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um amor inpossivel

Fandom: marvel

Creado: 22/4/2026

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O Eco de um Coração de Gelo

O complexo dos Vingadores sempre pareceu para Clara um lugar frio demais, excessivamente estéril e barulhento com o zumbido constante de tecnologia de ponta. Ela nunca pertenceu àquele mundo de heróis e deuses. Clara era o tipo de mulher que preferia o cheiro de papel antigo de um sebo no centro de Nova York, o conforto de seus cardigãs de lã e a paz de um café fumegante. Suas curvas, que ela aprendera a amar apesar dos padrões irreais do mundo, eram seu porto seguro, e sua personalidade extrovertida costumava ser o sol de qualquer sala.

Mas hoje, o sol estava escondido sob camadas de ansiedade.

— Eu já disse que não vou fazer isso — afirmou Clara, cruzando os braços sobre o peito. Ela estava sentada em uma cadeira de metal desconfortável na sala de reuniões. — O que houve entre mim e o Loki faz parte de uma vida que eu tentei enterrar.

Steve Rogers, parado perto da janela, trocou um olhar preocupado com Natasha Romanoff. Foi a espiã quem deu um passo à frente, a voz suave, mas carregada de uma urgência pragmática.

— Clara, ele não fala com ninguém. Ele está em uma cela de contenção há três dias e não abriu a boca, exceto para zombar de Tony ou ameaçar o Thor. Precisamos saber onde ele escondeu o cetro antes que o rastro esfrie.

— E por que acham que ele falaria comigo? — Clara soltou uma risada amarga, balançando a cabeça. — Eu sou a ex-namorada humana que ele deixou para trás quando decidiu que ser um vilão intergaláctico era mais importante do que... bem, do que nós.

— Porque você é a única pessoa por quem ele já demonstrou um pingo de humanidade — interveio Tony Stark, entrando na sala com um tablet em mãos. — Olhe, gordinha, eu sei que é estranho, mas os registros de vigilância de antes da invasão mostram ele vigiando seu apartamento. Ele ainda se importa.

Clara sentiu um aperto no estômago. A menção de que ele a observava a fazia oscilar entre o medo e uma saudade dolorosa que ela odiava admitir. Ela amava Loki. Amava o homem que lia poesia para ela em latim durante as madrugadas de insônia, o homem que escondia uma vulnerabilidade profunda atrás de sorrisos cínicos. Mas ela também temia o Deus da Trapaça que tentara subjugar a Terra.

— Isso é manipulação — murmurou Clara, os olhos brilhando com lágrimas não derramadas. — Vocês estão me usando como uma peça de xadrez.

— Estamos salvando vidas — disse Steve, com aquela autoridade moral que era difícil de contestar. — Por favor, Clara. Só você pode chegar até ele.

Vinte minutos depois, Clara estava diante da pesada porta de vidro reforçado da cela de contenção. O ar ali embaixo era mais pesado, carregado de uma eletricidade estática que fazia os pelos de seus braços se arrepiarem. Ela respirou fundo, ajustando o vestido floral que parecia tão fora de lugar naquele ambiente militarizado.

A porta deslizou com um chiado eletrônico.

Loki estava sentado no centro da cela, de costas para a entrada. Ele vestia o traje asgardiano, mas sem a armadura, parecendo mais magro e pálido do que Clara se lembrava. O silêncio se arrastou por longos segundos, até que ele falou, a voz como veludo sobre navalhas.

— Eu disse ao seu irmão que não tenho interesse em negociar com os lacaios de Midgard.

— Eu não sou uma lacaia, Loki — disse Clara, sua voz tremendo levemente.

Loki congelou. Seus ombros ficaram rígidos e, por um instante, o tempo pareceu parar. Ele se virou lentamente, os olhos verdes encontrando os castanhos de Clara. Havia uma tempestade de emoções passando pelo rosto do deus: choque, negação e, por fim, uma dor tão crua que Clara sentiu vontade de correr até ele.

— Clara... — O nome dela saiu como um suspiro, quase um sacrilégio.

Ele se levantou, caminhando até o limite da barreira transparente.

— O que eles fizeram? — perguntou ele, a voz subitamente baixa e perigosa. — Eles a trouxeram aqui para me torturar? Para me mostrar o que eu perdi?

— Eles querem informações, Loki — respondeu ela, tentando manter a voz firme, embora seu coração batesse contra as costelas como um pássaro enjaulado. — Eles acham que eu sou a única que pode fazer você falar.

Loki soltou uma risada seca, mas seus olhos nunca deixaram o rosto dela, percorrendo cada detalhe, desde o modo como ela mordia o lábio inferior até a curva de seus quadris.

— E você aceitou? — Ele encostou a mão no vidro, os dedos longos e pálidos traçando o contorno da imagem dela. — Aceitou ser a arma deles contra mim?

