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O amor impossível

Fandom: Marvel

Creado: 22/4/2026

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O Segredo Sob a Armadura de Vidro

O som metálico dos passos de Tony Stark ecoava pelo corredor da Torre dos Vingadores, mas Clara mal o ouvia. Ela estava ocupada demais tentando equilibrar Leo, seu bebê de oito meses, no quadril, enquanto o pequeno tentava, com toda a sua determinação de bebê gordinho, morder a alça de couro de sua bolsa. Leo era a imagem cuspida da mãe na personalidade solar, mas tinha os olhos de um verde tempestuoso que Clara tentava ignorar todas as manhãs ao se olhar no espelho.

— Clara, você me ouviu? — Tony parou à frente dela, cruzando os braços sobre o reator arc. O olhar dele caiu por um segundo sobre o neto, suavizando-se por um milésimo de segundo antes de endurecer novamente. — Ele não está falando. Nem com o Thor, nem com o Romanoff, nem sob a ameaça do Hulk. Ele está sentado naquela cela rindo da nossa cara.

Clara ajeitou Leo, sentindo o peso reconfortante das perninhas roliças do filho contra sua cintura. Ela soltou uma risada seca, sem o brilho habitual de sua extroversão.

— E você acha que eu sou a solução, pai? — Ela arqueou uma sobrancelha. — Depois de você ter me obrigado a terminar com ele? Depois de ter apagado qualquer rastro dele da minha vida?

— Eu fiz o que era necessário para proteger você! — Tony exclamou, baixando o tom logo em seguida ao ver Leo se assustar. — Ele é o Deus da Trapaça, Clara. Ele ia usar você.

— Ele me amava, pai. Do jeito torto dele, mas amava — sussurrou ela, sentindo o aperto no peito.

Tony suspirou, passando a mão pelo rosto cansado.

— Ele planeja algo grande. Precisamos saber o que é antes que Nova York vire um parque de diversões para monstros interdimensionais de novo. Ele só pergunta por você. Vá lá. Use esse seu jeito que ganha todo mundo. Tire o que precisamos.

Clara olhou para Leo. O bebê agora brincava com um cacho do cabelo castanho da mãe, alheio ao fato de que o pai que ele nunca conheceu estava a poucos andares de distância, trancado em uma caixa de vidro.

— Eu vou — disse ela, a voz firme. — Mas o Leo fica com a Pepper. E se você ousar contar a ele sobre o bebê antes de eu decidir o que fazer, eu juro que vendo todas as suas armaduras para o mercado negro.

Tony assentiu, pegando o neto com uma cautela que beirava o cômico.

— Vá. Acabe com isso.

O elevador desceu para os níveis subterrâneos em um silêncio sufocante. Clara respirou fundo, alisando o vestido que abraçava suas curvas. Ela sempre fora confiante com seu corpo, uma mulher gordinha e cheia de vida que não pedia desculpas por ocupar espaço, mas ali, diante da porta da contenção, ela se sentia pequena.

As portas se abriram. A sala estava fria. No centro, a cela de vidro circular continha a figura esguia e pálida de Loki. Ele estava sentado no chão, as costas retas, lendo um livro que parecia ter surgido do nada.

Ao ouvir o som dos passos dela, ele não se moveu imediatamente.

— Mandaram o Homem de Ferro de volta? — A voz de Loki era seda e navalha. — Ou o Capitão veio me dar outro sermão sobre honra?

— Nenhum dos dois — disse Clara, aproximando-se do vidro.

Loki congelou. O livro em suas mãos foi fechado lentamente. Ele se levantou com uma elegância predatória e se virou. Quando seus olhos encontraram os dela, a fachada de arrogância vacilou por um breve instante, substituída por algo que parecia dor pura.

— Clara — sussurrou ele, caminhando até o limite do vidro. — Você está... diferente. Mais radiante, se é que isso é possível.

Clara soltou um riso nervoso, cruzando os braços.

— É o que acontece quando você para de namorar vilões interdimensionais e começa a dormir oito horas por noite... ou tenta.

Loki inclinou a cabeça, os olhos verdes percorrendo o rosto dela com uma fome desesperada.

— Seu pai me disse que você não queria mais me ver. Que tinha percebido o erro que era estar comigo.

— Meu pai diz muita coisa, Loki. Assim como você — retrucou ela, aproximando-se mais, até que apenas o vidro temperado os separasse. — Por que você está fazendo isso de novo? Por que o ataque à base em Berlim?

Loki sorriu, mas o sorriso não chegou aos olhos.

— Direta ao ponto. Stark treinou você bem. Eles a enviaram como um sacrifício? Ou acham que seu coração ainda bate por mim o suficiente para me fazer fraquejar?

— Eu vim porque sou a única que você escuta — disse Clara, tentando manter a voz estável. — E porque eu precisava olhar na sua cara uma última vez.

— Uma última vez? — Ele encostou a mão no vidro, exatamente onde o ombro dela estava do outro lado. — Você não faz ideia do quanto eu pensei em você naquela cela em Asgard. Do quanto o cheiro de baunilha da sua pele era a única coisa que me mantinha lúcido.

Clara sentiu uma lágrima teimosa escorrer. Ela se lembrou das noites em que se escondiam no terraço da torre, de como ele jurava que o trono de Midgard não valia um único sorriso dela.

