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Creado: 19/4/2026

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O Jogo das Cadeiras Vazias

O corredor do terceiro ano estava especialmente barulhento naquela manhã de terça-feira. O motivo era simples: um cano estourado no bloco B havia forçado a coordenação a fundir as turmas de Literatura. Para Isa, isso significava que sua manhã tranquila, analisando clássicos com o professor de sempre, seria substituída por uma sala superlotada, barulhenta e, pior de tudo, com a turma do 3º C.

A turma dele.

Isa caminhou com a postura ereta, os cabelos castanhos com luzes mel balançando levemente a cada passo. Ela não precisava forçar para ser notada; era natural. Suas bochechas estavam levemente rosadas pelo frio do ar-condicionado, mas seus olhos azuis mantinham aquela faísca de quem não estava ali para brincadeira.

Ao entrar na sala 12, o caos já estava instalado. Cadeiras eram arrastadas, e o som de conversas cruzadas preenchia o ar. Ela avistou um lugar vago no fundo, perto da janela, e se dirigiu para lá. Mas, antes que pudesse se sentar, uma mochila preta foi jogada sobre a mesa vizinha.

— Esse lugar está ocupado? — Uma voz grave, carregada de uma diversão preguiçosa, soou logo atrás dela.

Isa nem precisou se virar para saber quem era. O perfume amadeirado e a presença que parecia ocupar todo o espaço ao redor já o denunciavam. Th.

Ela se virou devagar, sustentando o olhar azul no dele. Th estava com aquele sorriso de canto, o tipo de sorriso que prometia problemas. Ele era alto, de postura relaxada, e a encarava sem o menor sinal de timidez.

— Agora está — respondeu Isa, indicando a mochila dele com um aceno de cabeça. — Mas a cadeira que eu ia pegar ainda é território neutro.

Th soltou uma risada curta, aproximando-se um passo. Ele não respeitava muito a barreira do espaço pessoal.

— Engraçado. Eu achei que, depois daquela sua resposta atravessada no intervalo de ontem, você ia querer distância de mim.

— Distância é para quem tem medo, Th — ela retrucou, sentando-se e cruzando as pernas. — Eu só tenho preguiça.

Th não pareceu nem um pouco ofendido. Pelo contrário, seus olhos brilharam. Ele puxou a cadeira ao lado da dela, colando as mesas de um jeito que não deixava dúvida de que ele pretendia passar a aula inteira ali.

— Preguiça, sei. — Ele se inclinou na direção dela, falando baixo, quase no seu ouvido. — Seus olhos dizem outra coisa quando eu chego perto. Eles ficam... desafiadores. Eu gosto.

Isa sentiu um calafrio percorrer sua espinha, mas não desviou o olhar. Ela abriu o caderno, fingindo total indiferença.

— Foca na aula, Th. Ouvi dizer que suas notas em Literatura não são tão boas quanto seu ego.

— Meu ego está ótimo, obrigado por perguntar. E minhas notas... bom, talvez eu precise de uma professora particular. Conhece alguma que tenha olhos azuis e um gênio insuportável?

— Não. Mas conheço várias que adorariam te dar um fora em público. Escolha uma e divirta-se.

O professor entrou na sala, tentando colocar ordem no galinheiro. Ele anunciou que, devido à lotação, os trabalhos do dia seriam feitos em duplas. O burburinho aumentou instantaneamente.

— Nem olha para o lado — Th disse, antes mesmo que Isa pudesse considerar outra opção. — Você é minha dupla.

— Eu não me lembro de ter assinado nenhum contrato de exclusividade — ela provocou, apoiando o queixo na mão e olhando para ele de soslaio.

— Não precisa de contrato. É óbvio. — Ele esticou o braço, descansando a mão na parte de trás da cadeira dela, os dedos roçando levemente em um fio do seu cabelo. — Olha em volta. Quem mais aqui conseguiria te aguentar por noventa minutos sem sair chorando?

— Eu poderia dizer o mesmo de você.

Nesse momento, um garoto da turma de Isa, o Leo, virou-se para trás, com um sorriso esperançoso.

— Ei, Isa, quer fazer o trabalho com...

Antes que Leo terminasse a frase, o clima na mesa mudou. Th, que até então estava relaxado, empertigou-se. Ele não disse nada agressivo, mas o jeito que ele encarou Leo, com o olhar fixo e o maxilar levemente travado, foi o suficiente.

— Ela já tem dupla, Leo — Th cortou, a voz saindo mais profunda, territorial.

— Ah, beleza... foi mal — Leo murmurou, virando-se rapidamente para a frente.

Isa revirou os olhos, mas não conseguiu evitar o sorriso de canto.

— "Ela já tem dupla"? Sério? Você é sempre assim, ou o papel de cão de guarda é novo?