— Eu não queria vir — confessou ela, dando um passo à frente, ignorando o aviso tátil da segurança em seu ouvido através de um comunicador oculto. — Mas eu precisava ver se você ainda estava aí. Se o homem que eu conheci, o homem que amava Jane Austen e reclamava que o chá de Nova York era horrível, ainda existia.

Loki desviou o olhar, uma sombra de vergonha cruzando seu semblante.

— Aquele homem foi uma ilusão, Clara. Uma mentira que contei a mim mesmo.

— Não era mentira quando você me segurava à noite e dizia que eu era o seu único lar — rebateu ela, a voz subindo de tom pela emoção. — Não era mentira o modo como você me olhava. Você não sabe mentir para mim, Loki. Eu vejo através de todas as suas ilusões.

Loki bateu com o punho no vidro, o estrondo ecoando pela sala.

— Por que você não me odeia?! — rugiu ele. — Eu tentei queimar o seu mundo! Eu deveria ser um monstro para você!

— Você é um monstro — disse ela, as lágrimas finalmente caindo. — Um monstro egoísta, arrogante e quebrado. Mas eu ainda amo você. E é por isso que dói tanto estar aqui.

O silêncio que se seguiu foi sufocante. Loki encostou a testa no vidro, fechando os olhos. Ele parecia exausto, despojado de toda a sua glória divina.

— Eles estão ouvindo, não estão? — sussurrou ele. — Os heróis. Estão esperando que eu entregue o cetro em troca de um momento com você.

— Sim — admitiu Clara.

— Eles não entendem nada sobre nós — disse Loki, abrindo os olhos, que agora brilhavam com uma intensidade febril. — Eles acham que o amor é uma fraqueza que pode ser explorada. Eles não sabem que você é a única coisa que me mantém ancorado a este reino miserável.

— Então me ajude — pediu ela, estendendo a mão como se pudesse tocar a dele através do vidro. — Diga a eles o que querem saber. Acabe com isso antes que eles o levem para Asgard e eu nunca mais veja você.

Loki olhou para a mão dela, o desejo de tocá-la lutando contra seu orgulho ferido.

— Se eu falar... — começou ele, a voz falhando — ... eles vão me levar de qualquer maneira. O destino de um criminoso de guerra está selado.

— Mas você estará vivo — disse Clara. — E talvez, apenas talvez, haja uma chance de redenção.

Loki soltou um suspiro trêmulo. Ele se aproximou ainda mais, sua respiração embaçando o vidro.

— Você continua a mesma — comentou ele com um sorriso triste, quase terno. — Sempre acreditando no melhor das pessoas, mesmo quando não há nada além de cinzas. Você está linda, Clara. O tempo em Midgard parece lhe fazer bem.

Clara sentiu o rosto esquentar. Mesmo em meio ao caos, Loki tinha o poder de fazê-la se sentir a mulher mais importante do universo.

— Não mude de assunto, Loki.

— O cetro está nas coordenadas que Stark chamaria de "Ponto Cego" nas Indústrias Hammer — disse ele de repente, rápido e sem emoção, como se estivesse cuspindo um veneno. — Eles encontrarão o que procuram lá.

Clara ouviu o suspiro de alívio de Natasha pelo comunicador. Missão cumprida. Mas para Clara, a verdadeira batalha estava apenas começando.

— Obrigada — murmurou ela.

— Não me agradeça — disse Loki, sua expressão tornando-se fria novamente, a máscara de vilão voltando ao lugar. — Eu não fiz isso por eles. Fiz porque não suporto ver você chorar. Agora vá, Clara. Volte para seus livros e sua vida pacata. Esqueça o deus que nunca mereceu seu coração.

— Eu nunca vou esquecer você — afirmou ela, colocando a palma da mão sobre o vidro, exatamente onde a mão dele estivera segundos antes.

— Eu sei — respondeu ele, um brilho de arrogância e tristeza em seus olhos. — Esse é o meu maior triunfo e minha maior punição.

Clara se virou para sair, mas antes de atravessar a porta, olhou para trás uma última vez. Loki ainda estava lá, uma figura solitária em uma caixa de vidro, observando-a com uma fome que nenhuma eternidade poderia saciar.

Ao sair da sala de contenção, Clara encontrou Steve e Natasha esperando por ela.

— Você foi muito bem, Clara — disse Steve, tentando colocar a mão em seu ombro em um gesto de conforto.

Ela se esquivou, o olhar endurecido.

— Espero que estejam satisfeitos — disse ela, a voz carregada de desprezo. — Vocês conseguiram o que queriam. Agora, por favor, me levem para casa. Eu tenho um livro para terminar e uma vida para tentar consertar.

Enquanto caminhava pelos corredores de metal, Clara sentia o peso do olhar de Loki em sua alma. Ela sabia que, não importava quantos quilômetros ou dimensões os separassem, eles estavam irrevogavelmente ligados. O amor deles era uma tragédia escrita nas estrelas, mas, por um breve momento, no silêncio de uma cela fria, o gelo de um deus havia derretido diante do calor de uma mulher comum que se recusava a desistir dele.
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