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ingles maluco

Fandom: Mötley crüe

Creado: 11/4/2026

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O Desafio do Meio Sorriso e Cinquenta Dólares

O corredor do colégio parecia o mesmo cenário decadente de todos os anos, mas Nikki Sixx — ou Frank Ferrana, para aqueles que ainda insistiam em usar o nome que ele tanto desprezava — sentia que aquele último ano precisava de um tempero novo. Ele já era o autoproclamado rei do caos local, com suas jaquetas de couro e o cabelo que desafiava a gravidade, mas o tédio era um inimigo persistente.

Foi então que ele o viu. Perto dos armários do bloco C, havia um sujeito novo. Ele era baixo, loiro, com o rosto permanentemente fechado em uma expressão de profundo desdém pelo mundo. Parecia um lorde inglês que tinha sido jogado em um lixão e não estava nada satisfeito com a recepção.

Nikki, com seu habitual excesso de confiança, decidiu que era hora das apresentações. Ele caminhou com aquele gingado de quem é dono da rua e parou na frente do loiro.

— Fala aí, cara. Meu nome é Nikki — disse ele, abrindo um sorriso que costumava desarmar a maioria das pessoas.

O loiro nem sequer levantou os olhos do que estava fazendo. Ele fechou o armário com um estrondo metálico e finalmente encarou Nikki com olhos gélidos.

— Ninguém se chama Nikki — respondeu o novato, a voz carregada de um sotaque britânico seco e cortante.

Nikki piscou, pego de surpresa pela agressividade gratuita.

— Eu me chamo Nikki, ué. É o nome que eu escolhi.

— É um apelido estúpido — rebateu o loiro, ajeitando a alça da mochila. — E eu já vi sua foto no álbum da escola do ano passado. Seu nome é Frank Ferrana.

Nikki sentiu o sangue subir um pouco, mas em vez de se irritar, sentiu uma pontada de curiosidade. Quem era aquele nanico abusado?

— Ferrana morreu, cara. Agora é Nikki. E você, como se chama? "Raio de Sol"?

O loiro soltou um suspiro de tédio e começou a andar em direção à sala de aula.

— Edward Livingstone. E não me siga.

Nikki, é claro, fez exatamente o oposto.

Na aula de artes, o destino — ou a insistência irritante de Nikki — fez com que eles acabassem na mesma mesa. Nikki tinha um grupo inteiro de amigos e baderneiros no fundo da sala esperando por ele, mas o desafio de quebrar o gelo de Edward era muito mais tentador.

Ele se sentou ao lado do loiro, que já estava com um caderno aberto, ignorando completamente a presença de Nikki. Edward desenhava com traços rápidos e precisos. No papel, a figura de uma modelo extremamente magra, quase esquelética, começava a tomar forma. Ela estava sem roupas, em uma pose artística e fria.

— Você desenha muito bem, Eddie — comentou Nikki, debruçando-se sobre a mesa para ver melhor.

— Não me chame de Eddie. E não encoste no meu material — respondeu Edward, sem desviar os olhos do papel.

— Tá bom, "Inglês Maluco". Mas olha, vou te mandar a real: seu traço é incrível, mas seu tipo de mulher é uma merda.

Edward finalmente parou o lápis. Ele virou a cabeça devagar, encarando Nikki com uma sobrancelha erguida.

— Ah, é mesmo? E o que o grande filósofo das ruas teria a dizer sobre estética feminina?

— Eu prefiro as mais corpudas, sabe? — Nikki gesticulou com as mãos, desenhando curvas imaginárias no ar. — Mulheres com presença, que você sente que estão ali. Essas modelos magrinhas parecem que vão quebrar se você soprar. Você devia desenhar uma mulher de verdade.

— Sua opinião sobre arte é tão relevante para mim quanto o que você comeu no café da manhã, Ferrana — Edward disse, voltando ao desenho.

— Nikki! — corrigiu ele, sem se abalar. — Desenha uma para mim, vai. Uma mulher com coxas grossas, cabelo selvagem, olhos que dizem que ela vai te dar um soco ou um beijo, e que esteja usando algo que não seja esse vazio existencial que você desenhou.

Nikki continuou descrevendo a mulher dos seus sonhos como um bobo, empolgado com a própria narrativa, enquanto Edward mantinha a expressão de quem estava ouvindo um zumbido de mosquito. O loiro não disse uma palavra, mas seus dedos continuaram se movendo, embora ele tivesse mudado a página do caderno.

O sinal do recreio tocou, ecoando pelo corredor como um alívio para a maioria, mas para Nikki era apenas o intervalo de um round. Ele percebeu que Edward Livingstone seria um osso duro de roer. O cara não tinha apenas "poucos amigos", ele parecia ter uma barreira de arame farpado em volta de si.

No pátio, Nikki o cercou novamente perto de um banco de cimento.

— Qual é, Edward? Você não se cansa de ser tão amargo? A vida é curta, cara. A gente devia estar se divertindo, não agindo como se estivesse em um funeral.

Edward parou, suspirou e finalmente encarou Nikki de frente. Pela primeira vez, havia um brilho de algo diferente em seus olhos. Não era amizade, era um desafio.

— Você se acha muito engraçado, não acha? O palhaço da turma, o rebelde de Hollywood.

— Eu sou um show à parte — Nikki brincou, fazendo uma reverência exagerada.

— Pois bem — disse Edward, cruzando os braços. — Vamos fazer uma aposta.

Nikki ergueu as sobrancelhas, interessado.

— Opa. Agora você falou a minha língua. Qual é a jogada?

— Eu aposto que você não consegue me fazer sorrir ou rir. Nem uma única vez. Durante uma semana inteira.

Nikki soltou uma gargalhada curta.

— Só isso? Cara, eu sou a pessoa mais divertida que você vai conhecer. Eu te faço rir antes do final do dia.

— Se você conseguir — continuou Edward, ignorando a interrupção —, eu admito que você é um gênio e te desenho o que você quiser. Mas, se daqui a sete dias eu não tiver esboçado um único sorriso por sua causa... você me dá cinquenta dólares.

Nikki parou por um segundo. Cinquenta dólares era muito dinheiro para ele naquela época. Dava para comprar muita corda de baixo, bebida barata e talvez até um par de botas novas se ele desse sorte em algum brechó. Mas o seu ego era muito maior que sua conta bancária.

— Fechado, Inglês Maluco — Nikki estendeu a mão.

Edward olhou para a mão de Nikki como se fosse um peixe morto, mas acabou apertando-a com firmeza.

— Uma semana, Ferrana. Tente o seu melhor. Mas já vou avisando: eu não acho nada neste mundo particularmente engraçado.

Edward deu as costas e saiu andando, deixando Nikki parado no meio do pátio com um sorriso de predador.

— Você está ferrado, loirinho — murmurou Nikki para si mesmo. — Eu vou te fazer rir tanto que você vai implorar para eu parar.

O que Nikki não sabia era que Edward Livingstone tinha passado os últimos três anos aperfeiçoando a arte de não sentir nada, e que aqueles cinquenta dólares já estavam praticamente no bolso do britânico. A batalha de vontades tinha começado, e o colégio seria o palco de um dos maiores espetáculos de persistência que Nikki Sixx já tinha encenado.
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