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Castamar
Fandom: A cozinheira de Castamar
Created: 4/5/2026
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RomanceDramaHistoricalGothic NoirPsychologicalDarkThrillerCharacter StudyAngstDivergence
O Veneno no Cálice de Mel
As sombras nos corredores de Castamar sempre pareceram mais densas do que em qualquer outra propriedade da Espanha. Para Clara, a irmã do Duque de Castamar, essas sombras não eram motivo de medo, mas sim de curiosidade. Ela conhecia cada pedra daquela mansão, amava o irmão com uma ferocidade silenciosa e, embora a corte a visse como uma joia a ser protegida, Clara possuía olhos que enxergavam muito além dos leques e dos sorrisos ensaiados.
Naquela noite, o baile em homenagem à visita da Rainha estava em seu ápice. O som dos violinos ecoava pelo pátio, mas Clara preferia o frescor do jardim de inverno. Ela sabia que estava sendo seguida. O som das botas pesadas contra o mármore era rítmico, deliberado.
— É perigoso para uma dama de sua linhagem vagar sozinha por lugares tão pouco iluminados, Dona Clara.
A voz era como veludo sobre navalhas. Clara não se sobressaltou. Ela se virou lentamente, encontrando a figura imponente de Enrique de Arcona. O Marquês de Soto era um homem cuja reputação precedia sua presença; um vilão aos olhos de muitos, um aliado necessário aos olhos de seu irmão, Diego.
— O perigo é uma questão de perspectiva, Marquês — respondeu ela, sustentando o olhar dele com uma firmeza que poucos ousariam ter. — Algumas pessoas acham o salão de baile muito mais traiçoeiro do que a escuridão.
Enrique deu um passo à frente, a luz da lua filtrando-se pelo teto de vidro e acentuando os ângulos agudos de seu rosto. Ele estava fascinado por ela há meses. Não era a inocência dela que o atraía — embora soubesse que ela era intocada —, mas sim a inteligência afiada que brilhava naqueles olhos escuros.
— Seu irmão ficaria furioso se soubesse que estamos aqui, conversando sem supervisão — disse Enrique, um sorriso de canto surgindo em seus lábios.
— Meu irmão confia em mim — Clara rebateu, aproximando-se um passo, desafiando o espaço pessoal dele. — E ele acredita que o senhor é um amigo da casa. Eu, por outro lado, sei que o senhor é um homem de muitas faces.
Enrique sentiu um estalo de desejo percorrer sua espinha. Ela não era a ingênua que todos pensavam. Ela o via. E, estranhamente, isso o excitava mais do que qualquer jogo de poder político.
— E qual dessas faces a senhorita prefere ver esta noite? — ele murmurou, a voz baixando para um tom perigosamente íntimo.
— A verdadeira — disse ela, a mão subindo para tocar, quase por acidente, o punho da casaca dele. — Se é que tal coisa existe em um homem como o senhor.
Enrique não resistiu. Ele a puxou para trás de uma grande palmeira ornamental, onde as sombras eram absolutas. Suas mãos envolveram a cintura fina de Clara, pressionando-a contra a parede fria. Ele esperava um protesto, um grito, ou pelo menos um tremor de medo. O que recebeu foi o suspiro pesado dela e o calor de seu corpo se moldando ao dele.
— Você não tem ideia do fogo com que está brincando, Clara — avisou ele, os lábios a milímetros dos dela.
— Eu sei exatamente o que estou fazendo, Enrique — ela sussurrou, usando o nome dele sem o título pela primeira vez. — Eu não sou uma criança. Eu sei o que eu quero. E agora, eu quero você.
O beijo foi uma colisão de intenções. Enrique a beijou com a fome de um homem que estava acostumado a tomar o que desejava, mas Clara retribuiu com uma urgência que o pegou de surpresa. Suas mãos subiram para os cabelos dele, puxando-o para mais perto, enquanto a língua dele explorava a boca dela com uma possessividade feroz.
