji. Nobara, ainda usando um tapa-olho que servia como um lembrete constante da tragédia, cruzou os braços.
— Ele não saiu para o treino de novo — murmurou ela, a voz desprovida de sua habitual agressividade. — Gojo disse para darmos tempo a ele, mas quanto tempo mais ele vai aguentar antes de quebrar de vez?
Megumi suspirou, olhando para uma pasta de arquivos que segurava sob o braço.
— Gojo me pediu para organizar alguns documentos antigos da transferência do Itadori. Ele disse que talvez entender o histórico dele nos ajudasse a encontrar uma forma de alcançá-lo agora.
— Histórico? — Nobara arqueou a sobrancelha. — O que há para saber? Ele era um garoto de escola normal que comia dedos amaldiçoados e tinha uma força física bizarra.
Eles caminharam até a biblioteca da escola, um refúgio de silêncio e cheiro de papel velho. Megumi abriu a pasta sobre uma mesa larga. Eram relatórios médicos e psicológicos datados de antes de Yuji ingressar no mundo do jujutsu, coletados da escola anterior dele em Sendai e dos registros do hospital onde seu avô estava internado.
— Olhe isso — disse Megumi, apontando para um documento grampeado no fundo.
Nobara se inclinou, seus olhos percorrendo as linhas impressas. À medida que lia, sua expressão de confusão se transformou em um choque silencioso.
— "Episódios recorrentes de anedonia", "isolamento social mascarado por comportamento hiperativo", "tendências de autossacrifício patológico"... — Nobara leu em voz alta, a voz falhando. — Megumi, isso é de dois anos atrás. Antes mesmo de ele conhecer o Gojo. Antes de comer o dedo do Sukuna.
Megumi assentiu, o rosto sombrio.
— Nós sempre achamos que a depressão dele era uma consequência de Shibuya. Que o trauma de ser um receptáculo o mudou. Mas esses relatórios dizem o contrário. Yuji já estava lutando contra isso há muito tempo. Ele apenas aprendeu a sorrir tão bem que ninguém percebeu.
— Aquele idiota... — Nobara sentiu um nó na garganta. — Ele estava sofrendo esse tempo todo e a gente só achou que ele era o "raio de sol" do grupo.
— O relatório do psicólogo escolar de Sendai menciona que o avô dele era sua única âncora — continuou Megumi, passando as páginas. — Diz que Yuji apresentava um desvalor severo pela própria vida. Ele se via apenas como uma ferramenta para ajudar os outros, porque não conseguia encontrar valor em sua própria existência.
A porta da biblioteca se abriu suavemente. Satoru Gojo entrou, sem a costumeira venda, usando apenas seus óculos escuros. Ele não parecia o homem brincalhão de sempre; havia uma seriedade em seus olhos azuis que raramente era vista.
— Vocês encontraram, não é? — perguntou Gojo, encostando-se em uma estante.
— Por que você não nos contou, Sensei? — Nobara perguntou, sua voz tingida de frustração. — Você sabia que ele já estava doente antes de tudo isso?
Gojo suspirou, olhando para o teto.
— Eu suspeitava. No dia em que o conheci, a facilidade com que ele aceitou a sentença de morte... não era apenas coragem. Era alguém que já tinha desistido de si mesmo. Eu tentei dar a ele um propósito, uma família. Achei que, se ele estivesse cercado por pessoas que se importavam, o vazio diminuiria.
— Mas Shibuya aconteceu — completou Megumi.
— Sim — disse Gojo. — Shibuya pegou todas as defesas mentais que ele construiu e as implodiu. O que vocês estão vendo agora não é uma depressão nova. É a depressão antiga dele, sem a máscara que ele usava para nos proteger.
Nobara fechou a pasta com força, o som ecoando pela sala vazia.
— Nós temos que falar com ele. Não sobre maldições, não sobre o Sukuna. Sobre *ele*.
Eles caminharam de volta aos dormitórios. O silêncio do corredor parecia ainda mais opressor agora que sabiam a verdade. Megumi bateu suavemente na porta de Yuji.
