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olhos de oceano
Fandom: parmiga
Creado: 16/4/2026
Etiquetas
RomanceDramaDolor/ConsueloPsicológicoEstudio de PersonajeCrimenDetectivescoNoir
Sombras e Flores Brancas
O ar entre nós ainda parecia vibrar com a eletricidade da violência contida que acabara de presenciar. Patrick Wilson não era apenas um homem alto e imponente; havia nele uma aura de autoridade que não vinha do distintivo, mas de algo muito mais profundo e, talvez, mais sombrio. Ele estendeu a mão para mim, um gesto simples que contrastava drasticamente com a mão que, segundos atrás, empunhava uma arma com a frieza de um carrasco.
— Patrick Wilson — repetiu ele, sua voz agora suavizada, embora o azul de seus olhos ainda retivesse o brilho gélido do inverno. — Assumi o distrito esta semana. Sinto muito que sua primeira impressão da minha equipe tenha sido... isso.
Eu hesitei por um milésimo de segundo antes de colocar minha mão na dele. A pele era quente, firme, e um formigamento estranho subiu pelo meu braço, algo que eu rapidamente atribuí à adrenalina que ainda corria em minhas veias.
— Vera Farmiga — respondi, tentando manter a voz estável. — Sou cardiologista aqui no hospital. E... obrigada, Delegado. Eu não sei o que teria acontecido se o senhor não tivesse intervindo.
— Ele não voltará a incomodá-la, Doutora. Eu garanto — afirmou ele, e havia uma finalidade em suas palavras que me fez acreditar piamente.
Jack, que observava a interação com um misto de alívio e cautela, deu um passo à frente.
— Wilson, eu levo ela até o carro e garanto que chegue bem em casa. Você precisa resolver aquela papelada do incidente de mais cedo.
Patrick assentiu levemente, mas seus olhos não deixaram os meus de imediato. Havia uma curiosidade silenciosa ali, um escrutínio que me fez sentir como se ele estivesse lendo meu prontuário médico sem sequer abrir uma página.
— Boa noite, Doutora Farmiga — disse ele, antes de girar sobre os calcanhares e caminhar de volta para a delegacia.
Fiquei parada por um momento, observando-o partir. O modo como seus ombros largos preenchiam o casaco escuro, o passo decidido e a maneira como ele parecia dominar o espaço ao seu redor... ele era, sem dúvida alguma, um homem bonito. Mas era uma beleza perigosa, do tipo que os poetas costumam associar a tragédias.
— Vera? Terra chamando Vera — Jack brincou, tocando meu braço de leve. — Vamos, vou te seguir até sua casa.
O trajeto até meu apartamento foi um borrão. Meus pensamentos insistiam em retornar àquela cena no estacionamento. A confissão de Patrick sobre o próprio pai havia sido tão crua, tão exposta, que me deixou desconfortável. Como médica, eu estava acostumada a lidar com a dor física, mas aquela era uma cicatriz emocional aberta, exposta ao mundo como um mecanismo de defesa.
Quando finalmente entrei em casa, o silêncio do meu apartamento pareceu mais pesado do que o habitual. Joguei as chaves na mesa da entrada e fui direto para o banheiro. Deixei que a água quente caísse sobre meus ombros, tentando lavar o cheiro de cigarro de Ricardo e a sensação de perigo que ainda me cercava.
Enquanto me secava, notei as marcas vermelhas no meu braço. Ricardo tinha apertado com força. Suspirei, vestindo um pijama de seda e indo para a cozinha. Preparei um chá de camomila, o vapor subindo e embaçando meus óculos de leitura que eu raramente usava em público.
Sentei-me no sofá, o chá aquecendo minhas mãos, mas minha mente era um carrossel. Eu via os olhos azuis de Patrick Wilson toda vez que fechava as pálpebras. Havia algo nele que ressoava com a minha própria fragilidade oculta. Nós dois éramos cuidadores de mundos diferentes, ambos marcados por coisas que preferíamos não dizer em voz alta.