Enrique sentia o coração martelar contra o peito. Ele tinha um plano. Naquela mesma noite, documentos que destruiriam a reputação de Diego de Castamar seriam entregues aos seus contatos na corte. Ele estava usando a proximidade com a família para desmantelar o poder do Duque. Mas, com o corpo de Clara colado ao seu, a traição parecia, por um momento, um fardo amargo.
Ele desceu os beijos pelo pescoço dela, sentindo a pulsação acelerada na pele macia.
— Você é virgem — ele disse, a voz rouca, parando por um segundo para olhar nos olhos dela. — Se continuarmos, não haverá volta. Eu não sou um homem de honra, Clara.
— Eu não pedi por honra — ela respondeu, a respiração curta. — Eu pedi por você. Meu irmão me protege do mundo, mas quem me protegerá do tédio de uma vida sem paixão? Não me trate como uma porcelana, Enrique. Quebre-me, se for preciso.
As palavras dela foram o combustível final. Enrique levantou a saia de seda do vestido dela, as mãos subindo pelas coxas cobertas por meias finas. Clara soltou um gemido baixo quando os dedos dele encontraram a intimidade úmida e quente. Ela era inexperiente, sim, mas seu corpo respondia com uma intuição selvagem.
Ele a ergueu ligeiramente, prendendo as pernas dela em sua cintura. O contraste entre a frieza do mármore e o calor do corpo dele fazia Clara delirar. Quando ele se libertou das calças e a penetrou, houve uma dor aguda, um momento de choque que a fez cravar as unhas nos ombros dele.
— Shh... — Enrique murmurou, beijando-lhe a testa, um gesto de ternura que ele não sabia que possuía. — Respire, Clara. Só respire.
Ele esperou que ela se acostumasse, movendo-se com uma lentidão torturante que logo se transformou em um ritmo frenético. Clara sentia que o mundo estava desaparecendo. Não havia mais Castamar, não havia mais obrigações, apenas a sensação avassaladora de Enrique dentro dela, preenchendo um vazio que ela nem sabia que existia.
O prazer veio como uma onda violenta, deixando-os ambos exaustos e trêmulos nas sombras do jardim. Quando o silêncio retornou, Enrique a colocou no chão com cuidado, arrumando as roupas dela com mãos que, pela primeira vez na vida, hesitaram.
— Você precisa voltar — disse ele, a voz recuperando a frieza habitual, embora seus olhos ainda brilhassem com algo não resolvido. — Antes que sintam sua falta.
— E quando nos veremos de novo? — perguntou ela, ajeitando o cabelo, a face corada e os lábios inchados.
— Em breve — mentiu ele. Ou talvez fosse a verdade. Ele não sabia mais.
Clara deu um passo à frente e depositou um beijo casto na bochecha dele.
— Eu amo meu irmão mais do que qualquer coisa, Enrique. Mas eu sei que ele não vê o homem que você realmente é. Talvez eu seja a única que vê.
Ela se retirou, deslizando pelas sombras como um fantasma elegante. Enrique ficou sozinho, o cheiro dela ainda em suas roupas. Ele levou a mão ao bolso interno da casaca, onde o documento contra Diego repousava.
Ele deveria entregá-lo. O plano estava em movimento. A queda de Castamar significaria sua ascensão definitiva. Mas, pela primeira vez, o peso do papel parecia insuportável. Ele odiava o irmão dela, odiava a retidão de Diego, mas Clara... Clara era um veneno diferente. Um veneno que ele bebera de bom grado e que agora corria em suas veias, nublando seu julgamento.
— Maldição — sussurrou ele para a noite.
Ele caminhou em direção à saída lateral da propriedade, onde seu carruagem o esperava. Ele tinha uma escolha a fazer antes do amanhecer. Ele poderia ser o vilão que a história exigia, ou poderia ser o homem que Clara acreditava ter visto nas sombras. O problema era que, em Castamar, as sombras sempre tinham um preço alto demais.