— Itadori? Sou eu. A Nobara está aqui também.
Não houve resposta imediata. Após alguns segundos, ouviram o som de algo se arrastando, e a porta se abriu apenas uma fresta. O rosto de Yuji estava pálido, as olheiras profundas fazendo-o parecer anos mais velho.
— Ei — disse Yuji, sua voz rouca. — Desculpem, eu perdi o horário de novo? Eu já vou me trocar...
— Não viemos falar de treino, Yuji — Nobara disse, empurrando a porta e entrando sem pedir licença.
Yuji recuou, confuso, enquanto Megumi entrava logo atrás, fechando a porta. O quarto estava na penumbra, as cortinas fechadas bloqueando a luz do dia.
— O que está acontecendo? — perguntou Yuji, tentando forçar um pequeno sorriso que não chegava aos olhos. — Vocês parecem sérios. Aconteceu algo com o Gojo-sensei?
— Para com isso — Megumi disse, sua voz firme mas calma. — Para de fingir que está tudo bem só porque você acha que é um fardo para nós.
Yuji piscou, o sorriso trêmulo vacilando.
— Eu não sei do que você está falando, Fushiguro. Eu só estou um pouco cansado, Shibuya foi...
— Nós lemos os relatórios, Yuji — Nobara interrompeu, cruzando os braços. — Os relatórios de Sendai. De antes de você vir para cá.
O silêncio que se seguiu foi absoluto. O pouco de cor que restava no rosto de Yuji desapareceu completamente. Ele desviou o olhar, as mãos começando a tremer levemente ao lado do corpo.
— Vocês... vocês não deviam ter visto isso — sussurrou ele.
— Por que você nunca disse nada? — Nobara deu um passo à frente, sua voz suavizando. — A gente achou que você estava mudando por causa das maldições, mas você já estava carregando esse peso sozinho todo esse tempo.
Yuji sentou-se pesadamente na cama, escondendo o rosto nas mãos.
— O que eu ia dizer? "Oi, eu sou o Itadori, eu não vejo sentido na vida e só estou esperando uma boa razão para morrer"? — Ele soltou uma risada amarga e seca. — Meu avô me disse para ajudar as pessoas para que eu não morresse sozinho. Eu fiz disso a minha personalidade inteira porque, se eu não estivesse ajudando alguém, eu não era nada.
— Isso não é verdade — Megumi disse, sentando-se na cadeira da escrivaninha, de frente para ele. — Você é nosso amigo. Você é uma pessoa além da sua utilidade como feiticeiro ou como receptáculo.
— Mas eu matei tanta gente... — a voz de Yuji quebrou, e as primeiras lágrimas começaram a cair. — Através de mim, o Sukuna... eu achei que se eu sorrisse, se eu continuasse lutando, a escuridão ia embora. Mas ela nunca vai embora. Ela só fica maior.
Nobara sentou-se ao lado dele na cama e, sem dizer uma palavra, passou o braço pelos ombros dele, puxando-o para um abraço desajeitado.
— Você é um idiota, Itadori — ela murmurou, sentindo a camisa dele ficar úmida. — Um idiota completo por achar que tem que carregar o mundo nas costas. A gente não gosta de você porque você é "o cara alegre". A gente gosta de você porque você é você. Mesmo quando você está na merda. Especialmente quando você está na merda.
Yuji soluçou abertamente agora, o corpo tremendo com o peso de anos de sentimentos reprimidos.
— Eu estou tão cansado — ele confessou entre os soluços. — Eu só queria que tudo parasse.
— Eu sei — disse Megumi, sua voz carregada de uma empatia rara. — E não vamos dizer que vai ficar tudo bem amanhã. Mas você não vai mais esconder isso. Se você estiver mal, você vai nos dizer. Se você não conseguir levantar da cama, a gente vai vir aqui e te arrastar para ver um filme idiota ou comer ramen. Você não é uma ferramenta, Yuji. Você é nossa família.