— Droga, Vera. Durma — sussurrei para mim mesma.
Mas o sono, meu velho inimigo, não veio. O relógio na parede tiquetaqueava as horas, marcando o compasso da minha insônia. Às duas da manhã, desisti da camomila e abri a gaveta do criado-mudo. Peguei o frasco de zolpidem. Uma pílula. O último recurso para silenciar os batimentos acelerados de um coração que insistia em repassar o dia.
Na manhã seguinte, o hospital estava tão caótico quanto sempre. O cheiro de café forte da cafeteria se misturava ao antisséptico, e o som dos bipes dos monitores me trazia de volta à minha zona de conforto. Eu estava na recepção da cardiologia, revisando os exames da pequena Amanda, quando o movimento no saguão mudou.
Não precisei olhar para saber quem era. A atmosfera parecia se densificar.
Patrick Wilson entrou no hospital com a mesma presença esmagadora da noite anterior. Ele não estava de uniforme, mas vestia uma calça escura e uma camisa social azul-clara com as mangas dobradas até os cotovelos, revelando antebraços fortes. Em uma das mãos, ele carregava uma pasta de couro; na outra, algo que me fez parar de respirar por um segundo.
Uma única flor branca. Uma gardênia, exalando um perfume doce que parecia lutar contra o cheiro de hospital.
— Doutora Farmiga — disse ele, parando diante do balcão.
— Delegado Wilson — respondi, tentando ignorar o olhar curioso de Taissa, que estava a poucos metros dali, fingindo organizar prontuários. — O que o traz ao meu domínio hoje? Algum problema cardíaco?
Ele deu um meio sorriso, o primeiro que vi que parecia chegar, ainda que timidamente, aos seus olhos.
— Meu coração está bem, até onde eu sei. Mas o sistema judiciário é menos eficiente. Preciso da sua assinatura formal no boletim de ocorrência sobre o incidente de ontem. Como Miller é um oficial, os procedimentos de suspensão exigem o depoimento da vítima assinado e datado.
— Claro — eu disse, pegando a caneta que ele me estendeu. — Eu farei qualquer coisa para garantir que ele fique longe das ruas e das mulheres.
Assinei os papéis com rapidez, sentindo o olhar dele fixo em mim. Quando devolvi a pasta, ele estendeu a mão com a flor.
— Isso é para você.
Eu pisquei, surpresa.
— Uma flor? Delegado, eu...
— É um pedido de desculpas em nome do distrito — interrompeu ele, sua voz baixando de tom, tornando-se algo mais íntimo. — E também... para substituir a lembrança ruim de ontem por algo que tenha um cheiro melhor.
Peguei a gardênia com cuidado. Suas pétalas eram macias como veludo.
— Obrigada, Patrick. É linda.
— Não precisa agradecer — disse ele, ajeitando a pasta sob o braço. — Eu também queria saber... como está o braço?
Eu instintivamente toquei o local sob a manga do meu jaleco.
— Um pouco roxo, mas vai passar. Sou médica, lembra? Sei como cuidar de ferimentos.
— Às vezes — ele disse, dando um passo mais perto, o suficiente para que eu sentisse o aroma de sândalo e sabão que emanava dele —, os médicos são os piores pacientes. Eles acham que podem curar tudo sozinhos.
Senti meu rosto esquentar. Aquela frase atingiu um ponto sensível que eu tentava proteger a todo custo.
— Talvez tenhamos isso em comum, Delegado. Policiais e médicos. Ambos achando que o mundo depende apenas de nossos ombros.
Patrick me olhou por um longo tempo, um silêncio carregado de significados não ditos. O azul de seus olhos parecia menos gélido agora, mais parecido com o oceano profundo antes de uma tempestade.
— Talvez — admitiu ele. — Tenha um bom dia, Vera.
— Você também, Patrick.
Eu o observei caminhar em direção à saída, sua figura desaparecendo entre os pacientes e visitantes. Quando ele finalmente sumiu de vista, senti uma presença ao meu lado.
