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The severed bonsd

Fandom: The walking dead

Creado: 18/4/2026

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Gelo e Pólvora

O ar da Geórgia era úmido e pesado, uma afronta constante aos pulmões de Claire Whitaker. Para alguém que cresceu sob o céu cinzento e o frio cortante de Novosibirsk, aquele calor parecia uma punição divina. Ela limpou o suor da testa com as costas da mão enluvada, mantendo os olhos fixos na mata densa à frente. Claire não era apenas uma sobrevivente; ela era um cálculo ambulante. Inteligente o suficiente para saber que o silêncio era sua melhor arma e forte o suficiente para quebrar o pescoço de um errante sem hesitar.

— Você está muito tensa, Claire. — A voz de Glenn Rhee quebrou o silêncio, soando como um bálsamo em meio à tensão constante.

Claire virou o rosto levemente, permitindo que um pequeno sorriso surgisse no canto dos lábios. Glenn tinha esse efeito sobre ela. Em um mundo que havia perdido a cor, ele ainda conseguia ser vibrante. O relacionamento deles havia começado como uma faísca em um palheiro seco: rápido, intenso e necessário. Ele era sua âncora de humanidade.

— No meu país, aprendemos que o perigo adora o relaxamento — respondeu ela, o sotaque russo ainda presente, embora suavizado pelos anos vivendo nos Estados Unidos. — Mas acho que seu otimismo é contagioso demais para o meu próprio bem.

Glenn aproximou-se, tocando de leve o ombro dela.

— Não é otimismo, é confiança. Eu sei que você está cobrindo minhas costas.

— Sempre — afirmou ela, cobrindo a mão dele com a sua por um breve segundo.

Aquele momento de ternura, porém, foi interrompido por um ruído seco de galhos quebrados e um rosnado baixo que não vinha de um morto. Daryl Dixon surgiu entre as árvores, carregando um esquilo morto em uma das mãos e sua besta na outra. Seus olhos azuis, sempre semicerrados em desconfiança, fixaram-se no casal.

— Vocês dois parecem estar em um piquenique — cuspiu Daryl, a voz rouca carregada de desprezo. — Tem uma horda a menos de dois quilômetros e vocês estão aqui de mãos dadas.

Claire endireitou a postura imediatamente, seus olhos brilhando com uma frieza que rivalizava com o inverno siberiano. O conflito entre ela e Daryl era quase instintivo. Dois predadores no mesmo território, ambos desconfiados demais para baixar a guarda.

— Estávamos monitorando o perímetro, Dixon — rebateu Claire, dando um passo à frente. — Algo que você saberia se não estivesse tão ocupado brincando de caçador solitário.

Daryl soltou uma risada curta e sem humor, aproximando-se até ficar a poucos centímetros do rosto dela. O cheiro de suor, fumo e floresta que emanava dele era opressor.

— "Monitorando"? Você mal consegue enxergar através desse seu orgulho russo. Você é um risco para o grupo. Inteligente demais para o seu próprio bem, mas sem estômago para o que realmente importa.

— Meu estômago está muito bem, obrigada — disse ela, a voz baixa e perigosa. — E se eu sou um risco, por que ainda sou eu quem conserta os erros que você deixa para trás?

— Chega, vocês dois! — Glenn interveio, colocando-se entre eles. — Daryl, ela salvou o Rick ontem. Claire, o Daryl conhece estas matas melhor do que ninguém. Precisamos trabalhar juntos.

Daryl lançou um último olhar de puro veneno para Claire antes de cuspir no chão e passar por eles sem dizer mais nada. Claire sentiu o sangue ferver. Ela não suportava a maneira como ele a olhava — como se ela fosse uma intrusa, uma peça de quebra-cabeça que não se encaixava.

— Ele é um idiota — murmurou ela, apertando o cabo da faca em seu cinto.

— Ele só é difícil — corrigiu Glenn, suspirando. — Ele não sabe como lidar com alguém que o desafia intelectualmente, Claire. Você o deixa nervoso.

— Ele deveria estar nervoso — respondeu ela, embora, no fundo, soubesse que a hostilidade de Daryl mexia com ela de uma forma que ela não queria admitir. Era uma fricção que gerava calor, e calor era perigoso.

Mais tarde, no acampamento improvisado, a tensão não diminuiu. Enquanto Glenn ajudava Dale com o trailer, Claire sentou-se perto da fogueira para afiar suas lâminas. A luz do fogo dançava em seu rosto, destacando as linhas fortes de sua mandíbula.

Daryl estava sentado do outro lado, limpando suas flechas. O silêncio entre eles era pesado, carregado de tudo o que não havia sido dito.

— Você acha que é melhor que a gente — disse Daryl de repente, sem tirar os olhos da flecha. — Com sua educação europeia e suas táticas de guerra.

Claire parou de amolar a faca.

— Eu não acho que sou melhor, Daryl. Eu sei que sou eficiente. No meu mundo anterior, se você não fosse útil, você desaparecia. Eu sobrevivi a coisas que fariam seus pesadelos parecerem contos de fadas.

Daryl levantou o olhar, e por um momento, a máscara de raiva caiu, revelando uma curiosidade sombria.

— É mesmo? E o que uma russa inteligente como você viu de tão terrível?

— Vi o que acontece quando a civilização morre de dentro para fora, muito antes dos mortos caminharem — respondeu ela com amargura. — Eu vi homens como você se tornarem monstros ou heróis. Ainda estou tentando decidir em qual categoria você se encaixa.

— Não perca seu tempo — rosnou ele, levantando-se. — Eu não sou nenhum dos dois.

Ele caminhou em direção à escuridão da floresta, mas Claire notou o hesitar em seus passos. Havia algo ali, uma conexão distorcida feita de resistência e teimosia.

Poucos minutos depois, Glenn apareceu, sentando-se ao lado dela e envolvendo-a com o braço.

— Você está bem? Vi você falando com ele.

— Ele é como uma ferida que não cicatriza, Glenn — suspirou Claire, encostando a cabeça no ombro dele. — Mas eu consigo lidar com ele.

— Eu sei que consegue. — Glenn beijou o topo da cabeça dela. — Mas tente não matá-lo. Ele é útil.

— Vou tentar — prometeu ela, embora soubesse que a verdadeira batalha não era contra os mortos, nem contra a grosseria de Daryl, mas contra a estranha eletricidade que sentia toda vez que ele entrava no seu espaço pessoal.

A noite caiu sobre o acampamento, e enquanto Claire se perdia nos braços de Glenn, buscando o conforto rápido e ardente que eles haviam construído, seus olhos involuntariamente buscaram a silhueta de Daryl nas sombras. Ele estava lá, vigiando, um sentinela solitário que a odiava e, ao mesmo tempo, parecia incapaz de desviar o olhar.

Claire sabia que aquele equilíbrio era frágil. Ela tinha o amor de Glenn, algo doce e urgente, mas a presença de Daryl era um desafio constante, uma tempestade que ameaçava destruir sua calma calculada. E o pior de tudo era que, no fundo de sua mente estratégica, ela sabia que estava começando a gostar do caos.

— Durma, Claire — sussurrou Glenn em seu ouvido.

— Estou tentando — mentiu ela, observando as brasas da fogueira morrerem, sentindo-se presa entre dois mundos: o calor reconfortante de Glenn e o fogo frio e perigoso que Daryl Dixon acendia em seu sangue.
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