Gojo, que observava discretamente da fresta da porta, sorriu tristemente e se afastou, deixando os três sozinhos. Ele sabia que a cura seria longa, talvez nunca completa, mas pela primeira vez em muito tempo, a sombra sob o sorriso de Yuji não parecia tão impenetrável.
Dentro do quarto, o choro de Yuji foi diminuindo gradualmente, substituído por uma respiração mais calma. Ele não se sentia "curado", mas o isolamento sufocante que o perseguia desde Sendai parecia ter cedido um pouco.
— Vocês são muito irritantes — Yuji disse, limpando o rosto com a manga da blusa, um traço real de afeto em sua voz.
— E você é um dramático — Nobara retrucou, embora não tenha soltado o ombro dele. — Agora, levanta. O Fushiguro vai pagar o jantar e eu quero a comida mais cara do cardápio.
— Eu o quê? — Megumi arqueou a sobrancelha.
— Você ouviu — Nobara sorriu, o primeiro sorriso genuíno que Yuji via em semanas. — É o preço por ter mexido nos arquivos confidenciais alheios.
Yuji olhou para os dois, sentindo um calor estranho no peito. A depressão ainda estava lá, uma presença constante e fria em sua mente, mas pela primeira vez, ele sentiu que não precisava lutar contra ela no escuro.
— Tudo bem — disse Yuji, levantando-se devagar. — Mas eu quero extra de carne no meu ramen.
— Feito — concordou Megumi, levantando-se também.
Enquanto caminhavam pelo corredor, a chuva lá fora continuava a cair, mas dentro daquelas paredes, entre o som de discussões bobas e passos ecoando, a luz começava a encontrar seu caminho de volta. Yuji não precisava mais ser o "raio de sol". Ele só precisava ser ele mesmo, e por enquanto, isso era o suficiente.
Itadori Yuji estava sentado na beira de sua cama, os olhos fixos em algum ponto invisível no chão de madeira. Ele não comia direito há dias. O brilho dourado que costumava emanar de sua presença havia se extinguido, substituído por uma névoa cinzenta de apatia e culpa. O peso de Sukuna, as mortes de Nanami e Nobara — ou o que ele acreditava ter sido a morte dela até sua recuperação milagrosa — e a destruição da cidade o esmagavam.
No corredor, Megumi Fushiguro e Nobara Kugisaki observavam a porta fechada de Yuji. Nobara, ainda usando um tapa-olho que servia como um lembrete constante da tragédia, cruzou os braços.
— Ele não saiu para o treino de novo — murmurou ela, a voz desprovida de sua habitual agressividade. — Gojo disse para darmos tempo a ele, mas quanto tempo mais ele vai aguentar antes de quebrar de vez?
Megumi suspirou, olhando para uma pasta de arquivos que segurava sob o braço.
— Gojo me pediu para organizar alguns documentos antigos da transferência do Itadori. Ele disse que talvez entender o histórico dele nos ajudasse a encontrar uma forma de alcançá-lo agora.
— Histórico? — Nobara arqueou a sobrancelha. — O que há para saber? Ele era um garoto de escola normal que comia dedos amaldiçoados e tinha uma força física bizarra.
Eles caminharam até a biblioteca da escola, um refúgio de silêncio e cheiro de papel velho. Megumi abriu a pasta sobre uma mesa larga. Eram relatórios médicos e psicológicos datados de antes de Yuji ingressar no mundo do jujutsu, coletados da escola anterior dele em Sendai e dos registros do hospital onde seu avô estava internado.
— Olhe isso — disse Megumi, apontando para um documento grampeado no fundo.
Nobara se inclinou, seus olhos percorrendo as linhas impressas. À medida que lia, sua expressão de confusão se transformou em um choque silencioso.
— "Episódios recorrentes de anedonia", "isolamento social mascarado por comportamento hiperativo", "tendências de autossacrifício patológico"... — Nobara leu em voz alta, a voz falhando. — Megumi, isso é de dois anos atrás. Antes mesmo de ele conhecer o Gojo. Antes de comer o dedo do Sukuna.
Megumi assentiu, o rosto sombrio.
