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moon chield
Fandom: harry potter - marauders era
Created: 4/9/2026
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AU (Alternate Universe)Hurt/ComfortFluffCurtainfic / Domestic StoryFantasyDramaSlice of LifeCharacter Study
O Peso da Lua e o Doce do Chocolate
O corredor do St. Mungus cheirava a poções esterilizantes e a um leve toque de lavanda, um aroma que Remus Lupin-Black sempre associava à tentativa desesperada do hospital de mascarar o medo. Ele caminhava com passos longos, seus 1,95m de altura fazendo com que as vestes de lã parecessem ainda mais esguias em seu corpo marcado por cicatrizes. No bolso do casaco, seus dedos apertavam nervosamente uma barra de chocolate meio amarga.
Ao seu lado, Sirius caminhava com uma energia inquieta, a jaqueta de couro preta rangendo suavemente a cada movimento. O cabelo escuro estava preso em um meio coque apressado, sustentado pela própria varinha, e seus olhos cinzentos brilhavam com uma mistura de ansiedade e determinação feroz.
— Ela está acordada? — perguntou Sirius, a voz rouca quebrando o silêncio do corredor.
— Regulus disse que ela acordou há uma hora — Remus respondeu, a voz calma e diplomática, embora por dentro sentisse como se o lobo estivesse arranhando suas costelas. — Sirius, lembre-se do que conversamos. Ela passou por um trauma que nós conhecemos bem demais. Ela vai estar assustada.
— Eu sei, Moony. Eu só... — Sirius parou diante da porta de carvalho claro, seus ombros relaxando apenas quando sentiu a mão de Remus em seu ombro. — Eu só quero que ela saiba que não está mais sozinha.
Eles entraram no quarto. Era um ambiente privado, garantido pela influência (e pela conta bancária) dos Black. Sentado à beira da cama estava Regulus Black, a postura impecável de um medibruxo dedicado, anotando algo em um pergaminho. No centro da cama, parecendo pequena demais sob os lençóis brancos, estava Scarlett.
A menina de cinco anos tinha cabelos ruivos longos e lisos que emolduravam um rosto pálido, salpicado de sardas. Seus olhos eram escuros, profundos e carregavam uma inteligência que nenhuma criança de sua idade deveria possuir. Quando ela viu os dois homens entrarem, seu corpo tencionou instantaneamente.
— Scarlett — disse Regulus suavemente, levantando-se. — Estes são os cavalheiros de quem eu lhe falei. Remus e Sirius.
Remus deu um passo à frente, mantendo-se em uma altura que não parecesse ameaçadora, apesar de seu tamanho. Ele se ajoelhou ao lado da cama, oferecendo um sorriso pequeno e genuíno.
— Olá, Scarlett. Eu trouxe algo para você. — Ele tirou o chocolate do bolso e o estendeu na palma da mão. — Ajuda com o choque. E com quase todo o resto, para ser sincero.
A menina olhou para o chocolate e depois para a cicatriz que cruzava o rosto de Remus, descendo do supercílio até a bochecha. Ela não desviou o olhar com nojo ou medo, como a maioria das pessoas fazia. Ela inclinou a cabeça, analítica.
— Você também foi mordido? — a voz dela era pequena, mas firme.
O silêncio que se seguiu foi pesado. Sirius deu um passo à frente, sentando-se na beira da cama com a graça de um felino, seus olhos tempestuosos transbordando uma ternura que ele reservava para poucos.
— Ele foi — Sirius respondeu por ele. — Há muito tempo. E eu sou o marido dele. O que significa que eu passei os últimos nove anos aprendendo a cuidar de lobos teimosos.
Scarlett olhou para Sirius, para as tatuagens que subiam por seus braços e para a jaqueta de couro.
— No orfanato, eles disseram que eu era amaldiçoada — disse ela, os dedos pequenos apertando o lençol. — Que o homem-lobo me escolheu porque eu era má.
— O homem que fez isso com você é um monstro, Scarlett — Remus disse, sua voz ganhando um tom ácido e cortante que ele só usava para falar de Fenrir Greyback. — Mas você? Você não é má. Você é uma sobrevivente. E nós estamos aqui porque queremos levar você para casa. Se você quiser, é claro.
A menina hesitou, pegando o chocolate da mão de Remus. Ela o abriu com cuidado, mordendo um pedaço pequeno.
— Por que eu? — perguntou ela, a sagacidade transparecendo em seus olhos escuros. — Existem outras crianças. Crianças que não quebram as coisas quando ficam bravas.