— Se isso fosse verdade, você não estaria aqui — disse ela, a voz falhando. — Você teria mudado. Por nós.

— Eu tentei! — Loki subitamente golpeou o vidro, o som ecoando pela sala. — Mas seu pai... aquele homem pequeno e arrogante... ele me tirou a única coisa que me tornava real neste mundo. Ele me disse que você me odiava.

— Ele mentiu! — gritou Clara, a extroversão dando lugar a uma explosão de sentimentos guardados por meses. — Ele me obrigou a terminar porque ele tinha medo! E eu tive medo também!

Loki parou, sua respiração pesada embaçando o vidro.

— Medo de quê, Clara?

Ela hesitou. O plano era tirar informações sobre os códigos de ativação do portal. Mas ali, olhando para o homem que ela amara com cada fibra de seu ser, a verdade pesava mais que qualquer segredo de estado.

— Medo de que você não estivesse aqui para o que veio depois — disse ela, a voz mal passando de um sussurro.

Loki franziu a testa, a confusão nublando seu olhar astuto.

— O que veio depois?

Clara olhou para a câmera no canto da sala, sabendo que Tony estava assistindo. Ela não se importava mais.

— Eu tive um filho, Loki.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Loki recuou um passo, as mãos caindo ao lado do corpo. O Deus da Trapaça, mestre das palavras, parecia ter esquecido como se fala.

— Um... um filho? — Ele gaguejou, a palidez de seu rosto tornando-se quase translúcida. — Meu?

— Ele tem oito meses — disse Clara, permitindo-se sorrir em meio às lágrimas. — Ele é gordinho, tem as minhas bochechas e os seus olhos. E ele é a coisa mais barulhenta e maravilhosa que já aconteceu na minha vida.

Loki encostou a testa no vidro, fechando os olhos. O corpo dele tremia levemente.

— Eu perdi... eu perdi o nascimento dele. Eu perdi tudo.

— Você pode não perder o resto — disse ela, arriscando tudo. — Me diga o que você planejou. Me ajude a parar isso, e eu juro, Loki... eu juro que deixo você conhecê-lo. Eu não vou deixar que ele cresça sem saber quem é o pai, mas eu não posso deixar o pai dele destruir o mundo onde ele vive.

Loki abriu os olhos. Não havia mais o brilho de malícia, apenas uma determinação sombria e uma vulnerabilidade que ele nunca mostrara a ninguém.

— O cetro não está com os seguidores de Thanos — começou ele, a voz baixa e rápida. — Eles estão usando um sinal de frequência vindo de uma base submarina no Atlântico. Se vocês desligarem o repetidor, o exército não terá como se materializar.

Clara suspirou, o alívio lavando seu corpo. Ela se aproximou do interfone e sussurrou:

— Você ouviu, pai. Vá pegar os caras.

Do outro lado do vidro, Loki a observava como se ela fosse a única fonte de luz em um universo de escuridão.

— Como ele se chama? — perguntou ele.

— Leo — respondeu Clara, sorrindo. — Leonardo Stark Laufeyson. Mas eu só chamo ele de "meu pequeno trovão" quando ele chora muito alto.

Loki soltou uma risada curta, uma mistura de soluço e alegria.

— Um nome de rei. E ele... ele é bem cuidado?

— Ele é o dono desta torre, Loki. Até o Hulk morre de medo de acordá-lo da soneca da tarde.

Loki sorriu de verdade agora, um sorriso que Clara reconheceu das madrugadas de confidências.

— Clara... eu farei o que for preciso. Eu vou limpar meu nome, ou vou passar o resto da eternidade nesta cela se for necessário, mas... por favor. Deixe-me vê-lo.

Clara colocou a mão sobre o vidro, e desta vez, ele colocou a dele exatamente sobre a dela.

— Eu vou trazer ele aqui amanhã — prometeu ela. — Mas se você tentar qualquer truque de mágica para fugir, eu mesma te mando de volta para Asgard em um foguete.

— Eu não vou a lugar nenhum — disse Loki, os olhos fixos nela. — Eu já encontrei o meu reino.

Clara saiu da sala de contenção com o coração leve pela primeira vez em quase um ano. Ao subir para a sala de estar, encontrou Pepper segurando Leo, enquanto Tony digitava furiosamente em seus hologramas, já coordenando o ataque à base submarina.

— Você conseguiu — disse Tony, sem olhar para cima, mas o tom de sua voz não era de vitória, era de resignação.

— Eu consegui — confirmou Clara, pegando Leo de volta. O bebê soltou um balbucio alegre e agarrou o nariz da mãe. — E ele vai vê-lo amanhã, pai. E você vai abrir aquela cela e colocar guardas, mas vai deixá-lo segurar o neto.

Tony parou de digitar. Ele olhou para a filha, para a determinação nos olhos dela, e depois para o bebê que carregava o sangue de seu maior inimigo e de sua maior alegria.

— Ele vai precisar de uma contenção especial para bebês — resmungou Tony, voltando ao trabalho. — Vou começar a projetar um berço de vibranium.

Clara riu, beijando a testa de Leo. O caminho à frente seria difícil, cheio de burocracia da S.H.I.E.L.D. e julgamentos divinos, mas enquanto sentia o peso quente de seu filho nos braços, ela sabia que a trapaça de Loki tinha finalmente encontrado um fim, e a história deles, um novo e inesperado capítulo.
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