Enquanto a carruagem se afastava, Enrique olhou para as janelas iluminadas do palácio. Ele sabia que Clara estaria lá dentro, fingindo que nada havia mudado. Mas ele sabia. E o segredo que compartilhavam era agora a arma mais perigosa que ele possuía — uma arma que, ele percebeu com um aperto no peito, ele talvez nunca tivesse coragem de usar contra ela.
Naquela noite, o baile em homenagem à visita da Rainha estava em seu ápice. O som dos violinos ecoava pelo pátio, mas Clara preferia o frescor do jardim de inverno. Ela sabia que estava sendo seguida. O som das botas pesadas contra o mármore era rítmico, deliberado.
— É perigoso para uma dama de sua linhagem vagar sozinha por lugares tão pouco iluminados, Dona Clara.
A voz era como veludo sobre navalhas. Clara não se sobressaltou. Ela se virou lentamente, encontrando a figura imponente de Enrique de Arcona. O Marquês de Soto era um homem cuja reputação precedia sua presença; um vilão aos olhos de muitos, um aliado necessário aos olhos de seu irmão, Diego.
— O perigo é uma questão de perspectiva, Marquês — respondeu ela, sustentando o olhar dele com uma firmeza que poucos ousariam ter. — Algumas pessoas acham o salão de baile muito mais traiçoeiro do que a escuridão.
Enrique deu um passo à frente, a luz da lua filtrando-se pelo teto de vidro e acentuando os ângulos agudos de seu rosto. Ele estava fascinado por ela há meses. Não era a inocência dela que o atraía — embora soubesse que ela era intocada —, mas sim a inteligência afiada que brilhava naqueles olhos escuros.
— Seu irmão ficaria furioso se soubesse que estamos aqui, conversando sem supervisão — disse Enrique, um sorriso de canto surgindo em seus lábios.
— Meu irmão confia em mim — Clara rebateu, aproximando-se um passo, desafiando o espaço pessoal dele. — E ele acredita que o senhor é um amigo da casa. Eu, por outro lado, sei que o senhor é um homem de muitas faces.
Enrique sentiu um estalo de desejo percorrer sua espinha. Ela não era a ingênua que todos pensavam. Ela o via. E, estranhamente, isso o excitava mais do que qualquer jogo de poder político.
— E qual dessas faces a senhorita prefere ver esta noite? — ele murmurou, a voz baixando para um tom perigosamente íntimo.
— A verdadeira — disse ela, a mão subindo para tocar, quase por acidente, o punho da casaca dele. — Se é que tal coisa existe em um homem como o senhor.
Enrique não resistiu. Ele a puxou para trás de uma grande palmeira ornamental, onde as sombras eram absolutas. Suas mãos envolveram a cintura fina de Clara, pressionando-a contra a parede fria. Ele esperava um protesto, um grito, ou pelo menos um tremor de medo. O que recebeu foi o suspiro pesado dela e o calor de seu corpo se moldando ao dele.
— Você não tem ideia do fogo com que está brincando, Clara — avisou ele, os lábios a milímetros dos dela.
— Eu sei exatamente o que estou fazendo, Enrique — ela sussurrou, usando o nome dele sem o título pela primeira vez. — Eu não sou uma criança. Eu sei o que eu quero. E agora, eu quero você.
O beijo foi uma colisão de intenções. Enrique a beijou com a fome de um homem que estava acostumado a tomar o que desejava, mas Clara retribuiu com uma urgência que o pegou de surpresa. Suas mãos subiram para os cabelos dele, puxando-o para mais perto, enquanto a língua dele explorava a boca dela com uma possessividade feroz.
Enrique sentia o coração martelar contra o peito. Ele tinha um plano. Naquela mesma noite, documentos que destruiriam a reputação de Diego de Castamar seriam entregues aos seus contatos na corte. Ele estava usando a proximidade com a família para desmantelar o poder do Duque. Mas, com o corpo de Clara colado ao seu, a traição parecia, por um momento, um fardo amargo.