— Nós sempre achamos que a depressão dele era uma consequência de Shibuya. Que o trauma de ser um receptáculo o mudou. Mas esses relatórios dizem o contrário. Yuji já estava lutando contra isso há muito tempo. Ele apenas aprendeu a sorrir tão bem que ninguém percebeu.
— Aquele idiota... — Nobara sentiu um nó na garganta. — Ele estava sofrendo esse tempo todo e a gente só achou que ele era o "raio de sol" do grupo.
— O relatório do psicólogo escolar de Sendai menciona que o avô dele era sua única âncora — continuou Megumi, passando as páginas. — Diz que Yuji apresentava um desvalor severo pela própria vida. Ele se via apenas como uma ferramenta para ajudar os outros, porque não conseguia encontrar valor em sua própria existência.
A porta da biblioteca se abriu suavemente. Satoru Gojo entrou, sem a costumeira venda, usando apenas seus óculos escuros. Ele não parecia o homem brincalhão de sempre; havia uma seriedade em seus olhos azuis que raramente era vista.
— Vocês encontraram, não é? — perguntou Gojo, encostando-se em uma estante.
— Por que você não nos contou, Sensei? — Nobara perguntou, sua voz tingida de frustração. — Você sabia que ele já estava doente antes de tudo isso?
Gojo suspirou, olhando para o teto.
— Eu suspeitava. No dia em que o conheci, a facilidade com que ele aceitou a sentença de morte... não era apenas coragem. Era alguém que já tinha desistido de si mesmo. Eu tentei dar a ele um propósito, uma família. Achei que, se ele estivesse cercado por pessoas que se importavam, o vazio diminuiria.
— Mas Shibuya aconteceu — completou Megumi.
— Sim — disse Gojo. — Shibuya pegou todas as defesas mentais que ele construiu e as implodiu. O que vocês estão vendo agora não é uma depressão nova. É a depressão antiga dele, sem a máscara que ele usava para nos proteger.
Nobara fechou a pasta com força, o som ecoando pela sala vazia.
— Nós temos que falar com ele. Não sobre maldições, não sobre o Sukuna. Sobre *ele*.
Eles caminharam de volta aos dormitórios. O silêncio do corredor parecia ainda mais opressor agora que sabiam a verdade. Megumi bateu suavemente na porta de Yuji.
— Itadori? Sou eu. A Nobara está aqui também.
Não houve resposta imediata. Após alguns segundos, ouviram o som de algo se arrastando, e a porta se abriu apenas uma fresta. O rosto de Yuji estava pálido, as olheiras profundas fazendo-o parecer anos mais velho.
— Ei — disse Yuji, sua voz rouca. — Desculpem, eu perdi o horário de novo? Eu já vou me trocar...
— Não viemos falar de treino, Yuji — Nobara disse, empurrando a porta e entrando sem pedir licença.
Yuji recuou, confuso, enquanto Megumi entrava logo atrás, fechando a porta. O quarto estava na penumbra, as cortinas fechadas bloqueando a luz do dia.
— O que está acontecendo? — perguntou Yuji, tentando forçar um pequeno sorriso que não chegava aos olhos. — Vocês parecem sérios. Aconteceu algo com o Gojo-sensei?
— Para com isso — Megumi disse, sua voz firme mas calma. — Para de fingir que está tudo bem só porque você acha que é um fardo para nós.
Yuji piscou, o sorriso trêmulo vacilando.
— Eu não sei do que você está falando, Fushiguro. Eu só estou um pouco cansado, Shibuya foi...
— Nós lemos os relatórios, Yuji — Nobara interrompeu, cruzando os braços. — Os relatórios de Sendai. De antes de você vir para cá.
O silêncio que se seguiu foi absoluto. O pouco de cor que restava no rosto de Yuji desapareceu completamente. Ele desviou o olhar, as mãos começando a tremer levemente ao lado do corpo.
— Vocês... vocês não deviam ter visto isso — sussurrou ele.
