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Borusara

Fandom: Borusara

Created: 4/4/2026

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RomanceDramaAngstHurt/ComfortCharacter StudyCanon SettingMissing Scene
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Eco de uma Promessa Esquecida

O som da água correndo sobre as pedras era exatamente o mesmo. O cheiro de terra úmida e o frescor das árvores que cercavam aquela clareira isolada pareciam ter ficado congelados no tempo. Para Sarada, estar ali era como atravessar um portal que a levava diretamente para os seus dezesseis anos, uma época em que o mundo parecia menor, mas os sentimentos eram vastos e incontroláveis.

Boruto estava parado à beira da margem, observando o reflexo da lua na superfície ondulante do rio. Ele não usava mais a capa de viagem; seus ombros estavam largos, a postura era a de um homem que carregava o peso de muitas batalhas, mas o olhar que ele dirigiu a ela quando se virou ainda guardava aquele brilho azul, rebelde e profundo, que sempre a desarmava.

— Sete anos, Sarada — murmurou ele, a voz rouca misturando-se ao barulho da correnteza. — Parece que foi ontem que a gente fugiu de Konoha no meio da noite só para encontrar esse lugar.

Sarada sentiu um aperto no peito. Ela se aproximou lentamente, sentindo a grama alta roçar em suas pernas. O ar da noite estava frio, mas o calor que emanava da presença de Boruto era quase palpável.

— Muita coisa mudou, Boruto — disse ela, tentando manter a voz firme, embora seu coração batesse contra as costelas como um pássaro enjaulado. — Nós não somos mais aquelas crianças. Eu sou a Hokage agora. Você... você passou anos fora, vivendo em sombras.

Boruto deu um passo em direção a ela, reduzindo a distância. O cheiro de sândalo e aventura que sempre o acompanhava envolveu os sentidos de Sarada.

— O título que você carrega não muda o que aconteceu aqui — ele estendeu a mão, tocando levemente o rosto dela com as costas dos dedos. — O rio não esqueceu. Eu também não esqueci.

O toque dele foi o gatilho. Sarada fechou os olhos por um segundo, permitindo-se sentir a eletricidade que sempre existiu entre eles. Antes que pudesse processar a razão, a saudade falou mais alto. Quando seus olhos se abriram, Boruto já a puxava para perto. O beijo foi urgente, uma colisão de anos de repressão e desejo acumulado. Era áspero e doce ao mesmo tempo, um reencontro que queimava.

As mãos de Boruto desceram pelas costas dela, pressionando-a contra seu corpo sólido. Sarada retribuiu com a mesma intensidade, seus dedos se perdendo nos cabelos loiros dele, puxando-o para mais perto, como se quisesse fundir suas almas ali mesmo, sob o luar. Eles se afastaram apenas o suficiente para recuperar o fôlego, os lábios ainda roçando uns nos outros.

A realidade, porém, sussurrou no ouvido de Sarada como uma brisa gelada. Ela colocou as mãos sobre o peito dele, criando um pequeno espaço entre os dois.

— Boruto, espera... — A respiração dela estava curta. — A gente não pode fazer isso.

Boruto franziu a testa, a confusão nublando seus olhos azuis.

— Por que não? A gente sempre teve esse lugar. É nosso.

— Não é tão simples agora — Sarada desviou o olhar, sentindo um nó na garganta. — Você tem uma vida agora. Você tem... você tem uma namorada, Boruto. Todo mundo em Konoha comenta sobre como vocês se aproximaram durante as missões na fronteira. Eu não posso ser a pessoa que estraga isso. Nós somos adultos agora, temos responsabilidades.

Houve um silêncio pesado, quebrado apenas pelo coaxar distante de alguns sapos e o movimento incessante da água. Boruto a observou por um longo tempo, a expressão indecifrável.

— É isso que você acha? — perguntou ele, o tom de voz baixando uma oitava.

— É o que é verdade — respondeu ela, sentindo os olhos arderem. — Eu não sou mais a garota que se escondia atrás das árvores para te beijar. Eu tenho um cargo a zelar, e você tem um compromisso. Isso aqui... reviver isso... é um erro.

Boruto não recuou. Em vez disso, ele deu um passo à frente, forçando-a a olhar para ele. Ele segurou o queixo dela com firmeza, mas com uma doçura que a fez estremecer.

— Sarada, olhe para mim — pediu ele. — Você realmente acredita que qualquer outra pessoa no mundo poderia significar o que você significa para mim?

— Boruto, as pessoas dizem... — começou ela, mas ele a interrompeu com um gesto.

— As pessoas dizem o que querem ver — afirmou ele categoricamente. — Mas ninguém sabe o que eu sinto quando fecho os olhos e tento lembrar do som da sua risada. Ninguém sabe que, durante todos esses sete anos, esse rio foi o único lugar para onde eu voltava nos meus sonhos.

— Mas a sua namorada... — ela tentou insistir, a voz falhando.