— Ele estava te incomodando — Th deu de ombros, voltando ao tom provocador, mas sem retirar a mão de trás da cadeira dela.

— Ele estava sendo educado. Coisa que você desconhece.

— Educação é superestimada. Eu prefiro ser direto. — Ele se aproximou mais, o braço agora quase envolvendo o encosto da cadeira dela. — E eu não gosto de dividir o que eu decidi que é meu.

Isa sentiu o coração acelerar, mas manteve a fachada debochada.

— Eu não sou "sua", Th. Nem em jogo de dupla de escola.

— Ainda não — ele sussurrou, e o "ainda" pairou no ar entre eles como uma promessa.

A aula seguiu com Th sendo o Th de sempre: irritantemente charmoso. Ele não escrevia uma linha sequer no papel, preferindo observar Isa enquanto ela anotava os pontos principais do poema de Álvares de Azevedo.

— Sabia que você morde o lábio quando está concentrada? — ele comentou, a voz baixa, enquanto o professor circulava pela sala.

— Sabia que você é um péssimo aluno? — ela rebateu, tentando ignorar o calor que subia por seu pescoço.

— Eu sou um ótimo observador. É diferente.

De repente, o professor parou ao lado da mesa deles, cruzando os braços e observando a proximidade excessiva dos dois.

— Vejo que a cooperação entre as turmas está indo muito bem entre vocês dois — o Sr. Martins comentou, com um sorriso de quem sabia demais. — Estão discutindo o romantismo ou planejando o casamento?

A sala inteira pareceu silenciar por um segundo. Alguns alunos riram. Isa sentiu suas bochechas queimarem intensamente, o tom avermelhado denunciando sua falta de controle sobre a situação. Ela abriu a boca para protestar, para dizer que Th era apenas um incômodo, mas ele foi mais rápido.

Th abriu um sorriso largo, confiante, e olhou para o professor sem desviar.

— Um pouco dos dois, professor. Mas ela é difícil, sabe? Estou tentando convencer a noiva a não me dar um fora antes do altar.

— Th! — Isa exclamou, dando um empurrão de leve no ombro dele.

— O quê? — Ele riu, os olhos brilhando de diversão enquanto o professor se afastava balançando a cabeça. — Viu? Até o Martins já percebeu a tensão.

— A única tensão aqui é a minha vontade de te acertar com este livro — ela sibilou, embora o brilho em seus olhos azuis mostrasse que ela estava mais entretida do que irritada.

— Tenta. Eu adoraria ver você chegando perto o suficiente para isso.

Quando o sinal finalmente tocou, anunciando o intervalo, Isa sentiu um misto de alívio e uma estranha pontada de desapontamento. Ela começou a guardar suas coisas rapidamente, mas Th não tinha pressa nenhuma. Ele se levantou, bloqueando a passagem dela entre as mesas.

— Onde você vai com tanta pressa, "noiva"?

— Longe de você — ela respondeu, tentando passar por ele, mas Th deu um passo lateral, fechando o caminho.

Eles estavam em um canto mais reservado da sala agora, enquanto os outros alunos saíam. A proximidade era perigosa. Isa podia sentir o calor que emanava dele. Th inclinou-se para frente, reduzindo a distância até que seus rostos estivessem a poucos centímetros.

— Você joga bem, Isa — ele murmurou, a voz agora séria, sem o tom de deboche. — Mas eu sei que você não é tão indiferente quanto finge ser.

Ele levou a mão ao rosto dela, o polegar roçando de leve a maçã do rosto avermelhada. O toque foi elétrico. Isa prendeu a respiração, o olhar fixo no dele. Por um momento, o mundo ao redor desapareceu. Ela podia ver as nuances de determinação nos olhos dele, o jeito que ele olhava para a boca dela e depois voltava para seus olhos.

— Você acha que sabe tudo, não é? — ela sussurrou, a voz levemente trêmula, mas ainda desafiadora.

— Eu sei o que eu quero. E eu sei que você gosta do jogo tanto quanto eu.

Th se aproximou mais, o nariz quase roçando o dela. Ele podia sentir a respiração dela acelerada. Ele desceu o olhar para os lábios dela, demorando-se ali por um tempo que pareceu uma eternidade. O clima estava tão denso que poderia ser cortado com uma faca.

— Relaxa — ele sussurrou de repente, a mesma palavra que ele usava para desarmá-la.

Ele deu um passo para trás, quebrando o feitiço, e soltou um sorriso vitorioso ao ver como ela estava afetada.

— Te vejo no intervalo. E não pense em sentar com o Leo. Eu vou estar de olho.

Ele piscou para ela e saiu da sala com as mãos nos bolsos, deixando Isa parada ali, com o coração batendo na garganta e a certeza absoluta de que aquele jogo estava apenas começando — e que, pela primeira vez, ela não tinha certeza se queria ganhar.
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