— Porque nós somos especialistas em pessoas "quebradas" que acabam sendo as mais incríveis do mundo — Sirius sorriu, aquele sorriso magnético que costumava desarmar qualquer um. — E porque achamos que você combinaria perfeitamente com a nossa motocicleta.
***
Duas semanas depois, a casa em Godric's Hollow estava mergulhada em um caos controlado. Scarlett estava instalada em um quarto decorado com tons de azul e creme, cheio de livros que Remus selecionara cuidadosamente.
A adaptação não era fácil. Scarlett era desconfiada, muitas vezes permanecendo em silêncio por horas, observando-os como se esperasse que o convite para ficar fosse revogado a qualquer momento.
Naquela tarde, James e Lily Potter haviam passado por lá com o pequeno Harry.
— Almofadinhas, ela é adorável — James sussurrou na cozinha, enquanto observavam pelo vidro da porta Scarlett e Harry sentados no tapete da sala. Harry, com seus três anos e cabelos perpetuamente bagunçados, estava tentando oferecer um sapo de chocolate para a menina.
— Ela é brilhante, Pontas — Sirius respondeu, encostado no balcão, observando a cena com um orgulho indisfarçável. — Mas ela ainda não acredita que vai ficar. Ontem eu a peguei escondendo comida debaixo do travesseiro.
Lily, que estava ajudando Remus a preparar o chá, colocou a mão no braço do amigo.
— Leva tempo, Moony. O trauma de um ataque de Greyback não é apenas físico. É a alma que demora a cicatrizar.
— Eu sei — Remus suspirou, passando a mão pelo cabelo loiro escuro. Ele parecia cansado; a lua cheia se aproximava. — Eu só queria poder tirar essa dor dela. Eu olho para ela e vejo a mim mesmo aos cinco anos, mas ela é muito mais madura do que eu era. É doloroso ver uma criança que esqueceu como ser criança.
De repente, um barulho de vidro quebrando veio da sala.
Os quatro adultos correram para lá. Harry estava encolhido em um canto, parecendo mais surpreso do que assustado, enquanto Scarlett estava de pé no meio da sala, um vaso de flores estilhaçado aos seus pés. Suas mãos tremiam e seus olhos estavam arregalados de pânico.
— Eu não queria! — ela gritou, a voz falhando. — Eu estava tentando pegar o brinquedo e... e a magia... ela simplesmente aconteceu!
Ela recuou, esperando o castigo, as costas batendo na estante de livros.
— Podem me mandar de volta — ela disse, as lágrimas finalmente transbordando. — Eu sou perigosa. Eu quebro as coisas.
Sirius foi o primeiro a se mover. Ele ignorou os cacos de vidro e se ajoelhou na frente dela, ignorando completamente o protocolo de "dar espaço" que Remus havia sugerido.
— Mandar você de volta? — Sirius riu, uma risada curta e sem humor. — Scar, se nós mandássemos embora todo mundo que quebra as coisas nesta casa por causa de magia acidental, eu e o James estaríamos morando na rua desde os onze anos.
— É verdade — James acrescentou, aproximando-se com Harry no colo. — Uma vez, o Sirius explodiu um vaso de porcelana da mãe dele só porque não queria comer ervilhas. E olha que ele nem era uma criança legal como você.
Scarlett soluçou, olhando de Sirius para Remus.
— Mas e o lobo? — ela sussurrou. — E quando a lua chegar? Eu vou machucar vocês.
Remus se aproximou devagar, sentando-se no chão, apesar da dor nas articulações que a lua próxima trazia.
— Scarlett, olhe para mim. — Ele esperou que ela encontrasse seus olhos castanhos esverdeados. — Eu sou um lobisomem há quase vinte anos. Eu passei por centenas de luas. E em nenhuma delas eu deixei de amar as pessoas que estão nesta sala. Nós construímos um lugar seguro no porão, com feitiços de proteção e conforto. Eu estarei lá com você.
A menina parou de tremer por um momento.
— Você vai estar lá?
— Sempre — prometeu Remus. — Nós vamos passar por isso juntos. Eu tomo uma poção que me ajuda a manter a mente calma, e vou ensinar você a se preparar. E o Sirius... bem, o Sirius vai ficar do lado de fora da porta com chocolate, cobertores e provavelmente contando piadas horríveis para nos distrair.
— Ei! Minhas piadas são excelentes — Sirius protestou, limpando uma lágrima do rosto de Scarlett com o polegar. — E eu tenho a jaqueta de couro. Nada passa pela jaqueta de couro.