— Vera Ann Farmiga — a voz de Taissa era pura provocação. — O que foi isso? O novo delegado bonitão vem aqui, te traz flores e te olha como se você fosse a última bolsa de sangue O negativo do estoque?
— Não seja dramática, Tai — respondi, voltando minha atenção para os exames, embora minhas mãos tremessem levemente. — Foi apenas burocracia. E uma cortesia profissional.
— Sei... — ela cantarolou, encostando-se no balcão. — Cortesia profissional geralmente envolve um aperto de mão e um formulário, não gardênias e olhares que poderiam derreter o gelo do Alasca. O Jack me disse que ele é meio "lobo solitário", mas parece que ele encontrou uma chapeuzinho vermelho de jaleco.
— Taissa, volte ao trabalho — ordenei, forçando uma seriedade que eu não sentia plenamente.
A enfermeira riu e se afastou, mas eu permaneci ali, com a flor branca entre os dedos. Coloquei-a em um copo com água na minha mesa de atendimento. Durante o resto do dia, toda vez que o estresse das consultas aumentava ou que o som do monitor cardíaco me lembrava da fragilidade da vida, o perfume da gardênia me trazia de volta.
Não era apenas a flor. Era o fato de que, pela primeira vez em muito tempo, alguém tinha visto a mulher por trás da médica. Alguém que carregava suas próprias sombras e que, de alguma forma, parecia entender as minhas.
À noite, quando saí do hospital, olhei para o estacionamento. Estava calmo. A viatura de Patrick estava estacionada em frente à delegacia, as luzes do prédio refletindo no vidro. Eu não o vi, mas senti sua presença ali, como uma sentinela silenciosa.
Dirigi para casa sentindo que, talvez, a pílula para dormir não fosse necessária naquela noite. O ritmo do meu coração estava diferente — não acelerado pelo medo, nem lento pelo cansaço, mas constante, como se estivesse esperando por algo que eu ainda não conseguia nomear.
Enquanto a cidade mergulhava no azul profundo da noite, eu percebi que, embora soubesse consertar corações físicos, talvez estivesse prestes a aprender que alguns corações não precisam de cirurgia, mas apenas de alguém que não tenha medo da escuridão que eles carregam. E Patrick Wilson parecia ser um homem que conhecia a escuridão muito bem.
— Patrick Wilson — repetiu ele, sua voz agora suavizada, embora o azul de seus olhos ainda retivesse o brilho gélido do inverno. — Assumi o distrito esta semana. Sinto muito que sua primeira impressão da minha equipe tenha sido... isso.
Eu hesitei por um milésimo de segundo antes de colocar minha mão na dele. A pele era quente, firme, e um formigamento estranho subiu pelo meu braço, algo que eu rapidamente atribuí à adrenalina que ainda corria em minhas veias.
— Vera Farmiga — respondi, tentando manter a voz estável. — Sou cardiologista aqui no hospital. E... obrigada, Delegado. Eu não sei o que teria acontecido se o senhor não tivesse intervindo.
— Ele não voltará a incomodá-la, Doutora. Eu garanto — afirmou ele, e havia uma finalidade em suas palavras que me fez acreditar piamente.
Jack, que observava a interação com um misto de alívio e cautela, deu um passo à frente.
— Wilson, eu levo ela até o carro e garanto que chegue bem em casa. Você precisa resolver aquela papelada do incidente de mais cedo.
Patrick assentiu levemente, mas seus olhos não deixaram os meus de imediato. Havia uma curiosidade silenciosa ali, um escrutínio que me fez sentir como se ele estivesse lendo meu prontuário médico sem sequer abrir uma página.
— Boa noite, Doutora Farmiga — disse ele, antes de girar sobre os calcanhares e caminhar de volta para a delegacia.
Fiquei parada por um momento, observando-o partir. O modo como seus ombros largos preenchiam o casaco escuro, o passo decidido e a maneira como ele parecia dominar o espaço ao seu redor... ele era, sem dúvida alguma, um homem bonito. Mas era uma beleza perigosa, do tipo que os poetas costumam associar a tragédias.