— Não existe mais ninguém, Sarada. Nunca existiu — ele se inclinou, sua testa encostando na dela. — Se eu deixei alguém acreditar em outra coisa, foi apenas para proteger o que eu realmente sentia por você. Para não te colocar em perigo enquanto eu era um renegado. Mas agora eu estou aqui. E eu não vou deixar você se esconder atrás dessa capa de Hokage para fugir do que nós somos.

Antes que Sarada pudesse formular qualquer argumento lógico, Boruto a beijou novamente. Desta vez, não houve urgência desesperada, mas sim uma promessa silenciosa. Foi um beijo profundo, carregado de uma certeza que desarmou todas as defesas de Sarada. As dúvidas que a atormentavam começaram a derreter sob o calor do corpo dele.

— Esqueça o resto do mundo — sussurrou ele contra os lábios dela. — Só por esta noite, somos apenas o Boruto e a Sarada. Como era antes. Como sempre deveria ter sido.

Sarada soltou um suspiro trêmulo, suas mãos agarrando a camisa dele. A lógica de uma líder de vila, as convenções sociais e os boatos de Konoha desapareceram, substituídos pela necessidade avassaladora de pertencer àquele momento.

— Tudo bem — sussurrou ela, a rendição transparecendo em seus olhos ônix. — Só por esta noite.

Eles se moveram em direção à margem, onde a grama era mais macia e o som da água parecia uma canção de ninar antiga. Com movimentos lentos e carregados de reverência, Boruto começou a despir as camadas de roupas que os separavam. Cada centímetro de pele revelado era um mapa de memórias redescobertas. As cicatrizes que ambos carregavam agora contavam histórias de sobrevivência, mas o toque entre eles permanecia tão vital quanto na primeira vez.

Quando os corpos finalmente se encontraram, o contraste entre o ar frio da noite e o calor da pele foi inebriante. Boruto a deitou sobre o manto que ele havia estendido no chão, posicionando-se sobre ela com um cuidado que beirava a adoração.

— Você ainda é a mulher mais incrível que eu já conheci — murmurou ele, traçando o contorno dos lábios dela com o polegar.

— E você continua sendo um idiota teimoso — respondeu ela com um sorriso fraco, antes de puxá-lo para baixo para mais um beijo.

A união deles foi um reflexo de tudo o que haviam passado. Não era apenas desejo físico; era uma conversa sem palavras, um pedido de desculpas pelos anos perdidos e uma reafirmação de um laço que nem o tempo, nem a distância, nem os títulos conseguiram quebrar. Cada movimento era sincronizado, uma dança que eles conheciam de cor, gravada na memória muscular de suas almas.

O rio continuava seu curso, indiferente ao drama humano que se desenrolava em suas margens, mas servindo como a única testemunha de que, apesar de tudo o que mudara, o núcleo de quem eles eram permanecia intocado.

Enquanto se moviam juntos, Sarada sentiu as lágrimas escaparem pelo canto dos olhos. Não eram de tristeza, mas de alívio. Ali, nos braços de Boruto, ela não precisava ser a salvadora da vila ou a herdeira do clã Uchiha. Ela era apenas Sarada, amada e completa.

Boruto sentia o mesmo. Cada arfar, cada toque da pele dela contra a sua, era como encontrar o caminho de casa após uma vida inteira de exílio. Ele a segurou com força, como se temesse que ela pudesse desaparecer com a névoa da manhã se ele a soltasse.

— Eu nunca vou te deixar de novo — prometeu ele, a voz entrecortada pelo esforço e pela emoção.

— Você não ouse — respondeu ela, apertando-o contra si.

O clímax veio como uma onda avassaladora, deixando-os exaustos e entrelaçados sob o brilho prateado da lua. O silêncio que se seguiu não era desconfortável; era preenchido pela respiração pesada de ambos e pelo som reconfortante do rio.

Boruto se deitou ao lado dela, puxando-a para o seu peito e cobrindo ambos com parte de sua capa. Sarada apoiou a cabeça no ombro dele, observando as estrelas através da copa das árvores.

— O que vamos fazer amanhã? — perguntou ela em voz baixa, a realidade começando a retornar lentamente.

Boruto beijou o topo da cabeça dela, aspirando o perfume de cerejeira que ainda emanava de seus cabelos.

— Amanhã você é a Hokage e eu sou o seu conselheiro, ou o seu shinobi, ou o que você precisar que eu seja — disse ele com convicção. — Mas agora, e em todas as noites que virão, eu sou seu. E você sabe que eu não me importo com o que o mundo pensa.

Sarada sorriu, fechando os olhos. Ela sabia que os desafios não desapareceriam ao amanhecer. Haveria explicações a dar, boatos a enfrentar e o peso do dever a carregar. Mas, por enquanto, o som do rio era o suficiente. O passado e o presente haviam se fundido em uma única promessa, e ela finalmente sentia que o vazio de sete anos havia sido preenchido.

— Eu te amo, Boruto — confessou ela, as palavras flutuando suavemente no ar da noite.

— Eu sempre te amei, Sarada — respondeu ele, apertando-a um pouco mais forte. — E eu sempre vou voltar para você. Não importa quantos rios eu precise atravessar.
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