Scarlett soltou uma risada trêmula, o primeiro som de alegria real que eles ouviram dela desde que saíram do hospital. Ela se inclinou para frente e, timidamente, envolveu os braços em volta do pescoço de Sirius. Ele a abraçou de volta instantaneamente, fechando os olhos e enterrando o rosto no cabelo ruivo dela.
Remus sentiu um nó na garganta. Ele olhou para Lily e James, que sorriam com os olhos marejados.
— Bem — disse Lily, tentando aliviar a tensão —, já que ninguém foi expulso, quem quer bolo? Harry e eu fizemos hoje de manhã.
— Com muito glacê? — perguntou Sirius, levantando Scarlett nos braços como se ela não pesasse nada.
— Com o dobro de glacê — James confirmou, piscando para a menina.
***
Mais tarde naquela noite, após os Potter irem embora e Scarlett ser finalmente vencida pelo sono, Remus e Sirius estavam na varanda da frente. A noite estava fresca, e o cheiro de terra molhada subia do jardim.
Sirius estava sentado no degrau, com a cabeça encostada no joelho de Remus, enquanto este passava os dedos pelos cabelos sedosos do marido.
— Nós vamos conseguir, não vamos? — Sirius perguntou, a voz baixa, desprovida de sua habitual arrogância.
— Vamos — Remus respondeu com convicção. — Ela é forte, Sirius. Mais forte do que nós éramos. E ela tem algo que eu não tive quando fui mordido.
— O quê?
Remus sorriu, inclinando-se para beijar o topo da cabeça de Sirius.
— Ela tem dois pais que sabem exatamente o que é lutar contra o mundo e vencer. E ela tem uma família que não se importa com cicatrizes ou luas cheias.
Sirius se virou, olhando para Remus com um amor tão profundo que às vezes o lobo dentro de Remus uivava de pura satisfação.
— Eu te amo, Moony.
— Eu também te amo, Almofadinhas. Agora, entre. Você deixou chocolate no bolso da jaqueta e eu sei que Scarlett vai tentar roubar um pedaço assim que acordar amanhã.
Sirius riu, levantando-se e puxando Remus junto com ele.
— Que ela tente. Eu já escondi o estoque principal atrás dos livros de História da Magia. Ela é esperta, mas ninguém procura nada naquela seção.
Remus revirou os olhos, mas sorriu. Enquanto entravam na casa e fechavam a porta, o silêncio da noite de Godric's Hollow parecia menos solitário. Eles tinham uma filha. Eles tinham cicatrizes. Mas, acima de tudo, eles tinham um ao outro e um futuro que, pela primeira vez em muito tempo, parecia brilhante o suficiente para ofuscar até a lua mais cheia.
Ao seu lado, Sirius caminhava com uma energia inquieta, a jaqueta de couro preta rangendo suavemente a cada movimento. O cabelo escuro estava preso em um meio coque apressado, sustentado pela própria varinha, e seus olhos cinzentos brilhavam com uma mistura de ansiedade e determinação feroz.
— Ela está acordada? — perguntou Sirius, a voz rouca quebrando o silêncio do corredor.
— Regulus disse que ela acordou há uma hora — Remus respondeu, a voz calma e diplomática, embora por dentro sentisse como se o lobo estivesse arranhando suas costelas. — Sirius, lembre-se do que conversamos. Ela passou por um trauma que nós conhecemos bem demais. Ela vai estar assustada.
— Eu sei, Moony. Eu só... — Sirius parou diante da porta de carvalho claro, seus ombros relaxando apenas quando sentiu a mão de Remus em seu ombro. — Eu só quero que ela saiba que não está mais sozinha.
Eles entraram no quarto. Era um ambiente privado, garantido pela influência (e pela conta bancária) dos Black. Sentado à beira da cama estava Regulus Black, a postura impecável de um medibruxo dedicado, anotando algo em um pergaminho. No centro da cama, parecendo pequena demais sob os lençóis brancos, estava Scarlett.
A menina de cinco anos tinha cabelos ruivos longos e lisos que emolduravam um rosto pálido, salpicado de sardas. Seus olhos eram escuros, profundos e carregavam uma inteligência que nenhuma criança de sua idade deveria possuir. Quando ela viu os dois homens entrarem, seu corpo tencionou instantaneamente.
— Scarlett — disse Regulus suavemente, levantando-se. — Estes são os cavalheiros de quem eu lhe falei. Remus e Sirius.
Remus deu um passo à frente, mantendo-se em uma altura que não parecesse ameaçadora, apesar de seu tamanho. Ele se ajoelhou ao lado da cama, oferecendo um sorriso pequeno e genuíno.
