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nikki, é a sua mae...

Fandom: Mötley crüe, anos 80

Creado: 15/4/2026

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O Fantasma de Veludo e Veneno

A mansão em Los Angeles fervilhava com o eco vazio de uma opulência que Nikki Sixx ainda estava aprendendo a chamar de lar. As paredes, decoradas com discos de platina e espelhos de molduras douradas, refletiam a imagem de um homem que o mundo idolatrava, mas que, no fundo, ainda guardava as cicatrizes de um garoto abandonado. Nikki estava sentado no sofá de couro preto, uma garrafa de Jack Daniel’s pela metade sobre a mesa de centro, quando o interfone tocou, cortando o silêncio pesado da tarde.

Ele não esperava visitas. Pelo menos, não ninguém que não tivesse sido anunciado por cinco seguranças e três assistentes. Quando a governanta abriu a porta principal, o ar da sala pareceu esfriar dez graus.

Deana Richards entrou como se o lugar lhe pertencesse. Ela não parecia alguém que acabara de deixar uma cela de prisão; o casaco de pele sintética estava jogado sobre os ombros e o batom vermelho era excessivo, borrado levemente nos cantos. Seus olhos vagaram pela sala, absorvendo o luxo, antes de finalmente pousarem no filho.

— Frankie... — A voz dela saiu em um sussurro arrastado, quase um gemido de prazer contido.

Nikki se levantou lentamente, o corpo tenso como uma corda de baixo prestes a arrebentar. Ele odiava aquele nome. Ele odiava o som daquela voz.

— É Nikki agora. Você sabe disso — disse ele, a voz rouca e desprovida de emoção.

Deana não pareceu ouvir. Ela atravessou a sala com passos vacilantes e, antes que Nikki pudesse recuar, ela se jogou contra o peito dele. O cheiro era uma mistura nauseante de perfume barato, cigarros e o hálito metálico de quem passou tempo demais atrás das grades.

— Ah, meu Deus... — Ela gemeu contra o pescoço dele, as mãos subindo pelos braços tatuados de Nikki, apertando os bíceps dele com uma força surpreendente. — Olhe para você. Tão grande... tão forte. Você se tornou um homem tão bonito, Frankie.

Nikki sentiu um arrepio de repulsa percorrer sua espinha. Era a mesma sensação de quando ele tinha quatorze anos: o desconforto visceral diante daquela mulher que nunca soube onde terminava a maternidade e onde começava a loucura. Ele tentou se desvencilhar, mas ela se agarrou a ele, esfregando o rosto no tecido de sua camisa de seda.

— Solta, Deana — murmurou ele, as mãos pairando no ar, sem coragem de retribuir o abraço.

— Não seja frio assim com a sua mãe — ela choramingou, a voz subindo uma oitava, tornando-se manhosa, quase infantil. — Eu passei tanto tempo trancada, pensando em você. Eu vi suas fotos nas revistas. Eu dizia a todos: "Aquele é o meu menino".

Ela se afastou apenas o suficiente para olhar o rosto dele, mantendo as mãos possessivas em seus ombros. Seus olhos estavam úmidos, uma mistura de manipulação e uma sinceridade distorcida que sempre confundia os sentidos de Nikki.

— Você está tão musculoso — ela continuou, deslizando uma das mãos pelo peito dele, sentindo os contornos dos músculos sob a camisa. — Quase não reconheço o menino magricela que fugia de casa. Você é um gigante agora.

— Eu tive que crescer — respondeu Nikki, a voz cortante. — Já que não havia ninguém para fazer isso por mim.

Deana fez um biquinho, os lábios trêmulos como se estivesse prestes a desabar em lágrimas. Ela se aproximou novamente, colando o corpo ao dele em uma proximidade que o deixava sufocado.

— Eu sei que cometi erros — ela sussurrou, a voz carregada de uma sensualidade bizarra e inapropriada que sempre fora a marca registrada de sua instabilidade. — Mas eu mudei, Nikki. A prisão me fez ver as coisas com clareza.

Nikki soltou uma risada seca, desviando o olhar para os discos de ouro na parede.

— Você sempre diz que mudou. Toda vez que aparece pedindo dinheiro ou um lugar para ficar, a história é a mesma.

— Não é por dinheiro! — Ela exclamou, soltando um pequeno gemido de frustração e abraçando-o novamente, desta vez escondendo o rosto no peito dele. — Eu só queria ver você. Eu senti falta do meu filho.

