Fanfy
.studio
Cargando...
Imagen de fondo

los jovens

Fandom: euphoria e skam

Creado: 22/4/2026

Etiquetas

DramaAngustiaPsicológicoOscuroEstudio de PersonajeAbuso de AlcoholUso de DrogasCelosThrillerNoirLenguaje ExplícitoIntento de SuicidioRealismo
Índice

O Reflexo de um Vidro Estilhaçado

O espelho do banheiro da escola não mentia, mas Hades era mestre em distorcer a verdade. Ela retocou o batom escuro com uma precisão cirúrgica, observando a própria imagem. Por fora, a estética era impecável: o delineado gatinho afiado o suficiente para cortar, o uniforme customizado com um desleixo caro, o controle absoluto em cada movimento. Por dentro, porém, ela sentia o vazio familiar expandindo-se como um buraco negro.

Ela não sabia se estava vivendo ou apenas se destruindo mais devagar. A sensação de dissociação era constante; às vezes, ela olhava para as próprias mãos e não as reconhecia. Eram mãos que buscavam dor para sentir algo, mãos que se agarravam a pessoas que eram veneno puro.

Ao sair para o corredor, o caos controlado da East High a atingiu.

— Você viu a Sophie? — Luna surgiu ao seu lado, um sorriso brilhante demais, os olhos dilatados denunciando que o café da manhã dela tinha sido algo mais forte que cafeína. — Ela está chorando no armário de novo porque o Dante não respondeu um emoji.

— Sophie precisa aprender que o Dante é um incêndio — Hades respondeu friamente, sem diminuir o passo. — Se você chega perto, se queima. É a função dele.

— E a nossa função é assistir ao fogo, né? — Luna riu, uma risada que soava como vidro quebrando.

Perto dali, Eva conversava com Iris. Eva mantinha as costas eretas, a postura de quem tinha a vida sob controle, mas Hades notou o tremor leve em seus dedos enquanto ela organizava os livros. Eva não surtava; ela implodia em silêncio, uma contagem regressiva que ninguém mais via. Iris, por outro lado, parecia uma sombra. Ela sentia tudo em excesso, mas guardava tanto para si que parecia estar prestes a desaparecer no ar.

A tensão no grupo era palpável. Valentina passava pelo corredor como uma rainha em pé de guerra, lançando olhares gélidos para qualquer garota que ousasse respirar perto de onde ela achava que seu território começava. O orgulho de Valentina era sua armadura e sua prisão.

Foi então que o ar mudou.

Um garoto novo estava parado perto da secretaria. Ele não parecia perdido; ele parecia estar estudando um tabuleiro de xadrez. Noah. No momento em que os olhos dele encontraram os de Hades, ela sentiu um calafrio que não era de medo, mas de reconhecimento. Ele não sorriu. Ele apenas a observou, desmantelando as camadas de sua armadura com um único olhar.

— Ele é perigoso — sussurrou Iris, surgindo do nada ao lado de Hades.

— Eu sei — Hades respondeu, sentindo o pulso acelerar. — É por isso que eu não consigo parar de olhar.

O dia passou como um borrão febril até que, na saída, uma moto estacionou pesadamente na frente do portão. Kai. Ele tirou o capacete, o cabelo bagunçado, a expressão de quem não se importava com nada nem ninguém.

— Você sumiu por três semanas — disse Hades, aproximando-se dele. O coração dela, que Noah havia intrigado, agora doía de uma forma velha e familiar.

— Eu tive coisas para resolver, Hades — Kai respondeu, a voz desprovida de qualquer calor emocional. Ele era um mestre em criar dependência e depois recuar para o gelo. — Vai ter uma festa na casa do Dante hoje. Você vai?

— Eu não deveria.

— Mas você vai — ele afirmou, ligando o motor. — A gente se vê lá. Ou não.

Ele partiu sem olhar para trás. Hades ficou ali, sentindo-se pequena, sentindo a necessidade de validação subir pela garganta como bile.

***

A festa na casa de Dante era a personificação do excesso. A música estava tão alta que as paredes pareciam pulsar. Dante circulava entre os convidados, distribuindo bebidas e piadas ácidas, incentivando todos a cruzarem a linha do bom senso.

— Bebe mais um pouco, Sophie! — Dante gritou, passando o braço pelo ombro da garota. — O mundo não vai acabar se você esquecer quem você é por uma noite.