— Olá, Scarlett. Eu trouxe algo para você. — Ele tirou o chocolate do bolso e o estendeu na palma da mão. — Ajuda com o choque. E com quase todo o resto, para ser sincero.
A menina olhou para o chocolate e depois para a cicatriz que cruzava o rosto de Remus, descendo do supercílio até a bochecha. Ela não desviou o olhar com nojo ou medo, como a maioria das pessoas fazia. Ela inclinou a cabeça, analítica.
— Você também foi mordido? — a voz dela era pequena, mas firme.
O silêncio que se seguiu foi pesado. Sirius deu um passo à frente, sentando-se na beira da cama com a graça de um felino, seus olhos tempestuosos transbordando uma ternura que ele reservava para poucos.
— Ele foi — Sirius respondeu por ele. — Há muito tempo. E eu sou o marido dele. O que significa que eu passei os últimos nove anos aprendendo a cuidar de lobos teimosos.
Scarlett olhou para Sirius, para as tatuagens que subiam por seus braços e para a jaqueta de couro.
— No orfanato, eles disseram que eu era amaldiçoada — disse ela, os dedos pequenos apertando o lençol. — Que o homem-lobo me escolheu porque eu era má.
— O homem que fez isso com você é um monstro, Scarlett — Remus disse, sua voz ganhando um tom ácido e cortante que ele só usava para falar de Fenrir Greyback. — Mas você? Você não é má. Você é uma sobrevivente. E nós estamos aqui porque queremos levar você para casa. Se você quiser, é claro.
A menina hesitou, pegando o chocolate da mão de Remus. Ela o abriu com cuidado, mordendo um pedaço pequeno.
— Por que eu? — perguntou ela, a sagacidade transparecendo em seus olhos escuros. — Existem outras crianças. Crianças que não quebram as coisas quando ficam bravas.
— Porque nós somos especialistas em pessoas "quebradas" que acabam sendo as mais incríveis do mundo — Sirius sorriu, aquele sorriso magnético que costumava desarmar qualquer um. — E porque achamos que você combinaria perfeitamente com a nossa motocicleta.
***
Duas semanas depois, a casa em Godric's Hollow estava mergulhada em um caos controlado. Scarlett estava instalada em um quarto decorado com tons de azul e creme, cheio de livros que Remus selecionara cuidadosamente.
A adaptação não era fácil. Scarlett era desconfiada, muitas vezes permanecendo em silêncio por horas, observando-os como se esperasse que o convite para ficar fosse revogado a qualquer momento.
Naquela tarde, James e Lily Potter haviam passado por lá com o pequeno Harry.
— Almofadinhas, ela é adorável — James sussurrou na cozinha, enquanto observavam pelo vidro da porta Scarlett e Harry sentados no tapete da sala. Harry, com seus três anos e cabelos perpetuamente bagunçados, estava tentando oferecer um sapo de chocolate para a menina.
— Ela é brilhante, Pontas — Sirius respondeu, encostado no balcão, observando a cena com um orgulho indisfarçável. — Mas ela ainda não acredita que vai ficar. Ontem eu a peguei escondendo comida debaixo do travesseiro.
Lily, que estava ajudando Remus a preparar o chá, colocou a mão no braço do amigo.
— Leva tempo, Moony. O trauma de um ataque de Greyback não é apenas físico. É a alma que demora a cicatrizar.
— Eu sei — Remus suspirou, passando a mão pelo cabelo loiro escuro. Ele parecia cansado; a lua cheia se aproximava. — Eu só queria poder tirar essa dor dela. Eu olho para ela e vejo a mim mesmo aos cinco anos, mas ela é muito mais madura do que eu era. É doloroso ver uma criança que esqueceu como ser criança.
De repente, um barulho de vidro quebrando veio da sala.
Os quatro adultos correram para lá. Harry estava encolhido em um canto, parecendo mais surpreso do que assustado, enquanto Scarlett estava de pé no meio da sala, um vaso de flores estilhaçado aos seus pés. Suas mãos tremiam e seus olhos estavam arregalados de pânico.
— Eu não queria! — ela gritou, a voz falhando. — Eu estava tentando pegar o brinquedo e... e a magia... ela simplesmente aconteceu!
Ela recuou, esperando o castigo, as costas batendo na estante de livros.
— Podem me mandar de volta — ela disse, as lágrimas finalmente transbordando. — Eu sou perigosa. Eu quebro as coisas.