Ele desceu os beijos pelo pescoço dela, sentindo a pulsação acelerada na pele macia.
— Você é virgem — ele disse, a voz rouca, parando por um segundo para olhar nos olhos dela. — Se continuarmos, não haverá volta. Eu não sou um homem de honra, Clara.
— Eu não pedi por honra — ela respondeu, a respiração curta. — Eu pedi por você. Meu irmão me protege do mundo, mas quem me protegerá do tédio de uma vida sem paixão? Não me trate como uma porcelana, Enrique. Quebre-me, se for preciso.
As palavras dela foram o combustível final. Enrique levantou a saia de seda do vestido dela, as mãos subindo pelas coxas cobertas por meias finas. Clara soltou um gemido baixo quando os dedos dele encontraram a intimidade úmida e quente. Ela era inexperiente, sim, mas seu corpo respondia com uma intuição selvagem.
Ele a ergueu ligeiramente, prendendo as pernas dela em sua cintura. O contraste entre a frieza do mármore e o calor do corpo dele fazia Clara delirar. Quando ele se libertou das calças e a penetrou, houve uma dor aguda, um momento de choque que a fez cravar as unhas nos ombros dele.
— Shh... — Enrique murmurou, beijando-lhe a testa, um gesto de ternura que ele não sabia que possuía. — Respire, Clara. Só respire.
Ele esperou que ela se acostumasse, movendo-se com uma lentidão torturante que logo se transformou em um ritmo frenético. Clara sentia que o mundo estava desaparecendo. Não havia mais Castamar, não havia mais obrigações, apenas a sensação avassaladora de Enrique dentro dela, preenchendo um vazio que ela nem sabia que existia.
O prazer veio como uma onda violenta, deixando-os ambos exaustos e trêmulos nas sombras do jardim. Quando o silêncio retornou, Enrique a colocou no chão com cuidado, arrumando as roupas dela com mãos que, pela primeira vez na vida, hesitaram.
— Você precisa voltar — disse ele, a voz recuperando a frieza habitual, embora seus olhos ainda brilhassem com algo não resolvido. — Antes que sintam sua falta.
— E quando nos veremos de novo? — perguntou ela, ajeitando o cabelo, a face corada e os lábios inchados.
— Em breve — mentiu ele. Ou talvez fosse a verdade. Ele não sabia mais.
Clara deu um passo à frente e depositou um beijo casto na bochecha dele.
— Eu amo meu irmão mais do que qualquer coisa, Enrique. Mas eu sei que ele não vê o homem que você realmente é. Talvez eu seja a única que vê.
Ela se retirou, deslizando pelas sombras como um fantasma elegante. Enrique ficou sozinho, o cheiro dela ainda em suas roupas. Ele levou a mão ao bolso interno da casaca, onde o documento contra Diego repousava.
Ele deveria entregá-lo. O plano estava em movimento. A queda de Castamar significaria sua ascensão definitiva. Mas, pela primeira vez, o peso do papel parecia insuportável. Ele odiava o irmão dela, odiava a retidão de Diego, mas Clara... Clara era um veneno diferente. Um veneno que ele bebera de bom grado e que agora corria em suas veias, nublando seu julgamento.
— Maldição — sussurrou ele para a noite.
Ele caminhou em direção à saída lateral da propriedade, onde seu carruagem o esperava. Ele tinha uma escolha a fazer antes do amanhecer. Ele poderia ser o vilão que a história exigia, ou poderia ser o homem que Clara acreditava ter visto nas sombras. O problema era que, em Castamar, as sombras sempre tinham um preço alto demais.
Enquanto a carruagem se afastava, Enrique olhou para as janelas iluminadas do palácio. Ele sabia que Clara estaria lá dentro, fingindo que nada havia mudado. Mas ele sabia. E o segredo que compartilhavam era agora a arma mais perigosa que ele possuía — uma arma que, ele percebeu com um aperto no peito, ele talvez nunca tivesse coragem de usar contra ela.