Sophie sorriu, mas seus olhos buscavam desesperadamente por aprovação. Ela se submetia a qualquer coisa, a qualquer humilhação silenciosa, apenas para não ser deixada sozinha no escuro de sua própria insuficiência.

No canto da sala, a tensão entre Valentina e uma garota qualquer explodiu.

— Eu já disse para você sair de perto dele! — a voz de Valentina cortou a música.

— Ele nem é seu namorado, Valentina! — a garota retrucou.

— Ele é o que eu decidir que ele é! — Valentina avançou, a agressividade transbordando. Ela preferia destruir a casa inteira a parecer fraca ou trocada.

Enquanto isso, Luna dançava em cima de uma mesa, virando uma garrafa de vodca. O riso dela era histérico. Hades a observava de longe, sabendo que, assim que a música parasse e as luzes se apagassem, Luna colapsaria em um silêncio perigoso.

Hades tentou encontrar Kai na multidão, mas encontrou Noah. Ele estava escorado em uma pilastra, segurando um copo com elegância, observando o caos como se estivesse em um museu. Ele caminhou até ela, ignorando a música, ignorando as pessoas.

— Você não pertence a este lugar — Noah disse, a voz baixa, calma, mas que parecia ecoar dentro da mente dela.

— E você pertence? — Hades rebateu, tentando manter sua máscara de indiferença.

— Eu pertenço a qualquer lugar onde eu possa ver as pessoas como elas realmente são — Noah deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela. — E você, Hades... você é um incêndio tentando se convencer de que é apenas uma vela.

— Você nem me conhece.

— Eu conheço o vazio que você tenta preencher com o Kai. Eu conheço a exaustão de fingir que você tem o controle — ele tocou levemente o rosto dela, um gesto que deveria ser reconfortante, mas que parecia uma captura. — Ele te trata como um objeto descartável. Eu te trataria como uma obra de arte.

Hades sentiu a realidade vacilar. Noah não levantava a voz, mas ele bagunçava sua mente com uma precisão assustadora. Era gaslighting disfarçado de compreensão. Ele a fazia sentir-se única ao mesmo tempo em que a isolava de tudo o que ela conhecia.

— Você está tentando me manipular? — ela perguntou, a respiração curta.

— Eu estou tentando te acordar — Noah sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos. — Mas talvez você prefira continuar dormindo com o Kai.

Ele se afastou, deixando-a em um estado de dissociação profunda. O barulho da festa tornou-se abafado, como se ela estivesse debaixo d'água. Ela viu Kai do outro lado da sala, beijando outra garota, um teste óbvio para ver até onde ela aguentaria. Ela viu Eva sentada em um sofá, os olhos fixos no nada, hiperventilando discretamente enquanto ninguém percebia.

Hades não aguentou. Ela empurrou as pessoas e saiu para o jardim, correndo até chegar à beira da piscina vazia nos fundos da propriedade.

O silêncio ali era pesado. Ela se sentou na borda, as pernas balançando no abismo de concreto. Ela se sentia perdida, uma bússola quebrada em um mar de tempestades.

— Eu não sei quem eu sou — ela sussurrou para o escuro.

Seu celular vibrou no bolso. Ela o pegou com as mãos trêmulas.

Era uma mensagem de Noah.

"O caos é mais bonito quando você para de lutar contra ele. Venha para a minha casa. Eu tenho o que você precisa."

Hades olhou para a tela. Ela sabia o que aquilo significava. Sabia que Noah era um mestre em controle emocional, que ele usaria suas fraquezas para transformá-la em algo que ele pudesse possuir. Ela sabia que Kai era uma dor conhecida, mas Noah era um abismo novo.

Ela olhou para a festa atrás de si — os gritos de Valentina, o colapso iminente de Luna, a fragilidade de Sophie.

Hades sentiu o impulso de se destruir mais um pouco. Era o único padrão que ela conhecia. Ela confundia aquela intensidade, aquele perigo, com amor.

Seus dedos digitaram a resposta antes que sua mente pudesse protestar.

"Estou a caminho."

Ela se levantou, a estética perfeita ainda intacta, mas a alma em frangalhos. Enquanto caminhava em direção ao portão, ela não olhou para trás. O ciclo de autodestruição estava apenas começando uma nova e mais perigosa volta.
Índice

¿Quieres crear tu propio fanfic?

Regístrate en Fanfy y crea tus propias historias.

Crear mi fanfic