Sirius foi o primeiro a se mover. Ele ignorou os cacos de vidro e se ajoelhou na frente dela, ignorando completamente o protocolo de "dar espaço" que Remus havia sugerido.
— Mandar você de volta? — Sirius riu, uma risada curta e sem humor. — Scar, se nós mandássemos embora todo mundo que quebra as coisas nesta casa por causa de magia acidental, eu e o James estaríamos morando na rua desde os onze anos.
— É verdade — James acrescentou, aproximando-se com Harry no colo. — Uma vez, o Sirius explodiu um vaso de porcelana da mãe dele só porque não queria comer ervilhas. E olha que ele nem era uma criança legal como você.
Scarlett soluçou, olhando de Sirius para Remus.
— Mas e o lobo? — ela sussurrou. — E quando a lua chegar? Eu vou machucar vocês.
Remus se aproximou devagar, sentando-se no chão, apesar da dor nas articulações que a lua próxima trazia.
— Scarlett, olhe para mim. — Ele esperou que ela encontrasse seus olhos castanhos esverdeados. — Eu sou um lobisomem há quase vinte anos. Eu passei por centenas de luas. E em nenhuma delas eu deixei de amar as pessoas que estão nesta sala. Nós construímos um lugar seguro no porão, com feitiços de proteção e conforto. Eu estarei lá com você.
A menina parou de tremer por um momento.
— Você vai estar lá?
— Sempre — prometeu Remus. — Nós vamos passar por isso juntos. Eu tomo uma poção que me ajuda a manter a mente calma, e vou ensinar você a se preparar. E o Sirius... bem, o Sirius vai ficar do lado de fora da porta com chocolate, cobertores e provavelmente contando piadas horríveis para nos distrair.
— Ei! Minhas piadas são excelentes — Sirius protestou, limpando uma lágrima do rosto de Scarlett com o polegar. — E eu tenho a jaqueta de couro. Nada passa pela jaqueta de couro.
Scarlett soltou uma risada trêmula, o primeiro som de alegria real que eles ouviram dela desde que saíram do hospital. Ela se inclinou para frente e, timidamente, envolveu os braços em volta do pescoço de Sirius. Ele a abraçou de volta instantaneamente, fechando os olhos e enterrando o rosto no cabelo ruivo dela.
Remus sentiu um nó na garganta. Ele olhou para Lily e James, que sorriam com os olhos marejados.
— Bem — disse Lily, tentando aliviar a tensão —, já que ninguém foi expulso, quem quer bolo? Harry e eu fizemos hoje de manhã.
— Com muito glacê? — perguntou Sirius, levantando Scarlett nos braços como se ela não pesasse nada.
— Com o dobro de glacê — James confirmou, piscando para a menina.
***
Mais tarde naquela noite, após os Potter irem embora e Scarlett ser finalmente vencida pelo sono, Remus e Sirius estavam na varanda da frente. A noite estava fresca, e o cheiro de terra molhada subia do jardim.
Sirius estava sentado no degrau, com a cabeça encostada no joelho de Remus, enquanto este passava os dedos pelos cabelos sedosos do marido.
— Nós vamos conseguir, não vamos? — Sirius perguntou, a voz baixa, desprovida de sua habitual arrogância.
— Vamos — Remus respondeu com convicção. — Ela é forte, Sirius. Mais forte do que nós éramos. E ela tem algo que eu não tive quando fui mordido.
— O quê?
Remus sorriu, inclinando-se para beijar o topo da cabeça de Sirius.
— Ela tem dois pais que sabem exatamente o que é lutar contra o mundo e vencer. E ela tem uma família que não se importa com cicatrizes ou luas cheias.
Sirius se virou, olhando para Remus com um amor tão profundo que às vezes o lobo dentro de Remus uivava de pura satisfação.
— Eu te amo, Moony.
— Eu também te amo, Almofadinhas. Agora, entre. Você deixou chocolate no bolso da jaqueta e eu sei que Scarlett vai tentar roubar um pedaço assim que acordar amanhã.
Sirius riu, levantando-se e puxando Remus junto com ele.
— Que ela tente. Eu já escondi o estoque principal atrás dos livros de História da Magia. Ela é esperta, mas ninguém procura nada naquela seção.
Remus revirou os olhos, mas sorriu. Enquanto entravam na casa e fechavam a porta, o silêncio da noite de Godric's Hollow parecia menos solitário. Eles tinham uma filha. Eles tinham cicatrizes. Mas, acima de tudo, eles tinham um ao outro e um futuro que, pela primeira vez em muito tempo, parecia brilhante o suficiente para ofuscar até a lua mais cheia.