Nikki sentiu o coração bater forte contra as costelas. Ele queria empurrá-la, expulsá-la daquela mansão que ele construiu para ser seu refúgio, mas algo nas palavras seguintes dela o paralisou.

— Eu te amo, Nikki — ela disse, a voz abafada contra o peito dele. — Eu nunca disse isso antes, não é? Mas eu amo você. Mais do que qualquer coisa no mundo.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Nikki Sixx, o rockstar inabalável, o homem que enfrentava estádios lotados e excessos autodestrutivos, sentiu-se como o garoto de Seattle novamente. Aquelas três palavras eram a única coisa que ele sempre quis ouvir, o combustível para toda a sua raiva e para todas as suas canções.

— Você... o quê? — perguntou ele, a voz falhando por um milésimo de segundo.

— Eu te amo — repetiu ela, afastando-se para olhá-lo nos olhos. — Eu te amo tanto que dói. Ver você aqui, tão bem sucedido, tão... magnífico. Meu pequeno Frankie se tornou um rei.

Ela esticou a mão e acariciou o rosto dele, o polegar passando pelo lábio inferior de Nikki. Ele fechou os olhos, lutando contra a náusea. Era nojento. O jeito que ela o olhava, como se ele fosse um troféu ou algo pior, o jeito que a voz dela sempre parecia um convite para algo obscuro. Mas, ao mesmo tempo, a pequena centelha de esperança que ele tentara apagar durante anos brilhou intensamente.

— Por que agora? — Nikki perguntou, segurando o pulso dela para afastar a mão de seu rosto. — Por que depois de todos esses anos de silêncio?

— Porque agora eu não tenho mais nada — ela respondeu, os olhos brilhando com uma honestidade cruel. — E porque eu vi que você é o único que sobrou. Você é o meu sangue, Nikki. E você é tão lindo...

Ela soltou um suspiro longo, quase um ronronar, e encostou a testa no ombro dele.

— Você me deixa ficar? — pediu ela, a voz manhosa voltando com força total. — Só por uns dias? Eu não tenho para onde ir, e eu só quero ficar perto de você. Quero recuperar o tempo perdido.

Nikki olhou para o teto, sentindo o peso daquela mansão milionária sobre seus ombros. Ele sabia que deveria chamar a segurança. Ele sabia que Deana Richards era um furacão que destruía tudo o que tocava. Mas a palavra "amor", dita por aqueles lábios manchados de batom, ecoava em sua mente como um riff de guitarra hipnótico.

— Tem um quarto de hóspedes no andar de cima — disse ele, finalmente, sentindo-se derrotado pela própria carência que jurara ter matado.

Deana soltou um gritinho de alegria e o abraçou com tanta força que ele quase perdeu o equilíbrio.

— Oh, obrigada! — Ela deu um beijo estalado na bochecha dele, deixando uma marca vermelha de batom. — Você é o melhor filho do mundo. Meu herói forte e maravilhoso.

Ela se afastou e começou a subir as escadas, balançando os quadris de uma forma que fazia o estômago de Nikki revirar. Ele ficou parado no centro da sala, observando-a subir.

— Deana? — ele chamou.

Ela parou no meio da escada e olhou para trás, com um sorriso predatório.

— Sim, querido?

— Se você estiver mentindo... — Nikki fez uma pausa, a voz voltando ao tom sombrio que o tornara famoso. — Se isso for apenas mais um dos seus jogos, eu juro que coloco você de volta na rua antes do amanhecer.

Ela soltou uma risadinha suave, um som que parecia veludo arranhando metal.

— Eu não mentiria para você, Nikki. Eu te amo. Não foi isso que eu disse?

Ela continuou subindo, e Nikki voltou a se sentar no sofá. Ele pegou a garrafa de Jack Daniel’s e deu um longo gole, tentando limpar o gosto daquela visita de sua garganta. Ele sabia que estava brincando com fogo, e que Deana Richards era o tipo de incêndio que não deixava sobreviventes. Mas, por um momento, apenas por um breve e patético momento, ele quis acreditar que o monstro em sua sala de estar era apenas uma mãe que finalmente aprendera a amar.

— Nojento — sussurrou para si mesmo, limpando a marca de batom da bochecha com as costas da mão. — Absolutamente nojento.

Mas ele não a mandou embora. E, no silêncio da mansão, a esperança era a droga mais perigosa que Nikki Sixx já havia experimentado.
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