— Por que você nunca disse nada? — Nobara deu um passo à frente, sua voz suavizando. — A gente achou que você estava mudando por causa das maldições, mas você já estava carregando esse peso sozinho todo esse tempo.
Yuji sentou-se pesadamente na cama, escondendo o rosto nas mãos.
— O que eu ia dizer? "Oi, eu sou o Itadori, eu não vejo sentido na vida e só estou esperando uma boa razão para morrer"? — Ele soltou uma risada amarga e seca. — Meu avô me disse para ajudar as pessoas para que eu não morresse sozinho. Eu fiz disso a minha personalidade inteira porque, se eu não estivesse ajudando alguém, eu não era nada.
— Isso não é verdade — Megumi disse, sentando-se na cadeira da escrivaninha, de frente para ele. — Você é nosso amigo. Você é uma pessoa além da sua utilidade como feiticeiro ou como receptáculo.
— Mas eu matei tanta gente... — a voz de Yuji quebrou, e as primeiras lágrimas começaram a cair. — Através de mim, o Sukuna... eu achei que se eu sorrisse, se eu continuasse lutando, a escuridão ia embora. Mas ela nunca vai embora. Ela só fica maior.
Nobara sentou-se ao lado dele na cama e, sem dizer uma palavra, passou o braço pelos ombros dele, puxando-o para um abraço desajeitado.
— Você é um idiota, Itadori — ela murmurou, sentindo a camisa dele ficar úmida. — Um idiota completo por achar que tem que carregar o mundo nas costas. A gente não gosta de você porque você é "o cara alegre". A gente gosta de você porque você é você. Mesmo quando você está na merda. Especialmente quando você está na merda.
Yuji soluçou abertamente agora, o corpo tremendo com o peso de anos de sentimentos reprimidos.
— Eu estou tão cansado — ele confessou entre os soluços. — Eu só queria que tudo parasse.
— Eu sei — disse Megumi, sua voz carregada de uma empatia rara. — E não vamos dizer que vai ficar tudo bem amanhã. Mas você não vai mais esconder isso. Se você estiver mal, você vai nos dizer. Se você não conseguir levantar da cama, a gente vai vir aqui e te arrastar para ver um filme idiota ou comer ramen. Você não é uma ferramenta, Yuji. Você é nossa família.
Gojo, que observava discretamente da fresta da porta, sorriu tristemente e se afastou, deixando os três sozinhos. Ele sabia que a cura seria longa, talvez nunca completa, mas pela primeira vez em muito tempo, a sombra sob o sorriso de Yuji não parecia tão impenetrável.
Dentro do quarto, o choro de Yuji foi diminuindo gradualmente, substituído por uma respiração mais calma. Ele não se sentia "curado", mas o isolamento sufocante que o perseguia desde Sendai parecia ter cedido um pouco.
— Vocês são muito irritantes — Yuji disse, limpando o rosto com a manga da blusa, um traço real de afeto em sua voz.
— E você é um dramático — Nobara retrucou, embora não tenha soltado o ombro dele. — Agora, levanta. O Fushiguro vai pagar o jantar e eu quero a comida mais cara do cardápio.
— Eu o quê? — Megumi arqueou a sobrancelha.
— Você ouviu — Nobara sorriu, o primeiro sorriso genuíno que Yuji via em semanas. — É o preço por ter mexido nos arquivos confidenciais alheios.
Yuji olhou para os dois, sentindo um calor estranho no peito. A depressão ainda estava lá, uma presença constante e fria em sua mente, mas pela primeira vez, ele sentiu que não precisava lutar contra ela no escuro.
— Tudo bem — disse Yuji, levantando-se devagar. — Mas eu quero extra de carne no meu ramen.
— Feito — concordou Megumi, levantando-se também.
Enquanto caminhavam pelo corredor, a chuva lá fora continuava a cair, mas dentro daquelas paredes, entre o som de discussões bobas e passos ecoando, a luz começava a encontrar seu caminho de volta. Yuji não precisava mais ser o "raio de sol". Ele só precisava ser ele mesmo, e por enquanto, isso era o suficiente.