— Vera? Terra chamando Vera — Jack brincou, tocando meu braço de leve. — Vamos, vou te seguir até sua casa.
O trajeto até meu apartamento foi um borrão. Meus pensamentos insistiam em retornar àquela cena no estacionamento. A confissão de Patrick sobre o próprio pai havia sido tão crua, tão exposta, que me deixou desconfortável. Como médica, eu estava acostumada a lidar com a dor física, mas aquela era uma cicatriz emocional aberta, exposta ao mundo como um mecanismo de defesa.
Quando finalmente entrei em casa, o silêncio do meu apartamento pareceu mais pesado do que o habitual. Joguei as chaves na mesa da entrada e fui direto para o banheiro. Deixei que a água quente caísse sobre meus ombros, tentando lavar o cheiro de cigarro de Ricardo e a sensação de perigo que ainda me cercava.
Enquanto me secava, notei as marcas vermelhas no meu braço. Ricardo tinha apertado com força. Suspirei, vestindo um pijama de seda e indo para a cozinha. Preparei um chá de camomila, o vapor subindo e embaçando meus óculos de leitura que eu raramente usava em público.
Sentei-me no sofá, o chá aquecendo minhas mãos, mas minha mente era um carrossel. Eu via os olhos azuis de Patrick Wilson toda vez que fechava as pálpebras. Havia algo nele que ressoava com a minha própria fragilidade oculta. Nós dois éramos cuidadores de mundos diferentes, ambos marcados por coisas que preferíamos não dizer em voz alta.
— Droga, Vera. Durma — sussurrei para mim mesma.
Mas o sono, meu velho inimigo, não veio. O relógio na parede tiquetaqueava as horas, marcando o compasso da minha insônia. Às duas da manhã, desisti da camomila e abri a gaveta do criado-mudo. Peguei o frasco de zolpidem. Uma pílula. O último recurso para silenciar os batimentos acelerados de um coração que insistia em repassar o dia.
Na manhã seguinte, o hospital estava tão caótico quanto sempre. O cheiro de café forte da cafeteria se misturava ao antisséptico, e o som dos bipes dos monitores me trazia de volta à minha zona de conforto. Eu estava na recepção da cardiologia, revisando os exames da pequena Amanda, quando o movimento no saguão mudou.
Não precisei olhar para saber quem era. A atmosfera parecia se densificar.
Patrick Wilson entrou no hospital com a mesma presença esmagadora da noite anterior. Ele não estava de uniforme, mas vestia uma calça escura e uma camisa social azul-clara com as mangas dobradas até os cotovelos, revelando antebraços fortes. Em uma das mãos, ele carregava uma pasta de couro; na outra, algo que me fez parar de respirar por um segundo.
Uma única flor branca. Uma gardênia, exalando um perfume doce que parecia lutar contra o cheiro de hospital.
— Doutora Farmiga — disse ele, parando diante do balcão.
— Delegado Wilson — respondi, tentando ignorar o olhar curioso de Taissa, que estava a poucos metros dali, fingindo organizar prontuários. — O que o traz ao meu domínio hoje? Algum problema cardíaco?
Ele deu um meio sorriso, o primeiro que vi que parecia chegar, ainda que timidamente, aos seus olhos.
— Meu coração está bem, até onde eu sei. Mas o sistema judiciário é menos eficiente. Preciso da sua assinatura formal no boletim de ocorrência sobre o incidente de ontem. Como Miller é um oficial, os procedimentos de suspensão exigem o depoimento da vítima assinado e datado.
— Claro — eu disse, pegando a caneta que ele me estendeu. — Eu farei qualquer coisa para garantir que ele fique longe das ruas e das mulheres.
Assinei os papéis com rapidez, sentindo o olhar dele fixo em mim. Quando devolvi a pasta, ele estendeu a mão com a flor.
— Isso é para você.
Eu pisquei, surpresa.
— Uma flor? Delegado, eu...
— É um pedido de desculpas em nome do distrito — interrompeu ele, sua voz baixando de tom, tornando-se algo mais íntimo. — E também... para substituir a lembrança ruim de ontem por algo que tenha um cheiro melhor.
Peguei a gardênia com cuidado. Suas pétalas eram macias como veludo.
— Obrigada, Patrick. É linda.
— Não precisa agradecer — disse ele, ajeitando a pasta sob o braço. — Eu também queria saber... como está o braço?
Eu instintivamente toquei o local sob a manga do meu jaleco.
— Um pouco roxo, mas vai passar. Sou médica, lembra? Sei como cuidar de ferimentos.
— Às vezes — ele disse, dando um passo mais perto, o suficiente para que eu sentisse o aroma de sândalo e sabão que emanava dele —, os médicos são os piores pacientes. Eles acham que podem curar tudo sozinhos.
Senti meu rosto esquentar. Aquela frase atingiu um ponto sensível que eu tentava proteger a todo custo.
— Talvez tenhamos isso em comum, Delegado. Policiais e médicos. Ambos achando que o mundo depende apenas de nossos ombros.
Patrick me olhou por um longo tempo, um silêncio carregado de significados não ditos. O azul de seus olhos parecia menos gélido agora, mais parecido com o oceano profundo antes de uma tempestade.
— Talvez — admitiu ele. — Tenha um bom dia, Vera.
— Você também, Patrick.
Eu o observei caminhar em direção à saída, sua figura desaparecendo entre os pacientes e visitantes. Quando ele finalmente sumiu de vista, senti uma presença ao meu lado.
— Vera Ann Farmiga — a voz de Taissa era pura provocação. — O que foi isso? O novo delegado bonitão vem aqui, te traz flores e te olha como se você fosse a última bolsa de sangue O negativo do estoque?
— Não seja dramática, Tai — respondi, voltando minha atenção para os exames, embora minhas mãos tremessem levemente. — Foi apenas burocracia. E uma cortesia profissional.
— Sei... — ela cantarolou, encostando-se no balcão. — Cortesia profissional geralmente envolve um aperto de mão e um formulário, não gardênias e olhares que poderiam derreter o gelo do Alasca. O Jack me disse que ele é meio "lobo solitário", mas parece que ele encontrou uma chapeuzinho vermelho de jaleco.
— Taissa, volte ao trabalho — ordenei, forçando uma seriedade que eu não sentia plenamente.
A enfermeira riu e se afastou, mas eu permaneci ali, com a flor branca entre os dedos. Coloquei-a em um copo com água na minha mesa de atendimento. Durante o resto do dia, toda vez que o estresse das consultas aumentava ou que o som do monitor cardíaco me lembrava da fragilidade da vida, o perfume da gardênia me trazia de volta.
Não era apenas a flor. Era o fato de que, pela primeira vez em muito tempo, alguém tinha visto a mulher por trás da médica. Alguém que carregava suas próprias sombras e que, de alguma forma, parecia entender as minhas.
À noite, quando saí do hospital, olhei para o estacionamento. Estava calmo. A viatura de Patrick estava estacionada em frente à delegacia, as luzes do prédio refletindo no vidro. Eu não o vi, mas senti sua presença ali, como uma sentinela silenciosa.
Dirigi para casa sentindo que, talvez, a pílula para dormir não fosse necessária naquela noite. O ritmo do meu coração estava diferente — não acelerado pelo medo, nem lento pelo cansaço, mas constante, como se estivesse esperando por algo que eu ainda não conseguia nomear.
Enquanto a cidade mergulhava no azul profundo da noite, eu percebi que, embora soubesse consertar corações físicos, talvez estivesse prestes a aprender que alguns corações não precisam de cirurgia, mas apenas de alguém que não tenha medo da escuridão que eles carregam. E Patrick Wilson parecia ser um homem que conhecia a escuridão muito bem.
